Em 2008 eu fiz um mochilão de 21 dias pela América do Sul: incluía 4 países (Argentina, Bolívia, Chile e Peru) e dois pontos turísticos importantíssimos (Machu Picchu no Peru e o Salar de Uyuni na Bolívia).

Na época, essa viagem me custou aproximadamente R$ 2.500 reais, tirando passagens aéreas (que custaram em torno de R$ 1.200, na época) e compras (que foram bem módicas, afinal era um mochilão e eu que ia ter que carregar aquela tralha comprada nas costas).

Parece bem razoável em termos de valores e tempo, né? Bem, claro que de lá para cá esse universo dos preços mudaram muito, mas essa sem dúvida foi uma das melhores viagens da minha vida – e eu sempre passava as dicas e roteiros para alguns amigos que anos depois procuravam um roteiro de mochilão aqui pela nossa vizinhança, mas sempre fiquei devendo um roteiro completão das dicas (tem só algumas coisas aqui e ali, espalhadas nos primeiríssimos posts do blog).

Só que agora, anos depois, eu não cheguei a refazer o roteiro do mochilão todo, mas acabei revisitando alguns dos lugares que havia visto na época, o que foi ótimo para me atualizar do que tinha mudado, e para refrescar as informações e a cabeça (afinal, cada viagem a gente está com uma vibe diferente, e voltar a um mesmo lugar às vezes dá a sensação de ser um lugar novo, quando que na verdade foi a gente que mudou).
E, bem, de 2008 para cá aconteceu muita coisa mesmo!. 🙂

Ou seja, tomei vergonha na cara e resolvi preparar um guia completo daquela viagem lá de trás, só que com todas as atualizações que consegui pesquisar, em alguns casos porque voltei ao lugar (especialmente o trecho peruano de Cusco, Machu Picchu e Águas Calientes, que estive – e me apaixonei de novo – agora em maio), em outros porque conversei com quem fez o mesmo trajeto que eu mais recentemente, e outros casos ainda eu fui pesquisando na unha mesmo para saber o que tinha mudado.

Somado a isso tudo, acrescentei ainda observações que acho que podem ajudar muito vocês na hora de montar o seu plano de viagem: são elas “O que eu fiz” X “O que eu faria”, em que a ideia é justamente mostrar o que eu fiz de errado ou de não tão bacana assim sem saber, e que só aprendi na hora – mas aí pelo menos você já vai sabendo tudo de antemão! 😉

Ou seja, refiz o dever de casa para mostrar para vocês um roteiro enxutinho, bacana para se conhecer lugares bem legais da América do Sul, dá para encaixar perfeitamente numa das suas férias do trabalho (foi o que eu fiz na época) e com uma folga de mais uns dias ainda (caso você consiga tirar 30 dias de férias e possa esticar mais em um lugar ou outro – aí, fica a seu critério qual você escolhe)!

Serão dois posts bem completos (e compridos, mas tem a vantagem de você encontrar todas as informações num lugar só!). O primeiro é esse, com o roteiro e as dicas de cada dia da viagem, o que levar, alternativas, etc.
O segundo é esse aqui, com todos os deslocamentos entre cada cidade, as dicas do que fiz (e do que não deu certo) e os links do que fazer e onde ficar em cada cidade. Depois disso, é só organizar a viagem direitinho, fazer a mochila e ir! 🙂

Importante: Quase tudo neste post foi escrito com base na minha experiência, com o que eu tinha na época, e na experiência de outros viajantes que fizeram o mesmo roteiro, ou trechos dele, e que dividiram comigo suas alegrias e perrengues. Se caso você já tenha feito algo parecido e com você a coisa tenha sido um pouco diferente, conta para a gente aqui nos comentários – é sempre bom saber mais opiniões! 🙂

Na foto: Nicolas Nazareth, tio viajante da blogueira que vos fala, e que seguiu 80% deste roteiro há um tempo atrás. Ele foi um dos que nos atualizou com fotos, histórias e mudanças de cada lugar!

