A charmosa cidade de Amarante fica exatamente no meio do caminho entre Guimarães e a região vinícola do Alto Douro, e é um simpático pit stop para quem faz esse percurso de carro em direção à região do Minho.

Para os wine lovers (como eu), fazer o percurso Douro – Guimarães via Amarante já valeria super a pena porque é possível conhecer numa dobradinha só as regiões vinícolas do Douro (com seus vinhos tintos, brancos, moscatéis e do Porto sensacionais) e a Zona do Vinho Verde, já que Amarante está bem pertinho da divisa entre as duas.

Veja também: Guimarães e Braga em 1 dia: dica de tour a partir do Porto

Mas deixo aqui uma dica: se puder, pernoite em Amarante. A cidade é muito mais do que um destino de passagem.

O mapa acima mostra o roteiro de carro que eu fiz pela Rota do Vinho Verde (as áreas em verde são algumas das regiões produtoras), combinando um tiquinho da região do Alto Douro (área em vermelho). Os ícones de garrafa apontam algumas das vinícolas premiadas que fomos, e os ícones amarelos mostram os doces típicos (e MA-RA-VI-LHO-SOS) originais de cada cidade.

E como o mapa bem sugere, Amarante é um hub gastronômico de delícias.😋

Dois pontos altos já justificariam o pernoite: a visita à Casa de Cello (produtora de vinhos premiadíssimos) e à Quinta da Lixa (uma das maiores exportadoras de Vinho Verde, inclusive para o Brasil), e uma doce exploração pelos doces típicos de Amarante, como o papo de anjo, as lérias de Amarante e os foguetes.

Mas não é só o estômago que sai satisfeito da parada. Amarante é também uma gracinha de se ver e se explorar.

Quem tiver um dia só pela cidade, pode curtir: nesse caso, eu recomendaria passear pelo lindinho centro histórico e pela Ponte de São Gonçalo, esticar até o Museu Amadeo de Sousa-Cardoso e terminar a tarde com um café um Papo de Anjo na Confeitaria da Ponte (com aquela vista linda para o rio Tâmega). Amantes de vinho podem esticar uma visitinha à Casa de Cello ou tentar aprender como fazer seu próprio vinho verde no programa Enólogo por um dia, do Monverde Wine Experience hotel (ambos tem que reservar com antecêndia).

Mas se você puder ficar mais, melhor ainda. Eu fiquei um pouco mais de 24 horas na cidade e fiz tudo isso, mas numa correria (minha visita foi feita com a intenção de escrever a Rota do Vinho Verde). Definitivamente, merecia mais – e eu enumero aqui algumas dicas do que fazer pela cidade para justificar sua visita – e quiçá até cair de amores.

Curiosamente, aliás, eu descobri que a palavra Amarante vem do grego, que significa “Aquele que merece”. Eu assino embaixo. Desconfio, inclusive, que não é à toa que ela leva “amar” no nome!

Veja também: Outros hotéis para se hospedar em Amarante

 

Dica 1: Hospedar-se em Amarante é uma experiência em si

Diferente de Guimarães, que tem uma vida noturna de barzinhos que justifica se hospedar por lá, Amarante é mais tranquila no seu ritmo pós 18 horas. A grande atração de um pernoite, lá, é a hospedagem em si: os dois hotéis espetaculares Casa da Calçada e o Monverde Wine Experience Hotel.

Casa da Calçada, a construção mais fotogênica de Amarante!

A Casa da Calçada é, sem dúvida, o lugar mais fotogênico de Amarante: uma propriedade amarela linda, encarapitada nas margens do rio e do ladinho da ponte de São Gonçalo. Só pela localização já valeria a pena: você estaciona o carro lá e curte a cidade a pé (a confeitaria da Ponte fica em frente, e para chegar ao museu é só atravessar a ponte e virar à direita). Mas honestamente, nem vai dar vontade de sair: o Casa da Calçada faz parte da cadeia Relais & Chateaux, que é um dos hotéis de charme mais luxuosos de Portugal (eu fiquei num hotel da rede em Norcia, Itália, e foi uma das melhores experiências da minha vida – e um dos hotéis mais românticos também). O restaurante Largo do Paço é também um dos destaques do hotel, e é estrelado pela Michelin (dica: não precisa se hospedar no restaurante para ir nele, mas eu recomendo a reserva com alguma antecência – quando fomos, ele estava fechado para um evento).

