Passar alguns dias nos Alpes Suíços é, de certo modo, traçar uma rápida imagem mental de uma paisagem linda de montanhas nevadas, um chalé com lareira e suas habituais harmonizações de fondue de queijo, chocolate, vinho e vaquinhas Milka ao fundo: um passeio mais convidativo e romântico impossível, perfeito para se curtir a dois.

O que  não era o meu caso quando fui, a trabalho. E por isso, logo me vi imaginando como fugir do tédio solitário se esse quadro cuti-cuti se apresentasse.

E taí a surpresa de Interlaken, nome que significa “entre lagos”, cidade que fica na região de Bern: ela mostra uma Suíça democrática, para todos os gostos: para os amantes de esportes radicais, os amantes de programas família, para os amantes de queijos e chocolates,  os amantes de trekking e atividades outdoor, para os amantes de artesanatos e – claro – para os amantes em si. Isso porque Interlaken (West e Ost) é a base para conhecer os alpes, o Top of Europe, as cidadezinhas charmosas ao redor e mil outras delícias que vão muito além das paisagens lindas que a gente sempre vê ilustrando o país.

Até porque as paisagens são lindas mesmo e de fato parecem ter saído de um conto de fadas…. Por isso, vão ilustrar o primeiro da série de motivos pelos quais Interlaken merece entrar na sua Bucket list para ontem – humildemente apresentados neste post, que inaugura nossa série de conteúdos sobre o país.

PS: E se você gostou das dicas, fique atento: elas serão explicadas, cada uma e timtim por timtim, nos próximos posts que estão sendo preparados por aí!

Sim, aquilo caindo da montanha é uma queda d’água… E, sim, esse lugar existe e se chama Lauterbrunnen, cidade próxima de Interlaken.

As paisagens: Interlaken West é a primeira parada de trem onde são feitas as conexões para outras trilhas de trem que levam às cidadezinhas no alto da montanha: Lauterbrunnen, Kleine Scheidegg, Grindenwald e Wengen, entre outras. Cada uma é um sonho de paisagem à parte, mas antes de chegar lá já fique esperto no caminho: pergunte ao guia que o acompanha em qual lado da janela do trem podem ser tiradas as melhores fotos (isso varia de trecho para trecho da estrada). Com a resposta em mãos, é pegar seu lugar na janelinha, câmera em punho e babador a postos (esse último, opcional. Mas que a vista merece, merece).

 

 

 

Palácio de gelo: Imagine andar por intrincados corredores translúcidos de puro gelo… Essa é a experiência de conhecer o Eis Palast,  cujos corredores foram escavados em um glaciar no alto de uma montanha (mais especificamente, no alto do Top of Europe, o complexo turístico mais alto da Europa Ocidental).

E é gelo mesmo – você pode atestar simplesmente escorregando a ponta dos dedos pelas paredes (e aquecendo-as segundos depois a tempo de evitar uma hipotermia)! O ambiente é mantido por uma refrigeração  interna que protege as paredes do calor gerado pela passagem dos próprios visitantes. Esculturas de gelo dispostas ao longo dos corredores fazem as vezes de decoração – embora, a mais divertida é a do Scratch, o esquilinho do filme “A Era do Gelo” que, numa brincadeira bem-humorada, foi preso num bloco de gelo para alegria das crianças ( e a nossa, secretamente).

A experiência é definitivamente sensorial: seja pela frio das paredes, pela cor de gelo que mais parece estarmos em  um lugar fora do planeta, pelo som ecoando nos ouvidos… Não raro, alguém se encanta pelo inusitado do lugar e resolve casar ali (segundo o guia, é comum acontecer cerimônias de casamento por lá). Bom que, se depender do frio, a cerimônia não deve demorar muito, né?