Importante (2): Gente, o valor que eu coloquei ali em cima foi o que eu gastei lá nos idos da viagem, em março de 2008. Naquela época Machu Picchu ainda não era tão caro, os Estados Unidos não tinham entrado em crise, e muita coisa tava diferente na economia do mundo e do nosso dinheirinho. Então, claro, acho que essa mesma viagem hoje não rolaria por esse mesmo valor (e ainda assim, temos que considerar que cada viajante tem seu próprio gosto, prioridades e gastos, e um orçamento de um nunca é o mesmo de outro). Mas para ajudar vocês a saberem por onde começar a pesquisar o planejamento e com isso tentar ter uma idéia de quanto custaria a viagem de vocês, vou colocando aqui os links atualizados dos hotéis, passagens e ingressos à medida em que eu os encontrar, para aí ajudar vocês a ter pelo menos o passo inicial de onde procurar, tá? Mas afirmar exatamente quanto você vai gastar na sua viagem eu nem me atrevo a fazer, então, por favor, nem me pergunte! 🙂

Dito isso, vamos lá!

Os pré-requisitos

Quem ia: Éramos duas amigas, eu e a Rochane, viajando sozinhas.

Eu e Rochane lá pelos idos de 2008. Eu ainda tinha essa “baby face” 😛

Tempo: Tínhamos exatos 20 dias de férias (a empresa não deixava tirar 30 dias corridos), mas na prática a gente deu um jeitinho de modo que as férias começassem numa segunda, o que na prática nos daria 22 dias de férias, contando com o sábado e o domingo anteriores.

O que a gente queria: Como só tínhamos 20 dias, o ideal era aproveitar o máximo do tempo de férias. Escolhemos viajar pela América do Sul, e seja lá qualquer que fosse o roteiro, ele teria que passar por Buenos Aires (escolha de Rochane), Salar de Uyuni (minha escolha) e Machu Picchu (escolha de ambas).

Resultado: de cara, o mochilão teria 3 países: Bolívia, Argentina e Peru. O Chile foi acrescentado depois por questões logísticas (e a gente gostou muito desse ajuste!). 🙂

Praia de Arica, Chile. Não é a praia mais bonita que você vai ver na vida, mas é praia, o que é sempre uma boa ideia (especialmente depois de alguns dias de deserto!). Crédito da Foto: Nicolas Nazareth

O roteiro

Fazendo a ginástica dos pré-requisitos que a gente tinha, tempo de deslocamento e dinheiro, o roteiro ficou assim (e a gente explica depois o porquê de cada decisão e dá as alternativas):

