Duas curiosidades e histórias rápidas sobre San Gimignano, a simpática cidadezinha toscana que, vira e mexe, está no roteiro de um bom viajante da Itália.

Primeiro: sabe-se que a Itália é famosa por fazer os melhores sorvetes do mundo. E, corre à boca pequena, que o melhor sorvete do mundo mesmo fica na Piazza della Cisterna, em San Gimignano, a principal da cidade.

 E como toda fama merece uma apuração, fomos lá verificar.

Dito e feito: chegando na Piazza de San Gimignano, no calor etíope de julho, nos deparamos com essa sorveteria aí embaixo.

Uma plaquinha informando “Sorvete artesanal: o melhor sorvete do mundo” dá as boas vindas.

Primeira avaliação: variedade, boa. Preço, esperado. Opções, interessantes – além dos tradicionais café, amarena, chocolate negro e coco, havia sabores como “Rafaello” – aquele chocolate delicioso, primo do Ferrero Rocher, que vem na embalagem branca e vermelha e todo salpicado de coco ralado.

Pedimos, pagamos. Primeiro pedaço, segundo pedaço, terceiro goela abaixo e nada da gente sentir o tal sabor do maior sucesso sorveteiro do planeta. Ruim, não era. Melhor do melhor do melhor do mundo, também não.

E quando a gente sai dali é que repara na fila de pessoas na loja quase à frente…

 E – pegadinha do malandro – esta sim é a famosa Gelateria dell Piazza, a tal do melhor sorvete. O criador das receitas, Sergio Dondoli (seria um parente distante dos “Donda”?), para assegurar a qualidade do seu sorvete – e, de quebra, mostrar “provas” de que, na verdade, o melhor sorvete do mundo é o dele e não o da placa concorrente – exibe fotos no portal da entrada de sua loja da ocasião em que ele venceu o Ice Cream World Championship in 2006/07 – 2008/09 – com direito a fotos de tietes célebres como o diretor de filmes Franco Zeffirelli, o político britânico Tony Blair, o cantor Andrea Bocelli, o empresário brasileiro Alvaro Garnero e até a Miss India de 1992, Madhu Sapre.

Curiosamente, toda vez que chega um ônibus de turistas, a fila do melhor sorvete do mundo “de mentirinha” lota – até as pessoas irem migrando para a fila do lado.

Tudo bem, colocada logo ali do lado, a propaganda do melhor sorvete do mundo “de mentirinha” é uma bela de uma pegadinha. Mas como você está na Itália e tudo lá é delicioso, o pior que pode acontecer ao cair na pegadinha é acabar tomando dois sorvetes. O que não é, convenhamos, de todo ruim! 😛

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Logo na entrada da cidade, na Via San Giovanni, fica o mórbido Museo della Tortura e da Pena di Morte. A entrada custa 10 a 12 euros, mas há a possibilidade de você pagar e ter direito ainda a entrar no Museu da Inquisição, que fica algumas quadras mais para cima.

O museu exibe todos os artefatos já criados pelo homem com o propósito de infligir e prolongar a dor ao longo dos séculos, com plaquinhas em italiano e inglês explicando os diferentes processos e evoluções das “penas” – muitas técnicas mórbidas eram substituídas por outras mais “avançadas”, o que significava evitar que o pobre coitado morresse rápido.

Morbidez à parte – honestamente não consegui ficar muito tempo no museu – fomos perguntar para uma das pessoas que trabalham no local qual a razão de ter tantos museus do tipo na região (salvo os dois de San Gimignano, ainda há museus em Siena e em Volterra). Sei lá, vai que era ali na região que as perseguição da Inquisição eram mais severas, ou onde aconteciam as execuções, ou…

“Não” – disse a menina – “estes museus foram instalados aqui porque recebemos uma enorme quantidade de turistas americanos que viajam para cá e estas atrações são o principal motivo da vinda deles para San Gimignano. São, de longe, a maioria de nossos visitantes, e concentramos estes museus nestas regiões para atendermos a demanda”.

E eu achando que o povo ia para San Gimignano atrás de sorvetes famosos, ruelas charmosas e campos de girassóis. Curioso, não?

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Comments

2 COMENTÁRIOS

    • Lu, e eu caí direitinho… Mas é aquilo, né? O pior que aconteceu foi tomar dois sorvetes… nem é um problema assim tããão sério…

      Mas vou te falar: o sorvete da “melhor sorveteria de mentirinha” era tão sem graça… 😛

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