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Clarissa Donda

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Sou jornalista e escritora. Eu criei esse blog como um hobby: a idéia era escrever sobre minhas viagens para não morrer de tédio durante a recuperação de um acidente de carro. Acabou que tanto o blog quanto as viagens mudaram a minha vida (várias vezes, aliás). Por isso, hoje eu escrevo para ajudar outras pessoas a encontrarem as viagens que vão inspirar elas também.

4 dicas para alugar carro em Porto, Portugal

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A sabedoria popular diz que se beber, não dirija. Só que na prática não tem jeito – é preciso alugar carro em Porto, se você quiser visitar por conta própria as vinícolas da Rota do Vinho Verde em Portugal.

Eu aluguei um carro  em outubro de 2016 para fazer a viagem pela região do Minho, com direito a um desvio delicioso pela região do Rio Douro. Como a ideia era seguir exatamente o roteiro que um viajante vindo do Brasil faria, eu optei por marcar a retirada e devolução do carro no aeroporto do Porto, o Sá Carneiro (OPO). Daí eu fui anotando tudo o que deu certo (e o que poderia ter sido melhor) na viagem: isso inclui dicas em relação ao aluguel em si, dicas sobre as estradas, os pedágios, tudo.

Segue, então, o meu compilado de dicas! 😉

Dicas principais do post (para quem não quer perder tempo):

Dica 1: Escolha a locadora mais conveniente

Dá para alugar no momento do balcão, mas reservar pela internet é mais garantido, especialmente na alta remporada. Eu optei por reservar pela RentalCars, porque queria testar o serviço de reserva via internet – especialmente a pesquisa de preços e como seria a entrega do carro. Acabei contratando o aluguel de um Fiat Panda econômico, condutor extra e GPS, de uma locadora chamada Interrent.

O que eu teria feito diferente:

  • Procurado locadoras que tenham balcões dentro do aeroporto Sá Carneiro, o aeroporto da cidade do Porto. Eu digo isso porque a Interrent, locadora que eu escolhi por causa da oferta de preço de um carro, era meio complicadinha de encontrar e isso nos atrasou bonito no primeiro dia. Tínhamos combinado de pegar o carro às 10 horas da manhã (queríamos já pegar a estrada para Melgaço porque tínhamos compromissos no início da tarde) e a locadora informou que haveria alguém nos esperando na área de desembarque para nos levar ao local de retirada do carro. Pois não havia – o aeroporto estava vazio, inclusive. E depois de perder 40 minutos tentando encontrar alguém, ligar para o telefone de contato e nada, apareceu um gajo numa van para nos levar, com a cara mais limpa do mundo dizendo que estava lá o tempo todo. O mesmo aconteceu na hora da volta: nosso horário de devolução era às 20 horas, e a sinalização é terrível para chegar ao estacionamento deles de noite (o GPS tampouco ajudou). Ok, pode ter sido um contratempo contornável, mas não precisava disso, né?

Locadoras com balcão dentro do aeroporto: Europcar, Sixt, Hertz, Avis Budget

Locadoras fora do aeroporto: InterRent (a que eu peguei), Drive on Holidays

  • Teria alugado da RentCars: A RentalCar era parceira do blog na época, e por isso eu queria testar o serviço deles. Na prática, o atendimento deles foi bem certinho, mas depois de ter feito esta viagem que eu conheci a RentCars (o nome é parecido, mas sáo empresas diferentes) e vi que os valores deles eram mais interessantes. Além disso, eles cobram em reais (leia-se, sem iOF) e ainda parcelam. Nota: como eu achei que a proposta deles era bem mais vantajosa para os viajantes, eu preferi transferir a parceria com eles, de modo que se vocês alugarem com a RentCars por aqui, o blog ganha uma comissão sim. Você não paga nada a mais por isso e ainda me ajuda a produzir esse conteúdo legal para vocês.
Comparativo: Para este post, eu acabo de fazer uma pesquisa de aluguel de carro econômico por 7 dias com retirada e devolução no aeroporto do Porto. Pesquisei os mesmos critérios e datas na RentalCars (esquerda) e RentCars (direita). Veja a diferença de preço de dois resultados aleatórios entre os dois sites (repare que a locadora é exatamente a mesma).
  • Não teria me deixado levar por uma oferta: Eu caí numa dessas de optar por uma determinada locadora só porque o preço incluía um condutor adicional, mas no fim das contas isso não valeu tanto a pena – como eu falei acima, a locadora que ofereceu isso era meio distante, demorou para nos encontrar no momento da retirada do veículo (o que nos fez perder um compromisso) e deu um certo trabalhinho ao buscar e devolver o carro.