1º dia: Rio – Buenos Aires (Argentina). Pernoite em Buenos Aires.
2º dia: Curtir o dia em Buenos Aires (Argentina). Pernoite em Buenos Aires (veja hospedagens em Buenos Aires aqui).
3º dia: Buenos Aires durante o dia e partida à tardinha para Salta (Argentina). Pernoite em Salta (veja aqui: hospedagem em Salta).
4º dia: Todo o dia curtindo Salta e partida à noite para La Quiaca (Argentina/Bolívia). Pernoite no ônibus.
5º dia: Chegada de manhã em La Quiaca (Argentina), cruzar a fronteira com a Bolívia e entrar na cidade de Villazón (Bolívia). Depois, pegar o trem para Uyuni (Bolívia). Pernoite em Uyuni.
6º dia: Início do tour de 3 dias de 4×4 pelo Salar de Uyuni (Bolívia) – posts aqui, aqui e aqui. Pernoite em abrigo;
7º dia: Tour pelos lagos e altiplanos bolivianos e pela Árbol de Piedra. Pernoite em abrigo;
8º dia: Tour pelos gêiseres bolivianos, passagem pela imigração e saída da Bolívia e chegada em San Pedro de Atacama (Chile), de manhã. Curtir a cidade durante o dia e à noite, ônibus para Arica (Chile). Pernoite no ônibus.
9º dia: Chegada em Arica (Chile) pela manhã. Pernoite em albergue em Arica.
10º dia: Curtir o dia em Arica. Pernoite em Arica.
11º dia: Partida de manhã para Tacna (Peru). No mesmo dia, ônibus para Arequipa e de lá para Cusco (Peru). Pernoite no ônibus para Cusco (Peru).
12º dia: Chegada em Cusco pela manhã. City tour pela cidade e pernoite em Cusco.
13º dia: Cusco (passeio pelo Valle Sagrado). Pernoite em Cusco (ALTERNATIVA: pegar o trem em Ollantaytambo e seguir para Águas Calientes ou pernoitar em Ollantaytambo).
14º dia: Saída cedo de Cusco para Águas Calientes (Peru). Pernoite em Águas Calientes.
15º dia: Visita a Machu Picchu e retorno para Cusco (Peru). Pernoite em Cusco (veja hospedagens em Cusco aqui).
16º dia: Passeio por Cusco e compras. À noite, ônibus para Copacabana (Bolívia). Pernoite no ônibus.
17º dia: chegada em Copacabana. Pernoite em Copacabana (Bolívia). Veja opções de hospedagem em Copacabana aqui.
18º dia: Passeio à Isla del Sol, no Titicaca. À noitinha, ônibus para La Paz (Bolívia). Pernoite em La Paz.
19º dia: Passeio por La Paz. Pernoite em La Paz (veja hospedagem em La Paz).
20º dia: Passeio e compras por La Paz de dia. À noite, vôo para Santa Cruz de La Sierra (Bolívia). Aqui a gente praticamente não teve pernoite, por que os voos foram todos de madrugada. Foi na base da soneca no avião mesmo.
21º dia: Vôo bem cedo de Santa Cruz de la Sierra para Guarulhos e depois para o Rio. Chegada em casa, tomar um bom banho e capotar na cama! 🙂

Ou seja, ficou mais ou menos assim (o mapa só não inclui os trechos de avião, que foram RIO-BUE-SALTA e LA PAZ-SANTA CRUZ-RIO).

E agora, o mapa completo, com todos os roteiros (incluindo os de avião!)

O que deu certo nesse roteiro

Na verdade, nossa rota inicial era esse roteiro ao contrário: começaríamos indo para a Bolívia e voltaríamos pela Argentina, mas não conseguimos fazer isso devido a um problema na hora do nosso embarque para a Bolívia (saiba exatamente o que aconteceu neste post aqui).

Então na prática o roteiro que fizemos foi esse aí de cima, o que no fim das contas teve alguns lados muito positivos:

#1) A viagem começou no conforto (Buenos Aires) e foi gradativamente se tornando uma viagem mais aventureira. O mesmo aconteceu com os perrengues (que fazem parte de um mochilão) e que foram também acontecendo, em quantidade e em tamanho, aos poucos e ao longo da viagem. Quando os maiores perrengues aconteceram, bem ou mal a gente estava mais escolada com a viagem, mais amiga uma da outra, e soubemos levar melhor. Estávamos mais cansadas também, mas ainda deu o saldo foi bem positivo.

#2) Altitude: o motivo mais importante pelo qual eu acredito que o roteiro, nesta ordem, foi positiva. Fomos primeiro para Uyuni e para os altiplanos bolivianos, que estão a aproximadamente 4000 metros de altitude, para só depois ir para o nível do mar (Arica) e depois a 3400 metros de novo (Cusco), Copacabana (3800) e La Paz (3600).
Para explicar melhor, eu fiz esse gráfico com as altitudes na ordem em que passamos por elas:

Crédito da arte: Blog Dondeando por Aí

Dá para ter uma ideia das diferenças? Então: eu passei mal horrores com a altitude no salar e nos altiplanos, mas foi coisa de 3 dias só, porque quando cheguei em Cusco e especialmente em Machu Picchu (ponto alto da viagem), estava ótima e já bem mais acostumada (se bem que ainda ficava cansada com mais facilidade). Mas aproveitei a cidade numa boa. Já a segunda vez que fui a Cusco, em outra viagem e dessa vez indo direto do nível do mar para lá, eu sofri muito com a altitude; muita dor de cabeça, enjoo, taquicardia. Aproveitei a cidade, sim, mas muito menos do que a primeira vez – o que me fez pensar que, no fim das contas, ter seguido essa ordem no mochilão teve lá o seu lado positivo, já que eu estava bem mais à vontade e confortável com a altitude na maior parte da viagem.

