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Já não é de hoje que existe a rixa entre qual é o maior rio do mundo, o Nilo ou o nosso Amazonas. Até pouco tempo atrás, cada um ostentava um título – o Nilo de rio mais extenso do mundo, e o Amazonas de maior volume de água – mas pesquisas recentes terminaram por puxar a sardinha definitivamente para o nosso lado, e o Amazonas hoje é considerado também o maior em extensão.

Disputas a parte, a extensão do Nilo e as suas condições de navegabilidade o tornam um excelente meio de transporte, desde eras antigas, entre o norte e o sul do Egito. A história se repete hoje, mas dessa vez é para dar a turistas o mesmo prazer de viajar como os antigos faraós faziam.

Percorrer o Nilo vale a pena – ao menos, o trecho que sai de Aswan e segue até mais ou menos a altura das ruínas de Kom Ombo, próximas a Luxor. Faz-se em um dia, inclui um pernoite e a chegada é de manhã – e você ainda tem um pouco do gostinho do que é conhecer o rio.

E tem duas formas de fazer isso: a chique, de cruzeiro (abaixo). Ou o modo “adventure”, como eu colocaria: de fellucca – o famoso “veleiro”.

Em tempo: é possível encontrar vários posts falando dos cruzeiros por lá (eu indico esse do blog Andarilhos do Mundo, que explica com texto e fotos como é a experiência). Mas nós, super adeptos do modo inusitado-aventura-doidão, deixamos para lá o barco cheio de europeus branquelos e fomos de “fellucca”. Yeah! 

Um dos cruzeiros que passou por nós. De fato, mais confortável. Mas a gente pediu foi aventura, né?

O preço é considerável, claro – a viagem de cruzeiro é sensivelmente mais cara. E caso alguém queira ter a experiência de andar de fellucca (velejar é uma delícia, acreditem), mas não quiser o cruzeiro, também é possível fazer apenas o passeio: duas horinhas, velejando para lá e para cá, saindo do porto de Aswan e pronto: experiência de Fellucca no Egito – “checked”!

Porto de Aswan: cortado pelo Rio Nilo, dali que saem os cruzeiros e as felluccas – seja para viajar, seja para dar só uma voltinha!

Ok, além do preço, a diferença também é conforto: mas exatamente, o que? Viajar de fellucca é meio como um grande acampamento (e eu, que mesmo” adventure”, definitivamente não curto acampamentos, até que achei interessante). A fellucca é toda forrada com um grande “colchão”, e o barco é totalmente aberto, o que tem duas vantagens: enjoa menos (e “ói” que eu sou a rainha dos enjoos) e você tem uma vista de 360 graus do rio e das margens.

Interior da Fellucca. Tira-se um cochilo fácil fácil, com aquele balancinho do mar, o solzinho de fim de tarde e aquela brisa boa…

Oh, e que vista, e que margens! Não por acaso, o Rio Nilo era considerado sagrado pelos povos antigos: quilômetros e quilômetros de deserto bege davam lugar a uma mata verde e farta ao chegar bem pertinho das margens.    É fácil ver o contraste “deserto X margens”. E a riqueza do verde era bonita de se ver que só!

Em tempo: não que o cruzeiro não tivesse isso tudo. Ele tinha, claro:  passava pelos mesmos lugares que a gente. Mas, sei lá, pode ser preciosismo meu, mas de todos os barquinhos que eu vi passando por mim, todos estavam com as janelas bem fechadas. Nenhuma cabecinha de fora admirando aquela beleza toda… 

Bom, sei lá… eu amo ar livre. 

 A comida era preparada lá no próprio barco, pelos dois donos (são sempre dois. Nesse post, eu explico um dos motivos para isso). Muito enfoque, de uma forma geral, em refeições vegetarianas (acredito que se deve ao fato de que carne é cara e exige conservação especial). Mesmo assim, era deliciosa como a comida árabe o é de forma geral: mérito dos temperos e das mãos habilidosas dos cozinheiros.

Um adendo especial: os egípcios são muito, muito simpáticos. Mas, não sei se foi impressão, mas os de cidades menores como Aswan e Siwa o eram ainda mais – sempre desdobrando-se em atender da melhor forma possível. Sorrisos sempre presentes. Até na hora da prece, em que ambos se revezavam, para que um não deixasse os hospedes desatendidos enquanto o outro cumpria suas obrigações religiosas. Vê-los orar era até uma coisa bonita, de tanta devoção.

Adendo especial dois: O barco era absurdamente, estupidamente, incrivelmente limpo. Todo branco. O tempo todo, baldes eram retirados dos rios, e cada parte do barco era cuidadosamente lavada, enxaguada e secada com as mãos e um lenço. 

Melhor que muito hotel e pousadinha por aí.

Legumes fervendo, arroz e bolinhos de lentilha fresquinhos na panela, e um pote de Nutella no chão. Para a sobremesa, claro. Refeição e calorias perfeitamente equilibradas. Hummm…

Ah, importante: para os que quiserem, podem levar roupa de banho por baixo (embora as meninas devem mergulhar de short e camiseta. Meninos, sungas jamée. País muçulmano, lembram?) e mergulhar no rio. Embora…

[box type=”info”] Uma breve história. Juro.

Estou eu, toda paramentada para dar um belo mergulho no rio Nilo, na beiradinha do barco para pular, já imaginando nadar mergulhada em todas aquelas vibes milenares, assim como o fizeram as grandes rainhas Nefertiti e Cleópatra, chiquérrimas. Entrar calmamente naquelas águas cor de jade, de tempos imemoriais. Balançar meus pés sobre os juncos mornos do sol e…

– Ué, mas não é no Nilo que dizem que tinha muito crocodilo? – pergunta alguém.

