Nem todo mundo é da turma dos museus – mas quem é e adora passear em um, Londres é um prato cheio. Primeiro: porque os principais museus de Londres tem entrada gratuita, possuem um acervo fantástico (quem ver um um autêntico Van Gogh? Em Paris você tem que desembolsar alguns euros no Museu D’Orsay – em Londres é só entrar no National Gallery e virar à direita) e são super interativos, o que é bem legal para as crianças – inclusive as que já estão disfarçadas de adultos já há alguns anos. 🙂

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Há um quê, porém: por serem tão bacanas e gratuitos, não raro (aliás, quase sempre) muitos LOTAM durante o dia, o que faz a visita ser um pouco estressante.
Bem, eu não sei vocês, mas penso que já passei da idade de ficar andando e me esbarrando nas pessoas – fora que, como verdadeira apaixonada por museus, quando eu vou numa exposição que eu gosto, eu quero ter tempo e prazer em “degustar” a visita, e não disputar um espaço a cotoveladas para ver a obra.
Então: como moro aqui e tenho mais tempo, consegui visitar alguns dos museus em dias e horários diferentes, o que me deu uma boa sacada de quando é a melhor hora de ir, assim como os horários de roubada. E não, não é só de turistas que os museus estão cheios: os locais vão também, e muito. Por exemplo, nos fins de semana o Museu de História Natural é absurdamente lotado de pais e filhos pequenos, especialmente na ala dos dinossauros. De forma nenhuma eu acho isso ruim, mas lembro de um dia em especial ter desistido de entrar numa ala da exposição porque eu não conseguia atravessar todos os carrinhos de bebê que me levavam até lá. Nessas ocasiões, é uma boa saber os horários de “baixa” para poder passear com mais calma.
O Londonist fez este post sobre os melhores horários para visitar os museus de Londres, que me serviu de base para este post que eu estou escrevendo. E quando eu digo que me serviu de base, isso não significa que eu simplesmente copiei e colei as informações aqui; na verdade, eu resolvi seguir à risca as dicas que ele deu no post, e somar com outras experiências minhas para escrever, enfim, o que eu vi na prática. A idéia, como sempre, é ajudar vocês quando vierem à terra da Rainha!
Espero que ajude!

Dica 1: Choveu? Museu encheu! 

Eu sou do Rio de Janeiro, e lembro que a gente dizia que uma das regras gerais da cidade é que bastava saber que o fim de semana era de chuva para ter certeza de que todos os shoppings estariam lotados – o mesmo já não acontecia quando o fim de semana era ensolarado e de tempo bom: nesses dias, os shoppings estavam frequentemente mais vazios, enquanto que o verdadeiro engarrafamento acontecia nos acessos para a praia e, especialmente, nos estacionamentos para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Provavelmente o mesmo se repetia em outras cidades também.

Bom, a “regra” geral não é regra, mas a mesma lógica meio que se repete aqui, no que tange à chuva e, especialmente, no verão. Você é daqueles que, quando pensa em Londres, a primeira imagem que vem à mente é a de uma cidade cinza e nublada? Bom, há dias lindos de sol também, que são mais frequentes do que a gente imagina, e quando eles acontecem os ingleses adoram aproveitar também. Acho que a única tarde em que eu consegui passear muito agradavelmente pelo Museu de História Natural e o Victoria & Albert num fim de semana (notadamente, uma das épocas mais cheias) foi numa ensolarada tarde de sábado, em que tinha mais gente do lado de fora se espreguiçando ao sol do que dentro dos corredores no museu.
Ok, num dia de sol é provável que você também prefira curtir o lado de fora. Mas se você é da turma do museu e não liga para isso, fica a dica!

 

Dica 2: Se puder, vá durante à semana

Nos fins de semana os museus estão em geral bem mais cheios, uma vez que é quando os locais vão para lá também. Então fica a dica: escolha o museu que você quer ir, vá durante a semana e deixe para curtir o fim de semana em atrações que só acontecem mesmo nesses dias, como a feira de Portobello Road em Notting Hill e a Columbia Flower Market em East London. O mesmo vale para fins de semana.