Dica esperta: Para quem pensa em fazer compras, vale a pena considerar dois importantes pólos onde as comprinhas são uma boa: Cusco (Peru) e Buenos Aires (Argentina). Se o destino que vocês preferem fazer compras é a capital portenha, então é melhor acabar a viagem por lá (para não precisar ter que ficar carregando todas as compras na mala a viagem toda!). Se for Cusco, uma boa ideia seria acabar a viagem do lado peruano ou boliviano, pelo mesmo motivo.

Mercado Artesanal de Cusco: um dos melhores pontos de compras da viagem!

O que eu gostaria de saber antes de ir (e não sabia)

#1) Eu só me toquei depois… mas se eu soubesse, teria feito um estoque de remédio contra o mal de altitude antes mesmo de chegar a Villazón, na Bolívia (e de preferência, antes de pegar o trem para Uyuni). Passei bem mal de altitude lá (não fui a única) e a cidade de Uyuni, pelo menos na época, não tinha muito chá de coca, folha de coca ou outros remedinhos que aliviassem. Então, anote: se tiver a chance, antes de seguir a Cusco ou Bolívia, compre um remedinho chamado Soroche Pills (um comprimido de manhã e outro à noite aliviam em muito o mal estar), balas de coca e chá de coca. Analgésicos para dor de cabeça também são uma boa.

Balas de coca: me ajudaram sim, mas não resolveram o problema. De qualquer modo, fica a dica de comprar um certo estoque e ir mascando ao longo do dia.

#2) Teria me aventurado mais nas comidas peruanas, que estão simplesmente entre as melhores que já comi na vida (e um dos motivos para você amar o Peru quando estiver lá).

Mas isso porque só me arrisquei nelas da segunda vez. Da primeira, fiquei no básico pizza-sanduíche-macarrão, porque já tinha passado muito mal com a altitude e não queria arriscar com o estômago sensível. Por isso, fica a #dicadocoração ali em cima: se previna com alguns remedinhos para se acostumar melhor, e caia com tudo na comida: é uma das melhores partes da viagem! 🙂

O que eu mudaria neste roteiro, se fosse fazer ele de novo hoje

Ficaria mais tempo em Salta (Argentina): Ah, aqui eu ficaria mesmo!

Por vários motivos: Salta é uma cidade fofíssima, cheia de história e um charme estudantil gostoso de ficar. Vale a pena ficar um dia na cidade passeando de boa (veja este post aqui, feito depois de apenas uma tarde por lá) e tem o passeio de Cafayate, que inclui visitação a ótimas vinícolas na região.

E ainda tem o passeio pelas paisagens cheias de formações rochosas mega interessantes! É a chance de tirar fotos lindas! 🙂

Para quem arrisca ainda ficar mais um dia, tem o Trem de las Nubes, que como o nome diz, chega a percorrer trechos numa altura de 4200 metros de altitude. Vale a pena um dia a mais só para riscar isso da lista.

Ficaria mais tempo em San Pedro de Atacama (Chile): Não ficamos por dois motivos: estávamos cansadas de três dias do tour de 4×4 que vinha desde o Salar de Uyuni (que é lindo, mas cansa), eu estava passando muito mal por três dias seguidos de mal-estar por causa da altitude e já estávamos legal de ver deserto. O que a gente queria, e muito, era uma praia: coisa bem ao nível do mar e que Arica tinha, nosso próximo destino. Por isso, rumamos direto para lá – e no post que eu tinha escrito na época eu dizia isso mesmo, que San Pedro de Atacama era um “viu-tá-visto”.
Mas isso foi lá em 2008, quando viajei. Porque já mudei de idéia.
Se fosse hoje, talvez eu optasse por ficar pelo menos um pernoite e um dia a mais em San Pedro, cidade charmosa que é. E posso dizer mais? É porque eu estava com uma amiga, porque se estivesse viajando a dois com namorado, eu fazia fácil fácil uma mini lua-de-mel ali! 😉 Especialmente neste hotel aqui, o Tierra Atacama (olha as fotos, sério!) que virou muito meu sonho de consumo para uns dois diazinhos românticos e merecidos. 😉
Tô de olho nele desde que dois queridos amigos blogueiros, o Átila e a Ludmy, foram lá e contaram neste post aqui.
Por uns dias aí, não vale a pena mudar de ideia e voltar lá? 🙂

