O terceiro dia era o dia marcado para começar o cruzeiro. O que ninguém havia me contado antes era que  as lanchas que fazem o percurso Isabela – Santa Cruz só saem 1 vez por dia, às 6 da manhã. Teria então que acordar de madrugada para poder voltar até Santa Cruz, o que obviamente me deixaria de mau humor o dia inteiro, se nao estivesse em Galapagos…

 

Como o embarque para o Cruzeiro só estava marcado para o meio-dia,  aproveitamos a manhã e fomos conhecer “Las Grietas”. Las Grietas, que significa “as rachaduras” em português, é uma formação geológica que ocorre em ilhas vulcânicas. Entre os íngremes penhascos forma-se um profundo canal onde a água doce que vem do alto da ilha se mistura com a água salgada que, vinda do mar, se infiltra por entre as pedras. O resultado: uma água fria pra cacete!

Mas nao se preocupe com a temperatura da água, pois antes de você chegar até as Grietas, você vai ter que andar por uns 2 km em uma trilha bem árdua e cheia de cactus. E obviamente nao vai ter nenhum ambulante vendendo água, skol, ou picolé dragão chinês.

Entao, a não ser que voce tenha crescido no Saara e aprendido a tirar água de dentro do cacto, quando chegar no canal vai estar desesperado para se refrescar. Aí, a única dúvida fica sendo: pular do alto da pedra e emergir da água sob a glória dos aplausos dos espectadores ali presentes ou descer por uma escadinha e entrar na água no melhor estilo vovozinha. A opção escolhida pelo autor deste post jamais sera revelada…

Apos uma boa relaxada pelas águas frias das Grietas, hora de pegar a trilha em caminho contrário e voltar em direção a Puerto Ayora para me juntar aos meus colegas de cruzeiro. Logo chego no Guantanamera, embarcação escolhida por ser a opção mais econômica. No barco cabem 16 passageiros e 8 tripulantes. E voce vai conhecer todos intimamente durante a viagem, pois o barco não é la muito grande. Creio que seja um dos menores que fazem este tipo de cruzeiro por Galápagos.

O barco também não tem lá muito luxo, mas tem o mínimo necessário. E a comida dele (todas as refeições incluídas) é muito boa. Aliás, se você sentir um cheirinho de pipoca quando tiver chegando de um longo dia de caminhadas e snorkeling, pode começar a celebrar, pois é dia de ceviche! Ceviche é um prato típico da costa pacífica sul-americana. É um prato de pescado cru marinado por horas em frutas cítricas, e que no Equador é normalmente servido com pipoca de acompanhamento. Delicioso!

O tripulante do barco com o qual você tera maior contato é o guia. E no caso do Guantanamera, o guia é uma figuraça chamado Johanes. Um peruano com cara de chinês, nome de sueco, e que se comunica a maior parte do tempo em inglês. Sua especialidade: imitar a danca dos pata-azuis…

 

Então, após o almoço no barco, pegamos um micro-ônibus para ir até o meio da ilha de Santa Cruz onde se encontra a reserva em que você pode ver as tartarugas gigantes em seu habitat natural. É dificil encontrar as tartarugas pois elas se camuflam bem no meio da vegetação. Mas com a ajuda do nosso guia, a gente conseguiu encontar umas 4 delas. É difícil ter noção do tamanho delas em uma foto, mas acreditem, é impressionante.

Depois de tirar o sossego das tartarugas, fomos no túnel de larva que fica ali do lado da reserva. Nao achei nada demais no túnel. É mais uma caverna como milhões de outras por aí. Nada muito especial… Não consegui nem tirar uma foto que valesse a pena mostrar aqui no blog.

Ao fim da tarde ainda sobrou um tempinho para dar uma volta em Puerto Ayora. Pela rua principal da cidade, que beira o mar, e que não poderia ter outro nome que nao fosse Charles Darwin. É onde ficam os principais restaurantes, gift shops, e agências turísticas da cidade. Vale a pena dar uma passadinha no mercado de peixa que fica na rua. Os pelicanos, e os leões marinhos mais preguiçosos ficam ali em volta dos vendedores esperando por algum resto de peixe que venha a ser jogado fora (detalhe da foto para um flagrante pontapé de um vendedor num leão marinho). Tambem aproveitamos para passar na farmácia e comprar repelente de mosquito (daqueles que tem cheiro de puro DDT e que repele nao apenas mosquitos,e garante que nenhum ser humano  vai passar a 20 metros de voce por cerca 30 minutos) e comprar tambem algum remédio que não me fizesse sentir enjoado durante a noite no barco (achei melhor nem perguntar também o que a mulher da farmácia me vendeu).

Finalmente, à noite, após jantar no barco, resolvemos voltar a Puerto Ayora. Aproveitando que seria a última vez por algums dias que estaríamos num lugar povoado (imagine passar dias sem celular, twitter, facebook, seria possível sobreviver?) passamos no internet cafe para botar os e-mails em dia. Após confirmar o que eu já suspeitava (que meu antigo empregador era completamente disfuncional sem minha presença por mais de 48 horas), dar continuidade a 148 correntes de email, e de mandar todo meu dinheiro para o príncipe da Nigéria (ate hoje to esperando os $10 milhões que ele me prometeu), fomos checar a night de Puerto Ayora.

Sempre pela rua Charles Darwin, primeiro passamos por algo que parecia ser uma boate. Por dentro dava pra ver, através da névoa de fumaçaa que estava lá, um gringo de meia idade e uma meia dúzia de garotas locais tentando, em vão, conseguir sua atenção. Foi bom saber que os nativos locais conseguiram conquistar a tecnologia da maquina de fumaça, mas o local nao era bem meu estilo. Dali pra uma máquina de espuma nao é um avanço tecnológico muito distante… Entao olhei para meu colega de barco que se aventurou comigo pelas ruas tranquilas e bem iluminadas de Puerto Ayora, e entramos no bar/restaurante ao lado.

Entramos no “The Rock” e sentamos no bar para tomar umas Pilseners (cerveja equatoriana). De acordo com a historinha do estabelecimento, the Rock é como era conhecida a ilha de Baltra quando os americanos usavam o arquipélago como base militar durante a Segunda Guerra. Nem estava com fome, pois havia jantado no barco, mas com a vista privilegiada da cozinha, vi saindo cada sobremesa mais linda que outra. Entao não resisti e pedi uma Pecan Pie que estava uma delícia! Com certeza quando voltar a Galápagos, dessa vez com mais calma, quero voltar a esse restaurante. O problema foi fazer amizade com o bartender… Todo drink que ele fazia sempre sobrava um pouco, e ele dava para gente experimentar. Pelo menos quando voltasse para o Guantanamera, haveria bastante remédio para enjôo…

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