Londres tem uma enorme vantagem: com tantos museus de graça para se visitar, dá para ter um gostinho da história real da Inglaterra sem gastar um tostão. O que é bom: assim, dá para juntar dinheiro e ir para a Torre de Londres, uma das poucas atrações turistonas pagas que eu acho que  vale bastante a pena.

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E por quê? Porque é uma das fortalezas cheias de histórias, e que serviu por séculos como “quartel general” de reis, de calabouço e prisão para traidores, de palco de sentenças de morte e até de zoológicos. Ou seja, tem todo um rol de histórias medievais e fofocas reais da corte inglesa ali, preservadíssima e pertinho do centro inglês (outro lugar que tem isso também é Hampton Court, mas aí já envolve uma pequena viagem de trem).

Torre de Londres em setembro de 2014: foi feita uma instalação artística muito bonita com milhares de papoulas de cerâmica que simbolizavam cada um dos soldados britânicos mortos na I Guerra Mundial. Muitas instalações desse tipo devem ainda acontecer por lá, especialmente em comemoração aos centenários do conflito.
Torre de Londres em setembro de 2014: foi feita uma instalação artística muito bonita com milhares de papoulas de cerâmica que simbolizavam cada um dos soldados britânicos mortos na I Guerra Mundial. Muitas instalações desse tipo devem ainda acontecer por lá, especialmente em comemoração aos centenários do conflito.

Ah, e se já não bastasse, é onde estão, até hoje, as jóias da coroa (e cetro, e mantos, e tudo que a Dona Rainha Elizabeth usou na sua coroação). Nem que seja por essa parte, vale a visita!

E eu já tinha visitado o local em 2013, para escrever para uma matéria de capa sobre Londres para a Viaje Mais e inclusive já tinha falado um pouco sobre as curiosidades da Torre de Londres aqui neste post. Só que agora em fevereiro eu repeti o passeio, dessa vez a convite de uma agência de turismo chamada City Wonders.

Meu objetivo: eu estou trabalhando numa pauta sobre dicas de quanto e como visitar cada uma das atrações turistonas de Londres, para evitar o mufuê de turistas junto. E a City Wonders tinha esse tour VIP, que segundo eles garantia a entrada no melhor horário da Torre de Londres, para ver tudo em primeira mão, e ainda fazia um combinado com o tour pela Catedral de São Paulo – essa, que eu não tinha ido ainda.

Eu tinha um objetivo: queria confirmar se esse tour VIP era isso tudo mesmo. Especialmente porque minha primeira ida até lá tinha sido bem cheia.

O tour

Fui numa terça-feira. O horário marcado para o tour era de 8 e meia da manhã. Isso mesmo: quase madrugada, para quem visita Londres de férias. 🙁

Inconveniente? Sim, mas o tour promete mesmo a entrada na Torre de Londres antes de todo mundo – esse “antes” é em torno de 8:45, já que às 9 horas em ponto abrem os portões para os visitantes em geral. A entrada antes desse horário é restrita a quem agendou a visita em grupos (e que você pode tentar fazer por conta própria, mas é mais difícil já que há uma disponibilidade de vagas e muitas agências já respondem por uma parte das reservas).

O meu grupo tinha exatas 5 pessoas, contando comigo, e a guia (é o limite máximo que a City Wonders oferece). E 8:45, já estávamos do lado de dentro.

Nessa hora acontece a Cerimônia de Abertura da Torre de Londres – que, segundo eles, acontece todos os dias antes da Torre ser aberta, e é exclusiva para os tours. Importante: não confundir com a Cerimônia das Chaves, que acontece no fechamento da Torre de Londres, ao final do dia, e que não precisa ser feita com tour, mas precisa agendar e confirmar presença com antecedência.