Além disso, nem sempre a oferta é essa economia toda. Pesquisando agora pela mesmoa oferta de “condutor adicional incluído”, eu achei isso aqui – ao comparar a diferença do mesmo carro pelo mesmo período de tempo, o condutor adicional é adicionado como “promoção”, mas nem sempre é um bom negócio. Valeria mais pagar por ele como extra mesmo, mas numa locadora que seja mais conveniente, e não ir pela empolgação como eu fui.

Esse é um exemplo da tela de aluguel de carros na RentalCars com saída e chegada do Porto, para um período de 8 dias. Na ocasião, eu fiquei seduzida pela oferta do Condutor Adicional Incluído e fui nela. Mesmo não tendo sido este o carro que eu aluguei, ele é um bom exemplo: veja como a diferença de preço é considerável e que a tão oferta do Condutor Adicional não é tão vantajosa assim.

 

Dica 2: Reservando os extras

GPS, condutor adicional, cobrança automática de pedágios: esses são os extras que vale a pena você acrescentar ao aluguel do seu carro, na minha opinião. (O condutor adicional é no caso, claro, de você dividir a direção com alguém – o que eu recomendo muito se você for fazer visitas às vinícolas do vinho verde).

E eu tenho duas dicas importantes sobre esses itens. 🙂

#1. Vale mais a pena reservar o GPS ou o roteador wifi? Ou os dois?

Como foi no meu caso: eu havia reservado inicialmente o GPS, porque nosso roteiro incluía explorar mesmo as ruazinhas e cantinhos de Portugal, e GPS é mais do que necessário. mas ao chegar no balcão eu preferi trocar a reserva e levar apenas roteador portátil, que seria um jeito de matar dois coelhos de uma vez só: eu poderia conectar meu celular via wifi e usar o GPS pelo celular, e também poderia usar no hotel para acessar internet e trabalhar à noite.

Ou mandar selfies via Instagram, como a menina do balcão da locadora me sugeriu. 😛

Foi a melhor coisa. A velocidade da internet do roteador de Wifi portátil era relativamente boa e usar o GPS com ela através do celular foi tranquilo (embora fica mais fácil quando se tem um co-piloto para ajudar na navegação). Não tivemos problema de sinal em nenhum lugar (e olhe que a gente se embrenhou por além de onde Judas perdeu as botas) e houve ocasiões em que o roteador de wifi era melhor que o wifi de alguns hotéis ou restaurantes que visitamos. Recomendo.

Nosso roteador portátil que nos acompanhou durante a viagem…

Só tem um lado chatinho: a bateria do roteador do wifi durava apenas quatro horas, de modo que ela tinha que estar constantemente carregando através do carregador do carro, bem como dos hotéis. Era mais um item para entrar no rodízio dos cabos e a adaptadores de tomada para carregar.

Observação: os sites da RentalCars e da Rentcars dão a opção de alugar o GPS com antecedência e não o roteador, mas dá para alugar o roteador no balcão no momento da retirada. Eu tinha pago pelo GPS pela internet e o que fiz foi trocar na hora – deu certo!

 

#2. Vale a pena alugar o pedágio automático em Portugal?

Tem dois tipos de pedágios nas estradas de Portugal (eles chamam de portagens).

O primeiro é do mesmo tipo que conhecemos no Brasil, com guichês e cancelas. Você pode pegar a fila de carros e pagar nas cabines, ou alugar um sistema de pedágio automático (tipo o nosso Sem Parar) e pegar a via expressa ao lado – a cobrança será feita depois, no seu cartão de crédito.