Coloco meus pés para dentro do barco num pulo.

– Sim – responde o guia. Calmíssimo. – O crocodilo-do-Nilo é um animal sagrado. Inclusive, existia o Deus Sobek, que tinha uma cabeça de crocodilo. O templo em homenagem a ele ficava bem perto daqui, porque a região era infestada de crocodilos. Lembra quando eu contei a história dos deuses, e expliquei que era ele que representava a morte e foi o devorador do…

Não, não lembro… Mas, sei lá, acho que já captei a idéia geral…

– E eles ainda existem? Lembro que a Bíblia tinha passagens mencionando que eles eram perigosos… – a menina continua, cândida e interessada.

– Sim, é um dos mais ferozes do mundo. E maiores também. Não sei se vocês lembram, mas tinha um deles embalsamado no Museu do Cairo, que media 6 metros…

Ah, disso eu lembro. 6 metros de comprimento, sendo que só a cabeça (e a boca, logo) tinham quase 2. Lembrei agora. Show. Jurava que, como estava perto das múmias, só vivia lá naquele tempo. Mas olha, bacana saber que existem até hoje –  e, vejam vocês, logo aqui, nesse rio. Bem onde estamos. Um barato. Iradão mesmo.

Me visto. Mas o guia percebe a preocupação de todos e explica, rindo.

– Mas não se preocupem. Desde que construíram a barragem de Aswan, eles ficam do lado de lá.

– Tem certeza? Não tem mais nenhum por aqui?

Não sei porque, mas a palavra “infestado” dita alguns segundos antes ficou na minha cabeça. Sabe aquela coisa de ouvido seletivo? Então.

– Não, podem ficar tranquilos. Há muitos anos que nenhum é visto por aqui.

– Ah, que bom! Mas você vai mergulhar com a gente também? – eu pergunto.

– Não, eu não – responde o guia, sentando-se – prefiro ficar aqui fazendo companhia para o pessoal que não vai nadar. Essa brisa tá ficando fria e eu amanheci meio gripado, sabe?

Moral da história: todo mundo deixou as vibes da Cleópatra e da Nefertiti para lá e voltou para o barco. Bem que o tempo tava esfriando mesmo…

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Mas, se as brincadeirinhas acontecem ao longo da travessia, o fim de tarde é coisa séria. Primeiro, é quando eles escolhem um lugar para atracar o barco. Segundo, porque é quando se vê o primeiro pôr do sol, dos muitos fantásticos que virão a seguir.

E a lua, também. Em noites de lua cheia, como era o caso, é possível tirar fotos como essa usando uma câmera absolutamente normal.

E o povo falando da tal de “supermoon”, sem saber que ela dá as pintas por lá todo mês!

O pernoite é feito no próprio barco, como um acampamento: eles envolvem as laterais com uma espécie de toldo para proteger do vento, e os viajantes se acomodam usando seus próprios sacos de dormir (no ato da inscrição para a excursão, eles informam todos os materiais “aconselháveis” para levar na viagem, e o saco de dormir foi um deles). A indicação é de um saco de dormir que resista a temperaturas até zero graus – não que chegue a isto, mas a noite no deserto chega fácil a uns 4 graus. E ainda tem o vento.

Só para explicar: Comprei um dentro das especificações, o que adicionou 2 kgs extras à minha bagagem. Fiquei reclamando e carregando aquele trambolho por toda a viagem – até a primeira noite em que tive que usá-lo, no barco. 

Depois disso carregar o saco de dormir virou uma questão de honra, tamanha foi a gratidão pelo querido.

Mas olha: não tem mosquito. 🙂

E de manhã, a sua “vista” é mais ou menos assim:

 O café da manhã (assim como o jantar na noite anterior) é servido assim, numa toalha sobre o barco. Frutas frescas, pão assado na hora, queijo, mel e chá: o típico, simples e delicioso café da manhã que tivemos em quase toda a viagem. E lá fora, um sol morno e uma brisa fria ainda, mas deliciosa.

Por isso, repito: acho que um pernoite na felluca está de bom tamanho, se a sua vibe aventureira não for lá das mais fortes. Então, para quem está viajando com amigos, dispensa o clima romântico do cruzeiro e está num grupo divertido, a experiência é muito bacana.

E o desembarque é feito há poucos minutos dali, perto de Kom Ombo, onde uma van pega os passageiros (todos felicíssimos) e segue viagem.

Ah, a quem interessar possa, o próximo pernoite é num hotel. Com cama, chuveiro e tudo.

Comments

6 COMENTÁRIOS

    • Carol, nesta excursão acamparíamos duas vezes (uma na fellucca e outra no deserto) e precisaríamos do saco de dormir em ambas. Mas no Egito, pelo menos no que pude ver por lá, não tem estrutura nenhuma nesse sentido, nem lojas oferecendo materiais para alugar (em todos os lugares, víamos estrangeiros carregando seus próprios sacos de dormir.
      Teve uma menina que não tinha levado, e o guia emprestou para ela alguns cobertores. Claro, acho que sempre é possível dar-se um jeito, mas, sei lá… Considerando que é o lugar onde você vai dormir, e eu não confiei muito na procedência dos cobertores que eu vi por lá, eu preferi o “transtorno” de ter que carregar o meu próprio saco, mas pelo menos dormir em paz, tranquila, quentinha e limpinha! 🙂

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