Veja também: Quinta do Ameal, uma hospedagem de sonho em Ponte de Lima

O hotel em que eu fiquei, porém, foi o Monverde Wine Experience Hotel, e totalmente justifica levar vinho e experiência no nome. Vale a visita especialmente para os apaixonantes por vinhos ou por quem gosta da experiência de um spa.

O hotel foi recentemente construído na propriedade das vinícolas da Quinta da Lixa, e nasceu com essa proposta de unir uma experiência máxima em hotelaria de luxo em meio a vinhas e vinhas a perder de vista.  😍

Ou seja, você tem um hotel lindo com vista linda e vinho delícia. Justifica a esticada, não?😉

Eu me hospedei ali por um dia, e por isso consegui explorar melhor as facilidades. O hotel conta com três complexos separados: dois para quartos e um sendo a casa principal, onde está o restaurante, a recepção e as facilidades como o spa, piscina e adega.

O caminho de um complexo a outro é feito entre as vinícolas, numa experiência romântica até dizer chega. Num dia quente, é lindo – o complexo central é cheio de varandas belíssimas de frente para o visual das vinícolas. A experiência já perde um pouco a graça num dia chuvoso (como o que estávamos), mas super guarda-chuvas e um transporte naqueles carrinhos de golfe cobertos estão à disposição dos hóspedes.

Mas o destaque do Monverde, mais do que a experiència em si, são as atividades à parte: eles organizam o Enólogo por um dia, onde você monta seu próprio vinho verde, e oferecem ainda o Monverde Wine Academy, uam aula de degustações, harmonizações e dicas que acontece na (enorme) adega deles (é preciso marcar com antecedência).

Veja também: Palácio da Brejoeira, um passeio entre vinhos e amores

Já os complexos destinados aos quartos são separados e igualmente românticos. Todos tem vista para vinícolas a perder de vista, e alguns tem ainda umas sacadinhas privativas bem românticas (eu preciso muito voltar com meu marido ali!!! Ir nesses lugares só a trabalho é bom, mas é infinitamente melhor ir acompanhada numa ocasião especial, né?).

Os quartos são generosamente confortáveis, com espaço para um mini closet, inclusive. E ambos os complexos destinados aos quartos possuem o estacionamento bem pertinho.

A diária do Monverde inclui café da manhã, que é bem servido no restaurante, mas alguns pacotes oferecem jantar também. Porém, eu teria duas sugestões aqui:

  • Ao invés de contratar o pacote fechado com o jantar normal, contrate só a hospedagem e mande um email ao Monverde (reservas@monverde.pt) para contratar o Jantar Viníco (valor é definido pelo número de pessoas). É um jantar especial harmonizado com diferentes vinhos da casa (prepare-se para comer e beber bastante!). Eu fiz esse e acho que foi um bom custo benefício de unir enoturismo da casa e a gastronomia, fora que você ainda tem toda a explicação da harmonização de cada vinho. No jantar incluído no pacote não há bebidas – e isso, num hotel especializado em vinhos, não tem muito sentido, né?
  • O almoço no hotel é oferecido à parte, o que é uma boa se você quiser ficar descansando na piscina ou no spa, ou simplesmente não estiver a fim de pegar o carro. Mas se quiser explorar a gastronomia de Amarante (recomendo!), pegue o carro e vá almoçar na Taberna do Coelho. Reza a lenda de que o melhor cabrito assado é feito lá (isso rendeu altas discussões com um português que conhecemos, pois dissemos que já tínhamos comido o Cabrito Pingado em Braga, que até então foi o melhor da minha vida. Não provei esse Cabrito (viu como Amarante merece mais tempo?), então fica aqui a recomendação. Me conta se você for lá?

Em relação a custos: a Casa da Calçada é luxo puro, o que reflete no preço das diárias (a partir de 158 euros. O Monverde já é uma opção mais em conta (a partir de 118 euros) mas tenha em mente que para aproveitar o melhor dele seria legal pelo menos fazer um dos extras, cobrados à parte. Para fazer uma cotação de quanto seriam essas atividades, mande um email para reservas@monverde.pt.