Um dos ambientes do Tierra Atacama, que eu já estou namorando tem tempo! Crédito da Foto: Divulgação do hotel.
Um dos ambientes do Tierra Atacama, que eu já estou namorando tem tempo! Crédito da Foto: Divulgação do hotel.

Se desse, daríamos uma parada em Nazca (Peru): As misteriosas linhas de Nazca (que tem) desenhos de animais e que só são vistas sobrevoando de avião. A cidade de Nazca em si não muito o que fazer, só as linhas e pronto – mas a verdade é que só elas já merecem esse desvio na rota. Eu já fui duas vezes ao Peru e ainda não consegui ir lá. Ou seja, tá cada vez mais subindo na minha lista! 🙂
Dicas de posts de quem já fez esse passeio:
Sobrevôo de Nazca: fortes emoções (Blog Viaje Sim!)
Como Sobrevoar as Linhas de Nazca (Blog Pé na Estrada)

Ficaríamos mais tempo em Arequipa (Peru): eu confesso que tínhamos até deixado um dia a mais nesse roteiro todo que pretendíamos usar em Arequipa (na verdade, ao que parece Arequipa merece dois, mas um dia é melhor do que nada). Só que tivemos um imprevisto no destino anterior, em Arica (passamos muito mal e ficamos um dia de molho), o que nos fez optar por não perder mais tempo e seguir direto para Cusco.
Mas hoje, se eu tivesse chance, visitaria lá sim! Uma amiga minha foi no ano passado e mostrou fotos lindas – e quem tem posts bem bacanas do que fazer por lá é a Patrícia do Turomaquia, aqui. Então, coloca no seu roteiro se você tiver chance! 🙂
Veja os posts da Turomaquia sobre Arequipa aqui.

Ficaríamos menos tempo em Copacabana ou trocava o último trecho da Bolívia pelo Peru,, e voltava de lá para casa: Ah, desculpem-me, bolivianos queridos… O lado do Titicaca de vocês é lindo, visitar Copacabana tem um quê de cultural bacana, mas… se hoje eu estivesse refazendo o mesmo roteiro, eu mudaria os últimos dias.
Ou seja, eu deixaria de ter visto o lado Titicaca…

Paisagem da Isla del Sol, no Lago Titicaca…

… a cidade de Copacabana…

Margem da cidade de Copacabana

… e La Paz…


Mas em compensação, de Cusco eu poderia conhecer ainda o lago Titicaca pela margem peruana, visitando a cidade de Puno e suas ilhas flutuantes…

Atracando o barco em Puno. Crédito da Foto: Nicolas Nazareth

… e fecharia a viagem em Lima, para voltar ao Brasil pela capital peruana (a TAM tem voos diretos Lima-Guarulhos que são mão na roda).

Destaque do Parque do Amor, em Lima.

