Ah, vá… Todo mundo tem um momento “E agora, José?” nas suas viagens! 🙂

Geralmente é aquele momento em que acontece algum contratempo, ou uma situação estranha, ou a gente contrata um tipo de passeio e na hora do “vamo vê” a gente descobre que a coisa era bem diferente do que a gente imaginava…

E aí que a gente pensa: “Putz, e agora, como eu saio dessa?” 😯

privadas
Dormir à beira das margens do rio Nilo é uma experiência linda, mas também tem lá seus desafios!

Na maioria das vezes, o contratempo é daquele tipo que não tem jeito – o negócio é encarar. 😐

Bom, tudo bem que, depois que o perrengue passa e a gente volta são e salvo para casa, o que fica é a lembrança de um momento divertido, ou de pelo menos uma boa história para contar para os amigos.

E se é assim, tudo bem. Se a vida é feita mesmo de histórias, então voltar com uma significa que o saldo da viagem foi positivo. 😀

Eu confesso uma coisa para vocês: sou uma pessoa zero frescura. Topo acampamento, viagem mochilão, trilha de aventura, comida exótica, tudo. Só não topo injeção na testa porque pode até ser de graça, mas que deve doer, ah, isso deve.

Mas mesmo assim, volta e meia rola aquelas situações de viagem que a gente pensa “E agora, José?”.

E são situações que podem acontecer por qualquer motivo. Por exemplo, pode ser um imprevisto simples de viagem…

deserto
A roda do nosso carro atolou durante um passeio nas dunas. Do Nordeste? Não, do deserto egípcio – aquele lugar enorme em que quase não passa ninguém para ajudar!

…ou um tipo de imprevisto beeeeeem mais complicado.

carro deserto bolívia
Um carro de tour capotado nos altiplanos bolivianos, que fazia a rota Uyuni – San Pedro de Atacama. Foto: Nicolas Nazareth

Não sei quanto a vocês, mas pelo menos no meu caso, meus momentos “E agora, José?” são bem democráticos: aconteceram quando eu tava fazendo programas aventureiros, mas também quando eu estava fazendo viagens chiquetosas (mas cuja “chiqueza”, por exemplo, não me impediu de perder um voo de volta para o Brasil e de ficar à deriva no aeroporto de Roma só com 3 euros no bolso). Aconteceu quando eu tava sozinha, quando eu tava acompanhada, e aconteceu com meus companheiros de andanças também – e a mim, nessas horas, só coube dar aquele apoio moral e guardar os registros para postar um dia.

E não tem jeito: o momento “E agora, José?” eu só lembro mesmo é na hora do “Vamo vê”. Ir no banheiro no deserto do Saara, por exemplo. 😛

banheiros egípcios
Como fechar a porta do banheiro?

Nesse caso, a solução era parar um carro bem longe, ir andando até lá e, como fazem os gatos em suas caixinhas de areia, resolver ali o seu problema com a natureza. Quando dava para esperar por um banheiro a gente esperava, mas sabe como é – nem sempre a situação (ou a urgência) permitiam.

E aí era soltar um “É sério isso, produção?”, respirar fundo e encarar. 😐

Claro, a gente leva na esportiva e no fim das contas é até divertido. E em alguns casos, se a gente não passasse por isso, ia perder também outras experiências igualmente bacanas que só as “lonjuras” e os tropeços fora da área da nossa “zona de conforto” nos permite.

Deserto dunas great sand sea
Das belezas que só as lonjuras (e alguns perrengues) nos permitem: conhecer de perto o Great Sand Sea, o belo deserto de dunas do Saara, na parte egípcia.

Ou que os erros de percurso causam.

Enfim, é sempre divertido lembrar desses momentos. E por isso eu queria saber de vocês: qual o momento das suas viagens em que vocês pensaram “E agora, José?”.

carro quebrado
Minha prima esperando o socorro de alguma boa alma que pudesse nos ajudar a desatolar o carro do nosso tour – que estava com mais da metade da roda enterrada na areia. Isso logo ali, no deserto egípcio, tipo nada movimentado, sabe?

Só para contribuir: eu tive esse momento várias vezes nas minhas viagens! Seja um momento “E agora, José?” Ou um que não tenha rolado assim, tão bacana! 🙂 E compartilho com vocês alguns dos meus momentos e de quem já viajou comigo!

“Ah, esse é o lanche de hoje? Gafanhoto assado? Ah, não, obrigada, muita gentileza sua. Sim, parece.. hã.. delicioso, claro. Mas não, obrigada. Hein? eu tenho que aceitar para não fazer desfeita?

<glup!>” 🙁

(Viagem a Oaxaca, México)

Chapolines mexico
“Experimenta, vai! É crocante!”

– Então, só temos um restaurante aberto a essa hora. Você está com fome?

-Tô sim.

– Bom, então, seja bem-vinda. A especialidade da casa é tripa de boi. Estão todas expostas aqui, para secar, ao ar livre. Escolhe qual a que você quer – ele pausa para espantar as moscas – que eles preparam na hora! 

(Viagem a Oaxaca, México)

Tripas de boi

Antes: “Ah, trilha hoje. Moleza. Tô super em forma. Bora.