Fazer o programa “Enológo por um dia” do Monverde Wine Hotel

Eu juro que no início eu achei que era um programa cata-turista. Mordi a língua – porque foi uma experiência muito interessante, e diferente de todos os tours de vinhos que eu fiz até então.

Por quê? Basicamente, é uma aula particular sobre quais são as uvas da região do Minho (que é a zona demarcada do vinho verde) e como o vinho obtido de cada uma dessas uvas tem um paladar e aroma diferente um do outro. Diferente do que se faz em todas as vinícolas que a gente visite (ver as vinhas, depois ver as máquinas onde elas são colhidas, prensadas, depois ouvir todo o blablá dos processos de fermentação de cada um), essa proposta é mais prática: a gente aprende como é o resultado obtido de cada uva e como montar o vinho final.

Quem organiza o evento é a Bebiana, diretora de comunicação do hotel, mas espere ter a aula com outros enólogos também. Ela vai nos ensinando qual a diferença de paladar e aroma de cada casta (como eles chamam o tipo de uva) e como a gente pode combinar vinhos de diferentes uvas apara chegar no corte que a gente quer – e isso usando pipetas, provas, matemática e muita degustação. O objetivo é criar uma garrafa do nosso vinho, único, criado pela gente – do sabor ao rótulo. É uma experiência deliciosa!

Veja também: Mas afinal o que é vinho verde?

O programa é sempre feito às tardes e leva entre 2 horas e meia a 3 horas. Eu mais sobre como foi essa experiência aqui. Mas fica o aviso de que não é preciso se hospedar no Monverde para fazer – mas é preciso marcar com antecedência com o hotel, através do email reservas@monverde.pt (os preços também são acertados à parte, dependendo de quantas pessoas farão o programa).

 

Conhecer os doces de Amarante

Para quem ama doces portugueses, uma parada em Amarante é obrigatória: a cidade é o berço de nada menos que 5 doces conventuais deliciosos e super tradicionais.

Da esquerda para a direita: São Gonçalos, Brisas do Tâmega e foguetes

A razão disso é que ali perto havia também um convento de Santa Clara, que produzia muitos doces para servir de encomenda às famílias abastadas da região, e muitas das receitas conseguiram ultrapassar e sobreviver os muros dos conventos. E muito disso foi pelo mérito de uma senhorinha chamada Maria do Sacramento Oliveira, que também acompanhou os últimos anos das freiras que viviam no convento e, quando este fechou, transmitiu as receitas às suas filhas, que por sua vez fizeram todo o trabalho de perpetuar as receitas. Hoje há uma Confraria dos Doces Conventuais de Amarante que cuida para que essa doçura do mundo continue.

Os doces típicos de lá são: Lérias de Amarante, São Gonçalos, Papos de Anjo, Foguetes e Brisas do Tâmega. São uma delícia com café. Minha dica é ir na Confeitaria da Ponte, que oferece todos os doces num lugar só e com uma vista linda para o Tâmega e para a ponte de São Gonçalo.

E se você pensa em descobrir os outros doces portugueses, dá uma olhada no meu post sobre a estrada de doces amarelos, onde conto quais os doces típicos de cada cidade do Minho e onde você pode encontrar a receita secreta! 😋

 

Passear a pé pelo centro histórico

Basta chegar em Amarante que a gente vê logo a ponte de São Gonçalo. Ela passa pelo Rio Tâmega unindo os dois lados da cidade e está aberta aos carros, mas o bom mesmo é passar por ela a pé – ela é fotogênica por todos os ângulos e um dos principais pontos turísticos da cidade.

Reza a lenda que o São Gonçalo, o padroeiro da cidade, mandou construí-la (bem, na verdade ele mandou construir a ponto original, que foi destruída por uma das cheias do rio e tiveram que reconstruir esta que está hoje).

As cheias, inclusive, eram bem comuns, e num passeio a pé é possível ver a relação da cidade com elas: algumas casas possuem placas marcando a altura das cheias mais violentas e a data em que isso aconteceu.

Quanto à ponte, ela teve um importante papel durante as invasões napoleônicas a Portugal: houve uma batalha seríssima por aqui entre os invasores e os portugueses que defendiam a cidade.

