Um aviso: de todos os parques de Londres (aqueles famosos de que você certamente deve passar perto, como o Hyde Park, o Regents Park e Kensington Gardens), esse é o mais distante – e se você realmente quiser conhecê-lo com calma e de verdade, precisa quase que destinar um dia inteiro para ele (eu diria que, no mínimo, a visita deve levar seis horas, o que nos meses de outubro a março é quase um dia inteiro mesmo, porque os dias mais são mais curtos).
Mas vale outro aviso: se você quiser ir assim mesmo, mesmo sendo bem fora do roteiro das atrações tradicionais, são altas as chances do Richmond Park se tornar uma apaixonante surpresa.

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O parque fica no bairro de Richmond, na zona sul de Londres e apenas acessível pelas linhas de trem (quem tem o Oyster Card e o London Pass podem usar tranquilamente para chegar lá). Há linhas diretas que saem de Willesden Junction (na parte Noroeste de Londres, perto do estádio de Wembley), Clapham (na parte sul da cidade, à beira do Tâmisa), e Waterloo (atrás de Southbank, onde está a London Eye e a parte preferida dos turistas). É preciso descer na estação de trem de Richmond e dali ainda andar um bocado a pé até o parque (não se preocupe, tem vários mapas e sinalizações no bairro de Richmond).
A caminhada é bem gracinha: o bairro de Richmond é um bairro relativamente nobre e residencial de Londres, bem inglês e fofo. Lembra o conceito de uma de nossas Alphavilles da vida: bonita, privilegiada – mas longe de tudo.

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Mas porque vale tanto a pena o parque de lá? Bom, eis alguns motivos (na minha opinião!)

1. Richmond Park é uma Reserva Natural

E isso faz toda a diferença na sua visita. Primeiro, porque ele é bem maior do que os outros (prepare o pé e vá com um tênis confortável). Tem também uma “cara” mais selvagem, sem aquele gramadinho aparadinho perfeito do Regent’s Park ou banquinhos para sentar a cada alguns poucos metros (como no Kensington Gardens).

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Não tem casas lindas próximas da vista (como no Primrose Hill) e em poucos minutos caminhando para dentro do parque, a impressão que se tem é de estar em algum lugar bem longe da cidade.

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Mas nada que dê aquele desespero de estar perdida: Richmond tem várias placas e mapas indicativas aqui e ali. Mas fique esperto de que a experiência do passeio é diferente.

E sabe por quê? Porque parece que a gente está viajando num lugar totalmente diferente – e encantador! 🙂

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Ah, o parque é ótimo para caminhadas e corridas (mais uma vez, sabendo que é uma reserva natural e que a pista asfaltada de corrida não é perfeitinha o tempo todo como é nos outros parques). E não acredito que será o caso de turistas, mas as regras também são mais rígidas quanto aos animais: há muitos trechos em que cães não podem circular, ou apenas se estiverem bem seguros pelas guias, próximos aos donos.

2. Richmond tem Bambis! Muitos Bambis!

Ah, eu adorei tanto isso! Imagina, estar passeando em plena cidade de Londres (tudo bem, não no meio da rua, mas pô, estamos na área urbana de uma das maiores capitais da Europa!) e nos deparamos com um grupo de corças e um cervo tranquilamente descansando numa sombra – sim, em Richmond Park eles vivem livremente.

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Ah, e não é só um tipo – são duas espécies que vivem no parque, e dá para ver de perto grupos dos dois tipos facilmente. O outro tipo, sim, é igualzinho ao Bambi do desenho!

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E daí a gente acaba conhecendo mais da história do Richmond Park. A área foi criada pelo rei Carlos I lá por volta de 1625 como um área reservada aos cervos. Só que naquela época, Londres foi acometida por um surto brabíssimo da Peste bubônica. Foram dois anos da peste, que resultou na morte de mais de 100.000 pessoas (um número altíssimo para a época).
E aí o que rei fez? O que todos os reis costumavam fazer quando tragédias dessa aconteciam: correram, com toda a corte a tiracolo, para se isolar no Richmond Park, fugir da peste e caçar os animais, esporte preferido da nobreza na época.

(Mas não fique revoltado com ele: anos depois ele se tornaria o primeiro e único rei da Inglaterra a ser decapitado).

De lá para cá, tem muita gente que ia caçar por lá, mas hoje o esporte é proibido – bem, não exatamente proibido, mas bastante regulamentado. Há caçadores registrados e épocas específicas do ano em que é autorizada a caça para controle da espécie, já que ali os animais não tem mais seus predadores naturais e seu crescimento desordenado pode desequilibrar o resto da fauna do parque.
Ah, vale avisar que nos períodos de caça, a visitação é proibida – então não tem risco de você ser atingido por engano.

3. O parque é bonito o ano todo – mas fica embasbacante no outono.

Eu fui num dia lindo e ensolarado de outono, no mês de outubro, sem seguir dica nenhuma e apenas afim de conhecer um lugar diferente. E acho que vi o parque no seu momento mais bonito do ano: em pleno início de outono, em que as árvores não desfolharam ainda, e todas as suas copas ainda estão robustas, mas incandescentes, com folhagens verdes e amarelas para todo canto.