 

Melhores horários para ir aos museus

 Eis uma grade de horários mais cheios e vazios dos museus de Londres, que eu fiz com base na matéria, nas minhas visitas e nas pesquisas juntos aos próprios museus.
cronograma de horários do museum
aposte evite museus de londres

British Museum

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O British Museum está entre um dos mais completos museus do mundo, com acervos dedicados à história da humanidade e documentações de diferentes culturas, com peças retiradas de todo o mundo. Eu gosto muito da ala egípcia: talvez porque eu adoro ver tudo que é dedicado ao Egito Antigo, mas especialmente pela forma como os artefatos são expostos. Eu tive a oportunidade de ir ao Museu do Cairo, que tem a maior coleção de artefatos do Egito Antigo em exposição do mundo (entre eles, a famosa máscara mortuária de Tutankhamon), mas o que eu não gostei muito era a forma como tudo era exposto: não havia placas de identificação das peças, não havia uma regra muito clara dividindo cada etapa da civilização (uma forma, aliás, de meio que forçar você a contratar um guia), e em muitos casos, as estátuas de pedra não tinham nenhuma proteção, permitindo que as pessoas pudessem tocar, bater e até sentar nas estátuas. Imagino o que isso, considerando um volume enorme de pessoas todos os dias, deve fazer para a consequente degradação das peças.
Mas a ala do British Museum é bem especial neste sentido, com quadros genealógicos e bem informados, ajudando a mergulhar na história sem a ajuda de ninguém.

 

Porque vale a pena:
  • É um dos museus mais completos do mundo em termos de acervo sobre as diferentes culturas do homem. Uma das peças mais famosas é a Pedra de Rosetta, um fragmento de pedra com um texto esculpido em 3 idiomas diferentes e que possibilitou decifrar os antigos hieróglifos egípcios
  • Você estará andando em um dos cenários do terceiro filme da série “Uma Noite no Museu 3”.
  • A ala egípcia é fantástica. Aproveite e passe na ala do México também!
  • Você vai conhecer o teto mais famoso de Londres. (toda vez que eu vou lá ouço “oohs” de admiração de turistas ao meu redor que vão à primeira vez. E ainda assim, eu nunca deixei de me impressionar também).
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O que eu gosto de lá: volta e meia há uma exposição artística que ilustra alguma história ou hábito da nossa vida. Na última vez que eu fui, a exposição era de dois longos tecidos que formava um extenso corredor, em que milhares de comprimidos e remédios estavam costurados ao longo da sua extensão: a idéia era mostrar a quantidade de remédios que um homem e uma mulher normais ingerem ao longo da vida, desde vitaminas infantis a analgésicos e remédios contra o câncer. Ele ilustrava a vida de um casal comum, e os remédios tomados de forma cronológica – bem interessante (e incômodo)

 

NATURAL HISTORY MUSEUM

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Ou Museu de História Natural. Um dos meus preferidos, porque sou muito visual e acho ele lindo tanto por fora quanto por dentro. Aparentemente,  todo mundo em Londres deve achar também, porque ele vive quase sempre muito, muito cheio. Mas ainda assim, acho que vale a pena ir – especialmente se você estiver indo com crianças.
E se não estiver, vá assim mesmo! É um dos museus mais interessantes e lúdicos.
A parte dos dinossauros é uma das mais impressionantes – e cheias. Você já é recepcionado por um assim que entra: é o esqueleto de um dos dinossauros pescoçudos, carinhosamente chamado de Dippie. Ume exposição bem interessante mostra outros fósseis gigantes, reproduz animais pré-históricos (destaque para um Tiranossauro Rex em tamanho real que ruge e tudo para você) e divide um monte de curiosidades. Mas é intransitável na parte da tarde e por todo o fim de semana – prefira ir de manhã!
Porque vale a pena:
  • É um museu lindo, por dentro e por fora: quem curte arquitetura vai gostar!
  • A parte de dinossauros é fantástica. A de insetos também.
  • O museu é bem lúdico e boa parte das suas exposições contém quiz, vídeos explicativos e estruturas que “convidam” você à interagir. Fantástico para quem vai com crianças.
  • A loja dele é bem legal – destaque para os esqueletos que te recepcionam na entrada!

