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Entre uma praia e outra, eu perguntei à Karin, a responsável pelo projeto da Rota das Emoções que estava nos acompanhando:

– Mas me explica: qual o grande diferencial da Rota das Emoções? Quero dizer, porque eu devo contratar uma agência para levar a gente pela Rota e não posso sair simplesmente alugando um carro e indo, por minha conta?

Vale dizer que, como expliquei neste post aqui, a logística não permite fazer por conta própria (há trechos de areia, Parques Nacionais e barcos) e o melhor é fazer por agência mesmo. Mas eu queria saber se tinha alguma coisa de diferente a ser vista, além do puro transporte.

– São as vivências – ela respondeu – são elas que dão os tons das “emoções” nessa viagem.

Jogada de Marketing ou verdade pura. Esperei para ver. A primeira vivência seria no dia seguinte.

[alert style=”2″]Mas o que são as vivências?

São atividades realizadas junto à população local, em que o turista é convidado a mergulhar na realidade deles, seja participando na produção de um artesanato típico, seja vendo de perto um processo de pesca ou de coleta de caranguejos. Ele pode, inclusive, pôr a mão na massa, se quiser. A vantagem disso é aproximar o turista com as comunidades locais numa experiência que seja produtiva para ambos: tanto para o turista, que conhece de perto um lado do nosso Brasil brasileiro (e de uma forma mais enriquecedora do que simplesmente ser levado a uma lojinha de artesanatos locais para comprar o produto final, sem ter aprendido como é o processo) e para os trabalhadores, que vendo o fluxo de turistas que cada vez chega, consegue fazer rodar sua produção, interagir e conhecer novos mundos além de sua realidade e mostrar o seu trabalho.[/alert]

Achei a proposta muito, muito legal. Não só pela troca em si, mas também pelo caráter sustentável da experiência: o turista aquece a economia local e os trabalhadores se reúnem para melhorar e atrair mais turistas. E, principalmente, porque se conhece uma realidade completamente diferente da nossa.

A maioria das vivências foram feitas no Piauí, sempre com muito papo e simpatia. Vale dizer que é preciso agendá-las sempre com antecedência, o que é feito pela agência (afinal, os trabalhadores precisam se organizar para receber os ilustres visitantes!) e geralmente a visita é feita no próprio local de trabalho – fábricas ou cooperativas.

Artesanato de Palha de Carnaúba

Foi a primeira cooperativa que fomos – e na minha opinião uma das mais interessantes. Localizada na cidade do Parnaíba, é meio difícil de chegar lá (por isso, combine com sua agência para levá-lo).

E o passeio vale a pena, especialmente porque as meninas são boas de papo.

O trabalho é feito exclusivamente por mulheres, cuja arte do trançado da palha é passado de mãe para filha, há gerações. São aproximadamente 25 famílias trabalhando na cooperativa.

artesã montando a cesta de carnaúba

 

O artesanato é feito com palha de carnaúba, árvore típica da região. As folhas são retiradas, colocadas para secar e depois tingidas com várias cores fortes, para enfim serem trançadas.

Folhas de Carnaúba tingidas para artesanato e feitura de cestos
Palhas de carnaúba tingidas e prontas para serem usadas para o trabalho.

A vantagem é que é um tipo de arte totalmente sustentável: retirando as folhas da carnaúba não mata a árvore, que pouco depois volta a se recompor. O processo do trançado é feito por mãos ágeis e é bem bonito de se ver – e das palhas tingidas nascem sousplats, mandalas de parede, cestos de comida, fruteiras…

Artesanato - cestos feitos de folhas de Carnaúba
Exemplo dos trançados colocados à venda na loja da cooperativa. Em tempo: eu me rendi à arte local e comprei essa fruteira branca e laranja, da esquerda, que tá linda lá em casa! 🙂

 

O preço? Baratinho: muitas dessas fruteiras custam R$ 20 a 30 reais (preços de novembro de 2012), mas são enviadas para lojas de decoração no Rio, São Paulo, Belo Horizonte… Achei algumas delas vendendo no Rio por R$ 70, 00. Ou seja, vale mais do que a pena fazer umas comprinhas por lá.

