Pode se dizer que o concelho de Melgaço (com “c” mesmo), que fica no “cucuruto” onde começa a rota do vinho verde em Portugal, é um reflexo perfeito do Minho português: pequenino, agrícola, intimista e de um coração enorme.

A região não tem o buzz de Lisboa ou o “cool” da cidade do Porto (ambas cada vez se destacando mais na rota cultural europeia). Não – se me permite a comparação, viajar por ela me lembra minhas andanças de carro pelas cidadezinhas do interior rural de Minas Gerais, com a mesma vibe come quieto, cozinha farta e honesta e hospitalidade tipo coração de mãe. Coisa que, cá para nós, já ganha nosso coração de primeira.

A região do Minho, no Norte do Portugal (foto tirada da janela do carro!). Casinhas rústicas e vinícolas a se perder de vista: cenário bucólico mas cheio de delícias escondidas!

No Minho português tem tudo isso, com o plus de, quietinho, vir somando ganhando cada vez mais pontos como uma grande região produtora de vinhos – em especial, os vinhos verdes. Isso porque é ali nos concelhos de Melgaço e Monção que fica a região produtora das uvas Alvarinho, o tipo de uva branca mais nobre de Portugal (e também a segunda mais cara do país) e a “rainha” das uvas quando falamos de vinhos verdes.

Vinhos verdes da Quinta do Soalheiro.

Como o objetivo maior da minha viagem/projeto para lá em meados de Outubro era destrinchar a rota dos vinhos verdes em Portugal, por questões logísticas decidimos que começar a viagem partindo da cidade d’O Porto e ir até Melgaço para de lá então vir descendo fazia todo o sentido em termos de rota, de descobertas, de tudo. Eu vou falar mais dessa viagem adiante numa série de posts, mas aqui eu destrincho toda a parte referente a Melgaço aqui para facilitar sua viagem – acompanhe! 🙂

 

Vale a pena ir até Melgaço?

Se você quer fazer uma viagem gastronômica e é um entusiasta de vinhos, sim. ????

O primeiro motivo é que Melgaço, em Portugal, é sinônimo de uva Alvarinho, por ser ali a região produtora. E o Alvarinho, por sua vez, é a uva “rainha” de vinhos verdes de excelente qualidade.

Isso porque a região reúne uma série de condições – fica às margens do rio Minho, relativamente protegida das condições climáticas influenciadas pelo Oceano Atlântico e com um tipo de solo bem peculiar  que faz com que a uva Alvarinho se desenvolva melhor – e por consequência, é ali que se instalaram excelentes produtores de vinhos verdes, como a Quinta do Soalheiro.

O segundo motivo é que, logisticamente, faz todo sentido começar a viagem gastronômica por aqui: a região do Melgaço fica quase numa “esquina” de Portugal e dentro de duas “rotas”, por assim dizer: a Rota do Vinho Verde (que compreende boa parte da Região do Minho) e a Rota do Alvarinho (dos vinhos feitos exclusivamente com essa uva). Daí, é possível seguir do Porto até Melgaço (a viagem dura um pouco mais de duas horas, considerando algumas paradas aqui e ali para esticar as pernas) e dali ir “descendo” pelo Minho, Amarante e Porto, e parando nas vinícolas no caminho. Foi assim que fizemos e eu acho que deu muito certo!

 

Mas eu recomendaria, mais que visitar Melgaço, é se hospedar por lá – especialmente se o seu objetivo for explorar mais as vinícolas e restaurantes. De Melgaço você pode explorar um pouco as vinícolas de Monção também.

Isso porque uma viagem de exploração por vinícolas incluiria inevitavelmente beber algo aqui e ali, o que não necessariamente combina com direção. Ah, e comer bem (e muito – as porções portuguesas são bastante generosas). Confie em mim: depois de um dia de excelentes vinhos e comidas, tudo o que a gente não quer é pegar estrada… ????????

Para este projeto, nós optamos por montar base em Melgaço e dormir por lá mesmo. Eu explico um pouco da logística mais adiante.

