Egito: 24 coisas que você precisa conhecer quando for lá (de 1 a 8)
Tive o privilégio de passar 17 dias pelo país, percorrendo de cabo a rabo, leste a oeste, norte a sul das terras dos faraós. Vi templos de encher os olhos, templos que não dei a mínima, peguei um calor infernal, passei um frio do cão, fiz o passeio turistão com excursão e também saí sozinha e sem guia, pelo país…
Todas as opções possíveis para uma viajante apaixonada por um país tão interessante como esse!
Para minha surpresa, alguns dos destinos que eu mais esperava me encantar, não me tocaram tanto como eu imaginava. Outros, que eu não esperava muita coisa, foram de encher os olhos e tirar as palavras da boca…
Então, a pedidos e com muito atraso, faço a minha lista pessoal de dicas e sugestões de passeios, locais e experiências que tive no Egito, e que realmente valeram a pena. Mesmo. Algumas foram sugestões de revistas e guias de turismo em que assino embaixo. Outros entraram na listinha por minhas próprias adições especiais do tipo “vim, vi, curti”.
A ordem das dicas é totalmente aleatória, e não necessariamente obedece a uma ordem do tipo “do melhor para o pior”.
Dito isto, deixo com vocês a primeira parte das minhas dicas “Must go, must do, must see” das terras faraônicas…
Quer ver o restante da lista? Aqui estão os links para a parte dois e três da série!
1) Abu Simbel
Templo construído por Ramsés II, o mais poderoso faraó do Egito Antigo. Diferente do propósito dos outros templos, que eram construídos em honra a um deus, este colosso fantástico foi criado como uma simples e pura demonstração de força e poder a seus inimigos (este templo fica no sul do Egito, próximo à divisa do Sudão que, naqueles tempos antigos, correspondia à antiga Núbia). Conseguiu. Ainda hoje é impossível não se impressionar com a beleza descomunal e imponente das estátuas de Ramsés (sim, as quatro são deles). O que faz a viagem de 3 horas de ônibus de Aswan até lá valer a pena – de todos os templos do Egito, é o mais impressionante, com uma majestade cujos “oohhs” chegam a rivalizar com os das Pirâmides.
Para chegar até lá é preciso sair de Aswan, e as opções podem ser por terra (é possível agendar ônibus de turistas em qualquer hotel da cidade. A viagem dura 3 horas) ou avião (teco-teco, para os íntimos. 40 minutos a 1 hora de deslocamento).
2) Passeio de Fellucca pelo Rio Nilo
Existem vários passeios saindo de Aswan pelo Nilo, e você ainda pode escolher se prefere simplesmente dar uma voltinha na fellucca (veleiro próprio deles) ou subir de Aswan até Luxor de cruzeiro. Ok, o cruzeiro é bastante interessante e o conforto é maior, mas não dispense algumas horinhas de puro deleite à bordo de uma fellucca. E isso não é só por causa da brisa deliciosa, do balanço aconchegante do rio ou do barulho dos pássaros.
Ah, sim , também é possível fazer o mesmo passeio de Aswan a Luxor de fellucca. O conforto não é lá essas coisas (especialmente em relação a banheiro) mas assistir o pôr e o nascer do sol de lá é inexplicável!
A fellucca era o meio principal de transporte dos egípcios antigos. Isso porque o Nilo é duplamente navegável. O vento geralmente vem do norte para o sul do país, de modo que se os egípcios quisessem ir ao interior do país era só içar as velas. Se quisessem ir à costa, bastava deixar o barco seguir a corrente das águas.
Então, mergulhe na história, conheça as superstições a respeito desse passeio aqui e relaxe.
3) Aswan
É desta cidadezinha ao sul do Egito que normalmente os tours começam a sua jornada pelo país. Ela é a cidade base para visitar Abu Simbel, o antigo mercado Núbio, o Museu Núbio, o
templo de Philae e partir Nilo acima até Luxor.
Para chegar lá: Aventure-se num trem, em cansativas 12 horas de viagem, ou chegue rapidinho de avião. A Egyptian Air tem vôos diários e a preços honestos para lá.
Pelo número de lugares que tem para se conhecer, vale a pena reservar 2 dias para a cidade. E aproveite para passear pelas suas ruazinhas, visitar uma feira de temperos (programa super interessante), comer uma pizza egípcia ou caminhar pelo canal que rodeia o Nilo, prestando atenção na riqueza dos minaretes e mesquitas ao redor.
4) Biblioteca Alexandrina
Inaugurada em 2002 por uma iniciativa do governo egípcio em parceria com a UNESCO, tinha como principal objetivo ser um dos principais centros de conhecimento do mundo, assim como foi a biblioteca original, fundada no século III A.C. e completamente destruída no século IV D.C por representar o centro do conhecimento pagão.
