Nesse mês foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Mas, convenhamos, dia da mulher é todo dia. Todo dia que a gente sai para trabalhar, cuidar do filho, da casa, do marido, da gente, do mundo – e tudo isso de salto alto e batom impecável. Ou de véu na cabeça, ou filho nas costas. Não importa. Dificuldade e vaidade todas nós temos em nossa própria medida e do nosso jeito – e é isso que nos faz – mulheres – tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo, qualquer que seja a cultura e lugar do mundo…

Na verdade, eu já estava querendo fazer um post sobre isso há tempos, com todas as fotos e curiosidades que venho colecionando do cotidiano de mulheres das diferentes culturas que eu tenho visitado por aí. Mas como esse post nunca ficaria pronto se eu tivesse que esperar completar toda minha Bucket list de lugares (que só faz crescer!) se concretizar para reunir um material bem completo, compartilho então algumas curiosidades e fotos humildes, tiradas de mulheres na Bolívia e no Egito. Todas elas de países em que a luta pela sobrevivência é doída e os tecidos, coloridos. Ou não.

Mas a vaidade está lá. E quando há vaidade, a gente logo se identifica. Afinal, não tem nada mais feminino (e universal) do que se arrumar para ficar mais bonita!

Tiazinhas bolivianas e o seu chapéu-coco!

Bolívia – a beleza disfarçada na dureza do dia a dia

Na Bolívia, a média de filhos por mulher é de 2,65, embora em algumas regiões rurais essa média suba para 5 filhos por mulher.

Porém, de acordo com os dados demográficos do país, a expectativa de vida média da mulher é de 60 anos, contra 55 do homem – sendo que a aposentadoria do país só é permitida após os 6o anos. Ou seja, a boliviana média trabalha até morrer, enquanto o marido dela já morreu há uns 5 anos. 🙁

Curiosidade: Mas com toda a dureza da vida ainda dá para andar na moda. É comum observar hoje as senhoras bolivianas usarem um chapéu-coco na cabeça. Esse costume vem do hábito comum da população humilde em copiar a moda ditada pelas mulheres da alta-sociedade boliviana de antigamente, que por sua vez seguiam as tendências vindas da Europa. Naquela época, o chapéu-coco era última tendência lá fora; as madames bolivianas adotaram o costume e a classe humilde, também. O tempo passou, a moda mudou, e o chapéu continuou no gosto e na cabeça das senhorinhas. Porém, com um detalhe: as mulheres casadas usam o chapéu-coco reto na cabeça, enquanto as solteiras usam um pouco virado para o lado (vejam só a foto acima!).

Pergunta: então, se a tiazinha quiser dar um perdido no maridão, é só inclinar o chapéu um pouquinho??? Ok, ok, brincadeirinha…

 

 Egito

Para a religião muçulmana, o véu é entendido como algo que dignifica e protege a mulher. Em alguns países árabes, como o Egito, a menina não precisa cobrir a cabeça até a ocasião da primeira menstruação, a partir de quando ela passa a ser considerada mulher  – embora é muito comum vermos meninas bem pequenas, saindo do colégio, com a cabeça coberta. Depois disso, cobrir a cabeça ou não passa a ser uma opção dela, e não uma obrigatoriedade, ao contrário do que muitos pensam. E, mesmo assim, foram pouquíssimas as mulheres que vimos que não usavam o acessório.

menina egípcia
Neste dia, a câmera não ajudou. A luz não ajudou. E uma estrangeira desconhecida não podia interagir por muito tempo com uma menina egípcia. Logo, essa foto foi o melhor que pude fazer naquele momento. O que não decepcionou, em nada, esta bela menina egípcia, a mais bonita e faceira que encontramos em toda a viagem.

 Ainda sobre a foto da menina acima: ela estava junto com um grupo de outras crianças que visitavam com a professora o Museu Núbio de Aswan. Devia ter em torno dos sete anos de idade e não usava véu, ao contrário de outras meninas ainda mais novas que andavam pela cidade. Ela posou várias vezes para fotos e pediu para ver todas como ficaram (acreditamos que câmera fotográfica devia ser raridade na rotina dela). Dada a beleza incomum da menina, ficamos nos perguntando se a família dela já devia tê-la prometida a alguém. Com o cuidado que era cercada, provavelmente. 

