Aviso: esse não é um post sobre compras. Quer dizer, não exatamente, assim, de cara. É, digamos assim, um post “pavê” – com todos os trocadilhos infames a que tem direito. E aí o “pra comprar” é depois por sua conta, ok?

Primeiro, deixo claro que só fui a Nova York uma vez, e a trabalho. Logo, não me qualifico o suficiente para falar com propriedade da Grande Maçã – exceto o fato de que ela é de fato grande e, pelo menos quando fui, fria. Quem quiser ajuda para degustá-la com mais tempo e atenção, é só perguntar à Marcie, do blog Abrindo o Bico, a maior autoridade que eu conheço em dicas nova-iorquinas.

Mas qual era o meu trabalho lá? Fazer o que um profissional de marketing de varejo (minha função na época) faz: visitar lojas. O dia todo.

Opa… Tive a impressão de ter ouvido alguns suspiros disfarçados  vindos ali da ala das minhas leitoras consumistas compulsivas.

Mas veja bem, não é um tour de compras nem a busca pelos outlets. Explicando rapidamente o blablablá marketeiro, a proposta era conhecer “in loco” o conceito de “Experience Store”, ou lojas de experiências, que são estabelecimentos onde uma marca procura apresentar o seu universo para os consumidores, através de um ambiente e uma interação agradável e convidativa, e não focada só em vender, vender, vender. Aí, o design e a arquitetura da loja são diferenciados, convidando os olhos a “passear” por elas – fora o perfume no ambiente, a música, produtos para serem manuseados, o atendimento…

Em outras palavras: visitar lojas com um olhar diferente, mais a passeio do que a compras, para aprender o que o povo faz por lá – e que muitas vezes a gente entra tão focada em comprar que nem repara.

Foi um exercício bacana de fazer (e olhe, tem até tours de consultorias de varejo especializadas nisso). E, por ter curtido a idéia, apresento aqui para vocês três das minhas minhas lojas favoritas do meu “relatório”, com apenas as dicas de quem curte experimentar coisas novas. Três que eu recomendo muito a visita.

 

Por um acaso, as três são lojas de criança. Coincidência? Sei lá. Talvez porque ali eu tenha conseguido fotos melhores. Ou porque a questão sensorial era mais forte. Ou porque eu entrei adulta e saí criança (e isso mesmo com meus chefes do lado!) – e sem gastar um centavo para isso. Vá saber…

Dito isto, aproveite a leitura – que, assim como a visita nas lojas, é para guardar o relógio e consumir sem moderação.

 

Observação: Este não é um publieditorial. Ninguém me pagou neca de catibiriba para eu indicar essas lojas especificamente. Não ganhei nadica de nada por isso, só estou contando porque eu gostei mesmo. Pronto, falei. 

 

Fao Schwartz

 

A loja de brinquedos dos nossos sonhos. São três andares que conseguem fazer o adulto mais convicto voltar ao seu tempo de pirralho em alguns minutos.

O bacana é que a Fao Schwartz é toda dividida em setores – o chamado “store in store” – ou seja, como se fossem várias mini lojas dentro de outra loja. E nisso você vai circulando com o seu filhote de um setor a outro, experimentando, tocando, brincando com cada produto. Cada área é um mundo diferente de possibilidades e brincadeiras. Um exemplo é um setor de brinquedos do tipo “faça você mesmo”, com forminhas de gesso e pintura. A criança senta na mesa (sempre na presença de um instrutor e dos pais, que frequentemente se juntam à brincadeira) e pode ali mesmo moldar e pintar seu próprio brinquedo de gesso, no tempo que quiser – e a obra-prima ainda fica exposta. Um barato!

Mas o que tirava a gente (nós, adultos) do sério, eram as áreas dos brinquedos do nosso tempo. Uma delícia!

 

Na parte do Lego, por exemplo, cada gôndola mostrava um boneco em tamanho natural, todo montado com as famosas pecinhas. Dispostos nas gôndolas ao lado, jogos de montar com todas as temáticas possíveis: Star Wars, Piratas do Caribe, Harry Poter, Batman & Robin, Toy Story, Senhor dos Anéis…

Não sei vocês, mas eu já era alucinada pela marca desde pirralha, e isso porque só tinha na minha época o Lego de montar casinhas e olhe lá, em que o máximo da customização era quando as casas do Lego eram atacadas pelos malignos bonecos do país do Playmobil.  Não preciso dizer que estes foram os metros quadrados mais enlouquecedores de toda a loja…

Boneco todo montado de Lego em tamanho real.