O nome do sistema de pedágio eletrônico deles se chama Via Verde, e você pode alugar direto na locadora de carros. Muita gente que vem do Brasil prefere economizar e não alugar a maquininha e pagar direto no guichê, em dinheiro – assim, além de não arcar com o custo do extra, também náo paga o iOF do cartão depois.

Só que o meu conselho seria: alugue mesmo assim. Porque o segundo tipo de pedágio é mais chatinho de pagar.

O segundo tipo de pedágio é o SCUT, que funciona como uma cobrança virtual eletrônica de todos os carros que passam numa via. Tipo um radar, mas repare que ele não vai captar apenas quem está acima da velocidade (há radares com essa finalidade também). O SCUT cobra eletrônicamente todos os veículos que passam numa estrada a cada X trecho de quilômetros, e o condutor do veículo precisa ir numa agência de correio em até 5 dias para pagar esse valor.  Senão tem multa, e a multa é feia (e não adianta fugir que ela vai chegar no Brasil para você).

Só que pensa comigo: você está passeando de boa, conhecendo e parando em cada cidadezinha, tomando seu vinho e comendo aquelas delícias portuguesas maravilhosas… e tem que parar tudo para correr numa agência de correio para ver quanto e como precisa pagar? E que se náo pagar em X dias ganha multa? E imagina se você está viajando com um roteiro corrido, de carro, com pouco tempo entre cada ponto (o que era o nosso caso)?

Sei lá, eu sou dessas que não consigo desligar na viagem se tem uma coisa rodando no background do meu computador cerebral me lembrando que eu tenho que fazer. Prefiro fazer logo. Por isso, achei melhor pagar pelo aluguel do Via Verde. Sim, paguei por um IOF a mais, mas eu prefiro fazer isso e ter a paz mental de ter uma coisa a menos para fazer, para cuidar.

Observação: lembro que paguei 8 euros de pedágio, mais alguns centavinhos. Ou seja, é pouco, e não vale ter o estresse de ficar procurando agência de Correios em Portugal só para economizar iOF em valores assim, baixinhos… E tem um app do Via Verde que você pode baixar e controlar em tempo real o valor dos pedágios que você tem que pagar – tem para iPhone e Android.

Então, fica a dica: peça o aparelho do Via Verde na locadora. Isso tinha sido uma dica da atendente da locadora no momento em que eu retirei o carro. Na época eu achei que ela estava me empurrando um extra, mas hoje eu acho que foi um dos bons conselhos que eu recebi.

 

Dica 3: Contrate o seguro e leia as entrelinhas

Em geral as  locadoras oferecem os seguintes seguros:

  • Seguro contra danos, furtos e avarias ao veículo;

  • Seguro contra roubo do veículo (às vezes algumas seguradoras incluem essa proteção no seguro acima).

  • Seguro contra terceiros (cobre danos materiais e pessoais caso você se envolva num acidente com outra pessoa. Atenção: a maioria dos seguros de cartão de crédito não incluem essa cobertura!).

  • Seguro para despesas médicas, assistência e resgates.

O que eu aprendi:

Não confie só no seguro do cartão de crédito: ele não cobre seguros contra danos a terceiros, por exemplo. Também não se contente com os seguros parciais e baratinhos confiando na sorte.

Tanto a Rentalcars como a RentCars oferecem uma proteção total que incluía todos os itens acima – mas será necessário um depósito caução:  No meu caso, eu conferi que a miha reserva pela RentalCars já incluía o seguro total, mas esqueci de ler na confirmação da reserva de que seria necessário um depósito caução de €800 (oitocentos euros) no cartão de crédito no ato da retirada do veículo – esse valor ficaria bloqueado no meu limite até a devolução (em perfeito estado, óbvio) do veículo.

Ou seja, você tem duas opções: concordar com o seguro da RentalCars/Rentcars e se programar para o fato de que precisa ter esse limite disponível no seu cartão ao longo da viagem – ou pagar por um seguro extra na hora, também pelo cartão, no balcão da seguradora. Como eu tinha esquecido totalmente desse detalhe, eu vinha usando o cartão e estava morrendo de nervoso de dar o mico do cartão estourar e tal. 😓

Você pode contratar proteções adicionais direto com a locadora, no ato de retirada do veículo. Essas proteções podem ser proteção pessoal para os integrantes do veículo, taxas para ter anuidades mais baixas, proteção contra pane seca, etc.