Não que lá Paz não tenha lá sua beleza… Nem digo que uma cidade seja melhor que a outra (afinal, eu também gostei de La Paz e Isla del Sol, perto de Copacabana, tem uma beleza peculiar). Mas é que por Lima e pelo Peru eu, definitivamente, me apaixonei (e explico o porquê aqui)! <3

Veja também: O que fazer em 6 horas em Lima

O período da viagem

Fomos em março, que é uma época no meio do caminho. Isso porque janeiro e fevereiro é época de muita chuva em Machu Picchu, e não é nem um pouco recomendada – há poucos anos teve um grande deslizamento de terra que acabou cortando o acesso à Águas Calientes. A melhor época para ir é em maio e junho; maio porque a época seca está começando, e junho porque é quando acontecem as várias festividades que remetem aos antigos incas em Cusco (a mais importante delas é o Inti Raimi, a Festa do Sol – quem tem posts legais sobre a festa é o Sundaycooks e a Fragata Surprise ).
Por outro lado, janeiro e fevereiro é também a época das chuvas no Salar de Uyuni, o que faz com que em março o deserto de sal ainda conserve uma fina camada de água por sobre sua enorme superfície, o que aumenta o seu poder reflexivo, e faz parecer que todo o deserto é um enorme espelho! Dá para tirar fotos lindas!!

E aí, quando ir? Bom, depende da sua prioridade! 🙂
(Mas se a gente pode dar uma dica, só evite ir nos meses de dezembro a fevereiro. Realmente a chuva é coisa séria por lá!).

Levando dinheiro

Ao lembrar disso, me sinto falando de séculos atrás, mas naquela época, em 2008, eu praticamente não sacava dinheiro de ATM, de modo que eu levei dinheiro vivo (acredite, mesmo com todo o risco).
Confesso que foi a primeira e a única vez que viajei com todo o dinheiro em espécie comigo, mas felizmente correu tudo bem. Aquela havia sido meu segundo mochilão para fora do país e eu ainda estava aprendendo os macetes da troca do dinheiro lá fora. Acho que só por isso eu não tinha passado toda a viagem mega preocupada – acho que é aquilo de “a ignorância é uma virtude”!
Então, eu tinha ido para o tradicional: levado notas de dólar, que guardava comigo em lugares separados para evitar roubo, e ia trocando pelas notas locais quando necessário. Junto com isso, um cartão de crédito para compras e reservas dos hotéis pela internet.
(Aliás, acho engraçado que, na época, eu usava direto computadores de lan houses obscuras do interior da Bolívia para fazer pagamentos e reservas dos hotéis ao longo da viagem e morria de medo de ter meu cartão clonado, mas nunca aconteceu. Em compensação, aqui no Rio de Janeiro meu cartão foi clonado “n” vezes, e na Europa meu email voltou absolutamente cheio de vírus, meu blog foi hackeado… Enfim.)

Só que na segunda vez em que eu fui tanto para a Argentina quanto para o Peru, eu não levei quase nada de moeda local – quase tudo foi pago com saques no cartão de débito, cartão de crédito, cartão pré-pago e ATM. Tem bastante ATM por lá, em todos os lugares – e inclusive, em se tratando de lojas de compras no Peru e Argentina, muitas delas aceitam até reais. Não foi um problema!

Arrumando a mala

Eu tinha um desafio: colocar em uma única mochila (que eu teria que ficar carregando nas costas, e portanto, não poderia exagerar no peso) roupas de calor (para o deserto de dia), roupas de frio (para o deserto de noite), bíquini (praia, rio, o que pintasse), e proteção para chuva.


Vale dizer que na época eu não era uma pessoa lá muito escolada na arte de viajar (era meu segundo mochilão e o mais hardcore até então), então é bem verdade que eu faria hoje algumas coisas bem diferentes. Mas eu apostei, na época, em roupas leves com secagem rápida: calças bailarina (na época, estavam com tudo), leggings, calças de microfibra (sabe aquelas calças compridas tipo cargo, com um zíper na perna que permite que você tire parte da perna da calça e transforme-a numa bermuda ou num short? Isso é uma grande mão na roda!). Junto com esses, algumas camisetas bacanas e levinhas (e que dessem com tudo, para não dar nenhum problema de uma coisa não combinar com outra), um casaco leve (tipo moletom, para um friozinho) e um casaco mais pesado, à prova de vento, para os dias de frio mais forte e chuva. Considerando que a viagem foi em março, no finzinho da temporada de chuvas e ainda com dias bem frios, quebrou bem o galho!