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Só que tanto a Torre de Londres como as agências vendem isso como uma oportunidade super exclusiva de ver uma cerimônia e tal. E cá para nós? Não me comoveu muito não. 🙁

Começa assim: a gente atravessa o primeiro muro da fortaleza e fica esperando do lado de fora do muro interno. Nessa hora, um grupo de 4 soldados se aproxima marchando e aguarda no portão.

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Dali, chega um guarda Yeoman marchando (os que são encarregados de tomarem conta da Torre de Londres)e trazendo as chaves da Torre. Ele se aproxima dos soldados, cumprimenta-os, mostra as chaves, e eles seguem para o portão principal.

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Aí eles vão até lá, abrem a porta, voltam marchando e… cabô.

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Isso tudo leva uns… sei lá, entre 5 e 10 minutos, talvez? Pois é. Para não dizer que é só isso, você pode tirar fotos depois com as chaves.

Opinião básica: se fosse só por conta desta cerimônia, eu não me entusiasmaria muito para recomendar o tour não.

Mas não é só isso: Tem uma outra parte que, essa sim, achei que fez o tour valer a pena.

Chegando cedo: faz toda a diferença

Com o fim da cerimônia, a gente entra e tem a Torre de Londres todinha vazia só para a gente – porque são 9 horas, horário de abertura da Torre, e a gente já está lá dentro.

E isso faz uma diferença enorme, especialmente por conta de uma coisa: a gente consegue visitar a sala com as Jóias da Coroa praticamente sozinhos!

Entrada para a sala das Jóias da Coroa: é proibido tirar fotos lá dentro, mas registrei a entrada, exatamente quando eu entrei: absolutamente vazia!
Entrada para a sala das Jóias da Coroa: é proibido tirar fotos lá dentro, mas registrei a entrada, exatamente quando eu entrei: absolutamente vazia!

 Um aviso: perto da hora do almoço, o tempo de espera para entrar na sala das jóias supera fácil os 30 minutos. Se for nos meses de julho e agosto, época de férias na Europa, o tempo de espera na fila chega até 1 hora. 🙁

Isso sim foi uma maravilha: a gente (eu e os 4 gatos pingados que estavam comigo) conseguíamos ver as jóias de perto, com todos os detalhes trabalhados, ler as placas, curtir o passeio – tudo com calma e espaço. Quando eu fui na primeira vez, às 11 da manhã de um junho de férias, tudo o que eu via era o que sobrava pelas frestas de uma cabeça e outra. Essa parte da Torre de Londres fica violentamente cheia.

Depois, o passeio seguiu pelas exposições de armas da Torre Branca – a tal torre de Londres propriamente dita. A exposição é aberta a todos os visitantes, mas ir com a guia era interessante porque ela contava curiosidades que tinham passado batidas da vez que fui sozinha.

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Ah, e tudo vazio de gente! Maravilha! 🙂

Mas foi só a gente sair da Torre Branca (já era por volta de 10:00, 10:15) e a fila para a Sala das Jóias já estava assim…

A média de espera já era 10 minutos...
A média de espera já era 10 minutos, pelo menos…

Minha opinião: tudo bem se você não quiser fazer o tour, mas se quiser conhecer a Torre de Londres na paz, vá no primeiro horário – 9 horas! Era impressionante ver como em uma hora o lugar já enchia. E era fevereiro, nem era alta temporada!

Primeiro tour do dia feito pelos guardas Yeoman. Pelo menos umas cinquenta cabeças...
Primeiro tour do dia feito pelos guardas Yeoman. Pelo menos umas cinquenta cabeças…

Passeio pela margem do Tâmisa

Depois de rodar a Torre de Londres, o guia segue conosco para a Catedral de Saint Paul, num passeio que é feito na margem do Tâmisa. É uma boa caminhada, mas absolutamente tranquila mesmo para os sedentários.

E mais um ponto legal: como estou morando em Londres, já tinha feito esse passeio a pé mais de uma vez, mas esse “walking tour” com o guia foi legal: ela mostrava vários detalhes sobre a cidade que contam bastante a história de Londres (como o grande incêndio, as navegações, os bombardeios aéreos da II Guerra…).

