Você, que com certeza já assistiu essas competições esportivas de grande porte (como a Copa do Mundo, esta última em terras verde-amarelas), deve ter reparado que sempre costuma acontecer uma coisa. 🙂

Tem aquele time que é o favorito e que todo mundo quer ver jogar. As partidas em que disputa são sempre as que esgotam os ingressos primeiro, mas todo mundo faz um esforço enorme para assistir: sai mais cedo do trabalho, paga mais caro pelo ingresso pela mão do cambista, etc. Muitas vezes, o time favorito é bom mesmo, faz um jogaço e a gente sai super satisfeito de ter ido ao jogo, de ter visto ele ganhar a competição. Mas também acontece do time favorito não estar no seu melhor momento: e quando isso acontece a gente sai até meio decepcionado e super chateado de ter investido tanta emoção (e dinheiro) num jogo que nem foi tão legal assim.

E tem também aquele time que a gente nem conhecia, nunca ouviu falar na vida – ou quando muito, só conheceu ao ver o nome dele lá na lista de jogos. Geralmente, você nem se dá ao trabalho de ir lá assistir um jogo dele – mas, sei lá, calhou de surgir a oportunidade e você foi ver. Mas acontece que esse time desconhecido é tão bom, mas tão bom, que você – que nem tava dando nada por ele – termina virando super fã. Comenta dele para os outros – que torcem o nariz porque nunca ouviram falar, claro. Você não liga – já se encantou pelo time mesmo. E quando este time vai conquistando e crescendo no campeonato, todo mundo passa a chamá-lo de “time-revelação” e ele termina o campeonato quase tão querido como time favorito. E você fica super orgulhoso de si mesmo por tê-lo “descoberto”.

Então: em viagens acontece uma coisa parecida. 🙂

A gente monta uma viagem. Faz o roteiro e encaixa ali as cidades que queremos conhecer. Aí, tem sempre aquela que a gente tá doido para visitar – são as cidades mais famosas, mais conhecidas, mais procuradas. São as favoritas (e assim como acontece no futebol, a gente às vezes sai de lá super feliz, porque a cidade era mesmo tudo isso que a gente estava esperando. Ou não). Mas aí, às vezes também tem aquela cidade em que a gente, naturalmente, nem faria muita questão porque nunca ouviu falar, mas que calhou dela cair no seu destino por um acaso. É a cidade-revelação: e, também como no futebol, ela te arrebata o coração, você se encanta e acaba a viagem com uma dúvida cruel: não sabe qual gostou mais, se da favorita ou da revelação.

Bom, o bom de viagens é que não precisamos escolher um primeiro lugar nem um amor único: a gente pode se apaixonar por vários destinos ao mesmo tempo. 🙂

Mas eu levei esse trelelê todo só para explicar o nível de amor que eu sentia quando terminei uma viagem mágica pela região da Umbria, na Itália, durante o ano passado: a viagem, que fazia parte do Programa Brasil Próximo, incluía no roteiro as cidades de Perugia, Assis, Spoleto, Norcia, Orvieto e Terni.

Assis era, obviamente, a cidade-favorita na nossa lista (minha e de todo o grupo).

E cumpriu, atingiu, extrapolou as expectativas. Foi uma visita literalmente mágica (veja aqui).

Basílica de Assis
Assis: uma cidade santa e apaixonante!

Mas quem ganhou o troféu revelação (e com folga) foi Norcia. Nunca ouviu falar? Pois é, eu também não conhecia.

Norcia (pronuncia-se “Nórtchia”) é uma comuna mini-pequenininha; não chega nem a ter 5.000 habitantes (Para fins de comparação, Perugia tem em torno de 600 mil).  E é esse contraste, de pouca gente e pouco movimento, que dá a cidade a aura de “dolce vita” tão característica italiana.

Mas ao contrário de Spoleto, Assim e Perugia, Norcia está em uma espécie de vale – e de lá têm-se uma vista linda das montanhas ao redor.

Vista das montanhas ao redor com Norcia em pleno vale
Vista das montanhas ao redor com Norcia em pleno vale

Em Norcia, é assim que você se apaixona. Devagarinho. <3

A começar pela entrada da cidade – que, assim como muitas cidades antigas italianas, está cercada por uma forte muralha, herança da época medieval em que aconteciam muitas invasões.

Portal de entrada de Norcia

E esta é a vista para a entrada da cidade. Também chamado de “Stargate”, porque parece o portal para um outro mundo (e isso quem falou foi um morador de lá!).

Entrada de Norcia

Mas vamos ao que interessa: o que tem em Norcia para fazer – e que vai fazer você se apaixonar por lá?