Ah, importante: meninas, levem uma echarpe! 🙂 São ótimos curingas: minha amiga levou a dela, que usava como echarpe, bandana de cabelo, touca para cabeça, manta, cinto, alça extra de bolsa, tudo… E especialmente no quesito cabelo, a echarpe ajuda bastante a proteger os fios, especialmente quando você estiver no deserto, com aquela poeirada toda!


Outra dica para as meninas: eu tinha feito na época o post “Tour no Deserto: Algumas observações estéticas” onde coloquei algumas dicas do que levar na nécessaire – e que ainda acho todas as dicas atualizadíssimas! Fiz esse post depois da minha experiência no deserto da Bolívia, mas repeti as mesmas dicas depois ao viajar pelo Egito, Jordânia…

Recapitulando…

Bom, essa é a primeira parte das dicas compiladinhas e mastigadas sobre o roteiro completo que fizemos. O segundo post é esse, sobre deslocamentos: e vem com mais informações completas sobre como fazer esses deslocamentos de cidade a cidade, quanto tempo leva, os sabores e dissabores que tivemos (para ajudar na sua escolha) e as dicas atualizadas dos transportes e hospedagem. Então, fique de olho – e se tiver uma dica diferente do que fez nas suas viagens, já sabe: conta aí nos comentários que a gente responde sempre! 🙂

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Mais informações para ajudar na sua viagem!

Hospedagem em Buenos Aires | Hospedagem em Salta | Hospedagem em Uyuni | Hospedagem em San Pedro de Atacama | Hospedagem em Arica | Hospedagem em Arequipa | Hospedagem em Cusco | Hospedagem em Ollantaytambo | Hospedagem em Águas Calientes | Hospedagem em Copacabana | Hospedagem em La Paz

 

E mais:

Todos os posts sobre: Peru | Bolívia | Chile | Argentina

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Comments

31 COMENTÁRIOS

  1. Oi.. quero fazer um mochilão com o meu irmão e como Europa no espaço de tempo que temos que é até julho de 2017 (estourando kkk) não é viável pois síria mito caro, optamos por fazer um mochilão aqui mesmo na américa do Sul, mas a minha maior duvida é a seguinte, na Europa a gente vai ou de trem ou em companhias aéreas super baratas mas e na américa do sul como é que eu faço para ir de um país á outro sem gastar muito, não quero ficar comprando um monte de passagens áreas…

  2. E aí, tudo jóia? (:

    Eu tmb estou querendo ir em Março. Queria saber de forma geral como estava o tempo quando foram..se pegaram chuva, onde pegaram..se tava Sol..

    vlw!

  3. Olá Clarissa,
    Espero que esteja bem.

    Primeiramente parabéns pelo blog, muito bem feito e com dicas muito validas. Estou encantado com toda sua viagem. Bem viajo bastante aqui pela europa, também vivo em Londres a alguns bons anos e já me aventurei bastante entre Europa , Asia e Africa agora chegou a hora de conheçer mas o nosso continente.

    Tenho pensado em Julho, pois serão as ferias escolares da minha filha de 10 anos que vive no Brasil, ela vai fazer o reteiro comigo e bem aventureira como o pai porém tenho muito medo de viagens na America do Sul por questões de segurança ( roubos… etc) o que acha ? Levando uma criança de 10 anos sugere algo diferente( quero muito incluir Argentina, Chile, Peru, tenho medo da Bolivia( n me pergunte pq) haha … e pensei muito na Colombia mas como so tenho 25 dias tenho que ver o que compensa mais.) alguma dica… help please hahah