 

Como ir a Melgaço a partir do Porto: a estrada

A viagem até Melgaço partindo da cidade do Porto (mais exatamente, do aeroporto do Porto, de onde alugamos o carro) durou um pouco mais de duas horas – alguns minutos a mais do que o indicado pelo Google Maps, considerando o percurso da estrada e uma paradinha aqui e ali. Mas a estrada é ótima e bem sinalizada (aliás, como quase todas as estradas portuguesas que eu peguei).

Trecho da estrada de ida do Porto até Melgaço – primeira parte!

Para quem vem do Porto de carro, a rota mais rápida é pegando a A3 em direção à cidade de Braga, e depois seguindo direto até a cidade de Valença, já quase na fronteira (você vai começar a ver várias plaquinhas para a Espanha!). Em Valença, pegamos o sentido para a direita, pegando as variantes N101 e N202 até Melgaço.

Duas informações importantes, porém:

  • A estrada A3 é larga, com acostamento e laterais protegidas – já as variantes N101 e N202 possuem menos pistas, um acostamento estreito, sem proteção lateral (isso significa que pode haver animais na estrada) e há tráfego de caminhões por ali, o que atrasa um pouco o ritmo da viagem. À noite as estradas não são muito iluminadas, embora a sinalização seja eficiente. Embora isso não chegue a ser um problema, vale ficar atento porque talvez esse trajeto pode levar um pouco mais de tempo dependendo das condições do tempo e do tráfego.
  • As distâncias parecem super tranquilas pelo Google Maps – e são mesmo, em dias ensolarados e secos. Mas em dias de chuva a estrada fica no modo sabão, super escorregadia (pegamos MUITA chuva em outubro, e nosso carro “patinou” umas duas vezes). Dependendo das condições do tempo, pode rolar também uma neblina forte – pegamos isso também. Eu reforço isso porque, ainda que a estrada seja segura, ainda é uma estrada, com todos os seus riscos em tempo ruim. Isso é mais relevante ainda na hora de você planejar onde vai pernoitar pós-vinícolas: pegar uma estrada chuvosa como a que pegamos depois de algumas taças de vinho é loucura.

Eu vou destrinchar mais, num post à parte, como fazer o aluguel do carro em Portugal (eu diria que é obrigatório, se você quiser destrinchar as vinícolas mais escondidas) e quais serviços vale a pena contratar. Mas já adianto: GPS (ou internet) e o token para pedágios (como o nosso Via Verde) são uma mão na roda, não vale a pena economizar sem eles.

 

O que visitar em Melgaço: Vinícolas recomendadas

Agora sim, falemos de vinhos!! ????????

Melgaço é uma cidade pequenina, e as principais atrações estão obviamente relacionadas aos vinhos verdes. Há várias vinícolas para se visitar – aliás, basta uma voltinha de carro e só o que a gente vê são videiras plantadas em quase todos os jardins e quintais das casas.

Aqui tem um mapinha das principais vinícolas e atrações da região – todas super acessíveis de carro.

Legenda:

Amarelo: Centrinho de Melgaço

Verde: Vinícolas

Azul: Casa das Pesqueiras (hospedagem onde ficamos)

Vermelho: Restaurante Adega do Sossego

Não visitamos todas as vinícolas de Melgaço; nossa meta era nos focar nas vinícolas mais premiadas/recomendadas/consideradas por especialistas na área como as que estivessem fazendo as melhores criações em vinhos verdes. Quem se destaca em todos esses quesitos é a Quinta do Soalheiro, e é lá que eu recomendo muito a visita

 

Quinta do Soalheiro (vinhos verdes)

Como toda boa quinta portuguesa, essa é cuidada pela mesma família há gerações – o que faz a visita ser ainda mais gostosa, como se a gente tivesse visitando a casa de alguém que sabe o que está fazendo.

A Quinta do Soalheiro fica escondidinha (minha dica: siga as orientações do GPS para chegar na entrada, mas quando você estiver bem próximo, comece a confiar nas placas – chega uma hora em que a gente passa pela entrada da Quinta do Soalheiro, mas o GPS manda ir adiante!).

Já na chegada dá para ver as vinhas ao fundo – plantada à margem do Rio Minho, divisa com a Espanha. O Soalheiro tem, inclusive, uma varanda de degustação onde você pode bebericar seu vinho com vista para a Espanha, ali do outro lado!