O que eu fiz:

Em tempo: não quero dizer que o que eu fiz é o mais indicado, mas achei que podia ser útil explicar.

Como eu já tinha a proteção total da RentalCars (mas tinha esquecido de ler o lance do caução dos 800 euros), fui toda felizinha até o balcão da Interrent buscar o carro e tomei um susto – eu não sabia se teria essa quantia disponível no meu cartão para ser bloqueado, e fiquei com medo de isso inviabilizar o aluguel (fora o fato de que eu já estava atrasada). Foi então que a menina do balcão me ofereceu a proteção adicional que diminuía a franquia.

Era o seguinte: com o seguro da RentalCars, eu teria €800 euros bloqueados no meu cartão de crédito, e caso ficasse envolvida num acidente, a franquia seria de €950 reais – ou seja, os 800 euros seriam debitados e eu teria que pagar o excedente. Porém, no balcão da Interrent eu poderia contratar um seguro por €140 euros, que exigiria apenas que eu bloqueasse €100 no meu cartão, e não teria mais a franquia de €950 em caso de acidente.

Taí o pedaço de papel em que a moça da Interrent me explicava a matemática.

 

A diferença é que, se eu contratasse dessa forma, eu estaria segurada pela Interrent e não pela RentalCars – ou seja, em caso de acidente eu teria que me resolver direto com a locadora.

No fim das contas: meu cartão passou e eu preferi fazer o bloqueio dos €800 euros mesmo, com a RentalCars. Achei que já era um cobertura suficiente e deu tudo certo – o bloqueio foi liberado em seguida à devolução. 🙂

 

Dica 4: Dirigir em Portugal é bom – mas fique com um olho no céu e outro na estrada

Um alerta que eu diria em relação às estradas, especialmente na região do Minho: lá costuma chover muito, mas muito mesmo, nos meses de outubro, novembro, dezembro e fevereiro (minha viagem foi em outubro).

Tipo, chuvas torrenciais. A pista fica super escorregadia. 🌧🚗🌧

Eu aviso isso não para inviabilizar a sua viagem, mas para você ter em mente que é uma boa alocar mais tempo para os seus deslocamentos e dirigir sem pressa. Especialmente se o seu roteiro incluir longas distâncias dirigindo.

E além da chuva, as estradas portuguesas tinham um outro detalhe também…

“Aqui em Portugal, motorista de caminhão é bully”

Essas são palavras da Sara, minha amiga portuguesa que mora em Porto e que me acompanhou na viagem (ela cuida do ótimo blog Portoalities, que recomendo muito a visita!).

A verdade é que se ela náo tivesse avisado, eu não teria percebido de primeira. No geral, as estradas portuguesas são ótimas, os motoristas de outros carros eram educados, tudo sinalizado, paisagens lindíssimas. Tirando os momentos de chuva forte, a gente ia indo num amor só.

Mas aí aparecia um caminhão. E outro, e outro. E de repente, eu que estava só amores com a estrada, tinha um flashback de como era dirigir pela BR 101, no Rio de Janeiro: quem já dirigiu por lá sabe a sensação de ter caminhões colados na sua traseira, em alta velocidade, buzinando, farol na altura do seu espelho retrovisor, forçando passagem pela direita, pela esquerda, por onde der.

Ok, não eram todos os motoristas de caminhão lá que faziam isso – mas a gente só precisa ter a experiência de dirigir com um ou dois caminhoneiros bullies no Brasil para já saber como é, né?

Mas enfim, é só um alerta. Portugal é lindo.  Dirige na sua e não cai na pilha deles, tá?

 


Como nossa viagem para Portugal tinha como objetivo fazer a Rota do Vinho Verde, alugar um carro foi a única alternativa de deslocamento para chegar nas vinícolas premiadas (que eram também as mais escondidas) e encontrar os melhores restaurantes (que ficavam afastados das estradas principais).