 

No mesmo andar, tem o “The Big Piano”, onde a criançada (e os adultos também) podem percorrer as teclas, que vão emitindo as notas. Daí, a brincadeira é tentar tocar uma música com os seus passos – ou se contentar em assistir os “dançarinos do piano”, que “tocam” música enquanto dançam, e que sempre estão por lá fazendo suas performances aos sábados e domingos.

Tocando direitinho ou não, vale a brincadeira!

Qualquer semelhança com o piano do filme “Quero ser Grande”, de Tom Hanks, não é mera coincidência…

Pertinho do piano, tem a área da Barbie. Sim, meninas: uma área toda rosa, toda menininha, com todos os frufrus a que temos direito!

Direito que inclui até mesmo um “Desfile das Barbies”! Com música, som, holofotes e roupinhas – que são trocadas de acordo com a “coleção”, lógico!

 E mães e filhas enlouquecidas do lado de cá do vidro…

Um “mini-desfile” da Barbie, com modelitos, holofotes e trilha sonora. Com direito a célebre rodadinha no meio da passarela e tudo!

Tinha ainda à venda (por módicos 3 mil dólares) uma mesa de totó (ou pembolim, dependendo de que região do Brasil você é…) só de Barbies! Toda rosa, ló-gi-co!

Tudo bem, confesso que não sou tão “pink-addicted” assim, mas convenhamos: jogar numa mesa dessa, “cazamigas”, no encontro da galera no fim de semana não ia ser o máximo??? No melhor estilo “Luluzinha’s Club”?  Eu adoraria!

Com a vantagem de que os meninos nunca iriam monopolizar a mesa. We rule the world!

Me digam, meninas: se a gente comprasse essa mesa de totó/pembolim, não é verdade que a gente nunca ia precisar brigar para dividí-las com os meninos? E nós não seríamos craques, phynas e lindas jogando com ela? Visualiza!

Mais ao lado, a Newborn Nursery, cujo espaço imita uma maternidade, onde as menininhas podem “escolher” o seu bebê – e não parecem mesmo de verdade?

Brinquedos da área da Newborn Nursery que imitavam uma maternidade. Com a diferença que, desses nenéns, você só troca a fralda se quiser!

E uma informação estratégica: A Fao Schwartz fica pertinho da Apple Store, a famosíssima da Quinta Avenida. Ou seja, se for o caso, você “estaciona” o seu marido ou namorado por lá, vai na Fao com as crianças (ou sozinha, que também é bem legal! 🙂 ) e depois volta para buscá-lo. Prático, não?

 

 

 Disney Store

 

Se a Disney já é por definição um mundo encantado das crianças, a sua loja oficial não poderia ser diferente. Desde a entrada já percebemos que estamos num mundo à parte, com som ambiente tocando músicas dos filmes, luz e muitos, muitos personagens. Do jeito e tamanho que quiser.

Não sei vocês, mas tive a impressão de ir retrocedendo no tempo a cada passo que eu dava…

A Loja da Disney é um sonho. Repare nas “àrvores”, todas recortadas: a decoração temática é feita um projetor, onde elas funcionam como uma espécie de tela. Basta projetar um filme diferente de tempos em tempos, e você terá ávores congeladas, com neve, com folhas caindo , cheias de esquilos ou de flores. Uma excelente sacada!

São várias lojas em todo o mundo, mas a decoração e a temática é a mesma: deixar a criança mergulhar no mundo Disney. Então, volta e meia a loja oferece eventos, de modo que vale a pena, para pais e mães, deixar o pimpolho lá para assistir desenhos, desenhar, pintar e ou ouvir os animadores contarem histórias. Toda as lojas tem uma área especial para isso – que acomodam os pais cansados, também. 😉

Nesta área acontecem leituras, atividades interativas, visita de personagens e filminhos para a criançada.

Agora, vou confessar: o que eu achei mais apaixonante foi a grande sacada do “Espelho Mágico”. Como é a regra nas lojas com o conceito de experiência, as meninas podem sair escolhendo os itens como fantasias e acessórios da sua princesa favorita e vestí-las ali mesmo.

O que é uma grande sacação de marketing. Imagina sua filhinha, lindíssima, fofamente vestida de Cinderela, fitando você com aqueles olhinhos úmidos e suplicantes onde lê-se “Leva, mamãe, por favor”… E agora, você vai dizer “não” e vai mandar a criança tirar a roupa e devolver no cabide? Duvido!

