Uma das cidadezinhas “must-visit” dos Alpes é Grindelwald, a 1034 metros acima do nível do mar, acessível por trem desde Interlaken Ost.

A cidade por si só já é uma fofura. E a vista, nem se fala: é quase como estar em frente a uma varanda para os Alpes.

Pois Grindelwald é uma paradas estratégicas para quem busca a região dos Alpes para fazer esportes (saem de lá várias trilhas para os Alpes, além de ser uma boa pedida para fazer compras de equipamentos como bastões, roupas e sapatos de caminhada) e para descansar, seja em família ou em lua de mel (ali encontrei os chalés mais românticos de toda a viagem!).

E, escondidinho, ali na rua principal de Grindelwad, no número 3818, está Chashttli, uma loja e fábrica artesanal de queijos.

Conselho de amiga: vá. Porque tem certos queijos que, se a gente não mexer, a gente não sabe o que tá perdendo…

Importante dizer: o que conhecemos como queijo suíço, aquele furadinho, é apenas uma minúscula parcela da variedade que esse país pequenininho e ultra prendado produz. E, mais discreto, acaba sendo às vezes ofuscado pelos exemplares vizinhos, França e Itália. Mas entrando numa lojinha destas a gente descobre que o país responsável pelo melhor chocolate, canivete e relógio do mundo não poderia decepcionar  nosso paladar. Muito pelo contrário!

Só pelo balcão – e pelo cheiro – temos uma idéia da variedade de tipos de queijo de lá.

E, prosa para cá, perguntinha de cá, a gente vai aprendendo algumas curiosidades:

  • O melhor queijo para fondue é o suíço. Disparado. Se você não sabia, tá sabendo. E se você já sabia, bem… Porque não me convidou antes quando fez um?
  • Suíço também faz vinho. Lá, procure por um “vin pour la fondue”, um vinho branco, artesanal e delicioso. Para harmonizar com o fondue e com a vista dos Alpes, e não querer sair nunca mais de lá.
  • Alguns tipos de queijo são como vinho: quanto mais antigos, melhor (eles levam em torno de 3 anos para curar. E  cuidado: nesses casos, se surgir uma manchinha verde, como as que existem nos exemplares franceses, é um sinal. De ir para o lixo.).

Como a nossa visita foi em 2012, eles nos mostraram o estoque de produções de 2009, 2010 e 2011. Os valores vão subindo à medida que o queijo levou mais tempo para ser curado. E o sabor, idem.

Cálculo rápido: um quilo de queijo de 2009, o mais refinado, estava em torno de 36 euros – o que, se compararmos com a cotação do euro a R$ 2,70, estaria custando em torno de R$ 97,00. Mas é um quilo de queijo de primeiríssima qualidade. Pesando os custos e benefícios bem “pão, pão, queijo, queijo”, dá até para considerar levar um pedaço para casa para um agrado às lembranças e ao paladar.

[box type=”info”] Curiosidade: Até onde vai o zelo e a preocupação com a qualidade dos produtos suíços?

Pergunta respondida durante uma trilha rápida nos Alpes, avistando aqui e ali as fofas vaquinhas suíças, pastando felizes com seus enormes sinos no pescoço. Ali, no meio da trilha e da mata, é absolutamente proibido deixar uma guimba de cigarro no chão – regra apregoada para todos os turistas seguida a risca pelos suíços, muitos deles  fumantes. Porque, risco de incêndio? Não, muito pior: segundo o guia, o verdadeiro motivo é que as vaquinhas podem, ao pastar, comer a guimba de cigarro. E isso vai diretamente afetar a qualidade do queijo produzido e, com isso, o rendimento dos pequenos produtores locais. Uma catástrofe. [/box]

Os queijos à venda eram, quase todos, produzidos ali na própria fábrica, gerenciada por esse simpático senhor, Peter, que mais parecia ter saído de um conto de uma das casinhas dos hobbits. Seu inglês se resume a “Hi” e “Good Bye” – mas pelo sorriso você não precisa saber o idioma para entender que ele é muito gente boa!