Fora que Portugal é um país lindo para se ver da janelinha também! 😍

Se você tiver interesse, por favor dê uma olhada nos posts sobre a Rota do Vinho Verde – estão bem compiladinhos e tenho certeza de que é uma viagem que você vai adorar!

E se você tiver qualquer experiência ou dica sobre alugar o carro em Portugal, por favor deixe aqui nos comentários! 🙂

“Conheci um rapaz do Egito pela internet”: é paixão ou pode ser cilada?

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Eu preciso escrever sobre um assunto que está me incomodando há algum tempo. 😐

É o seguinte: eu tenho uma série de posts sobre o Egito, de quando viajei para lá “sozinha” (eu fui com um grupo, mas passei uma boa parte da viagem andando sozinha também) e volta e meia eu tenho recebido mensagens de leitoras que encontraram meus posts na internet e me pediam ajuda.

Elas começam perguntando o que eu achei do país. Só que, em seguida, surge este tipo de comentário…

Eu pergunto isso porque comecei a namorar um rapaz de lá pela internet e estou pensando em viajar para conhecê-lo…”

Mil sirenes vermelhas começam a gritar na minha cabeça quando eu leio isso. E eu sempre respondia individualmente as leitoras que me procuravam.

Só antes, era um ou outro email. Mas desde janeiro deste ano para cá a frequência aumentou, e eu tenho recebido essa mesma pergunta várias vezes, de mulheres diferentes. E antes que me perguntem, são todas leitoras genuínas, mulheres de verdade, não vi nenhum perfil fake nisso aí.

Todas relatam o mesmíssimo discurso, com pouquíssimas variações:

“Conheci ele na internet e estamos nos correspondendo há algum tempo…”

“Estamos namorando e ele tem falado de casamento…”

“Ele quer me apresentar a família dele, disse que vai cuidar de mim..”

“Ele me disse para viajar para lá para nós nos conhecermos, eu estou pensando em ir mas me sinto muito insegura porque não conheço nada do Egito…”

O que sempre me incomodava, porém, era o fato de que, em TODOS OS CASOS os rapazes em questão afirmavam que não poderiam viajar ao Brasil por N motivos, e insistiam que ELAS é que fossem até o Egito.

E todas elas pensavam seriamente em ir – e invariavelmente sozinhas.

É neste momento em que eu as conhecia: em geral, essas leitoras já estavam na fase dos planos, e estavam procurando referências de como eram as coisas no Egito, se eu podia ajudá-las nas questões práticas de como andar por lá, essas coisas – afinal, eu contava nos meus relatos que tido para o Egito sozinha e tal…

Mas como surgiram vários casos parecidos e num curto espaço de tempo, isso me deixou com a pulga atrás da orelha – e achei que virou um caso para um post. Esse post nasceu de supetão, com a necessidade de desabafar isso para o mundo após conversar com mais uma dessas mulheres. Sem julgamentos, mas como uma ajuda, de verdade. E, claro, deixar a porta aberta para outras mulheres deixarem seus depoimentos também.

Primeiro porém, eu resolvi que precisava responder à pergunta que elas me faziam. Então, leitora, se você tiver achado esse post porque tem essa pergunta na cabeça, está aqui a minha resposta,uma humilde opinião sobre a pergunta que você me fez – e se me permite, incluo ainda um conselho de amiga que você não me pediu.

Entenda: Escrevo esse post como aquela amiga que não te conhece e que não quer/pode ficar se metendo nas suas decisões, mas que sobretudo também é mulher, também viaja (e que também viajou por causa de um cara, porque quem nunca, né?) e que por isso mesmo se preocupa com outras mulheres porque a gente tem mesmo que cuidar umas das outras.

Prometo não fazer julgamentos das suas decisões. Esse post vai ser só com meu profundo cuidado por você, tá?

 

Afinal, o Egito é perigoso? Uma mulher sozinha teria problemas por lá?

 

Bem, foi com essa pergunta que essas leitoras chegaram no meu blog. E eu preciso responder.