O antigo mercado de peixe de Londres - e que hoje é um espaço de eventos.
O antigo mercado de peixe de Londres – e que hoje é um espaço de eventos.
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Um dos trechos legais por onde passamos era um muro com um enorme mosaico, que mostrava a cronologia da história de Londres! Bem, bem bacana!

 Saint Paul’s

O tour ao longo do Tâmisa terminava nela – a catedral mais bonita da cidade!

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Eu confesso que eu nunca morri de vontade de visitar Saint Paul, mesmo morando aqui. Sei lá, visitar Igreja nunca foi muito a minha praia.

E por isso, acho, que o tour foi bem melhor do que eu esperava. Porque a Catedral de São Paulo, além de bem imponente e bonita tanto por fora quanto por dentro, tem muito das referências da história da Inglaterra (fez parte de um plano de reconstrução da cidade após o Grande Incêndio de Londres e foi parte das campanhas para elevar a moral inglesa durante a II Guerra). E ir com um guia ajuda a interpretar todas essas referências – porque do contrário a gente sai achando que é só mais uma igreja mesmo e pronto.

O passeio guiado vai da parte central da Igreja (linda, linda!) passando por um memorial aos soldados dos Estados Unidos que morreram nas duas guerras, e segue para a parte inferior, onde estão as catacumbas e os túmulos do Duque de Wellington (o que derrotou Napoleão Bonaparte) e Almirante Nelson (que também lutou nas guerras napoleônicas).

Um detalhe: o tour se encerra após a visita aos túmulos, e não contempla as escadarias da Catedral (onde foram filmadas algumas cenas de Harry Potter e Sherlock Holmes), nem a subida à cúpula, de onde se tem uma vista linda de de 360 graus de toda a cidade (e que por séculos era o ponto mais alto de Londres). Então, se você quiser fazer essa parte, prepare os joelhos (tem uma escadaria enoooooooooooooooooooorme para chegar lá) e, o mais importante, NÃO SAIA junto com o tour da Catedral (já que o passeio oficialmente se encerra do lado de fora), para não perder a entrada já paga de Saint Paul. Deixe para se despedir do grupo no final e subir a cúpula por conta própria.

Vantagens e desvantagens do tour:

O que a gente curtiu: 🙂

Entrar um pouco antes do resto das pessoas: cada minuto vazio faz uma enorme diferença, especialmente para ter a sala das jóias da Coroa quase toda exclusiva para você;

Ter um guia particular que vai acompanhar você em um grupo menor: é menos gente para disputar a cotoveladas o espaço, dá para escutar melhor, e o guia também explica com mais atenção e calma para você, respondendo a perguntas. Há uns tours gratuitos guiados pelos guardas Yeoman, que tomam conta do castelo; eu fiz um deles da primeira vez, e apesar de achar que eles são bem simpáticos, eu sofri um pouco para entender o inglês deles – eles “teatralizavam” um pouco o tour, com palavras, expressões e sotaques próprios de uma época mais antiga, o que é bem descontraído, mas difícil de entender se você não estiver com o ouvido mais treinado para o sotaque tipicamente inglês (e olha que eu considero que o meu inglês tem andado bem afiadinho…). Ah, e além disso, esses tours são bem cheios.

Saber de curiosidades e pontos históricos da Torre que você não saberia se fosse sozinho (especialmente porque não tem placas indicando): Confesso que o guia fez diferença para a minha segunda visita ter sido bem mais proveitosa do que a primeira, que fui sozinha. Ela me mostrou pontos bacanas que passaram desapercebidos da primeira vez, como uma homenagem às pessoas que foram executadas ali (com o nome da Rainha Ana Bolena, por exemplo, mãe da Elizabeth I e cujo casamento com o Rei Henrique VIII foi o motivo da criação da Igreja Anglicana). O mesmo vale para muitas curiosidades bacanas que ela nos contou na catedral de Saint Paul.