Vista da Quinta do Soalheiro, com as vinhas descendo pelas encostas: repare que dá para ver o Rio Minho ao longo, e todas as montanhas além do Rio já são parte ds Espanha.

Para os entendidos de vinho, a visita à Quinta do Soalheiro é uma aula: foi a primeira marca de Alvarinho em Melgaço (região onde as uvas desta casta tem a melhor qualidade) e é uma das excelentes vinícolas que tem tido ótimos resultados com vinhos verdes envelhecidos em barris de carvalho – o que desmistifica a idéia de que vinhos verdes não envelhecem dessa forma.

Com isso, ela conseguiu excelentes exemplares de vinhos verdes complexos e que podem ainda envelhecer em garrafa por muito mais tempo (outro mito derrubado: o que de vinhos verdes devem ser consumidos dentro de dois anos!). Eles produzem vinhos biológicos também – um tipo de produção que não recorre ao uso de nenhum aditivo químico em nenhum processo.

Todos os diferentes rótulos dos vinhos da Quinta do Soalheiro ao longo dos anos – repare que as garafas estão cheias e sim, há vinhos verdes com mais de 20 anos ali.

E para quem não é entendido em vinho – mas que, como eu, adora praticar! ???? – a visita é também uma aula, uma vez que os responsáveis pela visita explicam as diferenças do solo da região, as propriedades da uva e cada tipo de vinho que a quinta produz. É super interessante para colocar as coisas em contexto, e para quem começa a rota de vinhos verdes por aqui já aprende os diferentes conceitos com quem sabe do que está falando; a produção deles é grande, são 300 mil garrafas ao ano.

Vale aqui uma informação ultra importante: você sabia que o vinho verde é o que melhor acompanha o sushi? 🙂 Não por acaso, na Quinta do Soalheiro a gente via lotes e lotes de caixas de vinho preparadas para serem exportadas para o Japão! ????

A visita inclui ainda uma passadinha na adega da casa, onde estão descansando os espumantes de vinho verde (eles existem também!), e o local onde todos os rótulos são processados.

Há ainda uma parte da adega onde estão os vinhos mais antigos da casa, que geralmente são oferecidos em provas de especialistas – e sempre se saem muito bem. Dá para ver, pelas datas dos anos, que esse papo de vinho verde/branco que não envelhece não é verdade. 

Um flagra da adega com os vinhos antigos da Soalheiro. Há caixas de vinhos de 1996.

 

Organizando a visita para a Quinta do Soalheiro:

Agendamento: é recomendado agendar com antecedência, para eles se prepararem (e você aproveitar mais a visita. O agendamento pode ser feito através do email quinta@soalheiro.com ou do telefone: +351 251 416 769.

Duração: 1 hora e meia de visita

Quem faz: O Rui provavelmente deve ser a pessoa que vai te atender. Ele é casado com a filha do dono da Soalheiro e, segundo ele, pegou a melhor parte do trabalho que é organizar as degustações! Brincadeiras à parte, ele faz o trabalho muito bem ao explicar todos os processos de produção da vinícola e o intimismo que é se trabalhar com a terra (isso é uma lição tão maravilhosa, e tão portuguesa!). Espero que gostem!

Valor: €12,50 por pessoa. Esse é o valor da prova clássica, que inclui um vinho do Soalheiro e uma linguiça defumada feita com porco bísaro, típico da região (que eles chamam lá de “fumeiro”). Essa prova é feita na Quinta de Folga, que fica logo atrás da Quinta do Soalheiro e é preciso ir de carro por alguns minutinhos até lá.

Importante: A visita à Quinta de Folga é um espetáculo à parte, e vou falar mais dela abaixo. ????

 

Quinta de Folga (defumados de porco – ou “fumeiros”)

A Quinta de Folga é uma iniciativa do Rui, da Casa do Soalheiro, como um serviço complementar à visita na vinícola. No Folga, eles criam porco bísaro, uma raça de porco enorme e típica do norte de Portugal cuja principal característica é ter uma proporção de músculo maior do que de gordura, o que faz com que a gordura fique entremeada na carne – e o resultado disso, na hora de produzir linguiças, é absolutamente delicioso.