1. Se hospedar no Palazzo Sêneca

Antes mesmo de chegarmos em Norcia, nossos guias já nos falavam do hotel que ficaríamos por lá. “Belissimo”, falava Angela, uma italiana bem falante (e dava um beijo na ponta dos dedos ao terminar de dizer a frase, típico gesticular italiano de uma coisa muito, muito boa).

E é mesmo: o Palazzo Sêneca é daqueles tipos de hotéis que praticamente fazem parte do programa de um lugar. São afiliados do Relais & Chateaux, rede charmosíssima de hotéis boutique no mundo todo.

Quarto palazzo Seneca Norcia

sala de leitura do Palazzo Seneca em Norcia

Palazzo Seneca

Tanto que a nossa guia italiana, uma jovem muito simpática, nos disse: “Toda vez que eu quero tirar um tempo com meu marido para descansar, deixo nossa filha na casa dos avós e viemos para cá, para uma lua de mel por um fim-de-semana. Eu amo este hotel”.

E, lá, eu entendi perfeitamente o porquê. Super indicado para uma lua-de-mel! 🙂

A reserva você pode fazer por aqui. Mas se não der para se hospedar lá, vá pelo menos conhecer o restaurante do hotel, uma delícia. Os donos são dois irmãos que tocam o negócio da família há anos, e praticamente dois artistas em cuidar de tudo com todos os detalhes.

2. Fazer uma caça às trufas

Isso eu já tinha feito e contado com foi a experiência aqui – uma das mais bonitas que eu já tive! 🙂 Norcia tem isso, de turismo de experiência, e quem organiza estas “expedições” de caça às trufas negras é a agência Exavel (o proprietário é o dono do Palazzo Sêneca).

Cavando a trufa

Você acompanha um grupo de dois guias com dois a três cachorros da raça Cocker Spaniel pelas montanhas lindésimas ao redor de Norcia – e as trufas encontradas depois são lavadas e servidas trituradas com azeite e pão quente num piquenique no meio do campo. Não é de morrer de amor? 🙂

Campos ao redor de Norcia onde acontece a colheita de trufas

Nina encontrando as trufas

3. Comer

Reparou que Itália é lugar bom de se comer, né? Isso vale especialmente para Norcia – arrisco dizer que foi uma das minhas melhores refeições na Itália. E você vai perceber isso no ar, assim que entrar.

Porque Norcia é a capital italiana do presunto cru – e você sente o cheiro dele na rua.

Presuntos de Norcia

É tanto que, para quem não gosta, pode chegar a ser um pouco enjoativo. Mas para quem adora (ou para quem está com fome) é uma delícia.

A rua principal de entrada de Norcia, a Corso Sertorio, já mostra este lado da cidade: São várias pequenas lojinhas e mercados de massas e presuntos crus. Então, prepare-se para ver várias por ali – incluindo a cabeça de vários javalis empalhados.

Norcineria em Norcia - a capital dos presuntos

Mórbido? Não exatamente, se você parar para pensar que tudo está muito ligado à cultura e história de Norcia.

Curiosidade: na época medieval, haviam muitos mosteiros beneditinos nos arredores (por motivos que explico mais abaixo) e eram neles que estavam as principais bibliotecas da época. Como resultado, os monges liam e estudavam muito – inclusive livros de medicina. Como haviam muitos javalis na região, os monges necessitavam de comida para abastecer os mosteiros e não havia a possibilidade de “aprender medicina” praticando em corpos humanos, eles juntaram todas as demandas numa atividade só: e passaram a estudar os corpos dos javalis, desenvolvendo (com base no que liam nos livros de medicina) como retirar os melhores cortes da carne, que depois era conservada. Séculos de estudo e prática renderam à cidade o título de capital do presunto cru; não por acaso, as arte do preparo do presunto cru é chamada de “Norcineria”.

Presutnos de Norcia dois

Então, aproveite para fazer compras. Os preços não são necessariamente os melhores, mas eu achei uma boa compra, considerando a qualidade e a variedade de presuntos e queijos de lá !

E se você arranha um italiano (o idioma e não a pessoa! 😛 ), aproveite para bater papo com um dos tiozinhos que trabalham nas lojas – eles dão uma aula da diferença entre os diferentes presuntos! 🙂

Lojas de presuntos em Norcia

Os queijos artesanais são deliciosos também – ali em Norcia são fabricados os autênticos queijos pecorinos, feitos de leite de ovelha – e uma de-lí-cia para se comer junto com os presuntos! 🙂

Queijos italianos

Dizem, inclusive, que alguns deles possuem propriedades afrodisíacas! 😉

Queijo com poderes extras

Ah, e lembrou das trufas? Você não precisa ir só nas montanhas para encontrá-las: Em Norcia é fácil encontrar trufas negras de todos os tamanhos (e preços) para levar para casa! Preços bons também – em comparação com o mesmo encontrado em outras cidades da Itália.