A atual é impressionante, uma jóia de arquitetura em meio a Alexandria de hoje. Projetada por arquitetos noruegueses, ela reúne num lugar só Biblioteca, museu, planetário, laboratórios, salas e mais de 200 salas de pesquisa. O destaque vai para o acervo digital, que reúne obras raras, manuscritos, publicações.
É preciso guardar bolsas no guarda volumes, mas não é proibido tirar fotos. Ainda bem.
5) Chás
Sem o tradicional café ou bebidas alcóolicas, o chá é a bebida de todas as horas dos egípcios. Não raro é possível flagrar alguém com uma bandejinha e xícaras de chá andando calmamente pela rua (rua, rua mesmo), entregando a tal bebida dos deuses a motoristas.
Ou, ainda, ser servido em uma loja. Ou, inclusive, em pleno deserto.
Aproveite a experiência. Experimente o chá de hibiscus, que pode ser servido quente ou frio (ambos são deliciosos!) e ainda possui antioxidantes e propriedades relaxantes – e a cor é linda. Tente ainda o chá beduíno, servido principalmente nos oásis e na península do Sinai. Vai muito bem com os doces egípcios e para quem curte, pode acompanhar o narquilé (dica: experimente com maçã verde!).
Mais dicas de harmonizações deliciosas de chá e comida aqui!
6) Siwa Oasis
Divide com a cidade de
Dahab o posto de lugar que eu definitivamente voltaria para ficar mais tempo. Fica quase na divisa com a
Líbia e é bem difícil de chegar (exige uma viagem de 10 horas de carro saindo de
Alexandria ou 8 horas saindo do oásis de
Bahariya). Toda essa dificuldade logística, porém, acabou por trazer várias vantagens à cidade. A principal é o fato deste oásis não ter entrado na rota turística convencional do Egito, de modo que ainda existe lugares possíveis de ser curtidos com calma, e principalmente, sem o assédio comum que os visitantes sofrem no Cairo ou em Luxor.
Em Siwa tudo é muito calmo e simpático. Enquanto os outros oásis do assim chamado Western Desert (Farafra, Dahkla, Bahariya) mais passavam a impressão de comunidades pobres salpicadas pelo deserto, Siwa tem o típico astral do que eu sempre esperei de um oásis: um horizonte vasto de palmeiras contrastando com o sempre amarelo do deserto. Nascentes de água, ora cristalinas, ora verdes, chamam visitantes famosos ao longo dos séculos (a piscina da imagem ali em cima é chamada “Cleopatra’s Bath”, ou banheira de Cleópatra, uma vez que a dita cuja costumava frequentar e se banhar em suas viagens ao local.
Sim, é possível mergulhar lá também e pegar as vibes positivas da famosa rainha. Mas de roupa. Nada de biquínis, sungas ou trajes sumários numa região muçulmana e altamente tradicional.
Além disso, até mesmo devido a lonjura do recanto, o comércio foi obrigado a se desenvolver localmente. Então, foi um dos poucos lugares em que eu vi artesanato de qualidade, diferente e realmente regional, diferente do mundo de “made in China” que eu encontrava Egito afora.
Quanto tempo passar? Mínimo de 2 dias (eu fiquei esse tempo e ficaria mais se pudesse), sem medo de ser feliz ou ficar entediado. É possível alugar a bicicleta e pedalar pelas palmeiras, ir até as lagoas termais, chegar pedalando e se perder na Banheira de Cleópatra, ou seguir até o Oráculo, uma construção antiga em que viviam sábios considerados oráculos nos tempos antigos – inclusive, foi lá uma das últimas visitas de Alexandre O Grande, que atravessou o deserto para se consultar com um dos sábios de então e morreu no caminho de volta.
Fica a pergunta: será que contaram alguma coisa para ele?
E, não deixe, não deixe mesmo, de fazer o
passeio de 4×4 no chamado “Great Sand Sea” – que nada mais é do que o verdadeiro deserto do Saara, aquele que povoa sua imaginação desde criancinha. Dunas gigantescas, ventos, areia fininha que parece engolir os pés, mas que proporcionam um dos maiores visuais do mundo.
Isso, ah, isso sem falar do pôr do sol e dos banhos nos lagos termais escondidos deserto adentro. Uma experiência para levar para a vida é um mergulho à noite (a perfeita harmonização de frio desértico, vento gelado, água quente e céu estupidamente estrelado!).
E a comida – oohhh! – fenomenal! Recomendo Abdi, um simpático restaurante na rua principal da cidade. Experimente de tudo, sem medo: a pizza egípcia (vem com recheio e cobertura, assada na hora. A melhor que comi no país!), falafels, sucos de tâmaras, sopas, pão árabe feito na hora com mel e queijo de cabra… Nosso grupo (13 pessoas) comeu lá todos os dias, as três refeições, sempre experimentando pratos diferentes, e não teve absolutamente nenhum que ninguém não tenha adorado.
