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Vamos ao passeio…

O tour em si é simples, barato, pode ser reservado na própria recepção do hostel, dura o dia inteiro e já tem a refeição incluída. E para curti-lo bem, deve-se pegar a van bem cedo, com o céu ainda escuro. O carro vai subindo uma serra lindíssima e pegamos a estrada para Cafayate, uma cidade minúscula na província de Salta.

Já disse que adoro estradas. Só que desta vez, mesmo que não as adorasse, poderia garantir que só a passagem por rota de ida a Cafayate já valeria o ingresso do passeio.

A região é bem seca, meio desértica, ao pé das montanhas e onde corre muito vento. Na prática mesmo, a estrada de Salta só tem pedra. Mas se nas leis de química é exatamente a combinação de seus elementos que faz nascer os milagres da natureza, pode-se dizer que a magia de Salta reside na sintonia perfeita entre as pedras e os seus diversos companheiros: a água, as cores, o vento, o asfalto, as uvas… e a música.

Cada um encenando seu papel com perfeição. Cada trecho de viagem uma beleza única…

A Pedra e a Água

A beleza da cenário formado pela dança entre pedras e águas é o primeiro a nos encher os olhos. Antes de chegar à parte mais seca da estrada, é preciso passar por um trecho de subida bastante elevado, que por causa da altitude e das condições do lugar, é uma região que apresenta precipitação de água. Quase todos os dias está chovendo, aquela garoazinha bem fininha e bem gostosa, quase um daqueles borrifos de água para afastar o calor. E se o ditado diz que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, acredito que a “delicadeza” das chuvas foi o que fez brotar o verde das pedras, ao invés de escavá-las com furor. De todos os lugares, foi a área com mais vegetação do lugar, e a única que encontramos que tinha um riozinho cortando seu vale. Bucólico. Lindo. Delicado.



A Pedra e as Cores

A grande maioria das montanhas da estradas são de um vermelho intenso, diferente das cores de pedra que normalmente conhecemos aqui no Brasil. Isso acontece, segundo o guia, porque as mesmas são ricas em minério de vários tipos, e o que predomina é o cobre e o ferro. Sendo que, em razão dos fortes ventos, muitas montanha estão sendo erodidas e revelando, assim, os minerais que a compõe. É possível ver, numa mesma paisagem e numa mesma montanha, uma única pedra com linhas bem definidas, como veios de sedimentação, das cores vermelha, amarela, marrom e verde (cheias de cobre, manganês, zinco, chumbo, prata etc.)

Não consegui tirar uma foto desta maravilha. Uma pena. Vocês vão ter que ir lá conferir pessoalmente.

A Pedra e o Vento

Após passar pelas montanhas, começamos a descer e a seguir pela região mais desértica. Isso acontece porque a parte mais alta das montanhas retém a umidade dos ventos (por isso sempre está debaixo daquela garoinha), deixando que somente os ventos secos que sigam para a região logo abaixo das montanhas, rumo a Cafayate. O resultado é um lugar bem seco, mas que venta muito. E esse vento vai erodindo as pedras, formando desenhos lindíssimos nas montanhas, como esses “veios paralelos” que formam uma espécie de “trilha” por onde o vento foi canalizado.

Legal isso. Legal ver que até aquilo que não tem forma é capaz de deixar registrada as marcas de sua passagem pela terra. Literalmente.

E uma das grandes formas de arte que o vento esculpiu na pedra está nas fotos abaixo. Uma montanha enorme e vermelha foi sendo desbastada por milhões de anos pelo vento, que formou uma espécie de canyon dentro dela. O resultado é um vale estreito, encravado por dois paredões enormes de pedra, onde até quem é prego em escalada pode se aventurar a fazer algumas subidas, com cuidado. Estar lá dentro é entrar num mundo vermelho vivo – como estar no coração da montanha, com suas enormes veios de pedra e só o barulho do vento zunindo para te fazer companhia. Maravilhas da natureza.

Esta é a entrada do “canyon”…

… e a mesma entrada vista de dentro…

Admirando de relance o paredão…

… e tentando botar o paredão na foto. É tão alto, que não tínhamos como fazer caber a extensão do chão até o topo numa mesma foto, para dar uma idéia da dimensão.