Porco Bísaro, típico de Melgaço. Crédito da Foto: Quinta de Folga

A idéia de visitar a Quinta do Folga após a Quinta do Soalheiro faz parte de uma matemática turístico-gastronômica que faz todo o sentido: vinho verde fica sempre melhor quando servido com comida. E neste caso, tanto as uvas Alvarinhos quanto os porcos bísaros são típicos da região e fazem parte da cultura local, o que faz com que o visitante possa conhecer Melgaço do melhor jeito que existe, e ter uma experiência gastronômica que não vai se repetir no resto de Portugal – ou do mundo.

Em tempo: os animais são criados ao ar livre, e podem ser vistos da sede do Quinta do Folga – a produção é toda ecológica.

Bônus: a Quinta do Folga não só enche o estômago como os olhos também – a localização e a estrutura do lugar são apaixonantes. Eu achei uma ótima pedida para quem vai em casal ou com um grupo de amigos.

A Prova Clássica da Quinta do Soalheiro é feita aqui, e inclui um vinho e um “fumeiro”, como eles chamam os presuntos defumados – mas é possível, na hora do agendamento, pedir mais provas de “fumeiros” e de mais vinhos e acordar na hora da reserva o valor, bem como combinar que vai ficar por um tempo maior (o que eu super recomendo, porque é garantia de passar uma tarde bastante agradável).

Nós provamos três vinhos e mais de um fumeiro – nós provamos um presunto curado por 3 anos e um salpicão de fumo (não é o nosso salpicão! Aqui, o salpicão é uma linguiça – ou enchido, como eles dizem – de várias partes do porco que é deixado para defumar). E talvez essa seja a parte mais difícil do trabalho de um blogger – tentar encontrar palavras para explicar o quanto tudo estava espetacular… Foi uma tarde maravilhosa!

Alheiras servidas na Quinta do Folga.

 

Organizando a visita para a Quinta do Folga:

Agendamento: é preciso agendar com antecedência. O agendamento pode ser feito junto com a o agendamento para o Soalheiro ou, se você quiser dispensar a visita à vinícola e partir direto para a prova, pode fazer no email quintadefolga@quintadefolga.com

Duração: A ser acordado – depende do que você for consumir.

Quem faz: O Rui Lameiro, da Quinta do Soalheiro.  

Valor: €12,50 por pessoa é o valor da prova clássica, que inclui um vinho do Soalheiro e um “fumeiro”, linguiça defumada de porco bísaro. Mas se você quiser encomendar mais “fumeiros” e provar mais vinhos, e passar uma tarde por lá, é só fechar com o Rui. O valor é discutido dependendo do que for pedido.

 

Onde comer em Melgaço: Adega do Sossego

Veja bem: não é que não tenha outros restaurantes em Melgaço. Eles existem sim – mas a Adega do Sossego foi a melhor recomendada no Guia Michelin e por várias listas dos melhores da região, e incluímos no nosso roteiro para descobrir o porquê.

Alguns dos selos de recomendações na porta da Adega do Sossego.

Descobrimos. Foi o primeiríssimo restaurante verdadeiramente português onde paramos na nossa missão “Descobrimento às Avessas”, mas olhando agora para trás, eu digo seguramente que a Adega do Sossego foi um dos melhores restaurantes da viagem (e olhe que não foram poucos, em uma semana altamente gastronômica) e foi um dos pontos altos da visita à Melgaço. Valeu cada minuto de estrada até lá. ????

O restaurante é assim: rústico, tradicional e, por isso mesmo, extretamente honesto: “comida boa de verdade dispensa papagaiadas”… 🙂 Crédito da foto: Sara Riobom

Dica: vá preparado para comer muito (mesmo e muito) bem. As porções são generosas e vale muito a pena não dispensar as entradas também. Foi também o local onde eu, que não curto carne de porco, verdadeiramente morri de amores.

E perdoem-me se eu me estender demais em descrições de comida: em Portugal boa comida é coisa sagrada e levada a sério, e numa região tão gastronômica quanto o Melgaço não dá para ser diferente!