Então vamos lá: minha impressão do Egito é que ele não é esse absurdo de perigo todo, mas também não é amigável para mulheres viajando sozinhas. Isso significa que as pessoas não saem “estuprando, batendo e atacando as mulheres na rua” como eu já ouvi, mas tenha em mente que você, como estrangeira e mulher ocidental, vai chamar a atenção – e talvez vá haver alguns momentos em que isso acontecerá de uma forma invasiva, que você não vai gostar.

Vai ter momentos em que um grupo de homens vai ficar encarando de uma forma que você não vai gostar. E pode ficar falando coisas que você não vai entender (mas vai saber exatamente que são coisas que te deixam desconfortável).

N coisas poderiam explicar isso, e a questão cultural sobre como uma mulher viajando sozinha é vista é uma delas. Mas como eu prometi, eu não vou deixar julgamentos para esse post, nem falar mal da cultura egípcia (que também teve aspectos que me encantaram). Vou falar só da experiência que eu tive.

Vai ter momentos em que alguém vai invadir o seu espaço pessoal de uma forma desagradável e “sem querer”. Por exemplo, eu estava em uma fila dentro do Museu do Cairo e o cara de trás andava colado em mim, encostando-se o tempo todo nas minhas costas, mesmo com todo o espaço do mundo para ele se afastar. Era ridículo, era agressivo, era desrespeitoso. Chegou uma hora que eu dei uma cotovelada no indivíduo – que se fez de morto – e precisava andar com o cotovelo apontado para trás, para não deixar ele chegar perto. E não foi num lugar escuro ou esquisito, e sim dentro do Museu mais importante ~e seguro~ do país. Mais especificamente, na sala de jóias onde fica exposta a máscara de ouro do Tutankhamon (leia-se: cheia de câmeras e guardas por todos os lados).

Vai ter homem que vai pedir para tirar uma foto na rua com você. Vários, aliás. E vão fazer questão de abraçar (demasiadamente perto, inclusive) na hora da foto. E alguns podem tirar foto mesmo que você não queira.

Esse foi um dos meninos que apareceu para tirar uma foto. Esse era fofo, então foi bem legal. Mas tiveram horas que não eram crianças e sim homens, e alguns eram meio inconvenientes/insistentes sim.

 

Vai ter homem que vai te seguir na rua. E pode até não acontecer nada, mas isso já vai ser o suficiente para você arrepiar todos os fios do seu cabelo de tensão.

Infelizmente, nada disso seja muita novidade, porque esse tipo de coisa acontece no Brasil também e temos cá nosso repertório de experiências desagradáveis com homens estranhos na rua.

A diferença é que, se alguma coisa acontece no seu país, você sabe como gritar e para quem gritar. E mais importante, sabe que dá para gritar “socorro” e que os outros vão entender. Sabe o telefone da polícia, do seu irmão, pai, avó, amiga, garçom ou de qualquer pessoa para te acudir. Sabe até ler o nome das ruas e, se numa situação hipotética você precisar sair correndo de qualquer coisa (ou simplesmente voltar andando para o seu hotel), você sabe ler o nome das placas para saber para onde ir.

No Egito provavelmente isso vai ser bem mais difícil.

Uma foto que eu tirei das paredes em Aswan, no sul do Egito. Placas com nomes de ruas era mais complicado ainda, eu não conseguia dizer o hotel em que eu estava.

Algumas pessoas falam um pouco de inglês por lá, especialmente nas grandes cidades ou nas zonas mais turísticas, mas não espere que isso vai ser uma constante. Nos meus poucos dias perambulando sozinha (e eu confesso que eu era absurdamente ingênua na época) pelo Cairo, Alexandria e Luxor, eu tinha um certo receio de pegar táxi na rua, mesmo estando com 3 amigas. Sozinha, nem pensar. Várias vezes eu expliquei o meu endereço para o taxista e não sabia se ele tinha entendido – para só descobrir no final que ele me levou no lugar errado. Se o táxi me levasse para um lugar esquisito (e um deles levou, eu conto mais embaixo sobre isso), eu jamais saberia apontar o caminho de verdade. Ao pedir a conta de um restaurante, eu não conseguia ler se o garçom estava me cobrando certinho o que eu pedi. E quando eu ia passear por qualquer uma das cidades por onde fui eu tinha que ficar prestando uma atenção enorme em pontos de referência o tempo todo para não me perder, já que não conseguia ler as placas.