Instalação com homenagem aos executados na Torre.
Instalação com homenagem aos executados na Torre. Dá para ver o nome também de Jane Grey, que foi rainha da Inglaterra por exatos 9 dias.

Tempo super otimizado: Em apenas metade de um dia, com relógio marcando exatamente 12:30, você já marcou na sua lista dois pontos turísticos e históricos importantes de Londres (e marcou bem marcado, não é só aquela visitinha “viu-fotografou-foi embora”).

O que a gente não curtiu muito assim. 🙁

O tempo é contado: É o “lado negro” de ter um tempo otimizado. Como o tour compreendia uma visita à Torre de Londres e à Catedral de Saint Paul, não dava para ficar sassaricando e explorando mais a Torre ou a catedral (embora, como a catedral é o último passeio, quem quiser subir na cúpula e ver a cidade de Londres lá de cima pode fazer após o tour – é só não sair da Igreja com o resto do grupo).

Quer subir a cúpula? Então não saia junto com o resto do grupo, e estique o tempo na Saint Paul's ao final do tour. Até porque são muitas escadas para chegar lá!
Quer subir a cúpula? Então não saia junto com o resto do grupo, e estique o tempo na Saint Paul’s ao final do tour. Até porque são muitas escadas para chegar lá!

A cerimônia de abertura da Torre de Londres não vale tanto a pena assim: cá para nós, ouvi dizer que essa cerimônia foi criada recentemente como uma forma de entreter os turistas, e não ter valor histórico nenhum. E, cá para nós, não é grande coisa. A cerimônia importante mesmo é a de fechamento da Torre de Londres, que acontece no final do dia e que é a mesma há não sei quantos anos atrás – aí sim, tem um fundo de história que faz valer a pena.

Nhé. Não achei nada demais...
Nhé. Não impressiona muito não…

Não tem guias em português: é, infelizmente não. 🙁 Mas se serve de consolo, se o seu inglês estiver mais espertinho, dá para entender bastante coisa: os guias costumam falar um inglês perfeito e bem pausado, de fácil compreensão e sem palavras muito difíceis. Outra coisa é que o tour tem no máximo 5 pessoas, então você pode pedir para ele repetir se você quiser.

Considerações sobre preços e entradas (para você decidir se vale a pena ou não):

Observação 1: O preço do ingresso para a Torre de Londres é de £24.50 (adulto) e £11 (crianças) comprados na bilheteria – vale avisar que se comprar online o preço não muda muito (vai de £23.10 para adultos e £10.50 para crianças), mas vale a pena porque economiza um bom tempo de fila.

Observação 2: O ingresso para entrar na Catedral de Saint Paul é £17 (se pago na hora) ou £15 (se pago online).

Considerando isso, o valor de um ingresso de adulto para as duas atrações é £23.10 + £15 (preços de reserva online) = £38.10. O tour do City Wonders custa £85, o que dá uma diferença de £46.90 se você fosse por conta própria. Mas aí considerando que esta diferença é o valor que a gente pagou pelo acompanhamento do guia pelas duas atrações (com guias registrados e especializados na rota), um passeio guiado pela margem do Tâmisa (cheios de construções e algumas curiosidades pelo caminho que, eu confesso, me passaram batidas)… bem, achei justo.

Mais informações:

Para reservar esse tour VIP com a CityWonders, clique aqui (tem mais informações na página). E quem quiser saber mais sobre os outros tours da City Wonders, é só visitar o site deles.

Dias: terças e quintas.

Horário: o ponto de encontro é às 08:30 na Torre de Londres (a estação de metrô mais próxima é a Tower Hill), e acaba às 12:30 em Saint Paul’s (estação de Saint Paul).

Valor: 85 rainhas.

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A jornalista e blogueira que vos fala visitou a Torre de Londres e a Catedral de Saint Paul em fevereiro de 2015 a convite da agência City Wonders.

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