SCIENCE MUSEUM

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Na minha primeira semana “ever” em Londres, eu peguei um tour para Bath com um guia de turismo, daqueles que vai todo mundo junto num ônibus de viagem. No caminho de volta do tour, fizemos um passeio de ônibus por South Kensington, quando ele apontou para o Natural History Museum (o que eu descrevi aqui em cima) e disse: “Esse é o museu com a fachada mais interessante de Londres. Eu passo por aqui, olho, acho tudo bonito, e entro no museu do lado, que, esse sim, é o meu preferido”.
É o Museu de Ciências, que fica atrás, coladinho, do Museu de História Natural (ou seja, dá para combinar os dois num dia só) e que é menos propagandeado do que o British e o Natural History Museum para os turistas, mas que invariavelmente é sempre escolhido como preferido pelos locais.
Foi também o primeiro museu que eu visitei porque – adivinhe? – era o preferido do meu marido. E chegando lá, descobri o motivo de tanto carinho.
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O Science Museum é, disparado, o museu mais interativo de todos. Praticamente todas as instalações convidam o visitante a mexer, interagir, descobrir como tudo funciona: seja tocar em diferentes texturas de elementos, responder questões sobre energia eólica em uma máquina ou até mudar as visualizações da terra. Questões como “como os astronautas fazem xixi no espaço”, “como eram os eletrodomésticos comuns há 50 anos” e “quais os principais elementos da Terra” são respondidos de forma bem interessante – e cá para nós, não só para crianças!
Resultado: está entre os meus museus preferidos, também!
Porque vale a pena: 
  • Fica do lado do Natural History Museum e V&A. Dá tranquilo para combinar a visita,
  • É fantástico para crianças, geeks e curiosos.
  • A lojinha é ótima, cheia de jogos e brinquedos “cabeça” à venda. Gosto de ir lá quando quero comprar presentes para levar para o Brasil.

 

TORRE DE LONDRES

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A única atração paga dessa lista (e não muito barata, convenhamos). Porém, eu continuo achando que é uma das melhores atrações da lista de “must-go” em Londres.

Vale ir pela história que ela representae pelas várias histórias – algumas bem macabras – que aconteceram ali (quem gosta de história medieval – e muito sangue – vai se amarrar!). Primeiro, porque ali foram presos diversos personagens conhecidos da história da Inglaterra, como a rainha Elizabeth (que antes de ser Rainha foi presa por lá também), John Balliol (rei da Escócia, que foi forçado a abdicar do trono escocês por Richard I, o rei malvado do “Coração Valente”, dando origem ao bafafá todo que o Mel Gibson tentou combater, posteriormente). Mas muitos do que foram presos por lá perderam a cabeça também, como Ana Bolena (segunda esposa de Henrique VIII, pivô da briga do rei com a Igreja Católica e mãe de Elisabeth I), Catherine Howard (quinta esposa do mesmo rei, executada por adultério), Guy Fawkes ( o mesmo que inspirou a revolta do “V de Vendetta”). Era também para lá que os reis fugiam quando havia uma revolta na cidade. Uma das histórias mais horripilantes (e verdadeiras) é a dos Príncipes Eduardo V e Ricardo, dois irmãos filhos do rei Eduardo IV e que tinham, respectivamente, 12 e 9 anos de idade. Com a morte do rei-pai, o Eduardinho se tornava rei automaticamente, e foi colocado sob tutela do seu tio até que crescesse. O tio, porém, invejoso que era,  malvadamente trancou os dois meninos na Torre de Londres e, tempos depois, alegou a morte de ambos e assumiu a coroa – só 200 anos depois que uma escavação encontraria duas ossadas semelhantes de crianças proporcionais às idades e tamanhos dos meninos.

 

Gostou das histórias? Bom, eu me amarro, e por isso que vale a pena a visita. Especialmente porque em partes da torre é possível visitar os aposentos do Rei Henrique VIII, quando ficava por lá; as celas dos prisioneiros e, mais bacana, uma exposição das armas e armaduras medievais da época.
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Mas o destaque, mesmo, são as jóias da coroa: todas as coroas, cetros e ornamentos importantes usados pelos monarcas da Inglaterra – e ver, por exemplo, dois diamantes especialmente famosos: o Cullinan Diamond (mais de 3100 quilates básicos, que está entre os 10 maiores diamantes do mundo), que fica no cetro, e o Koh-i-Nor, que fica na parte central da coroa e que, por causa dele, a Índia está processando o Reino Unido para devolver a pedra, que segundo ele foi obtida de forma duvidosa durante a dominação britânica por lá.

Dica : A Torre de Londres – e, especialmente, as jóias da coroa – ficam especialmente cheias durante o dia, e podem ter filas de horas. A dica é acordar cedo e chegar lá no primeiro horário – há um tour que visita a torre logo no primeiro horário de abertura, e ainda nos mostra o ritual de abertura dos portões (que eu, particularmente, achei meio “para turista ver”, mas a melhor sacada do passeio era já estar dentro da Torre antes da abertura oficial dela – e, consequentemente, fazer toda a visita com tudo bem vazio).