E, andando um pouco mais pra lá de carro, chegamos até a Quebrada de Huamahalca. São paredões de pedra igualmente esculpidos pelo vento, enormes, e que foram considerados sagrados pelos indígenas que habitavam ali. Hoje não é possível nem chegar perto, para não arriscar correr o risco de prejudicar a beleza de lugar com o turismo irregular, de modo que as fotos só podem ser tiradas de longe.

Pausa para uma confissão meio metafísica-psico-teológica para vocês…

Não sei se quem já foi para lá teve essa sensação. Eu nunca fui muito ligada a essas histórias indígenas, xamânicas, etc., embora respeite suas culturas. Mas nesse lugar, e em alguns outros que tinham esse viés místico que visitamos nessa viagem (Macchu Pichu inclusive), eu me sentia muito bem, muito bem mesmo (e, antes que as más línguas comecem, eu juro que não tomei nada, ok! Sóbria all over!). É que os indígenas acreditavam que estes lugares eram sagrados, uma porta de comunicação com os seus deuses. São lugares, portanto, cheios de energia positiva e respeito divino. Então, não sei se o meu “good-feeling” foi por causa dessa vibe, ou por simplesmente estar olhando para algo de uma beleza indescritível. Que seja, então. Afinal, acho que a beleza, em uma de suas mil interpretações, pode ser uma espécie de benção divina para tocar a alma através dos olhos. E não há como não ter a nossa alma em silêncio em locais como esse.

A Pedra e o asfalto

Na verdade, tenho pouco a dizer sobre isso. Deixo então que uma de nossas fotos tome para si a responsabilidade em preencher essa lacuna.

Como eu disse, o bom da estrada é que você não vê o final dela… mas sabe que ela está levando-o para um lugar lindo!

A Pedra e as Uvas

A região de Cafayate, subdistrito de Salta, é árida, luminosa e com muitos ventos. Por isso e mais uma série de outros fatores, é considerado um “terroir” perfeito (expressão francesa sem tradução literal em português, mas que significa uma região com diversas peculiaridades de solo, umidade, luminosidade, e outros atributos que determinam as condições ideais para o cultivo de um tipo específico de uva) para a produção de vinhos.

A mais famosa vinícola que tem lá é a Etchart, que possui vinhos de primeiríssima qualidade. Não fomos visitá-los, infelizmente, mas estava incluído no tour três visitas a vinhedos locais, que cultivavam Cabernet Sauvignon e Torrontès, sendo que essa última é típica da Argentina. Não lembro do nome de todas as vinícolas (na verdade, lembro só de uma, “La Vasija Secreta”). Também não lembro dos vinhos que eu experimentei, o que significa que nenhum me encantou a ponto de merecer um espaço na minha bolsa.

Mas que, mesmo assim, o programa é uma delícia, isso é!

Abaixo, a menina mostrando alguns de seus rótulos para degustação.

E os locais de cada vinícola eram de uma beleza singela. Olhem que delícia!

E a entrada para os vinhedos… Mágico!

Cabernet Sauvignon prestes a ir para a prensagem…

… e o que resta ao sair dela.

Tonéis antigos, usados para armazenar o vinho e deixá-lo “evoluir”…

… e os tonéis modernos, onde ocorre a fermentação da bebida.


A Pedra e a Música.

Esse é, acreditem, o ponto alto desse passeio.

A beleza da combinação da música etérea com o peso da pedra.

Depois das visitas de todas as vinícolas e antes de voltar para o albergue, a van parou numa formação rochosa chamada Anfiteatro.

O porquê do nome vocês podem ter uma idéia através da foto abaixo. É uma espécie de abertura “escavada” pelo vento dentro de uma montanha, num formato semelhante ao de um cone. Vocês podem ver as pedras formando o “contorno” da entrada, uma abertura lateral, e onde a base do cone é um pouco mais larga, e vai se estreitando até o topo, que é uma pequena fenda no alto da montanha.

Essa é uma foto tirada por dentro do “cone”, tirando o ângulo da abertura. Olhem as pessoas para vocês terem uma idéia do tamanho da coisa… E isso porque não deu para fazer o teto e o chão caberem na mesma foto.

