[box type=”info”] Colaborando para a seção “E você, donde andas?” daqui do blog, Catarina Donda (sim, é o mesmo sobrenome!) conta para nós um pouquinho das suas andanças. Ela é relações públicas, casada, tem um filhinho fofo e também foi contaminada pelo vírus que faz a gente viajar e gostar de descobrir aqueles lugares escondidinhos no mundo e que, por isso mesmo, são muito interessantes.Por isso, pedi para ela dar uma palhinha aqui e contar um pouco do que o nosso “Brasil-sil-sil” tem de bacana e a gente morria e não sabia.Com a palavra, Catarina…[/box]
A cidade de Areia é uma grata descoberta para quem visita a Paraíba. Localizada no planalto da Borborema, a cerca de 120 km da capital João Pessoa, supreende o turista com a paisagem verdejante e o clima ameno, com direito a neblina e frio no inverno. Vista de cima, seu formato lembra uma ferradura, com um vale no meio – visão com a qual você é brindado de vários pontos da cidade. A arquitetura lembra muitas vezes uma cidade cenográfica, com casinhas coloridas e simpáticas.
Vista do vale onde fica a cidade de Areias. Definitivamente, um recanto.

 

Fachadas das casas de Areias, na Paraíba. Não são simpáticas?

Emancipada há 165 anos, a cidade de pouco mais de 25 mil habitantes tem seu conjunto arquitetônico e paisagístico tombado pelo IPHAN, e respira orgulhosamente sua história – principalmente depois que um projeto de revitalização dos três museus locais, agregado a oficinas de capacitação de monitores e restauradores, recebeu patrocínio.

Fui a trabalho e fiquei apenas dois dias, mas a atmosfera tranquila e acolhedora do lugar e, principalmente, a paixão com que as pessoas vivem a história da cidade, me deu vontade de retornar para uma visita com mais calma.O primeiro museu que visitei é a Casa de Pedro Américo, o mais célebre filho de Areia. Ele é autor do quadro “O Grito do Ipiranga” – aquele que ilustra o episódio da independência do Brasil em praticamente todos os livros escolares. A casa onde viveu o artista, na rua principal da cidade, é hoje o museu – uma casa pequena e com poucas peças, mas onde se pode conhecer um pouco da fascinante história de Pedro Américo (que morreu em 1905) e se supreender não apenas com seu talento, como também com sua irreverência, por meio de caricaturas divertidas feitas por ele no século XIX. Há  vários desenhos e estudos, alguns objetos, uma réplica do quadro “A Guerra do Paraguai” (o original está no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio) e a pintura original “Cristo Morto”.

Ilustrações de Pedro Américo

Do outro lado da rua, as obras do Museu Regional de Areia estão nas últimas etapas – as novas instalações deverão ser inauguradas antes do final deste ano. O acervo do museu está atualmente numa das salas da paróquia, que é vizinha à nova construção, e inclui de manuscritos originais de Pedro Américo a fósseis, pinturas, relíquias diversas e até um berço que pertenceu ao abolicionista Manuel da Silva.

É ali também que funciona a oficina de conservação e restauro do acervo dos museus. Destas oficinas, fazem parte estudantes do ensino médio, que recebem bolsa para aprender este ofício refinado e para atuar como monitores nos museus da cidade. Me emocionou conhecer as histórias desses jovens antes e depois do contato com o projeto; ver seu entusiasmo e orgulho diante do que estão aprendendo e do que já podem ensinar.

No campus da Universidade Federal da Paraíba fica o terceiro dos museus da cidade: o Museu do Brejo Paraibano ou Museu da Rapadura, composto de casa-grande e engenho, também recuperados recentemente. Lá, se pode fazer uma viagem no tempo, aprendendo sobre os costumes da época de ouro do ciclo da cana e o modo de produção da rapadura e da cachaça – viagem ilustrada pelos objetos daquele tempo e embalada pelas histórias dos monitores.

Uma das máquinas antigas usadas para a moer a cana…

 

… e a coleção das “marditas” do Museu!