E o mais bacana é que se vê o produto sendo feito, na sua frente – e elas são tão orgulhosas e bem humoradas do trabalho que fazem (conseguem sustentar a família com isso) que acaba rolando aquele “contágio gostoso” que a dá na gente vontade para comprar também.

Importante: O único cuidado que se tem que ter para que a peça dure é não molhar: isso pode danificar o trançado e fazer as tranças soltarem a cor. Mas fazendo isso, é a certeza de ter uma peça durável, barata e bonita em casa – a minha está lá, firme, forte e linda lá em casa, segurando minhas bananas e maçãs! 🙂

[alert style=”2″]Para conhecer: programe com sua agência – nós fomos com a NaturTurismo. :)[/alert]

 

Presenciando a coleta dos caranguejos

Esse passeio é feito na Ilha Grande, ali no Delta do Parnaíba. Somos levados em um barco, passeando pelos igarapés do rio Parnaíba, onde acontece a coleta. Se o passeio é feito próximo ao pôr do sol, não raro a gente passa por um ou mais barcos assim, carregadinhos de caranguejos…

barco carregado de siris - delta do parnaíba
Tudo bem, a foto não ajudou muito: mas repare na carga espalhada no chão do barco: passamos por mais de um que levava o resultado da coleta.

Confesso que na hora de ver isso, bate uma dor no coração: eu morro de pena de ver tantos caranguejinhos assim, vivos e presos esperando a hora de ir para a panela. Mas ok, porque depois a gente vai conhecendo que essa é a principal fonte de sustento de várias famílias ribeirinhas.

Quem vai com a gente nesta atividade é a Associação de Catadores de Caranguejo Delta Uça de Ilha Grande – em que Uçã é o tipo de caranguejo catado. A cooperativa abastece o mercado local e faz a coleta respeitando as normas – que são, por exemplo, não fazer a coleta nos meses de dezembro a março, quando acontece o período de acasalamento e procriação dos caranguejos.

Um aviso: na hora de fazer a marcação desse passeio, vale respeitar a dica da agência e da cooperativa quanto ao melhor horário do dia para a atividade, e respeitar o cronograma. Isso porque a melhor época para a coleta é quando a vazão do rio está baixa (coisa que muda muito no mesmo dia) e quando as tocas dos caranguejos estão mais expostas na lama. Atrasar uma meia hora a mais pode invibializar a coleta.

Digo isso porque aconteceu com a gente: chegamos atrasados e o local de coleta dos caranguejos já estava submerso – tivemos então que procurar outras margens que permitissem a atividade. Por isso, talvez, que a coleta no nosso caso não tenha rendido muitos frutos – na prática mesmo, rendeu só um, rapidamente percebido pelo senhor que fazia parte da cooperativa que estava conosco…

Catador de carangueijo cooperativa Rota das emoções delta do parnaíba

O processo é assim mesmo: agachar-se na lama do igarapé, e muitas vezes colocar o braço até a altura do ombro na toca do caranguejo – que se esconde sob as árvores, em meio às raízes…

Mas, voilá… taí o resultado da coleta.

Carangueijo Rota das Emoções

O que acontece com os caranguejos coletados na atividade? Vão para o trabalho da cooperativa, e são comercializados no fim do dia no próprio local.

[alert style=”2″]Como fazer a atividade: É preciso fazer um agendamento prévio antes, com a própria agência. Quem nos levou foi a NaturTurismo, que cuida de todas as atividades turísticas dentro do Piauí.[/alert]

Visitando uma fábrica de cajuína

Prepare-se: grandes chances de você apaixonar pela cajuína! 🙂

Como o nome sugere, ela é feita de caju (ooooooohhhh!), mas não é um refrigerante, porque não tem gás. Também não é um suco de caju pura e simplesmente, porque não tem o tanino (aquela parte da fruta que deixa a língua mais viscosa). Cajuína é cajuína, assim mesmo, sem definições.

É quase como se fosse um suco de caju, só que mais leve e refrescante. E é, sobretudo, um alimento.

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Mas como é feita a cajuína?

Após a colheita do caju, as frutas são lavadas e colocadas, frescas, em um tanque com uma solução de água com cloro para eliminar fungos e bactérias. Após isso, o caju é triturado, extraindo-se o suco da fruta, e filtrado em seguida. Daí, vai direto para as garrafas.

