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Experimentar comidas diferentes é uma das principais razões pelas quais eu gosto de viajar. Geralmente a comida típica de qualquer lugar é o que se tem de mais abundante e barato. No decorrer de centenas de anos vão se adicionando temperos e passando receitas de geração a geração até chegarmos ao delicioso prato típico de cada região. É so pensar na feijoada. Como podem os piores pedaços de porco dentro do feijão ser tao gostoso?

Antes de chegar em Cusco mandei um email para minha amiga e bloggeira de plantão Clarissa perguntando algumas dicas sobre a cidade. Entre varias dicas úteis ela me contou sua opinião sobre o Cuy: “Simplesmente é um rato frito inteiro, com aquela aparência horrível, servido com arroz e outra gororoba lá…”. Eu, que não tenho preconceitos gastronômicos e não estou muito preocupado com minha taxa de colesterol ou conseqüências intestinais , logo pensei: “Já que provavelmente eu comeria o Cuy de qualquer maneira eu vou é fazer uma aposta com a Clarissa quanto a minha habilidade de comer o tal rato frito”.

No primeiro dia, depois de um longo city-tour por Cusco, na hora do jantar eu achei que era mais prudente não arriscar o Cuy já que teria que acordar as 4:30 da manhã para ir a Macchu Pichu no dia seguinte. Decidi comer algo mais light: Lomo Saltado. Comida típica lá do Peru e velha conhecida minha de restaurantes anglo-mexicanos. O prato é basicamente carne ao molho shoyo com cebolas vermelhas e tomate servido com batata frita e arroz. Estava bom. Mas nada de diferente do que já havia experimentado.

No segundo dia, cheguei tarde de volta a Cusco e como não queria perder muito tempo antes de ir dormir, achei um fast-food ali na Plaza de Armas: “Bembos – Peruanos como ustedes”. Tudo bem que não sou peruano mas andei me queimando bastante no Sol Andino, talvez ninguém note a diferença. Com meu fluente Portunhol pedi o sanduíche de Pollo Pina com papas fritas e Inca cola. Na minha primeira mordida tive a surpresa de descobrir que pina é abacaxi em espanhol! Mas o sanduíche estava muito bom. Eles colocam uns temperos peruanos doidos lá na sanduíche que fica muito melhor que qualquer Bob’s ou McDonald’s. E se eu tivesse paciência para descascar abacaxi, com certeza colocaria abacaxi nos sanduíches que faço aqui em casa. Para quem for no Bembos não esqueçam de colocar Aji (uma mostarda apimentada) na sua batata frita.

Ate agora foram 2 dias e nada de Cuy! No terceiro dia, chegando de volta a Cusco do tour do Valle Sagrado achei melhor deixar o Cuy para o último dia mesmo. Desse jeito se houver algum revertério o último dia é um dia mais relax mesmo. Eu estava achando também que ate agora eu estava comendo em locais muitos turísticos. Eu quero comer onde os peruanos comem! Então comecei na plaza San Francisco e fui descendo a rua Mantara até achar um estabelecimento limpo onde os Peruanos estivessem comendo. A uns 5 blocos da Plaza San Francisco achei uma Polleteria em uma esquina. Não lembro o nome do lugar mas é bem grande e tem 2 andares. Vi varias familias Peruanas comendo lá dentro, então entrei. Alias, existem muitas Polleterias por todo o Peru. Mas claro que eu fui lá antes da grande descoberta cientifica do líder Boliviano Evo Marales quanto ao consumo de frango e a calvície. La na Polleteria as opções são a seguinte: ¼ de Pollo: 7 soles, ¼ de Pollo especial: 11 soles. Eu, que estava me achando rico, pedi o pollo especial. Acho que foi a refeição mas barata que já fiz na minha vida! Por 11 soles ou em torno de 4 dólares vem sopa, pode ir no buffet de saladas (eu q não estava afim), uma inca cola, e ¼ de galinha com batata frita (foto). Eu acho que era o único não Peruano ali naquele restaurante. Não foi a melhor comida que já comi mas com certeza um dos melhores custo/benefícios. E ao fundo inda estava passando Universitário de Lima contra Lanus pela copa Libertadores.