Então, a menininha vestida (ou com o item de uma princesa qualquer) se aproxima do Espelho Mágico, que é estrategicamente feito para a altura dela. ..

Uma menininha chega até o “espelho mágico”: supondo que ela pode estar com um acessório ou ainda experimentando um vestido de uma princesa.

Então, um sensor instalado em uma das “jóias” do “Espelho” (o coração escuro, ali na foto abaixo), “capta” o código que existe na etiqueta de todas as roupas e acessórios da loja, e que informa de qual princesa aquele item pertence. E de repente…

Plim, plim, plim, plim….

O sensor reconhece de qual princesa é aquele vestido e, como num passe de mágica, mostra uma parte do filme da princesa escolhida, para emocionar a menina, convencer os pais, para no final todos eles (mais o vestido, claro!) viverem juntos e felizes para sempre.

Impossível a menina não se apaixonar ao ver, ali no Espelho que reflete sua própria imagem, a de sua princesa preferida. Quase certo dos pais fazerem o mesmo. E a compra, aí, é consequência…

Em tempo: a blogueira aqui, após presenciar a primeira criança brincar com o “Espelho Mágico”, passou a seguir sorrateiramente todas as crianças na loja para ver qual a que iria até lá, qual a princesa que ia aparecer e como seria a reação. Antes que fosse presa por comportamento suspeito, a blogueira cai em si e resolve tomar uma atitude madura, adulta e condizente com o que se espera de sua faixa etária: deixa as crianças para lá, assume seu lado infantil e monopoliza o Espelho mostrando todos os códigos dos produtos que via pela frente, assistindo, maravilhada, a cada uma das princesas surgir no espelho.

Em tempo (parte dois): Passado este momento epifânico, a blogueira que vos fala não definiu ainda qual princesa ela seria… Mas confessa – secretamente – que a peruca da Rapunzel  até que lhe caiu bem… 

 

American Girl’s Place

 

Aviso: cuidado com esta loja se você tiver filhas pequenas.

Um verdadeiro templo para o consumo infantil em três andares, onde tudo é customizável. Na American Girl’s Place, tudo começa com uma simples bonequinha, que é vendida no primeiro andar a módicos 100 Obamas (US$ 100,00). Uma vitrine mostra todas as opções de bonecas com os mais variados tipos físicos possíveis: pele clara ou escura, loiras, morenas, ruivas, diferentes cores de olhos e tipos de cabelo, e a menininha escolhe a que for mais do seu gosto – ou a que pareça mais fisicamente com ela; afinal, a bonequinha é sua “filha”, não?

Importante dizer: a boneca vem com uma roupinha bem básica, como na foto.

Mostruário da American Girl’s Place: Morenas, loiras, ruivas, negras – tem boneca para todos os gostos!

Pronto. A brincadeira começou.

Mas especificamente nos corredores ao lado, onde há gôndolas e gôndolas com todo o tipo de roupas – para a boneca. Pijamas, roupas de festa, de sair, de piquenique, de praia, roupas para o frio, para o verão, roupas e acessórios de um tudo que você imaginar – para a boneca.

Ah, e para a “mãe” da boneca (no caso, a sua filha), ficar feliz e poder sair igualzinha à boneca, as roupinhas também vem no tamanho maior. Exatamente iguais.

A idéia é montar o guarda roupa da menina e da boneca juntas. Por isso, as roupas são sempre dispostas para os dois tamanhos.

Sim, todas – eu disse, todas – as roupinhas da loja (que não é pequena) são oferecidas nos dois tamanhos, para a boneca e menina, lindas e exatamente iguais. Uma fofura só, para nossa alegria e ruína econômica.

Roupinhas exatamente iguais, e de todos os tipos, para a menina e para a boneca. Para deixar as meninas doidas (e os pais falidos!)

Fora, claro, os acessórios: camas, cadeiras, armários, jogos de mesa, carrinhos para passear… Além dos pets, é claro: há toda uma seção totalmente dedicada a cachorrinhos, cavalinhos, gatinhos e etc. A avó da boneca (vulga mãe da criança e portadora do cartão de crédito) pode comprar o bichinho e se deparar imediatamente com a igual imensidão de acessórios também para o animal: estábulos, coleiras, casinhas… Tudo à venda, claro.

E isso é só o primeiro andar.