Produtos com tartufos à venda

4. História

Quem diria que esse cantinho tão pequenininho seria o berço de uma das organizações mais importantes da história de toda a Europa?

Pois foi em Norcia, mais exatamente debaixo desta igreja da foto, que ficava a casa onde nasceu São Bento e sua irmã, Escolástica.

Praça Central de Norcia

Para quem é católico, a visita é bem interessante. E para quem não é (como eu) também, já que São Bento teve um papel fundamental na história. Foi ele o fundador da Ordem dos Beneditinos – ordem monástica que impulsionou a criação de vários mosteiros por toda a Europa. Uma das funções dos mosteiros de São Bento, na época, era dar abrigo a viajantes e peregrinos, promover trabalho assistencial e caridade, e promover o ensino – e por isso, seriam os mosteiros os centros que abrigavam as escolas e bibliotecas da Idade Média, bem como eram também eles que promoveram a preservação de muitas obras da Antiguidade pelo hábito de copiar obras antigas (o romance “O Nome da Rosa”, do Umberto Eco, fala bastante dessa tradição).

Estátua de são Bento em Norcia
Estátua de São Bento, na Piazza São Bento, ponto central da comuna de Norcia.

Ah, e lembra da história da “norcineria” e do presunto cru, que eu falei ali em cima? O método de preparo da carne foi desenvolvido por eles também!

A casa onde nasceu o santo ainda pode ser vista na fundação da Igreja: é preciso observar as horas de abertura da escada que dá acesso à fundação da Igreja para ver. E para quem gosta de música sacra, a Igreja tem um coral belíssimo, que se apresenta pela manhã bem cedo – bem legal de assistir!

Comer (de novo!)

Sim, porque depois de passar em norcineria, igreja, hotel e montanha para caçar trufas, a gente quer almoçar e jantar, né?

Pois é: se Norcia entende tudo de presunto cru, queijos e trufas, se prepare para o cardápio misturar estes três ingredientes em pratos maravilhosos!

E mesmo que você não seja muito chegado nisso, aqui eu recomendaria de verdade que você ao menos experimentasse, seja na entrada pelo menos. Como o segredo da gastronomia italiana está na qualidade dos ingredientes, quanto mais fresco, melhor – e aqui é a chance de você provar estas iguarias no seu melhor.

Massa artesanal de ricota com tartufo
Capeletti de presunto cru com lascas de queijo pecorino e trufa negra ralada. De comer chorando de alegria!

Sem falar nas sobremesas, com as autênticas panacottas e frutas vermelhas frescas. Eu, que não sou fã de panacotta, morri de amores!

Sobremesa Panacota

Saldo da viagem: 5kg a mais (e três meses de salada para perdê-los). 🙂

***

Vá… pode ser que tudo isso não te convença – pelo menos o suficiente para elevar Norcia à “cidade revelação” na sua escalação de viagem final. E a verdade é que eu demorei mais de um ano para escrever este post porque ficava pensando na mesma coisa: eu via as minhas fotos de lá – que eram bonitas e tal – mas que não conseguiam explicar, em imagens, o porquê de eu ter voltado com tanto amor por Norcia.

E olhe que eu estava num grupo de 8 pessoas, todas bastante viajadas – e todas saíram pensando a mesma coisa. Norcia ganhou o prêmio revelação por unanimidade.

Até que este ano teve Copa do mundo no Brasil – e com ela, teve time favorito, time revelação, teve tudo. E aí eu me liguei.

Norcia teve fotos bonitas sim e motivos importantes sim; mas o que fez Norcia ser disparado a cidade revelação de todo mundo é que ela conseguiu convencer a gente – um grupo que tinha ido a trabalho e que portanto estava empenhado em tirar o máximo de registros possíveis – foi deixar a câmera de lado e o bloco de anotações de lado.

A gente foi viver Norcia. Uma comuna que não tinha museu famoso, nem estátua de Davi do Michelângelo, nem Coliseu. E cujas delícias estavam todas nos detalhes. 🙂

Na comida. Nas trufas recém colhidas com cheiro de terra. No cheiro de presunto no ar. No hotel charmoso até na xícara de café. No sol gostoso que faz de tarde e deixa a cidade amarela. Nas histórias escondidas debaixo das igrejas.

Não deu para tirar foto de nada disso. Norcia é sensorial. E para descobrí-la, a gente tem que deixar de ser o viajante para entrar no jogo de “Dolce far niente” que o italiano conhece como ninguém. Sem pressa.