 

Começa a fila para a entrada do Salão das Jóias da Coroa. Note que esta foto foi tirada antes da primeira meia hora de parque aberto!
Começa a fila para a entrada do Salão das Jóias da Coroa. Note que esta foto foi tirada antes da primeira meia hora de parque aberto!
Com quem eu fiz o tour:
Opção 1: Torre de Londres e Catedral de Saint Paul: Eu fiz com essa empresa que combina a Torre de Londres e a Catedral de São Paul.
Opção 2: Fazer o tour só na Torre de Londres – veja passeios pela Viator aqui.
Opção 3: Você pode só comprar o ingresso, se quiser, e ir por conta própria, sem tour. Compre aqui o ingresso com antecedência (ingressos pelas TicketBar).
Porque vale a pena:
  • Porque a Torre de Londres é recheada de histórias medievais. Quem gosta de Game of Thrones vai adorar.
  • Porque tem uma exposição de armas medievais bem interessante.
  • Porque você vai ver as jóias da coroa bem de pertinho!

 

TATE MODERN

Tate Modern
Arte Moderna não é muito a minha praia, confesso – acho que ainda curto muito as escolas de pintura mais antigas. mas é questão de gosto. Por isso, eu posso não parecer muito entusiástica em relação ao Tate Modern, mas de forma alguma é por culpa do museu. Mesmo assim, é umd os museus mais fáceis de se visitar: talvez até propositadamente, suas alas são amplas, minimalistas, espaçosas, e mesmo que o museu encha muito em um determinado horário, isso pelo menos nunca chegou (pelo menos das vezes em que eu fui) a prejudicar a experiência.
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Não sei se posso descrever dessa forma, mas acho o museu mais fluido: por conta dos espaços amplos e por muitas de suas obras não requererem tantas interações, as pessoas se movimentam de forma mais contínua através das salas, então se de repente o tate parece insuportavelmente cheio, é questão de poucos minutos para essa sensação escoar por outras salas. O que eu acho ótimo, porque museu de arte é mesmo para a gente aproveitar com espaço de respiro e de idéias.
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Dica: EU AMO a loja do Tate Modern. Não deixe de passar lá!

 

Porque vale a pena: 
  • Mesmo que tenha uns horários de pico ao longo do dia, é um dos museus em que você pode visitar a qualquer hora do dia.
  • A loja é super bacana!
  • Se der, pegue um dos tours guiados que eles organizam por lá (são gratuitos e saem em horas marcadas). Para quem não é muito íntimo de arte moderna, os tours são bem interessantes e dão um contexto às obras expostas.
  • A localização é bem legal: fica em frente à passarela que leva à Catedral de São Paul, em frente ao Tâmisa e um cantinho bem gostoso para fazer uma caminhada!

 

NATIONAL GALLERY

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Van Gogh, Manet, Monet, Caravaggio… algumas obras dos pintores desses quilates podem ser vistas no National Gallery, de graça – ao passo que para vê-los em Amsterdam ou Paris você tem que desembolsar alguns bons euros! O National Gallery está definitivamente entre os meus preferidos (e aparentemente entre os da cidade inteira também, porque é um dos que mais lotam!).
Ala dos quadros de Van Gogh... Lotada!!!!
Ala dos quadros de Van Gogh… Lotada! Há uma fila, inconscientemente organizada e respeitada, em que as pessoas se movem devagar, dando espaço às outras para ver as telas.
Uma das coisas que eu mais gosto dele é que as obras estão divididas em intervalos cronológicos, de modo que a gente pode visitar captar as referências que mais foram importantes na arte de cada um dos períodos, e comparar as influências de um artista na obra do outro. É um museu fácil de se perder nele.
National gallery 2
Porque vale a pena:
  • Tem quadros autênticos de Monet, Van Gogh, Renoir, Picasso – e com entrada gratuita.
  • Tem o Room A, com obras raras, e que só abre ao público uma vez ao mês.
  • Porque fica na Trafalgar Square, o coração absoluto de Londres.
Dica: Vá no primeiro domingo do mês ou nas quartas feiras, em que o Room A fica aberto.  Ele abriga vários quadros que fazem parte do acervo do Museu, mas que não ficam expostos sempre – fora que pouquíssima gente sabe da existência dessa sala, de modo que  você pode voltar para casa com a sensação de que é super “insider” :).
Room A 2
Há artistas conhecidos expostos ali também, e quadros especialmente impactantes (como os de guerra).
Obras room A
Bônus: como é um segredo pouco conhecido, em geral é a ala mais vazia do museu (mesmo em um domingo chuvoso ultra mega lotado!).
Room A
Dica 2: se você optar por chegar ao museu no primeiro horário (o mais recomendado), pegue a primeira direita após a entrada principal do museu, que você já sai em frente às telas do Van Gogh e, mais à frente, as de Monet e Manet. É a área que mais enche do museu.