 

 

 

Chocolate: não há dúvidas de que o chocolate suíço é o melhor do mundo, mas certeza mesmo a gente tem é a cada mordida dada nos exemplares de lá – e fica a dica de, quanto mais artesanal, melhor. Por isso, não se avexe nem se restrinja às marcas mais internacionais (não que Lindt e Sprüngli não mereçam toda a devoção de suas papilas gustativas mas, uma vez na Suíça, faça como os suíços: experimente as marcas locais). Em se tratando de chocolate suíço, não há margem para arrependimentos, e a experiência é um êxtase para o paladar a cada mordida. Vai com fé que, aqui, gula tá longe de ser pecado.

 

 

Trilhas: Eis que é chegando lá que descobrimos que Interlaken é conhecida como “A Meca dos trekkers na Europa”.

Em tempo: já tínhamos ouvido esta expressão uma vez no Parque Nacional de El Chaltén, na Patagônia Argentina (obviamente, no caso era “A Meca dos trekkers na América do Sul). Lá, a alcunha procedia: de fato, foi um dos melhores trekkings que já fizemos, com paisagens alucinantes e caminhadas de tirar o fôlego – em todos os sentidos. 

O mesmo acontece em Interlaken: em todo lugar vê-se trilhas demarcadas e placas amarelas apontando o nível de dificuldade e o tempo de caminhada. Os tipos de relevos também são à escolha: com subidas, com neve, com verde – tudo a gosto do trekker (que pode ser um experiente esportista ou uma família com crianças pequenas), e onde o único ponto em comum é a vista onipresente dos Alpes. Vale a pena aventurar-se.

 

 

 

 Esportes radicais: Não se engane: a imagem das vaquinhas fofas pastando plácidas nas montanhas suíças não é sinônimo de eterna calmaria por aquelas bandas. Parapente, saltos de paraquedas, rafting, canoagem, escalada… há atividades para todos níveis de esportistas e de demandas orgânicas de adrenalina.

Mas assim, querem mesmo uma opinião minha, de coração? Em se tratando de Alpes Suíços, quanto mais alto melhor. Então, para quem não tem medo de altura, aproveitem: saltos de parapente e escaladas são um brinde aos olhos de paisagens de absoluta beleza. E, devidamente agendados e organizados com as equipes experientes no assunto, não há o que se preocupar em termos de segurança. O lance vai ser só tirar o sorriso bobo de alegria do rosto depois…

 

 

 

Passeios de Bicicleta ou… Patinete?: Sabemos que a Europa como um todo promove bastante o uso da bicicleta como meio de transporte ecológico. Mas quando se está nos Alpes Suíços, e com uma vista dessa… quanto menos janelas e rodas, melhor!!!

Mas se você quiser uma dica mesmo, mesmo, daquelas de coração, aí vai: pegue o cable car, suba para as estações mais altas e lá, alugue uma patinete! Depois, é só aproveitar o declive natural das montanhas, controlar a velocidade no freio… e sentir o vento no rosto, enquanto admira os paredões de rocha à sua frente, pontilhados de verde, casinhas, vaquinhas e flores.

A velocidade quem dita é você. O tempo de duração, também. E garanto: ao chegar na base do passeio (na cidade fofíssima de Grindenwald), você já é outra pessoa. Muito parecida com a anterior, é verdade, mas muito mais feliz! 🙂

Chalés Românticos: sim, porque eles não poderiam faltar! As cidadezinhas como Grindenwald, Wengen e Lauterbrunnen parecem saídas de um conto de Papai Noel, tamanha a fofura das casas e a beleza encantada da paisagem ao redor – e são uma ótima pedida para casais apaixonados, lua-de-mel, casamentos… Hospede-se nestes charmosos chalés de madeira, onde o convite é curtir uma lareira, um delicioso fondue de queijo e uma companhia muito especial, e esqueça do mundo lá fora…

Aliás, que mundo..?