Esta foi, sem dúvida, a grande surpresa do Egito. E acho que a razão está nas expectativas: porque, bem ou mal, sempre víamos fotos dos tenplos e múmias do Egito, então ao visitá-los sabemos mais ou menos o que esperar. Porém, 2 dias no meio do deserto foi realmente de quebrar paradigmas.
7) The Great Sand Sea
Sem frescuras nem pieguices ou clichês, é daqueles lugares que você pára e pensa em como a natureza é grandiosa. Compreende uma parte do Western Desert (que por sua vez, compreende uma parte do Saara) próximo à cidade de Siwa, ali do ladinho da Líbia. Definitivamente, representa tudo o que uma vez sonhamos e vimos do que era o Saara. Dunas gigantescas de areias finíssimas escondem lagos termais decorados por palmeiras. Divino. Um espetáculo para a vida.
8 ) Múmias e Museus
Não se preocupem, vocês vão vê-las. Provavelmente não poderão fotografá-las (essa foi em um momento escondido), mas elas estarão em tudo quanto é lugar. Ir para o Egito e não ver uma múmia é como ir à Disney e não ver o Mickey.
Vale lembrar, claro, que as múmias mais importantes, e algumas em mais perfeito estado de conservação, estão na sala das múmias do
Museu do Cairo. A entrada é paga a parte, mas lá você chega pertinho dos restos do que sobrou de faraós como o Ramsés II, Hatsepshut, entre outros.
O que é legal, se você curte história. E se não – bem, o que está fazendo aqui?
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Wow!! Vou Fazer as malas. Muito bacana!
Oi Clarissa,
Acho que o Egito é um dos lugares que tenho mais vontade de conhecer. Vou guardar sua série de posts para minha viagem.
Beijos
Boa tarde Clarissa! Tudo bem? Entre tantos lugares no mundo que ainda desejo conhecer, com certeza o Egito esta no topo da minha lista. Achei muito bacana seu post, e de grande ajuda, por esta razão lhe escrevo.
Vou a Italia no próximo ano, passarei aproximadamente 07 dias por la e gostaria de ficar 04 dias no Egito, pois não disponho de muito tempo e grana, então gostaria de saber o que você sugere fazer em apenas 04 dias, porém se suas recomendaçoes levarem 05 dias ainda da para forçar um pouquinho.
Desde ja agradeço sua atenção e mais uma vez parabens.
Pablo
Olá, Pablo!
Então… o Egito é muito rico e interessante para se ficar só quatro dias, de modo que, se você quiser realmente otimizar esse tempo, vai fazer o típico programa de turista: visita ao Museu do Cairo, às Pirâmides, aos mercados do Cairo… Todos estes lugares são bacanas, mas ao mesmo tempo infestados de gente vendendo coisas, pedindo dinheiro, assediando os turistas (sim, eles realmente são muito chatos), o que pode deixar a experiência um pouco desagradável. Mas veja bem, estou dizendo isso porque acho que você deve ir sim, mas preparado para esse “assédio”.
E vamos lá: Cairo é interessante porque é perto do aeroporto e dá para você ver alguns dos principais pontos por lá: as Pirâmides, o Museu do Cairo, e o Bazar Khan el Khalili. Eu acho que em dois dias você ve tudo isso, com calma (evite pegar os horários com mais turistas. Chegue bem cedinho!). No Cairo tem também as mesquitas muçulmanas, vários restaurantes, mas honestamente achei o trânsito de lá bem caótico, o que tira um pouco o brilho da coisa.
Outra pedida é pegar um avião e passar os outros dois a três dias em Aswan (tempo suficiente para visitar o templo de Abu Simbel, o mais impressionante do Egito, conhecer a Ilha de Philae e passear de felluca pelo Nilo. Nessa cidade o assédio dos taxistas é (um pouco) menor, e a comida, maravilhosa.
Ou, pegue um avião e passe os dois dias em Dahab, no mar vermelho, para mergulhar (é o melhor ponto de mergulho do mundo). Eu voltaria ao Egito só para fazer esse passeio de novo!
Enfim, 4 a 5 dias é pouquinho, mas dessa forma você consegue ver um pouco do Egito mesmo, e não só os pontos mais batidos…
Espero que tenha ajudado!
Mas se você quiser um programa bem diferente (e particularmente, eu adorei!) pegue um avião e vá para Daha
oi adorei seu texto muito bom eu faço facu de história e amo o Egito em fevereiro talvez eu va para lá e através de vc ja conheço mais um pouquinho do posso visitar bjs
Ahhhh, já coloquei o post nos meus favoritos.
Meu sonho de infância conhecer o Egito!