 

Completou o meu circuito histórico o Theatro Minerva, o primeiro da Paraíba, fundado em 1859 por moradores da cidade (daí sua denominação de teatro “particular”, já que sua construção não teve a participação do poder público). Mas, anote: o passeio em Areia só fica completo batendo papo com os simpáticos moradores e ouvindo os “causos” de antigamente…

 

Theatro Minerva – simples à primeira vista, mas com uma aura toda colorida de histórias e carinho da cidade de Areias
  • Em julho, acontece o “Festival Cultural Caminhos do Inverno”, que envolve Areia e outros municípios da região do Brejo Paraibano. Inclui um Festival Gastronômico, oficinas e apresentações de dança, música e teatro.
  • Um passeio que pode ser feito todos os anos a partir de agosto é o circuito dos engenhos. Nessa época, os engenhos da região começam a moer cana – e os turistas podem acompanhar a produção de cachaça e rapadura. Há engenhos que modernizaram os processos, e outros que mantêm até hoje a produção artesanal.
  • Em setembro, acontece o Areia Fest – Festival Brasileiro da Cachaça e da Rapadura. O festival tem palestras técnicas para produtores e empresários do segmento, além de shows musicais, degustações etc.

 

COMPRAS: Além dos clássicos “souvenires” gastronômicos – a cachaça e a rapadura – Areia também tem um belo artesanato. A lojinha Salilah, ao lado do museu Pedro Américo, tem peças lindas e delicadas, a um preço ótimo. Adorei!

ONDE FICAR: Fiquei na Pousada Vila Real e gostei bastante. Localizada na rua principal, tem uma decoração regional linda e quartos confortáveis com enxoval de algodão colorido (minha única ressalva é o fato de não haver cobertores para os hóspedes, apenas colchas: em uma cidade que esfria bem no inverno, é um item necessário). O restaurante da pousada é ótimo, tem um cardápio caprichado com diversas opções, além de pratos regionais. Como sobremesa, recomendo a deliciosa “cartola”: feita com camadas de banana quente, queijo coalho, canela, mel de engenho e acompanhada por sorvete de rapadura (R$ 6,00 !!!). Embora eu prefira a versão com queijo manteiga, a de queijo coalho também é de se comer rezando…

Restaurante da Pousada em Areias: aconchego com gostosuras e uma vista linda!
Restaurante da Pousada em Areias: aconchego com gostosuras e uma vista linda!

COMER: Para um almoço barato e “com sustança”, o restaurante a quilo “Cachaçaria Vila Real” pode ser uma boa pedida. O local é bem simples, e a comida é regional, caseira e saborosa. De lá, também se tem uma bela vista do vale.

COMO CHEGAR: O aeroporto de Campina Grande (a cerca de 40 km) é o mais próximo, porém pode ter restrições de pouso devido a condições meteorológicas. Se você for no inverno, época em que chove muito na região, talvez seja mais aconselhável chegar pelo aeroporto de João Pessoa. Embora seja mais distante (cerca de 120 km), o pouso é certo.

INDISPENSÁVEL: Tênis ou sapato confortável e sem salto. A cidade é toda calçada de pedras, então, meninas, esqueçam o salto alto!!!

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Profissional de comunicação, esposa e mãe multitarefa. Para não negar o sobrenome, também sou adepta do "dondear" por aí. Adoro música, livros, viagens, História. Se puder viver tudo isso em família, então, melhor ainda! Uma amiga certa vez me disse: "Desta vida, só se leva o que a gente viaja e o que a gente come". Nunca mais esqueci. Além da interpretação literal da frase (que não inclui se empanturrar, mas sim apreciar uma boa mesa com moderação rs), a declaração resume, para mim, o investimento em momentos inesquecíveis ao lado das pessoas que amamos, experiências cujas lembranças se tornam o nosso maior patrimônio.

5 COMENTÁRIOS

  1. Quando voltar a visitar a cidade de Areia/PB, pode entrar em contato comigo, pois eu sou guia turístico, facilitando assim um grande aproveitamento em visitar todos os pontos turísticos e engenhos. Agradeço desde já.

  2. olá, achei muito interesante a reportagem, mas as placas que constam na foto são do Artesanato “A Talha” e nao da lojinha Salilah e fica em frente à casa Pedro Américo. Josineide da Silva Costa e glauco Vlademir Meira Costa, proprietarios. Agradecemos sua compreenção.

  3. Olá,

    Estarei indo a Areia a turismo nos próximos dias e por isso estava buscando informações na net. Gostei muito do artigo. Só queria fazer algumas correções que creio que sejam necessarias. Primeiro: o nome da cidade é Areia, no singular, diferente de como foi escrito algumas vezes. Segundo: o nome do evento é Caminhos do Frio, e não caminhos do inverno.

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