 

Chegamos no ultimo dia. E justamente nesse dia eu começo a sentir os efeitos da altitude! Estava difícil até descer ladeira. E logo nesse dia que esta faltando sangue na cabeça vou ter que desperdiçar meu precioso sangue para digerir o Cuy. Mas aposta é aposta. E se não for hoje não vai ser nunca! Tomei bastante chá e balinha de coca para ver se melhorava… E até que ajuda mesmo (por uns 5 minutos). Tentei também mastigar a folha. Mas é muito amargo! Horrível!

Balinhas de Coca. Crédito da Foto: Clarissa Donda
Balinhas de Coca. Crédito da Foto: Clarissa Donda

Escolhi um restaurante na Plaza Regozijo e já que estava um dia bonito me sentei do lado de fora. Meu conselho é que você nunca sente do lado de fora em um restaurante em Cusco. A não ser que você queira ser interrompido a cada 30 segundos por vendedores ambulantes. No topo do cardápio estava lá a foto do simpático cuy e o preço: 45 soles. Um último momento de dúvida passou pela minha cabeça: ainda há tempo de pedir uma Pizza! Mas não! É agora ou nunca! Se eu não pedir o Cuy eu vou ficar arrependido até o dia que eu voltar a Cusco. E considerando o numero de lugares que ainda quero visitar, isso pode demorar um pouco. Então pedi ao garçom um cuy e uma coca cola. O garçom meio que surpreso anotou o pedido.

Crédito da Foto: Flickr de Claudio Olivares Medina (Licença Creative Commons)
Crédito da Foto: Flickr de Claudio Olivares Medina (Licença Creative Commons)

A coca cola como sempre veio sem gelo. Eu não sei o que o pessoal dos Andes tem contra o gelo. Não é difícil fazer. É so congelar a água! Mas já que iria gastar 50 soles nessa refeição, para indignação do garçom, resolvi pedir gelo. O garçom na maior má vontade me traz um copo de gelo 15 minutos depois. Eu também não sei se ninguém pede o tal do Cuy naquele restaurante mas ele demora bastante para ficar pronto. Eles devem ter ido ali atrás do restaurante matar o rato, pensei eu…

Após uns 45 minutos, chegou o meu prato! Estava ali na minha frente o Cuy fatiado em 5 pedaços não homogêneos. Incluindo claro, para fazer e experiência a mais traumática possível, a cabeça, o rabo, e as patas do bicho. Como eles devem achar que o Cuy não é fritura o suficiente, o prato ainda vem servido com um pimentão empanado com alguma carne dentro do pimentão (achei melhor não perguntar o que era), batatas douradas, cebola e pimenta.

cuy

Eu olhei para cara do bicho e já que ele foi servido com os olhos fechados o olhar não foi recíproco. Pelo menos a morte do bicho não deve ter sido muito dolorosa pois ele esta sorrindo para mim ali no prato. 5000 anos de tradição de preparo do Cuy para cerimonias religiosas, e festas folclóricas e agora chegou a minha vez. Cortei com a faca um pedaço do Cuy, fiquei pensando em seleção natural, fechei os olhos e comi o pedaço.

E não é que o bicho não é ruim não! Tem gosto de galinha mas com uma consistência de borracha. Ele é bem difícil de comer também. Tem muito osso. Na verdade é para ser comido com a mão. Mas eu achei que os turistas no restaurante já estavam horrorizados o suficiente. E a cabeça do bicho… não sei porque servem a cabeça. O crânio só tem osso. A única parte que eu consegui comer da cabeça foi a orelha. Talvez se consiga comer a massa encefálica. Mas realmente não tentei… O pimentão empanado também estava gostoso…

cuy prato

Depois do almoço voltei para o hostel para fazer uma siesta de 2 horas para poder me recuperar do Cuy e da altitude enquanto o Cuy ia fazendo sua vingança no meu estômago e nos meus sonhos… Não vou ficar aqui dizendo que o Cuy é delicioso mas para quem tem coragem e não tem frescura quanto a comida eu recomendo para quem quiser ter uma experiência autentica e inesquecível da região Serrana do Peru e Equador.