Outra história: Essa foto daí de cima foi tirada em Aswan, no sul do Egito. Neste dia eu e a minha prima ainda estávamos por nossa conta, uma vez que ainda encontraríamos o nosso grupo com o qual dividiríamos o tour. Pedimos ao motorista que nos levasse numa vida de artesanato núbio, que aparentemente era um ponto turístico conhecido e nosso grupo estaria lá.

O taxista, que não falava uma palavra de inglês, disse que entendeu e nos trouxe aqui – era um canto bem afastado da cidade, acessível por apenas uma estradinha de pedras e no topo de um monte, de onde tínhamos uma belíssima vista do Nilo e víamos esculturas em pedra. Eu e minha prima ficamos frustradas por não encontrar o grupo, mas felizes por ter “descoberto” um lugar novo e lindo. Tiramos fotos, selfies, tudo, e voltamos para o hotel.

Mais tarde, após encontrar o grupo, contamos empolgadíssimas para o guia sobre o lugar que encontramos. Ele só arregalou os olhos e nos assegurou de que nunca ouviu falar, e ficou extremamente preocupado com o que poderia ter acontecido conosco.

Hoje, olhando para trás, eu vejo o quanto que essa história poderia ter acabado errado: ninguém sabia do nosso paradeiro (nem mesmo o hotel), ninguém daria pela nossa falta (já que estávamos por nossa conta e sem nos juntar ao guia ainda) e tínhamos sido levadas para um lugar totalmente deserto e desconhecido, longe da cidade, cheio de pedras e sem uma vivalma perto para ajudar em caso de perigo. Sim, deu tudo certo e foi uma experiência boa no fim das contas – mas entrou para a série “loucuras arriscadas que a gente faz e que só se dá conta muuuuito depois!”.

“Ah, mas isso não estragou sua viagem, né? Você continua recomendando o Egito!”

Não, não estragou. Eu até hoje lembro com saudade da minha viagem ao Egito, e considero uma das viagens mais especiais que já fiz. Me diverti e aproveitei muito, e recomendo para todo mundo (mulheres inclusive) uma viagem para lá sim – mas desde que seja com um guia ou num tour, caso você não fale o idioma. Porque apesar das eventuais desventuras que eu tive ao andar sozinha, eu sempre tinha no meu bolso o telefone do guia que falava inglês e para quem eu poderia ligar se eu tivesse problema. Isso me garantiu uma paz psicológica enorme – mesmo com toda a minha ingenuidade da época.

E, muito importante, eu fui com tudo já acertado. Eu tinha hotéis reservados, estava num tour, tudo já acertado de antemão diretamente por mim antes mesmo de chegar lá – ou seja, se acontece algum problema, eu não ia ficar sem eira nem beira.

Claro, isso não é garantia de nada dar errado. Mas falei disso porque nos leva ao segundo ponto (e mais importante)…

“Mas ele disse que vai me receber lá e cuidar de tudo – eu não vou estar sozinha quando chegar lá”.

Então… Eu sei que tanto as outras meninas que chegaram no meu blog como talvez você que esteja chegando agora não queriam pedir o meu pitaco nesse assunto – pelo menos até agora, elas só queriam saber como era a viagem para lá em si, mas eu me sinto na necessidade de destrinchar mais esse assunto.

Você não conhece o indivíduo. Nunca viu antes na vida. Não sabe onde ele mora, como ele mora, e com quem ele mora (já pensou se ele for casado? No Egito é permitido ter mais de uma esposa). Ou seja, você está indo para um país desconhecido e estranho para você (lembre de novo do lance da comunicação que eu falei ali em cima… como você vai falar, ler, se virar sozinha quando ninguém entende um pingo do que você está dizendo, e vice versa?), compra uma passagem de um mês para ficar lá e vai deixar toda a sua hospedagem, alimentação, segurança, tudo mesmo… nas mãos de uma pessoa que você nunca viu na vida e não sabe absolutamente nada dele – inclusive se ele está falando a verdade??