E o que acontece? Esse vão formado pela pedra, com uma pequena abertura lá em cima, dá ao lugar uma acústica fantástica. É realmente um “anfiteatro” natural.

Então, ao entrar lá, tinha uma pequena banda de três músicos indígenas que estavam tocando uma música dentro do anfiteatro. Os instrumentos em si eram simples: um violão sendo dedilhado, uma flauta artesanal e um tamborzinho. E no entanto, o som que produziam fazia crer que havia uma verdadeira orquestra. Eu, zé mané são tomé, juro que fiquei procurando um aparelhinho de som a pilha ali escondido… Nada…

A Sony, LG, Samsumg e demais colegas deveriam dar uma visitada ali antes de produzirem os seus “home-theaters-incredible-surround-sound-3D-blábláblá”… Porque não há nada parecido.

E Rochane, sentada e pensativa, ouvindo a música…
(Ah, importante… Ainda tem muuuita parede de pedra para cima)…

 

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Comments

9 COMENTÁRIOS

  1. Oi Clarissa!

    Mais um vez pegando um monte de dicas no teu blog e adorando teus posts 🙂
    Uma dúvida: Esse ida à Cafayate, tanto a parte das pedras como do vinho, é um tour só? E você fechou com o hostel? Em qual você ficou?

    Um beijo! E parabéns pelo blog, mais uma vez 🙂

  2. Oi Clarissa! Brigada! Pela resposta e pela indicação dos hostéis (? Hehe). Dei uma olhada e são legais 🙂
    Já começamos o nosso mochilão (eu e o marido). Saímos ontem de Buenos Aires e estamos em Mendoza, vou usar muito tuas dicas de Salta, do Atacama e do Uyuni (já comprei lencinhos de bebê!).
    Beijos!

    • Ytauana, que bom! Depois me conte se as dicas funcionaram, o que achou e tal! 🙂 Vou ficar curiosa em saber!
      Olha, também não esqueça de andar sempre com uma bateria extra da camera, especialmente no trecho do deserto de uyuni, e ambas sempre recarregadas. Afinal, não vai ser sempre que vc vai achar tomadas para carregar, e é um pecado deixar a bateria da camera morrer e perder as fotos do salar, que serão lindas!
      Em Mendoza, tente almoçar numa bodega chamada Nieto Senetiner. Se nao me engano o almoço para dois era 50 pesos (mas era uma delíciaaaaaaaaaaaaaaa) e inclui um passeio pela vinícola. Fofo fofo!
      Boa viagem!!!

  3. Oi Clarissa! Finalmente consigo te responder! Estou na estrada sem parar desde o começo de setembro! Agora estamos em El Chálten e lembrei do teu trekking aqui (nao vou tentar, vou fazer uns mais levezinhos mesmo ;)) nem consegui almoçar em Mendoza, tive dificuldades com a reserva e meu calendário, mas mesmo assim foi lindíssimo. Lá fomos tb pro Aconcágua e a estrada é maravilhosa! (Sou das tuas, tenho uma coisa com caminhos). Quando voltar a minha vida normal, venho aqui comentar nos posts de cada lugar que fomos.
    Já adianto que o Uyuni foi realmente incrível ^^
    Um beijo!

  4. Ah! E acabamos indo pra Cafayate e dormimos lá mesmo! Fomos em vários vinhedos e a fazenda de queijos de cabra lá. A cidade é tão pequenininha e lindinhas que não quisemos fazer um bate e volta 🙂

    • Pois é, tenho ficado com muita vontade de voltar! Achei a cidade super gracinha, e recentemente teve uma reportagem especial sobre lá. Mais um motivo para voltar para Cafayate – e dessa vez quem vai pegar dicas com vc sou eu! 🙂

      • Volta, sim! Você vai curtir bem mais 🙂
        Tem um ateliê na frente do Museu do Vino na cidade que é simplesmente mágico… as coisas são maravilhosas, super diferentes e a energia meio que de outro mundo. Quem sabe é pq o artista é do povo originário da montanha? E olhe que eu nem me convenço com essas coisas, viu?
        Pode me perguntar qualquer coisa que se eu souber respondo 😉
        Beijos!

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