Eu não cansava de tirar fotos (que divido com vocês aqui, absolutamente sem filtro e tais como eu as vi). Uma prova de que Richmond nem parece que fica em Londres.

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Um aviso para quem quiser ir: Richmond tem trilhas de bicicleta, lagos e áreas infantis, mas prepare-se para andar consideravelmente se quiser conhecer o parque mais a fundo – é comum que os animais estejam mais embrenhados no parque do que próximos às entradas, já que o ruído da cidade e a movimentação dos carros pelas poucas ruas permitidas ao trânsito assustem os animais.

Mas nem sempre é o caso – tem vezes em que eles chegam bem perto!

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Um aviso: para quem for visitar o Richmond Park, fique atento a alguns períodos do ano: em março e abril costuma ser a época em que nascem os filhotes das corças (owwwnn!!! Vários Bambizinhos de verdade!), mas também é o momento em que os machos adultos podem estar mais ariscos e agressivos se você se aproximar muito – é o instinto natural de proteção! Nesse período, é melhor observar de uma distância segura, e usar o zoom da sua câmera!

O mesmo vale para outubro, quando é o período do acasalamento, e aí vemos machos como esse aí embaixo, todos posudos – e possivelmente mais desconfiados – guardando sem “harém”. Mesmo que você não esteja se engraçando com uma das fêmeas, não custa nada guardar uma distância nesse momento também!

O macho observava atento todo mundo que passava perto. Viva o zoom, nessas horas!
O macho observava atento todo mundo que passava perto. Viva o zoom, nessas horas!

Eu, particularmente, acho que é um passeio bem legal, tranquilo e diferente em Londres, além da chance de ver um lado da cidade que os turistas quase não conhecem. E, num dia bonito, é a chance de voltar com fotos lindas!
Ah, para quem vai com crianças é bem legal também – nada como ver a natureza solta, sem zoológicos!

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Informações práticas:

Quanto custa: a entrada é gratuita!
Como chegar lá:
Você pode pegar o Overground (que passa pelas estações de Candem Road e Kentish Town West, por exemplo) ou o trem (que tem uma saída direto partindo de Waterloo, bem atrás do Southbank). Aqui tem o mapa do Overground de Londres e do transporte como um todo.
É só saltar na estação de Richmond e ir andando (tem que andar um pouquinho). Tá aqui um mapinha da caminhada para você não se perder!

Quanto tempo leva para chegar lá:

Da estação de Waterloo até a estação de Richmond leva-se 19 minutos. Já a caminhada da estação de trem até o parque dá uns 25 minutos a pé (não reclama, vai. É um parque, parque é para a gente andar mesmo!).

Quanto custa:

São 3.80 o trecho, saindo de Waterloo para Richmond (zona 1 para zona 4). Você pode calcular quanto vai custar o trecho do seu transporte através desse site.

O que tem para fazer em Richmond:

O bairro é bem gracinha. No caminho da estação de trem até o Richmond Park você passa por várias lojas das principais cadeias de comida e café de Londres (Costa Cafe, Nero, Starbucks – dá para parar e tomar um café antes ou depois) e restaurantes como o do Jaime Oliver. O bairro é bem fofo e vale a pena se perder pelas ruazinhas por ali também (sem grandes atrações turísticas, apenas um bairro residencial cheio de lojinhas fofas).
Já quase na entrada do Richmond Park a gente passa por uma espécie de terraço que eu, particularmente, acho que vale a pena uma parada. É basicamente um trecho de calçada cheio de banquinhos charmosos, de frente para uma vista linda da reserva.

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Se você der a sorte de estar por lá num dia bonito (e com sol!), aproveite para fazer uma hora por ali – do outro lado da rua, de frente aos banquinhos, tem um pub bacaninha, que permite que a gente compre cerveja e leve o copo para beber do outro lado da rua, admirando a vista. Poucas paisagens eu admirei tão em alto estilo.

Ok, quem admirou a vista mesmo aqui na foto foi o marido, mas é porque alguém tem que trabalhar tirando foto, né?
Ok, quem admirou a vista mesmo aqui na foto foi o marido, mas é porque alguém tem que trabalhar tirando foto, né?

Meu palpite: se você vai a Londres com os dias contadinhos, talvez Richmond não seja a melhor opção de passeio. Mas se você vem com tempo e quer descobrir mais a cidade ou se aventurar por aqueles cantos menos conhecidos, aqui é uma boa!

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Comments

2 COMENTÁRIOS

  1. Clarissa, gostei muito das suas fotos e dicas e agora preciso voltar ao parque no outono.
    Acabo de chegar de Londres e resolvi visitar o parque mesmo sem ter ouvido falar dele como atração turística e foi a experiência mais maravilhosa vivida em Londres. Nesta época as azaléias do Isabella Plantation estão floridas e são tantas cores e variedades que causam um tipo de transe de tão encantador. Arrepia e para você que é capaz de tirar fotos tão maravilhosas seria um excepcional material além da extrema beleza. Abraço.

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