 

Dica 3: O National Gallery fica na Trafalgar Square, coração de Londres, e geralmente é super visitada pelos turistas por conta das várias estátuas de lá (como, por exemplo, o obelisco de Nelson). Mas repare na pilastra do lado esquerdo da entrada da National Gallery (do ponto de vista de quem está olhando de frente para o museu): sobre ela (no momento) tem uma estátua de um esqueleto de um cavalo (e uma história interessante). A tal pilastra foi encomendada para ter, sobre ela, uma estátua de um cavalo de William IV – mas acabou ficando vazia por falta de fundos. Os anos passaram (mais de 100 anos, na verdade) e a Royal Society of Arts decidiu fazer um projeto, em que alguns artistas proporiam trabalhos que ficariam expostos, ao ar livre, para o público – como estátuas temporárias para preencher a pilastra. Então, desde 1999, há sempre uma estátua nova por ali, por um período de meses (ou um ano).

 

Quando eu cheguei, quem ocupava o topo da pilastra era um galo bem azul. Agora, aboletado ali em cima, está um esqueleto de um cavalo, chamado de “gift horse”. O projeto de 2016 será anunciado em breve!
National Gallery horse

 

NATIONAL PORTRAIT GALLERY

Fica bem pertinho do National Gallery, mas mesmo assim é subestimado por muita gente porque é um museu, basicamente, de retratos. Então, quem não conhece a história dos nobres e reis que estão expostos ali acaba pulando a visita. Eu acho interessante ir mesmo assim – e se você é desses que adora história medieval e curte episódios sangrentos do tipo de Game of Thrones, eu recomendo realmente dar uma lida sobre a história da Inglaterra. É uma verdadeira novela, em que todo mundo trai todo mundo, todo mundo tem amantes, filhos escondidos, inimigos mortais, todo mundo mata todo mundo e… bem, o National Portrait Gallery é um museu de retratos mostrando quem era quem nesse rolo todo.

 

Ah, ele enche bem menos que o National Gallery!

 

Tem, inclusive, retratos bem diferentes como essa pintura da Rainha!
Tem, inclusive, retratos bem diferentes como essa pintura da Rainha!

 

Dica de Livro: Se você gosta de histórias de reis e guerras e coisas do tipo e quer indicação de um livro bacana sobre o assunto, eu acabei de ler o History of Britain, do Simon Schama, e super recomendo. É uma trilogia, sendo que o primeiro vai do período antes de Cristo até o final do reinado da Rainha Elizabeth I (esse que eu acabei de ler). A série é tão boa que foi escolhida pela BBC para um documentário, e o livro é bem interessante, contando detalhes de guerra, de reis e de como vivia o povo medieval. Para quem é fã de Game of Thrones, uma sólida vantagem: nesse livro, em níveis de derramamento de sangue e violência, ele equivale a uns 200 casamentos vermelhos só nos primeiros capítulos, e todo mundo é mal, mata e morre de verdade – com a vantagem de, se você ficar tenso com o que vai acontecer, é só dar uma pausa e ir na Wikipedia ler o final…Não precisa esperar a próxima temporada! 😛

 

Dica: Se você for no National Portrait Gallery, procure o retrato de James Scott, Duke de Monmouth. Ele era filho ilegítmo do rei Carlos II da Inglaterra, e tentou uma rebelião para assumir o trono contra o seu tio, Jaime II. Ele perdeu e foi decapitado por traição. O problema é que, depois que ele morreu, se deram conta de que ele ainda não tinha um retrato pintado de si, e que ele precisava ter um, uma vez que era filho de um rei. Por isso, tiveram que costurar de volta sua cabeça a seu corpo, vestir o morto e o colocar em uma posição que permitisse que um retrato fosse pintado às pressas – que está lá, sendo exibido no National Portrait Gallery!