    • Oi, Leandro!
      Olha, não existe como garantir 100% que a viagem será segura, mas honestamente: eu viajei por todos esses lugares e passei por algumas situações que me deixaram meio arreliada, mas em nenhum momento aconteceu nada de roubo, assalto, ou que eu sentisse que estava genuinamente em perigo. E inclusive na Bolívia (que, sim, tem um aspecto muito duro muito por conta das necessidades e das condições difíceis em que o povo de lá vive, mas no quesito segurança… não tive problemas, e olhe que eram duas garotas viajando sozinhas, presas fáceis de bandidos. Por outro lado, exercitei bastante o lado aventureiro, porque na Bolívia não há luxo mesmo! Mas acho que, se sua filha é esperta, é aventureira e você ficar de olho… acho que a viagem vai ser muito boa!).
      Se você fizer Chile, Argentina, Peru, combinar a Colômbia pode ficar muita coisa com pouco tempo. Melhor fazer só esses três países ou acrescentar Bolívia (que eu entendo que você não goste e queira evitar, mas minha dica seria fazer pelo menos o Salar de Uyuni, que é uma experiência inesquecível).
      Agora, eu acho que se você quer ir com sua filha, é importante pensar (e prepará-la) no planejamento mais do que no roteiro. Ela tem que estar disposta e aguentar fazer longas viagens de ônibus e trem (nem sempre muito confortáveis); tem lugares que a comida será maravilhosa e outras que será bem esquisita (e vale levar uma “farmacinha” com todos os remédios para o caso de entualidades); levar roupas versáteis mas que protejam de calor, frio, vento… E tem algumas atividades que são mais radicais, mas se você pensar num roteiro mais “child-friendly”… acho que dá.
      Em outras palavras, se eu tivesse um filho ou filha de 10 anos e eles fossem aventureiros, eu faria o passeio de novo, com ligeiras adaptações (mais tempo em cada cidade, menos deslocamentos chatos).
      Espero ter ajudado…

  4. Parabéns pelos detalhes, opiniões e referencias do roteiro, ficou muito bom e detalhado, deve ter dado trabalho.

    Estou me preparando para um mochilão na América do Sul e seu roteiro vai me ajudar muito. Muito Obrigado e continue com o ótimo trabalho.

  5. Clarissa adorei seu relato, cheio de dicas legais, mas em especial queria saber como fes esse grafico de altitudes pq queria fazer um pra mim, mas incluindo outros lugares q vou. Me diz por favoor, adorei ele kkkk

    • Oi, Pedro!
      Fiz ele na mão mesmo, me arriscando com um software de design e conferindo as altitudes para fazer certinho! Foi tipo trabalho de escola mesmo, sabe?
      Fico feliz que gostou – é um dos gráficos que eu tenho mais orgulho! 🙂

  6. Boa noite Clarissa,

    Primeiro parabéns pelo blog!!
    Me de uma dica por favor…rsrs
    Tenho 21 dias, de ferias.
    Gostaria de sair de Santiago, e subir ate Cusco. Você acha que é possível fazer esse trajeto de onibus? essas passagens eu compraria quando eu estive-se la, é arriscado?
    Sairia do Brasil com Passagem para Santiago e 21 dias depois uma passagem de Cusco para São Paulo.
    Nesses 21 dias a ideia seria mochila mesmo.
    O que você acha?

    Obrigado!

    Att,
    Thiago Sousa

    • Então Thiago… Se é possível ir de ônibus de Santiago a Cusco, até é – a questão é tempo que você gastaria neste trajeto!
      De Santiago a Calama (cidade próxima a San Pedro de Atacama e onde você obrigatoriamente teria que fazer baldeação) é 22 horas. Eu fiz Calama até Cusco de ônibus, e foi mais um dia inteiro de viagem. Vale a pena você perder dois dias de viagem na estrada (e uma estrada montanhosa, com risco a ter enjoo…)ao invés de investir aproveitando outros lugares? Esse trecho comprido eu realmente recomendaria pegar um avião: você compensa aproveitando mais.
      Se você quiser incluir o Chile, faça Santiago e de lá pegue um voo a Cusco: você vai aproveitar muito mais.
      Nota: neste post eu falo mais sobre deslocamentos: http://www.dondeandoporai.com.br/21-dias-de-mochilao-pela-america-sul-os-deslocamentos/

  7. Clarissa, parabéns pelo artigo, altamente esclarecedor. Lendo atentamente, fiquei com uma dúvida em qual abrigo foi a pernoite do 7º dia, já que nele não tem link? Obrigado!

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