Por no segundo ficam os serviços – e a experiência de ser “mãe” de uma boneca. Uma sala com um hospital de bonecas (com estetoscópio e uma atendente vestida de branco), um veterinário e um Doll Hair Salon, um  salão de beleza – não para sua filha, mas para a boneca. E na frente, uma fila enorme de menininhas, “mini-mães”, segurando com delicadeza suas “filhas” e aguardando pacientemente enquanto três cabeleireiras (de verdade!) faziam escovas e penteados (de verdade!) nas bonecas – estas, devidamente acomodadas em cadeiras de cabeleireiro e paramentadas com aventais e grampos. Com preços variando entre 1 e 25 dólares para cada serviço. 

E vendo a fila cheia, a gente fica se perguntando onde está a crise americana…

Ah, mas tem ainda o bistrô…

Restaurante (de verdade) que serve comida para a mãe, a filha e a boneca. Sim, é preciso reservar. E, claro, todas pagam.

Que é para a menininha e a boneca, claro. Só funciona mediante reservas (que lotam, diga-se de passagem), que podem ser feitas em horários específicos: 9:30 (café da manhã), 11:00, 12:30 e 14:30 (almoço), 16:00 (chá da tarde) e 5:30 e 7:30 (jantar).  Aí a mesa é servida exatamente para a quantidade de convidados (adultos, crianças e bonecas). Com cadeiras, talheres e pratos especiais para cada tamanho.

Nada parecido com o chá de bonecas que nós meninas fazíamos em nossa época…

 Pausa para um pensamento rápido: deixando de lado eventuais críticas a um exagero ou ao puro estímulo ao consumo infantil, é no mínimo interessante observar o comportamento das crianças (e consequentemente dos pais) quando chegam por lá: vão do puro frenesi infantil encantadas com suas bonecas quanto a uma pose quase adulta, imitando uma mãe zelosa com sua filhinha.

E se o mais interessante de se viajar é observar as pessoas e seus comportamentos, taí uma ocasião e tanto. 

Ah, importante: caso a sua filha, ou a boneca dela, comemore um aniversário, a decoração da mesa é diferente, e a convidada pode chamar suas amiguinhas (com as respectivas bonecas), para participar.

Neste caso, o cartão de aniversário aí é para celebrar o aniversário da boneca! Detalhe para a delicadeza da arrumação da mesa!

Mas não se preocupem: não existe a possibilidade de nenhuma das amiguinhas da sua filha se sentir deslocada. Caso uma das amiguinhas não tenha uma boneca da American Girl`s Place para chamar de sua, a “mãe-mór”, anfitriã e pagadora dos frufrus, pode “alugar” uma bonequinha para o tempo de duração do almoço – e assim todas as amiguinhas da filha terem sua respectiva boneca para amar e cuidar (ao menos durante a festinha).

 

Uma bancada cheia de “amiguinhas postiças” para alugar, caso as amiguinhas da sua filha sintam falta de uma bonequinha para cuidar!

E aí você estará contribuindo para arrastar mais uma menininha para o consumismo irrefreado de bonecas e seus acessórios. Os pais dela agradecerão pelo jantar e pelo prenúncio da falência vindoura. 

Mas o que importa? As crianças estão felizes, ué.

Afinal, viajantes que somos, a gente já tinha que estar meio que acostumado a uma das verdades de gente grande  que viaja o mundo: que a qualidade da experiência é diretamente proporcional ao tamanho do Empire State Building que será a sua conta do cartão quando chegar.

Mas, como eu avisei lá em cima, tais dicas de loja são só para visitar e conhecer. Ponto. Se você resolver comprar aos montes, vá em frente –  mas aí já é contigo e eu não tenho nada a ver com isso.

Embora a economia americana agradeça. So much.

 

Comments

5 COMENTÁRIOS

  1. Clarissa adorei a matéria, já fui a NY inúmeras e realmente posso assinar embaixo o que você falou sobre essas lojas, elas realmente são o máximo, uma experiência única.
    No meu blog vc vai encontrar várias coisas legais sobre NY.

    Um bj,

    Simone

  2. Muito jóia este “mergulho” pelas lojas sem o foco do consumo, só pela experiencia mesmo. Se a gente que é adulto já fica maravilhado, imagina a criançada então! Destas 3 fomos apenas na Disney Store quando estivemos por lá, e me arrependo de não ter ido na Fao Schwartz. Fica para a próxima!

  3. Certeza que eu ia ficar louquinha em qualquer uma dessas lojas para “MENINAS” da big apple. E a Martina iria amar… milhoes de coisas para se entreter.
    Mãe consumista, filha bagunceira… risos
    Quero muito ir fazer compras lá. Perdição 🙂

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