Nas cidades grandes do Egito, como Cairo e Alexandria, a idade média para o casamento de uma mulher é em torno dos 26 a 28 anos anos. Já no interior, é em torno dos 16 a 18, no máximo dos máximos.  E em ambos os casos o casamento é arranjado pelas famílias, embora na cidade grande a moça ainda tenha relativa liberdade para escolher o noivo (embora eles não “namorem”, como acontece no ocidente).

 Em geral, dos diferentes véus que víamos, todos eles cobriam todos os cabelos e pescoços das mulheres. Só que o bacana é que, especialmente nas cidades grandes, as mulheres usavam véus trabalhados, bordados, e quase sempre combinando com roupas e acessórios bem moderninhos – calças jeans, bolsas de tachas, casacos de peles, echarpes, botas… O resultado ficava muito feminino, moderno e elegante. Para ilustrar isso, eis algumas fotos tiradas discretamente de meninas na rua – mais especificamente, no imenso pátio da Biblioteca Alexandrina, em Alexandria – e serviram para quebrar com muitos paradigmas que nós ocidentais temos, inconscientemente, sobre as linhas que permeiam cultura, religião, costumes, moda e feminilidade.

Apesar da foto não ter ajudado, essas meninas impressionaram pelos trajes: sapatilhas, unhas muito bem feitas e bolsas moderninhas com alças de corrente, jóias. O véu só acrescentava um charme à produção das meninas!

Jóias, bijuterias e maquiagem estavam quase sempre presentes. E era bacana observar o estilo das jovens que iam e vinham da faculdade.

A elegância das jovens egípcias de Alexandria impressionou. Talvez não seja por acaso que, milênios atrás, era aqui que morava a Cleópatra…

Dentro da Biblioteca Alexandrina, víamos muitos jovens estudando nas diversas mesas e cadeiras da Biblioteca. Além do assombro pela Biblioteca em si – linda de morrer – não raro nos pegávamos prestando atenção, embasbacadas, nas produções das adolescentes ali presentes. E é sempre legal testemunhar aquilo de, de alguma forma, a gente já sabia: o que a gente, e elas, temos de diferente, é o endereço. Só.

O que, em alguns casos, pode até fazer uma diferença. Por exemplo, a biblioteca que tinha lá perto da minha casa era beeeeem mais humilde…

Essa foto foi mal tirada, desfocada, de longe, meia-boca – mas achamos o máximo. Uma jovem – assim o deduzimos porque ela estava acompanhada de outras, que vinham todas da faculdade – abria o seu notebook Dell super poderoso (era a única que portava um em toda a Biblioteca, ao menos naquele momento) e estudava. Vestida com seu chador – véu que cobre todo o rosto e só deixa os olhos à vista. E o bacana,  quando fotografamos esse momento, é que a gente se descobre entrando em contato com nossos próprios paradigmas escondidos lá dentro sobre modernidade e cultura. Afinal, quem disse que véu e computador não combinam?

 A questão até dá pano para manga, e como o post é curto e a vida também, nem queremos entrar nela.

Só queria falar que, com todo o desfoque, eu sempre gosto de olhar essa foto. Acho bonita, feminina e moderna. Sei lá, do jeito dela…
Bom, mas o mundo é grande e ainda tem muita mulher por aí.. Então, voltemos à elas nos próximos capítulos…

Comments

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito legal. Eu observo o mesmo na Índia. Todas asmulheres são vaidosas e se produzem de acordo com os limites impostos na sociedade . Na Índia, os acessórios, flores perfumadas nos cabelos e roupas bem coloridas e o que fazem a cabeça das indianas. Adorei o txt. Continua com a serie! B

  2. Bonito!
    Conheci mulheres de 27 países, mas com todo respeito:
    Avião, é Boeing!
    Cerveja, é Heineken!
    E MULHER, SEMPRE, ETERNAMENTE, FEITA COM MUITO CAPRICHO, DEDICAÇÃO E ARTE: É BRASILEIRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Deus existe….rsssss
    Abrax.

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