Então, eis algumas entradas maravilhosas que a gente provou:

  • Cabeça fumada (€4,25 a porção): basicamente, é orelha de porco defumada e servida numa espécie de molho vinagrete, com azeite, azeitonas e cebola e ervas locais. Confie: é uma delícia!
Pães, queijos e presuntos portugueses e a cabeça fumada ao centro. Oh, céus, que delícia… (Crédito da Foto: Sara Riobom)
  • Alheiras: Enchido com misturas que mudam de região para região, mas na maioria das vezes levam porco e frango, às vezes pão. Delícia.
  • Linguiças e Chorizos (€5,00 a porção)
Porção de chorizos a 5 euros: a escura é de morcela, linguiça de sangue.

Os pratos mais comuns pedidos da casa são o naco de vitela (foto abaixo, servida em porções generosíssimas – o prato para dois alimenta três fácil) e o bacalhau (prato popular por conta dos espanhóis que vivem na fronteira). Além disso, um dos pratos mais típicos da região é o galo à cabidela, que nós conhecemos como galinha ao molho pardo, mas é preciso encomendar com um dia de antecedência.

Foto do naco de vitela que pedimos. Essa porção para 2 custa 20 euros, mas no nosso caso (e com tantas entradinhas delícia) sobrou – alimentaria 3 pessoas fácil.

Ah, e experiência imperdível: é na Adega do Sossego é servido o vinhão, um vinho tinto verde (aliás, vinho verde pode ser tinto sim!) que é servido do jeito que os locais tomam: numa tigela!

Eu e o vinhão, o vinho verde tinto da casa. Dica: peça uma tigela para dividir, porque é bem forte!

É super forte e ligeiramente gaseificado. Particularmente, não gostei – prefiro os vinhos brancos verdes, mas a experiência é super válida!

 

Como ir para a Adega do Sossego:

Como chegar: é fácil chegar pelo GPS, ou Google Maps. Só fique atento que o restaurante é escondidinho, e é preciso ir de carro para lá. Confie no Google Maps para te dar a indicação, porque a placa de entrada é bem discreta.

Entrada da Adega do Sossego. A plaquinha existe, mas se você não prestar atenção da estrada ela passa despercebida…

Valores:

Entradas: Cabeça Fumada (€4,25 a porção), Chouriços (€5,00 a porção), Queijos (€9,00 a porção)

Pratos principais: Naco de Vitela (€20 o prato para dois, mas acho que pode servir três tranquilamente – sobrou bastante, no nosso caso), Galo à cabidela (€60 o prato, mas deve ser pedido com um dia de antecedência), Cabrito assado (€25 o prato para dois, super bem recomendado também)

Sobremesa: experimente o Abade de Priscos, uma sobremesa típica de Portugal e muito melhor que Pastel de Nata! 🙂

Abade de Priscos, um pudim típico português feito à base de ovos e açúcar – como boa parte da doçaria portuguesa. Uma delícia!

Mais informações: Site da Adega do Sossego

Dica Importante: se você for na Adega do Sossego, diga ao garçom/gerente que veio da parte da Clarissa, blogueira brasileira que visitou o restaurante em Outubro de 2016. Não, eu não vou ganhar comissão nenhuma – mas segundo os próprios portugueses, na região de Melgaço basta dizer que você veio da parte de alguém conhecido deles, que o restaurante vai trazer tudo do bom e do melhor! Porque indicação de amigo, em Portugal, é coisa séria! ????

Outros restaurantes em Melgaço recomendados pelos locais:

  • Adega O Chafarix: Largo Amadeu Abilio Lopes, Melgaço
  • Adega do Sabino: Largo Hermenegildo Solheiro, Melgaço
  • Restaurantes do Castro Laboureiro e Miradouro do Castelo.

 

Onde se Hospedar: Casa das Pesqueiras

Melgaço tem poucas e boas opções de hospedagem, e as melhores delas tem essa pegada de “aluguel de casa”, intimista e familiar – mas como a cidade é pequenininha, só 1 dessas opções fica bem no centrinho; mas as mais charmosas ficam mais afastadas (nada grave, porém – coisa de 10 a 15 minutos de carro).