 

Ballenberg: Uma surpresa daquelas que você não dá nada por elas no início, mas que volta apaixonado. Ballenberg é um museu ao céu aberto, onde são expostas… casas! Sim, um museu de casas: mais especificamente, casas suíças antigas, que datam desde os idos de 1600 e lá vai bolinhas, de diferentes regiões do país e diferentes épocas. E o mais interessante: em todas elas, foram preservados os móveis e modo de vida dos moradores da época. É como conhecer, ao vivo e a cores, como eram feitos os pães pelos aldeões suíços em 1760 (utilizando o mesmo forno e fermento da época), como se defumavam linguiças (e como isso impactava na saúde dos habitantes), ou entender as diferenças estruturais de uma casa de uma família nobre e de uma família mais humilde há séculos atrás (onde a questão do isolamento térmico era decisiva).

Confesso que só por ler o prospecto eu achei que deveria ser algo meio chato: mas revelou-se numa aula interessantíssima de história do cotidiano de um povo (e que eu lamento não lembrar ter visto algo semelhante aqui no Brasil).

Por isso, aconselho incluir aí na sua “to do list” da Suíça e ficar de olho no blog, que contaremos em breve detalhes de como foi a visita lá. Porque é o tipo do lugar que até escrever um post sobre é uma tarefa gostosa!

 

 

A tirolesa de First: Aqui, “First” não quer dizer “primeiro”. É o nome de uma das paradas de cable car que possui, além de um restaurante charmoso e uma bela vista, uma tirolesa. Daquelas bem rápidas, altas e compridas, mas perfeitas para adultos e crianças de todas as idádes. A vista do topo é essa aí. E a sensação, bem… só experimentando!

 

 

 

O Lago Brienz: talvez, a moldura mais bonita que uma cidade (no caso, Interlaken Ost) poderia ter. As águas do lago Brienz suscitam aqueles questionamentos fugazes sobre qual é a cor original da água, que invariavelmente terminam em várias fotos tiradas em sequência, como que para captar cada um dos tons de verde X turquesa X azul das águas.

Mas Oscar Wilde já dizia que a beleza não carece de explicações. Então, quando estiver às margens de Brienz, deixe os questionamentos de lado e encante-se pela sua cor da melhor forma possível: de perto. Seja num café às margens da também cidadezinha de Brienz; ou sobre o barco a vapor que percorre os diversos portos do lago até Interlaken Ost; ou, ainda, mergulhando, se tiver coragem (a água é fria. Suíça, lembra?).

Seja qual for a forma que você escolher, uma coisa é certa: aquela história de que dizem que a Terra é azul vai se tornar altamente  discutível depois que você passear por lá.

 

Vista do Top of Europe. Crédito da Foto: Divulgação do Escritório de Turismo de Interlaken

Top of Europe: É de Interlaken a base para subir e conhecer o Top of Europe, o complexo turístico mais alto da Europa Ocidental (a 3454 metros acima do nivel do mar) e cuja ferrovia, a Jungfraubahn, faz 100 anos este ano (data comemorativa que contará com uma série de eventos a partir de agosto, além de uma edição especial de um chocolate que faz o seu nível de endorfinas subir à alturas semelhantes às das montanhas).

O passeio até lá dura quase o dia todo, considerando ida e volta, mas vale a pena fazer com calma: são várias baldeações de trem em estações charmosíssimas, além do passeio lá em cima propriamente dito: conhecer as exposições, o Eis Palast (Palácio de Gelo), a história da construção da estação, o restaurante (já pensou em tomar uma sopa de lagosta, deliciosa por sinal, no ponto mais alto da Europa?)… Além, é claro, da vista dali de cima. Essa, apaixonante.

Você pode, inclusive, deixar sua marca – junto com suas roupas – lá, para tornar o momento, digamos, mais íntimo. Fique à vontade. Pelo que observei, os outros turistas são super a favor deste tipo de coisa…

Antes que alguém pergunte, eu não estou na foto, tá?

 

Esta jornalista e blogueira que vos fala visitou a cidade de Interlaken em junho de 2012, a convite do Escritório de Turismo de Interlaken, da Jungfrau Railways e do Hotel Krebs.

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