 

VICTORIA & ALBERT

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É o maior museu de artes decorativas, que vai desde objetos de design a roupas, móveis, estátuas, acessórios, coisas de casa, com peças de acervo que vem de vários cantos do mundo.
Porém, é um dos museus que menos me encanta, e isso por um motivo muito pessoal de… sei lá. Acho que preciso que os acervos me emocionem de alguma forma. E os de lá são, verdadeiramente, magníficos… mas acho que não é a minha praia.
Por isso, me perdoem se eu não for muito entusiasta aqui no texto – isso, de forma nenhuma, diminui o valor do museu, um dos mais completos por aqui e está passando, atualmente, por uma renovação carésima e poderosa.
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Ah, vale dizer: é imperdível para quem curte moda. Das poucas vezes que eu vim, uma das alas que mais me achamou a atenção foi a ala de roupas da realeza e uma exposição temporária de alta moda.

 

Em tempo: Quem vai a Londres de 16 de abril de 2016 a 21 de março de 2017 pode ir conferir uma exposição bacaníssima que vai ter lá, chamada “Undressed: Uma breve história das roupas íntimas”, que promete ensaios fantásticos coma  história da lingerie até hoje, incluindo os calçolões da Rainha Vitória até campanhas atuais do David Beckham. Nessa eu vou, fato. 🙂

 

Porque vale a pena:
    • É o maior museu de peças decorativas e de design do mundo. Quem trabalha ou curte essas áreas vai adorar.
    • Tem uma ala bacaníssima de roupas. Foi a parte que mais gostei!
    • Eles estão com um projeto atual chamado “Descubra a Arte Islâmica”, que tem sido organizado por outros pouquíssimos museus no mundo. Considerando que a arte islâmica é linda, a exposição promete!

 

IMPERIAL WAR MUSEUM

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Como jornalista, eu tinha muito interesse em visitar esse museu porque sempre gostei de ler histórias de guerra, embora de certa forma elas também me incomodem bastante. Para quem vem a Londres com tempo restrito, acho que vale a pena vir para cá se você também é um apaixonado por histórias de Guerra, especialmente porque o Imperial War Museum fica meio fora de mão das outras atrações (especialmente para quem está hospedado na margem norte do Tâmisa).

 

O museu é enorme, enche bem e eu não consegui ver tudo ainda – tenho que me programar para ir uma outra vez. Há exposições permanentes de carros, aviões, peças, documentos e milhares de outros tipos de artigos em guerras em que a Inglaterra se envolveu (e cá entre nós, não foram poucas – tanto que há cinco unidades desse museu espalhados pelo Reino Unido), mas forte mesmo é a parte destinada à II Guerra.
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Eu não gosto – e me incomoda, esquisito, né? – ver peças em si como aviões, carros e pedaços de bombas: para mim, é como ver armas que mataram pessoas de verdade sendo exibidas lindamente para serem admiradas. Porém, o forte mesmo do Imperial War Museum, mais do que as peças, são as histórias: ele reúne uma série de documentos que contam histórias de pessoas, soldados ou não, que lutaram e se envolveram na guerra, e volta e meia há novas exibições organizadas sobre o assunto – que, convenhamos, também não faz tanto tempo assim. Uma das exposições são sobre as mulheres que lutaram na Guerra; outra, sobre crianças que foram evacuadas de Londres, antes da cidade ser intensamente bombardeada pelos alemães; das exposições que eu vi, uma mostrava o Afeganistão antes e depois, e o que estava sendo feito para tentar reconstruir o país.

 

Em outras palavras: foi meio fora de mão, mas valeu a pena!

 

Porque vale a pena:
  • Tem exposições permanentes de aviões e carros usados em combate,
  • As exibições temporárias são fantásticas: muitas, baseadas em documentos e contam histórias de pessoas que desempenharam um papel importante/marcante na guerra,
  • Para quem gosta de coisas retrô, a loja do shopping vende vários itens de casa e de cozinha (esses, os mais fofos) inspirados nas décadas de 40: chaleirinhas retrô “Onde há chá, há esperança”, bandejas, livros de receita dos tempos da guerra… coisa de aficcionados (mas eu bem teria algumas das coisas ali!) 🙂

 

LONDON MUSEUM

Museum of London
Esse é um destaque que eu acrescentei no post por conta própria por um simples motivo: é o meu museu preferido em Londres e um dos que eu acho mais injustiçados, uma vez que eu quase não o vejo com destaque nas outras recomendações de coisas para se fazer na cidade. De tão pouco conhecido, há quem ache que o Museu de Londres é, na verdade o Museu Britânico, mas eles são completamente diferentes!

