Para quem ainda está montando seu roteiro de viagem pela Toscana, na Itália, e cogitou incluir San Gimignano mas ficou em dúvida de quanto tempo reservar para esta cidade, fica aí uma dica: a maioria dos roteiros sugere um bate-e-volta. Um dia seria suficiente para andar pela cidade , tirar fotos, visitar os museus, comer algo bem gostosinho, experimentar o melhor sorvete do mundo (que, segundo o que corre à boca pequena por lá, atende pelo nome de Gelateria di Piazza) e voltar.

Mas nós recomendamos dois. Especialmente se você for um apaixonado por pedaladas.

Nós ficamos dois dias e meio. Tempo suficiente para, no primeiro dia, conhecer todas as atrações que  a cidade oferece – inclusive os museus de gosto mórbido e duvidoso da Inquisição e da Tortura – comer, tomar sorvete e, especialmente, curtir a noite nas vielas antigas da cidade, privilégio de quem prefere conhecer uma San Gimignano mais intimamente, que só se revela mesmo depois do entardecer, quando as levas de turistas dos bate-e-volta turistões se vão e as ruas se abrem, mais espaçosas e à vontade, para os viajantes que ficaram.

Mas aí, quem fica no segundo dia tem a oportunidade de conhecer uma outra San Gimignano. A que fica sobre rodas.

A cidade de San Gimignano fica no alto de um monte mas que, a despeito das ladeiras, possui os arredores mais “bike-friendly” da Toscana, mesmo para os não muito habituados à andar sobre a magrela. Isso porque a localidade é toda cercada por plantações de uva, azeitonas e girassóis.

Vale avisar: não há um caminho certo e específico para as trilhas de bicicleta. A pedida é, mesmo, sair aventurando-se por aí, tomando cuidado apenas na descida das vielas apertadas próximas a San Gimignano, já que são muitos os carros que vem e que vão. Fora isso, é diversão pura.

Até porque, não importa o caminho por onde você siga: invariavelmente terá alguma vinícola a ser visitada por ali.

Um tipo bem comum de turismo em San Gimignano é o Agroturismo, (ali, chamado de “Agriturismo“) que inclui a visita a uma fazenda ou empresa agrícola em que o turista vê, aprende, experiencia e vive as várias etapas da produção agrícola, por exemplo. Localidades onde você pode hospedar-se e ali, conhecer um pouco dos processos e vivenciar a cultura  e as diferentes etapas da produção agrícola.

Achou chato? Pois pense bem: além de ser um tipo de turismo-aprendizado, imagine ele acontecendo em uma charmosa casa de fazenda toscana, em pleno calor do verão, emoldurada de ciprestes e cujas atividades incluem colher uvas e prepará-las para o vinho, participar da colheita de trigo e azeitonas, regar girassóis ou ver de perto a produção de um queijo toscano… Ou, quem sabe, caçar trufas?

Para quem gostou da idéia,  uma página com uma seleção de hotéis, pousadas e ofertas de Agroturismo em San Gimignano (e no resto da Toscana também) está neste link – com preços de hospedagem por noite, inclusive, já que a maioria das fazendas oferece este suporte.

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E aqui, uma listinha de hotéis de agriturismo em San Gimignano para você pesquisar e fazer sua reserva!

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E se você não quer se hospedar lá, agende sua visita e as atividades, e chegue montado na magrela. Vai ser tão bom quanto! 🙂

A começar pela paisagem do caminho…

 Mas para onde ir? Pedalar dentro da cidadezinha de San Gimignano, dependendo da temporada, chega a ser uma aventura: é que, especialmemte no verão, chegam hordas de turistas trazidas pelas excursões bate-e-volta, de modo que a cidade fica bem mais vazia de manhã cedo e à noite, mas lotada durante o dia. Nem sempre dá para ter a experiência de transitar pelas vielas antigas no meio de tanta gente, de modo que você pode tentar deixar para fazer isso de manhã cedo ou ao fim do dia.

E durante o dia, deixe para aventurar-se nas cercanias. Não só as fazendas de Agriturismo, mas as pequenas propriedades italianas são bem charmosas quando vistas de perto, e para os mais calibrados na disposição física e nos pedais, dá para tentar arriscar a estrada para Volterra, outra cidadezinha medieval charmosa – e, para quem lê a série vampiresca de Crepúsculo, é lá o lar da Família Volturi, clã de vampiros malvadões na segunda saga do filme (ok, as filmagens aconteceram em Montepulciano, outra cidade italiana, mas convenhamos que lá na terra da bota todo cantinho é charmoso, né?).