Ah, uma curiosidade e dois parênteses: a esposa dele se chamava Heidi. E  a coincidência: Heidi e Peter são os nomes de duas crianças no clássico conto suíço de mesmo nome, que conta a história de uma menininha órfã e se passa nos Alpes. O conto é tão famoso na Europa que já teve vários filmes a respeito, o mais famoso sendo interpretado pela menina-prodígio Shirley Temple. 

Então, não é raro – muito pelo contrário – encontrar um casal de verdade chamado Heidi e Peter. De todas as idades. É a versão achocolatada suíça do nosso  João e Maria.

E para fazer um test-drive com propriedade para vocês, recebemos um presente: três pedaços pequenos, de cada ano diferente, para experimentar e contar para vocês como foi.

Bom, a blogueira aqui não é uma exímia degustadora a ponto de detectar as mais ínfimas variações de sabores e texturas  com um caráter quase profissional. Mas é esforçada para caramba, e jura que vai tentar descrever aqui as diferenças.

E vem a primeira delas: olhando para os queijos desembrulhados, você consegue identificar qual deles é de qual ano?

E sem ver a cola ali embaixo, porque senão não tem graça!

O maior pedaço à direita é o de 2011: menos curado de todos (dá para perceber pela cor, ainda de um forte amarelado), era também o mais oleoso (o papel que o cobria era o mais manchado). Textura mais mole, não a ponto de desmanchar na boca, mas sendo possível notar a diferença entre a textura mais dura das bordas e a do interior macio. De todos, é o que tinha o cheiro mais acentuado. Gostoso.

O pedaço à direita, na parte inferior, é o de 2010: já tinha um sabor mais forte e levemente mais adocicado, mas a gordura ainda estava muito presente (dá para ver pela superfície oleosa). Mas a diferença de sabor e textura é sensivelmente diferente da amostra anterior. Já senti, de cara, que ele pedia um vinho tinto para acompanhar. A fatia era bem mais dura que a anterior, mas para mim, estava na medida certa. Adorei. Fiquei meio triste quando acabou.

O queijo de 2009 é o pedaço menor, em cima: o sabor era forte, concentrado, do tipo que até para degustar pede – não, exige – algum bom vinho para acompanhar. Bem mais duro (um pouco demais para o meu gosto, mas aí já é preferência pessoal) e menos oleoso que os anteriores – e, sei lá, posso até ter sido influenciada por saber as datas de cada um. Mas esse era um pedaço bem mais, digamos, “maduro” que os outros. Indiscutivelmente, um queijo para ser reservado somente para os momentos especiais.

Tipo, sei lá, uma noite numa cidadezinha na “varanda” dos Alpes. Com vinho, fondue, uma boa companhia e montanhas ao fundo.

E, num cenário desse, ai de quem mexer no seu queijo.

Esta jornalista e blogueira que vos fala visitou a cidade de Interlaken em junho de 2012, a convite do Escritório de Turismo de Interlaken , da Jungfrau Railways  e do Hotel Krebs .

Comments

3 COMENTÁRIOS

  1. Oi Clarissa,
    Estou curtino muito o blog(especialmente sobre a Suíça – vou pra lá no meio de Setembro)! Parabéns!!
    Agora, este post me deixou com aquela vontade de experimentar os queijos…O post saiu do lugar comum, quando se fala de Interlaken.
    Minha curiosidade é: você caiu na tentação de trazer alguns pra casa? (sei que chocolate você não resistiu! rs)
    Abraços,
    Luciano.

    • Oi, Luciano!

      Fiquei feliz que você gostou do texto! E você vai adorar lá, quando for! É apaixonante!

      Infelizmente eu não trouxe nenhum para casa porque ainda viajar por mais duas semanas, e acho que os queijos não aguentariam. O que, de certa forma, é uma pena, pois se eu tivesse voltado direto com certeza teria trazido sim!

      Levei uns para consumir durante a viagem! Deliciosos!

      PS: de fato, chocolate não resisti! Mas devo confessar que acabei com quase todos antes mesmo de chegar em casa…! 😀

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