Depois: “Não, eu não vou continuar a trilha. Acabou o joelho. Já era. Puf. Morreu.”

(Viagem a Patagônia Argentina)

pés machucados da trilha

Olha, moço, deve ter algum engano.  Tava lá no encarte do passeio: “pernoite no sopé da montanha”. Cadê o chalé fofo que eu estava imaginando?

Ah, tava explicando nas letras miúdas que era com saco de dormir? Não, não li. E não trouxe saco de dormir também. Mas tudo bem, 6 graus à noite é… fresquinho…”

(Fazendo a travessia do parque El Chaltén, na Patagônia argentina).

barracas de acampamento

Sim, eu estou calmo. Calmíssimo.

(Travando amizades com uma jibóia no Projeto Jibóia em Bonito, Mato Grosso do Sul. Segundos antes uma garota tinha saído correndo e em prantos depois de um “beijo de língua” da cobra na sua bochecha).

Mark and the snake

A trilha era bonita? Não, não vi – tava matando mosquito nessa hora. É, esqueci o repelente. Pois é.

(Sendo devorada por mosquitos carnívoros durante uma trilha em El Chaltén, na Patagônia Argentina).

xô mosquitos

Olha, eu não quero mais rapel. Eu não quero mais subir. Eu não tenho mais perna. Eu não aguento mais. Eu vou chorar. Me puxa?

(Chorando HORRORES sem mal sentir as pernas na hora de subir de rapel os 72 metros do Abismo Anhumas, em Bonito. Porque descer é mole, né?)

rapel abismo anhumas

Sério que a bota vai soltar agora? JUSTO AGORA?

(Descendo de corda um paredão de gelo em El Chaltén, na Patagônia Argentina. E claro, pondo o pézinho só de meia naquele gelo todo até chegar lá embaixo!)

escalando sem sapato

Então, o tour hoje é numa caverna bem bonita. Só a entrada que é meio… apertada. Ah, e choveu um pouquinho, mas não se preocupa, nem deve ter tanta lama assim.

(Passeio no PETAR, no sul do estado de São Paulo).

entrando na caverna

Antes:

– Tô vendo a previsão do tempo. Xi, tá dizendo: previsão de tempestade de inverno. ‘Winter Storm’. Não é melhor a gente deixar para outro dia?

– Olha, eu NÃO ACREDITO que você leva previsão do tempo a sério. Imagina, “winter storm”… A gente está indo para o meio de deserto. Ouviu? DE-SER-TO. Quando que já se viu chuva no deserto – e, ainda mais, neve? Vem cá, você já teve aula de geografia? ‘Deserto: região que recebe pouca precipitação pluviométrica’. Tá lá no Aurélio. E ainda fala ‘pluvio’, que vem de chuva. Pouca chuva, entendeu?

– Mas…

– Sem mais… Gente, pelamôdideus, é um deserto. Seco. Tipo, já assistiu os desenhos do Coiote e do Papaléguas? Pois é, aquilo é um deserto. E nunca vi um episódio que fosse que tivesse um pinguinho de chuva. Ou de neve. E de mais a mais, desde quando previsão do tempo é para ser levada a sério?

Depois:

– Mas o que você dizia?

– … 😳

(Viagem de carro de Las Vegas ao Grand Canyon, nos Estados Unidos, em pleno invernão)

DSC02172

Fora outras histórias, cujos perrengues não deu tempo para fotos… Mas que fique registrado: amei todas estas viagens. Sem exceção. E passaria por todas as experiências de novo, sem titubear. 🙂

(Mas que na hora rolou uma tensão quase cômica, rolou. Faz parte, né?) 🙂

Então, agora que eu abri meu coração e intimidade para você, me conta: qual foi o momento “E agora, José?” das suas viagens? 🙂

Comments

3 COMENTÁRIOS

  1. Meu último dia no Cairo, Egito. Indo de taxi pro aeroporto pegar meu vôo de volta ao Brasil.
    O motorista, um velhinho egípcio, faz cara de assustado ao ver o carro engasgando e parando no meio de avenida engarrafada. Dá tapas no painel, faz xingamentos em árabe, sai do carro e abre o capô.

    “E agora, José?!”. Apavorado, tento explicar pra ele, em inglês, que tenho horário pra chegar no aeroporto.
    Ele dá a volta no carro, abre porta-mala e volta com um galão dizendo, “Benzina! benzina!”, faz sinal pra eu esperar e sai correndo atravessando a avenida, desaparecendo em seguida.
    Enquanto isso fiquei sozinho com o carro dele, tendo que lidar com estranhos que me abordavam em árabe, desviando o trânsito que vinha buzinando atrás e fazendo planos pra arrombar o porta-malas, resgatar minha bagagem e fugir.

  2. Adorei o post!!! Também tive váaaarios momentos “e agora josé”. Mas, para citar apenas um: estava na Bolívia e peguei um ônibus de La Paz para Oruro, certa de que a tarde pegaria o trem de Oruro para Uyuni; mas…. Como tudo na Bolívia é imprevisível, o trem nao estava funcionando pois os mineiros estavam fazendo manifestação colocando fogo nos trilhos!!! E anoitecia em uma cidade esquisita e sem opção de hospedagem… “E agora José???”. Kkkkk

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