Mas e se não der para chegar lá, tudo bem também. O importante é curtir a paisagem – que em se tratando de Itália, é linda, especialmemte com o monte fortificado de San Gimignano ao fundo.

E vale parar para ver de perto não só a vista como as plantações. Para os sortudos que estiverem por lá em setembro, é quando acontece a vindima, colheita das uvas. E para quem estiver lá nos verões dos anos ímpares (2013, 2015, etc), pode ter a chance de ver muitos dos famosos girassóis da Toscana.

Em tempo: não que nos anos pares não seja possível encontrar as flores amarelinhas. Mas é que estivemos lá no verão de 2012 e achamos poucos campos, para nossa tristeza. No que um italiano nos explicou: nos anos pares, a produção é focada nas Oliveiras e, nos anos ímpares, nas sementes de girassol. Ou seja, teremos que voltar lá no verão de 2013 para confirmar isso para vocês!

 Mas parte da vista que se tem é essa aí…

E onde alugar uma bike? Descendo a rua principal de acesso à San Gimignano (a Via Roma, 41) tem a loja Bruno Bellini (o site em inglês está aqui), que disponibiliza bicicletas (com e sem suspensão, vale dizer), marchas, e até simpáticas vespas, para tornar a viagem muito mais interessante.

O pagamento é feito no ato, na hora do aluguel da bike, e você deixa um documento de garantia, que é devolvido na hora de retornar com a bike. Os valores estão aqui, e vão de 15 a 21 euros, dependo da bike escolhida, para um dia.

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Uma dica: pegamos a mountain bike – que aguentou bem as trilhas de terra por onde passamos em meio as fazendas, mas dê uma volta com ela por perto da loja para verificar se não há nenhum problema – e se tiver faz a troca na hora. A minha, por exemplo, veio sem um dos freios na primeira vez, e eu só fui descobrir bem depois – exatamente quando precisava deles.

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Onde dormir: ficamos hospedados na Casa dei Castaldi (veja link aquium quarto alugado para hóspedes, extremamente confortável e limpinho, quase na porta de entrada de San Gimignano (Via San Giovanni, 80) – e, para meu medo, do ladinho do Museu da Tortura e da Inquisição. Ar condicionado funcionado perfeitamente – necessidade básica indiscutível no verão italiano, camas confortáveis e banheiro limpinho. Café da manhã não estava incluído, e o único inconveniente é uma escada até o quarto – um problema se sua mala é de proporções avantajadas e peso idem, mas fora isso, super recomendado. Especialmente pela simpatia da família italiana dona do imóvel – sinceridade à parte, artigo raro de de encontrar por lá.

A quem interessar possa, para fazer reservas é só mandar um e-mail para bacciottinibruna@libero.it ou dar um pulinho no site deles.

Recomendadíssimo. E não, ninguém me pagou nada para eu dizer isso.

Mas se você quiser mais opções, veja aqui uma lista de hotéis para se hospedar em San Gimignano.

E aqui tem uma relação de preços de aluguel de carro na Itália. Sabe como é, para quando bater o cansaço das pedaladas! 🙂

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Comments

9 COMENTÁRIOS

  1. Eu sei que a Itália é tudo de bom, mas ela nunca está nos meus planos imediatos. Acho que a quantidade de turistas me espanta, mas depois de ler esse post juro que fiquei com vontade de correr pra lá. Que passeio delicioso!

    Beijos!

    • Camila, no meu também nunca esteve, mas até que me surpreendi, sabia? Mas acho que o segredo de fugir das multidões de turistas do mundo todo é sair das cidades mais conhecidas, como Veneza, Florença, Pisa e Roma. Quando a gente vai para as pequenininhas, e se permite ficar mais de um dia por lá, sem fazer o bate-e-volta turistão que todo mundo faz, a gente encontra uns recantos lindíssimos, que valem muito a pena serem visitados.

    • Oi, Cris! É fácil sim, eu usei o Visa Travel Money a viagem inteira. Só recomendo você solicitar um cartão de chip (porque tem uns sem chip ainda), porque isso facilita na hora de comprar passagens de trem naquelas maquininhas self-service. Tínhamos dois cartões, um com chip e um sem, o o que não tinha sempre dava problema na hora de comprar nessas máquinas.

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