Comments

8 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom!!! Perrengues gastronomicos devidamente documentados por alguém que tem mais estômago que eu!

    Eu até me considero relativamente corajosa para aventuras em terras estrangeiras, mas me desculpem… Tudo na vida tem um limite e geralmente este é delimitado pelo bem-estar do meu sistema digestivo.. Logo, cuy não dá…

    É um rato. Inteiro. Frito. Sorrindo para você no prato enquanto é servido ( sorriso que eu classifico como “isso, seu zé ruela, me come, vai… Me come e me aguarde, que eu vou para o inferno e te levo junto…”

    Nem pensar…

    Ah, e vou concordar com o Guilherme sobre uma coisa: realmente o povo dos Andes tem uma bronca com gelo. Na Bolívia a coca era servida na temperatura ambiente sempre (40 graus), e eu até entendia, porque se era deserto e não havia água nem para o banho, que dirá para o gelo?… Mas em Cusco, eu realmente não sei… Mas que ninguém serve nada com gelo é verdade… E se você pedir, ainda olham para você como se você tivesse xingado a mãe deles (ou o Evo Morales, o que é pior ainda)…

  2. Tinha varias opções de pastas, frangos, eu tinha uma opção estava escrito assim Baby cuy realmente não sabia o que era, mas pedi para garçom porque em baixo do nome estava inglês Pig daí realmente pensei que ia vir uns pedaços de porco certo? Não quando chegou assustei pensei que era um porquinho inteiro, mas não tinha gosto de porco, um cheiro muito forte de urina, mas resolvi come, gosto não é ruim, cor escura, difícil de comer, apenas muitos ossos, não sei por que eles realmente colocam a cabeça porque só tem osso, mas não é um rato de bueiro ! É uma espécie de coelho ou roedor, bem parecido com o Porquinho – índia que é bem conhecido no Brasil.

    Mas valeu apor ter experimentado essa gastronomia exótica do peru cidade secreta.

    Campinas – sp 09 / 01 / 2012

  3. Tambem encontreio o cuy em Cuzco. Servido inteiro,com um capacete de pimentão vermelho a la Inca.E um penacho de brócolis.Genial a decoração.
    Deliciosissimo. O principal são as coxas traseiras.
    Prá lá de gostoso.
    Vou importar umas matrtizes e criá-los por aqui.
    A excessão da paca, dá de dez a zero em qualquer outro do gênero.

  4. Muita frescura do autor. Morei no Equador 3 meses e além do Porco assado, o que mais gostei foi exatamente dos Cuys. Muito saboroso quando frito a milanesa.

    • Olha, na verdade eu acho que não é frescura, simplesmente uma questão de opinião. Até porque o Guilherme, nosso autor do post, disse que ia experimentar o Cuy de qualquer jeito.

      Como você disse que morou no Equador por 3 meses, é mais lógico que a sua opinião tenha sido a de um morador, mais do que um viajante, com tempo para se acostumar com esse tipo de comida. Mas quando a gente está viajando, é absolutamente normal achar estranho essas comidas “exóticas” para o nosso gosto.
      Eu mesmo, confesso, não gostei nada da aparência do Cuy. Nadinha mesmo. Frescura minha? Pode até ser. Mas tenho certeza que, como todo prato bem preparado convence a gente de tudo, eu admito que pode ser que eu não tenha visto – ou o autor, também, as melhores opções de restaurantes. Pode ser que o cuy preparado de uma forma diferente eu possa achar uma delícia mas até então, eu continuo com minha opinião que é estranho sim…

      De qualquer forma, esse é um post de 2010, e refletia as opiniões do autor na época – e as minhas também. De lá para cá, eu já comi até gafanhoto grelhado com chili e limão! 🙂 Ou seja, nada como o tempo para fazer a gente conhecer coisas novas… 🙂

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