Consegui explicar o meu amor com essa analogia toda? E depois ainda dizem que mulher não entende de futebol… 😉

Como chegar a Norcia 

Se você for de trem: Não é possível chegar a Norcia só de trem – o transporte é feito através de ônibus, que partem diariamente de Spoleto, a cidade com a estação de trem mais próxima. O que é bom também, porque mantém a cidade escondidinha (revelações são, antes de mais nada, bons segredos que estavam guardados, né?). Os bilhetes de trem poem ser comprados pelo site da Trenitalia e devem ter como destino a cidade de Spoleto. De lá, há ônibus saindo de Spoleto com destino a Foligno mas com uma das paradas em Norcia (horários e valores das passagens estão neste site em italiano, um pouquinho chato de procurar, mas que ajudam a ter uma ideia.).

Se você for de ônibus: Além da opção acima (ir de ônibus partindo de Spoleto), você também pode ir de Roma – os ônibus de Roma à cidade de Cássia fazem parada lá em Norcia também. Horários e preços também podem ser encontrados aqui.

Se você for de carro:

Vindo de Florença: vá pela estrada A1 (Florença – Roma) e pegue a saída para Perugia. Continua na E45 para Spoleto, e antes de chegar na cidade, pegue a primeira saída para Norcia.

Vindo de Roma: vá pela estrada (Florença – Roma) e saia em Orte. Continue por Terni e depois por Spoleto; 5 km após Spoleto, você encontrará a saída para Norcia.

Onde se Hospedar

Palazzo Sêneca: onde ficamos e onde é considerado o melhor hotel da cidade.

Best Western Hotel Salicone:  Próximo à entrada da cidade, possui um spa delicioso e banho turco. É considerado o melhor hotel da cidade depois do Palazzo Sêneca (e particularmente, achei bacana para crianças porque tem parque infantil).

Hotel Palatino: Os quartos são arejados e “clean”. Mas esse aqui, quando me informaram, tinha como vantagem o estacionamento gratuito. Se você vier com carro, é uma alternativa.

Grotta Azzurra: Não sei como está agora, mas na época os quartos estavam com aquela decoração bem clássica. Fica bem pertinho do centro e o restaurante é ótimo. Organiza degustações e aulas de preparo de massas a pedido.

Onde comer

Vespasia: é o restaurante do Hotel Palazzo Sêneca (mas você pode comer ali mesmo se não se hospedar). Eles tem uma adega fantástica de vinhos (peça pelos rótulos de Collecapretta, vinhos com poucas garrafas, mas ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSOS). Para quem gosta de carnes, eles preparam umas delícias por lá tb!). Fica na Via Cesare Battisti, 12 (dentro do hotel).

Grotta Azzurra: Onde foi meu melhor almoço de toda a viagem para a Itália (tipo, acho que Norcia ganhou o título de revelação muito por causa deste endereço aqui!). É daqui que foram tiradas as fotos da panacotta e do capeletti dali de cima. Um restaurante delicioso que eu super, super recomendo (ah, fique na varandinha, se o tempo estiver bom – é bem mais gostoso!). Fica na Via Alfieri 6, bem pertinho da principal de Norcia.

Granaro Del Monte: fica ao lado do Grotta Azzurra e tem cerveja artesanal, para quem não é do time dos vinhos. Não comemos ali, só bebemos, mas fica a dica: o dono é o mesmo do Grotta Azzurra, então eu acredito que deve ter a mesma qualidade da cozinha. Fica na Via Alfieri 6 também, do lado do Grotta Azzurra.

Esta jornalista e blogueira visitou Norcia a convite do Programa Brasil Próximo.

Comments

10 COMENTÁRIOS

  1. Olá Clarissa, tudo bem?
    Muito legal seu post, posso te fazer uma pergunta? Pretendo tirar cidadania italiana em Nórcia, a cidade tem custo de vida elevado? Ou está dentro do normal para cidades pequenas? E o povo lá, é simpático? Muito obrigado se puder responder.

    • oi, Alisson!
      Eu não sei dizer de custo de vida, porque fiquei lá dois dias, e na qualidade de turista! Não explorei muitos mercadinhos, coisas do tipo. Mas a cidade é bem pequenininha sim, bem charmosa, e (pelo que eu vi, turisticamente falando :P) era mais em conta que cidades como Veneza, Milão, Turino…
      Eu achei o povo italiano de cidades pequenas (não falando de Norcia em especial, mas de toda a Umbria) muito simpático, mas eu não falo italiano e isso era um limitador, porque muita gente era mais simples e não falava outros idiomas. Mas eu achei de uma qualidade de vida fantástica!!!

      Não ajudei muito, imagino! Mas sim, se você for para lá acho que vai se encantar! Só tenha em mente que a cidade é bem pequenininha mesmo, nem estação de trem tem!

      • Imagina, toda informação é bem vinda, obrigado mesmo.
        Pretendo ir esse ano, eu e meu irmão estamos acertando detalhes e Nórcia me pareceu uma boa opção, estamos vendo um lugar bacana para tirarmos a cidadania e tentando ver local (locais) com maior facilidade em todos os sentidos.
        Parabéns pelo blog e obrigado mais uma vez. Abraços

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