Legenda: Azul (hospedagens), vermelho (Adega do Sossego) e verde (vinícolas).

Nós ficamos na Casa das Pesqueiras, de onde temos só elogios. Não é um hotel – você aluga a casa inteira, como um AirBNB, e a permanência mínima é de dois dias, mas é uma ótima opção se você quiser privacidade e, especialmente, se estiver viajando em casais ou com família. 

A casa tem três quartos, sendo uma suíte super espaçosa, e mais dois banheiros. Há camas extras – a capacidade máxima é de 6 adultos e 3 crianças.

As dependências são luxuosas: há uma sala de estar espaçosa (com lareira, para os dias frios), uma cozinha toda equipada para você fazer sua comida, uma sala de leitura e jogos (meu canto preferido para descansar à noite, uma delícia). E uma enorme piscina com churrasqueira.

Sala de estar da Casa das Pesqueiras: repare na lareira delícia! Crédito da Foto: Casa das Pesqueiras

Sala de leitura. Crédito da Foto: Sara Riobom

Área Externa da Casa das Pesqueiras, com churrasqueira, piscina (há brinquedos disponíveis para crianças) e uma área enorme de estacionamento).

Bônus: o proprietário é de uma simpatia desmedida. E sim, há internet (rapidíssima em todos os cômodos – na área da piscina inclusive).

Nota importante: essa viagem faz parte de um projeto “Descobrimento às Avessas” que eu bolei junto com a blogueira portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities, e que compreendia visitar as melhores vinícolas especializadas em vinhos verdes da Região do Minho, bem como os melhores restaurantes e hospedagens de cada região.

Em outras palavras, nossa meta era bem clara: queríamos o melhor de Portugal, e de preferência o Portugal dos portugueses, das negócios familiares, do contato direto com o proprietário, com o produtor, com tudo.

Casa das Pesqueiras fica a 3km de distância do centro de Melgaço por uma estradinha pequenininha, e não é a opção mais próxima entre os outros hotéis da região. Optamos por ela mesmo assim, especialmente porque havíamos lido excelentes reviews sobre lá no Booking e a descrição da hospedagem se encaixava com o que queríamos. Então pedimos uma parceria com eles – de modo que, por motivos de transparência, deixo claro que nossa estadia da casa foi fruto de uma parceria sim, mas os elogios são todos meus, uma vez que a experiência extrapolou todas as minhas expectativas. E vou colocar isso num review especial sobre as dependências da casa, em outro post.

Fechando a hospedagem na Casa das Pesqueiras:

As reservas podem ser feitas no site do Booking.com ou com o Sr. José Domingues (+351 934 800 124).

Capacidade máxima: 6 adultos e 3 crianças

Valores (estadia mínima de 2 dias): 

€195 (01 de outubro a 31 de maio)

€295 (meses de julho e agosto)

€215 (meses de junho e setembro)

Outras opções de hospedagem em Melgaço:

Solar do Castelo: É o hotel mais próximo do centrinho de Melgaço, para quem procura uma hospedagem com aquela dinâmica de sair da recepção do hotel e poder andar a pé (tem alguns cafés, restaurantes e drogarias ao redor). As instalações são bem charmosas e os quartos são espaçosos, com uma decoração mais moderna. O hotel tem ainda um terraço charmoso. Lado ruim: não tem estacionamento no local, embora o hotel disponibilize gratuitamente vagas em outra área.

Quinta da Calçada: Charmosíssima e próxima do Centro, a casa principal tem aquela estrutura antiga tradicional e espaçosa, cercada de jardins e piscina. Bom para quem quiser dedicar um tempinho para aproveitar mais as instalações. Está a 1km dos outros restaurantes do Melgaço.

Casa da Cevidade: Fica próximo à entrada de Melgaço é bem próximo da Adega do Sossego. Tem ares de casa de fazenda, com lareira, boa comida e ótimas instalações. Excelente para famílias e super bem avaliado pelo Booking.com, era uma das nossas opções mais bem cotadas para ficarmos por lá.