Mas esse período conturbado ficou para trás. A cidade é mais do que pacífica – e linda de se caminhar no outono. 😍🍂🍁

Fica dica de ir conhecer também a Igreja e o Convento de São Gonçalo. Diz a lenda que ele era o santo casamenteiro – mais ou menos na mesma linha que Santo Antônio – mas só para as mulheres mais velhas!

Daí rolam altas simpatias de que tem que tocar no túmulo dele para poder casar. O túmulo está no altar! ❤️

Eu não visitei a Igreja, mas fui no convento, onde hoje funciona o Museu Amadeo de Souza-Cardoso, que super vale a visita também!

Visitar o Museu Amadeo de Souza-Cardoso

Quem insistiu para a gente ir nesse museu foi a Sara, minha amiga e guia portuguesa.

Tipo da dica certa. O museu é em homenagem a uma artista local, Amadeo de Souza-Cardoso, um pintor-prodígio português. Ele nasceu nas imediações da cidade, chega a expor seus trabalhos em galerias de Paris e Berlin, conhece gente do quilate de Diego Rivera, Modigliani e Gaudí e morre, novinho, com 31 anos. O museu expõe obras dele e de outros importantes artistas portugueses.

É uma arte colorida, cotidiana, desafiadora como eram as pinturas do início do século XX. Vale a visita!

Há também esculturas de outros artistas em exposições temporárias. Eu gostei muito!

A entrada para a exposição é apenas um euro, pagos na recepção. O museu fica na Alameda Teixeira de Pascoaes. Dá para estacionar o carro em frente ao museu e de lá sair para fazer uma caminhada pela cidade.

 

Dica extra: Casa de Cello (só para quem ama vinho)

Um aviso: não espere da Casa de Cello uma quinta com uma casa central gigante, salas confortáveis de espera, tour de horas e harmonização com comida, como acontece em outras quintas em Melgaço (Quinta do Soalheiro e Folga) ou Ponte de Lima (Quinta do Ameal).

Não, a Casa de Cello não tem nem plaquinha indicando onde fica – só o GPS mostrando o lugar. Também não tem salinha de espera.

Mas o que eles tem são vinhos. Os. Melhores. Vinhos. Da. Rota. ❤️🍷

Nossa recomendação: a coisa é tão familiar que eles não tem um pacote aberto para receber visitas, ou roteiros vínicos fechados. O que eles fazem é o mesmo que toda casa portuguesa faz: se um visitante abrir lá, eles abrem a porta e convidam para entrar.

Então fica a nossa dica: se você não é um entendido de vinho e prefere viver a experiência de vinho em um restaurante ou hotel gostoso, não se preocupe em dirigir até lá. A propriedade fica afastada do centro de Amarante e a cidade já oferece bastante coisa para suprir esses passeios. Mas se você gosta de vinho de verdade e quer conhecer uma casa produtora de vinhos pela sua excelência em si, vá.

Prepare-se, se quiser, para comprar vinhos diretamente com eles. Porque estamos falando de vinhos de 39 a 168 euros, num patamar bem mais caro que o que tínhamos visto até então. Isso já diz, e muito, da altíssima qualidade do trabalho que eles fazem.

Nós tivemos ainda a sorte de esbarrar com o proprietário, o Pedro. Um senhor português sensacional que nos proporcionou os dois melhores dedos de prosa de toda a viagem. Foi só depois da conversa dele que eu consegui organizar na cabeça o que tinha aprendido sobre o que é o vinho verde (pelo menos o minimamente possível para tentar fazer esse infográfico aqui).

Como chegar na Casa de Cello: Lugar de cello, Mancelos, Amarante (jogue no Google Maps e siga o GPS do celular. Infelizmente não tem outra forma). Se precisar, vocês podem contatá-los no +351 226095877 ou no email quinta@casadecello.pt.

Veja também: Vale a pena pegar o pedágio eletrônico em Portugal?

4 dicas para alugar um carro no aeroporto do Porto

Esta jornalista se hospedou no Monverde Wine Experience Hotel através de uma parceria feita com o estabelecimento para a realização da Rota do Vinho Verde. 

Comments

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor escreva o seu comentário! :)
Por favor escreva seu nome aqui