O processo mais importante vem agora: a cajuína chega ainda transparente em um compartimento onde será “cozida” em água a cem graus. É aí que a bebida ganha sua cor amarelada e seu sabor: pois o  calor carameliza a frutose ( o açúcar da fruta). O processo todo, da limpeza dos frutos ao cozimento, dura aproximadamente seis horas e em seguida  a bebida está pronta.

 E a vantagem é que, como todo o processo é feito quase que artesanalmente, com o suco da fruta recém colhido e cozido de forma natural, o resultado é uma bebida com cinco vezes mais vitamina C do que um suco de laranja, além de várias outras vitaminas provenientes do caju.

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E eu me apaixonei pela cajuína assim, como contei para vocês: primeiro, aprendendo como ela é feita. E como todas as paixões, não foi nada premeditada.

Era uma manhã de muito calor no Piauí (daquelas que a camisa cola na base das costas!) quando fomos para mais uma vivência, dessa vez na fábrica da Cajuína Cristal, a única fábrica de cajuína orgânica no país. O proprietário era o Josenilto (esse da foto), um rapaz bom de papo e apaixonado pelo seu produto. A fábrica não funcionava nesse dia, o que em parte era bom – não víamos o processo, mas podíamos visitar todos os cantos da fábrica com facilidade, calma e silêncio, enquanto os detalhes da fabricação eram contados para nós.  

Fábrica de Cajuína

 

Por ser a única fábrica orgânica, o processo de fabricação não levava não tipo de gelatina para acelerar o processo de cozimento, nem nenhum aditivo. Os próprios frutos eram colhidos da plantação de caju ao redor, completamente orgânica. E para chegar ao sabor desejado, Josenilto juntou três tipos de caju na produção.

Ao final da visita, uma garrafa para a gente experimentar: que servida assim, geladíssima em comparação ao forno que o sol fazia lá fora, fez a bebida descer redondo. Deliciosa. A partir daí, em todos os dias da viagem era cajuína, e não refrigerante, que acompanhavam as nossas refeições.

E claro, dá para comprar diretamente com ele um pack de garrafas para levar para casa – algumas pessoas fizeram isso (e eu só não fiz porque a mala não permitia mais – e me arrependo).

Curiosidade: quando estávamos lá, ele nos contava, animado, que estava planejando produzir uma safra especial. Seria de cajuína feita com cajus colhidos em noite de lua cheia. Essa prática já existe em algumas plantações de azeitona e uva lá fora, pois os agricultores sabem que a lua influencia na agricultura – e meia noite é quando o s frutos estão mais intumescidos e com sabor mais concentrado, e ele esperava obter daí uma cajuína mais especial. Nos mostrou, inclusive, a embalagem especial que preparava para essa série, que seria oferecida apenas para clientes premium.

Fiquei curiosa de experimentar, dada a empolgação que ele estava em contar isso – na época, a colheita ainda não tinha sido feita. Então, se alguém tiver experimentado, me conta por favor como é. para quem mora no Rio de Janeiro, saudade de cajuína é negócio sério. 🙂

[alert style=”2″]Como fazer a atividade: É preciso fazer um agendamento prévio antes, com a própria agência. Quem nos levou foi a NaturTurismo, que cuida de todas as atividades turísticas dentro do Piauí.[/alert]

 

As rendeiras do Delta do Parnaíba

 

Assim como as artesãs que trabalham com palha de carnaúba, a arte das rendeiras é passada de mãe para filha. A técnica utilizada é a renda de bilro, que é feita sob a superfície de uma almofada grande e dura, onde sobre ela é colocada um cartão com o desenho da renda a ser feita. E a partir daí o trabalho é feito através de mãos ágeis.

Molde das rendas - rendeiras ceará e delta do parnaíba

A visita é feita na central da cooperativa, em uma casinha humilde em Ilha Grande, Piauí. No ar, um silêncio de palavras, porque o que se escuta é o tilintar frenético dos bilros, pedaços de madeira onde estão os fios com que a renda é feita. A quantidade de bilros depende da complexidade do desenho.