Monte Prado Hotel & Spa: Com ótimas avaliações pelo Booking.com, fica próximo ao centro de Melgaço e pertinho do Rio Minho, praticamente na divisa com a Espanha. Tem piscina aquecida, sauna e spa e estrutura para crianças. Vale a pena para quem quiser reservar um tempo para relaxar no hotel mesmo.

Hotel Rural Reguengo do Melgaço: Hotel fazenda que funciona dentro de uma vinícola que produz seu próprio vinho alvarinho; ou seja, o hóspede tem o contato super próximo com as uvas e pode fazer provas de degustação dentro do próprio hotel. Tem até uma capela para quem quer fazer casamentos lá. A arquitetura é bem tradicional e típica portuguesa, mas o lado negativo disso é que os quartos também são meio austeros, sisudos. A experiência do hotel-vinícola me pareceu interessante, mas particularmente eu achei as outras opções do Melgaço mais acolhedoras em termos de quartos.


Este é o primeiro post da série sobre a Rota do Vinho Verde! 🙂 Há vários posts na fila, e vou colocando-os no ar aos poucos, e divulgando os links aqui (cês viram como cada post é grande e eu gosto de dar as coisas mastigadinhas, né?).

Mas rolando qualquer dúvida, por favor deixe aí nos comentários que eu vou atualizando e respondendo o mais rápido que posso! 🙂


Esta viagem faz parte de um projeto chamado “Descobrimento às Avessas” que eu criei, em conjunto com a blogger portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities. Nossa idéia era desvendar um roteiro prático sobre a rota portuguesa dos vinhos verdes, anotando todas as melhores vinícolas, restaurantes e experiências para podermos escrever, cada uma em nossos blogs, um roteiro completo da Rota do Vinho Verde.

Por isso, neste post, as visitas à Quinta do Soalheiro e à Quinta do Folga, à Adega do Sossego e nossa hospedagem na Casa das Pesqueiras foi fruto de uma parceria feita diretamente com cada um desses empreendimentos – porém, para chegarmos à eles foi feita uma extensiva pesquisa em diversas revistas sobre gastronomia, bem como um bom papo com especialistas portugueses em vinhos, que nos deram essas recomendações. Escolhemos cada um destes locais porque eles se encaixavam nos requisitos que tínhamos para um roteiro de descobrimento português – queríamos o Portugal dos cantinhos escondidos, dos pequenos produtores, dos excelentes vinhos e das experiências intimistas, e todas as parcerias foram uma consequência desta busca, e não o contrário. Por isso, deixo claro que apesar de termos recebido apoio nestas visitas, todas as opiniões e preferências aqui foram fruto de opiniões genuínas da autora – são estes os princípios que norteiam todo esse blog e serão também a  base de todos os próximos posts sobre a série “descobrimento às Avessas”.

Comments

4 COMENTÁRIOS

  1. Estou querendo viajar para Portugal com minha filha de 11 anos,para passar o Natal ou ano.
    Você tem alguma sugestão?
    fica realmente muito caro nesta época?

    • Oi, Flávia, tudo bem?

      Então, eu só conheço o norte de Portugal, onde fiz uma viagem pela Rota do Vinho Verde, que é a desse post que você viu. O roteiro total da Rota está aqui: http://www.dondeandoporai.com.br/viagem-rota-vinho-verde/

      É uma rota de carro e, em tese, dá para você fazer com sua filha sim, ainda que ela não participe da parte de degustação de vinhos. Mas de qualquer forma, na época de Natal mesmo eu recomendaria ficar pelas cidades de Amarante e Guimarães, que são lindas e perto uma da outra. Acho que ambas fazem uma boa opção, porque são interessantes tanto se você resolver ficar nelas, quanto usá-las de base para conhecer outras cidades.
      O Porto também é lindo. E eu super recomendo ir ao Douro – todas as dicas estão aqui! http://www.dondeandoporai.com.br/douro-como-ir-o-que-visitar/

      Quanto a preços, em geral passar o Natal em si é caro, em termos de hotel e ceias, mas isso em qualquer lugar. Ainda assim, acho que em Portugal deve ser mais barato que no resto da Europa!

      Espero ter ajudado!

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