 

E indo direto ao ponto – porque eu acho que ele é fantástico e que vale a pena a visita:

 

    • Ele é pouco conhecido: o que significa que vai estar bem menos lotado que todos os outros grandes museus da cidade, e pode ser visitado a qualquer hora.
    • Ele é todo reorganizado de forma cronológica, contando a história da cidade (e convenhamos que Londres é uma cidade grande e importante, de modo que muito do que aconteceu por aqui ditou a moda do que aconteceria também no resto do mundo). De modo que, se você resolver visitá-lo, só tem um roteiro a ser feito, que é do início antes de Cristo até as Olímpíadas de Londres.  Ter essa sequência cronológica na cabeça dá contexto a muita coisa e ajuda a gente a se situar na história e nos pontos históricos da cidade (e porque não, do país).
    • De forma bem interessante, o acervo é todo montado em histórias, e diferentemente dos outros museus como a Torre de Londres que falam de reis, nobres, batalhas e prisioneiros, o Museu de Londres mostra como era a Londres dos seus habitantes comuns, como viviam e como sofriam. Alas como a que mostra como a Peste Negra atacou a cidade ou como começou o Grande Incêndio de Londres, que arrasou a cidade, dão mais o ponto de vista do cidadão comum do que o dos nobres.
    • O Museu de Londres tem algumas alas interativas interessantes, especialmente na parte “mais recente” da história. Por exemplo, uma seções do museu mostra como era o nível de sujeira e miséria que assombrava o lado leste de Londres no final do século XIX (e cuja miséria foi palco do aparecimento de figuras como Jack, O Estripador). Há também uma ala que mostra uma réplica perfeita de como eram as lojas, ruas, banheiros e serviços típicos da Londres vitoriana.
    • Aqui também recomendo dar uma olhada nos horários em que houver tour guiados ou explicações de monitores. Eu assisti uma, interessantíssima, sobre as mulheres sufragistas que lutaram pelo direito do voto feminino. Um mural detalhado mostra os documentos, emblemas e fotos da época, bem como as torturas que elas passaram. É terrivelmente perturbador perceber que esse tipo de coisa aconteceu há menos de 100 anos atrás, e sob muita violência para chamar a atenção.

 

Espero que aproveitem!!!! 🙂

Comments

14 COMENTÁRIOS

  1. Clarissa, parabéns, adorei o post!
    Sou apaixonada por Londres e por museus e achei excelente o seu trabalho.
    Conheci o blog através do VnV e vou virar freguesa.
    Um grande abraço!

  2. Clarissa, primeira vez aqui no seu blog. Parabéns, realmente, pelo post. Poderia estar em qualquer guia de viagem. Detalhado, completo, com visão pessoal (não apenas um release frio da coisa). Acho ótimo quando quem indica dá opinião pessoal, porque isso ajuda a decidir, mesmo que a gente discorde. Quando apenas se descreve a coisa, fica muito mais em aberto, na minha opinião. É uma das coisas que a internet trouxe que os guias de viagem tradicionais não traziam antes: o “se eu fosse você, faria assim”. Ou, como diria o Ricardo Freire, o “vai por mim”.

  3. Clarissa, estou querendo ler mais sobre viver em Londres! Me indicaria algum canal na internet? Você já fez algum post sobre isso?!
    Obrigada

  4. Excelente compilação! Eu acrescentaria só mais dois: o Geffrye Museum (gratuito) e Hampton Court Palace (pago, longe do centro, mas que vale tanto a pena por toda a história).

    Primeira vez que visito o seu blog e já fiquei fã!

  5. Olá. Adorei o blog e me animei a fazer uma pergunta. No último dia de viagem, estamos planejando ir ao V&A Museum. Estaremos com as malas (3 pessoas) e de lá iremos diretamente para o aeroporto de metrô. Vi no site do museu que é possível deixar malas grandes com o pagamento de taxa (com valor inferior ao de outros serviços de ‘left luggage’). Parece que é algo recente e não encontrei informações de alguém que já tenha utilizado o serviço. Você saberia dizer se há algum limite de quantidade de volumes e de tamanho das malas?

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