Ao longo do cartão com o desenho da renda são presos alfinetes, que são deslocados à medida que o trabalho avança.

rendeiras 6

 

Rendeiras 5

Segundo as trabalhadoras da cooperativa, há apenas um rapaz que trabalha com elas – o resto são mulheres, que complementam com o trabalho na cooperativa a renda de casa. Porém, a beleza da arte não traz muitos ganhos: ao passo que um trabalho de renda como esse é caríssimo no eixo Rio-São Paulo, o mesmo trabalho de renda ali é vendido por cerca de  R$ 25 a R$ 30 – e pode levar uns 15 dias para ser feito (de acordo com uma conversa que tivemos com uma delas).

Ou seja, se os cálculos que elas passaram estiverem certos, elas ganhariam R$ 50 a R$ 60 por mês? Achei uma pena: é um trabalho de profunda delicadeza, e deve ser valorizado.

As rendas são destinadas à venda na loja da cooperativa (como essas da foto abaixo), ou são vendidas para empresas de moda no sudeste – soubemos que, enquanto estávamos lá, a presidente da cooperativa estava em São Paulo, tentando fechar negócios para um desfile.

Na loja deles há várias coisas fofinhas: desde uma flor de cabelo ou broche até um vestido todo rendado – e a preços infinitamente menores que os de grandes lojas. Dá, inclusive, para comprar rendas para aplicá-las depois em vestidos.

artesanatos rendas Ceará

Aqui, recomendo a compra: não só pela beleza do trabalho, mas pela chance de levar para casa um pouco de brasilidade, e ainda ajudar a brasilidade a continuar vivendo do sustento do seu próprio trabalho.

[alert style=”2″]Como fazer a atividade: É preciso fazer um agendamento prévio antes, com a própria agência. Quem nos levou foi a NaturTurismo, que cuida de todas as atividades turísticas dentro do Piauí.[/alert]

 

Colheita de frutas orgânicas

Essa atividade fica ali, do ladinho da fábrica de cajuína, e dá para fazer as duas numa só manhã.  Quem recebe é a BIOFRUTA – Cooperativa dos Produtores Orgânicos dos Tabuleiros Litorâneos do Piauí, que faz a plantação de acerola, goiaba, caju, coco e melão – tudo sem agrotóxico. Dependendo da temporada, dá até para participar da colheita das frutas, numa experiência bem “da roça”. E bacana!

Colheita de pitangas orgânicas

São 29 cooperados no total, que se revezam no cultivo e produção das frutas. E se o passeio não permite a colheita, o suco de frutas frescas recém colhidas é garantido: pode escolher entre goiaba, melão e acerola, delícia pura. E entre um copo e outro, os cooperados vão falando do desafio do cultivo, do carinho com a produção orgânica, do sustento das famílias..

Enfim, uma aula de Brasil – de um Brasil bem longe dos supermercados onde compramos tudo isso.

Pitangas na cesta de colheita

Enfim… depois de todas essas visitas, a Karin pediu minha opinião.”E aí, gostou das vivências?”

Eu, acho, estou vivendo-as até agora – e revivendo-as hoje, ao escrever esse post. De fato, vivências assim pedem que a gente troque um dia de praia por um dia de pessoas, e isso faz toda a diferença. Voltei menos bronzeada e muito mais pensativa, interessada, experiente… Voltei leve.

E se isso não é emoção também, eu não sei o que é… 😛

 

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Se você gostou desse texto, acompanhe a série sobre a Rota das Emoções aqui:

Lençóis Maranhenses: lagoas, camarões e vida mansa em Atins

Lençóis Maranhenses (ou o que fazer quando as lagoas estão secas)

Rota das Emoções: do Piauí em direção aos Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Rota das Emoções: a revoada dos guarás no Delta do Parnaíba, Piauí

Rota das Emoções: as vivências com rendeiras, pitangas, cajuína e catadores de carangueijo no Piauí

Barra Grande em 10 motivos: para você visitar todos e parar de desdenhar promoção de passagem para o Piauí

Rota das emoções: viajando de buggy de Jericoacoara a Camocim, no Ceará

Rota das emoções: dicas do que fazer em Jericoacoara por quem começa a viagem por aqui

Rota das emoções: onde é, o que vale a pena fazer lá e como planejar sua viagem no Nordeste

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Esta jornalista e blogueira percorreu a Rota das Emoções em novembro de 2012 a convite do Sebrae e dos empresários de Turismo da Rota. Todas as impressões, dicas, sugestões e avisos são frutos da experiência e opinião da jornalista.

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