Em tempo: esse post não é contra egípcios, muçulmanos, etc. Eu faria essa pergunta mesmo se você quisesse ir para conhecer alguém em outra cidade de uma região distante no Brasil, bem longe da sua casa e onde você nunca foi…

Agora, imagine em outro país? Se tudo desse errado no Brasil, por exemplo, na pior das hipóteses você liga para alguém da sua família, pede para comprarem uma passagem de ônibus e volta para casa… Mas imagine isso acontecendo num país que você não fala o idioma, não conseguiria se comunicar, não conseguiria nem ler o que está escrito e tudo (idioma, leis, transporte, TUDO) é mais complicado?

“Ah, mas ele me garantiu que vai cuidar de mim. Ele tem sido muito carinhoso. Ele tem falado de casamento por lá”

Pronto, chegamos ao momento delicado em que eu preciso te contar uma coisa. E prometo que não vou ser moralista aqui.

No costume egípcio, foi comum por anos (e ainda é em alguns locais) o casamento arranjado. Os casamentos sérios são aprovados pela família – e tenha em mente que a família tem um peso muito forte no Egito, muito mesmo. Então, basicamente o que acontece é o pai de um rapaz mais jovem começa a procurar uma noiva para o seu filho. Se ele descobre uma jovem que ele considere que pode ser boa para o seu filho (e entenda que ele nem precisa de muita conversa para isso), esse homem vai pedir o contato dos pais dela e já negociar o casamento direto com a família da noiva. A garota e o rapaz podem até se encontrar antes do casamento, mas sem muita intimidade.

Uma das meninas egípcias que conhecemos na viagem.

 

Isso ainda acontece. Mas em cidades maiores, como Alexandria e Cairo, o próprio rapaz pode também procurar sua noiva e fazer ele mesmo a proposta. Estou explicando essa questão cultural porque o fato de um rapaz do Egito propor casamento “muito rápido” (para os nossos padrões), não é porque ele está perdidamente apaixonado – é porque o costume deles é esse mesmo, não envolve o tal tempo de romance que a gente está acostumado.

Só que tem um detalhe aí: exatamente porque isso acontece, se ele prometeu se casar com você assim que você chegar lá, tenha em mente que há grandes possibilidades de isso não acontecer (desculpe dizer isso, mas é para o seu bem, juro!!). 😟

 

Casamento pela internet pode ser uma pegadinha (e você é a vítima)…

 

Isso que eu expliquei acima é como funciona com as famílias egípcias, que em geral são muito tradicionais. A sociedade egípcia é uma das mais liberais entre os países muçulmanos, mas ainda assim é muito mais tradicional do que a nossa. Só que nós, brasileiras, somos ocidentais e não entramos nessa matemática. Por costume e tradição, somos diferentes das mulheres egípcias: nos vestimos diferente, mostramos cabelo, colocamos biquíni, podemos namorar livremente antes do casamento, podemos trabalhar e nos sustentar sozinhas, nos comportamos diferente e temos muito mais liberdades do que elas tem. E eu não estou criticando, de forma nenhuma, a religião muçulmana, mas o meu ponto aqui é o fato de que a gente (mulher brasileira) poder fazer tudo isso não é muito bem visto por quem tiver a visão tradicional de lá. Existe o estereótipo de que somos vistas (brasileiras, européias, americanas) como um povo “cheio de liberdades” e por causa disso muitos homens do Egito e de outros países muçulmanos acham que as mulheres desses países topam qualquer coisa – inclusive sexo fácil.

E não tem problema se você quiser embarcar na aventura com ele se quiser sexo também. Eu disse que não faria aqui julgamento sobre a sua decisão. O problema é você se colocar em risco por causa disso.

“Ah, mas há homens que não pensam assim”.

Há, sim. Conheci alguns deles, e suas famílias. Mas a verdade é que esses JAMAIS iriam pedir para uma moça viajar sozinha para o país dele para conhecê-lo, alegando que ele não pode ir, ou oferecendo hospedagem na casa dele para uma moça se não for casado com ela (mesmo que a promessa de casamento esteja implícita depois). Ele não faria isso nunca – lembra que eu disse que a família é extremamente importante no Egito? Primeiro, ele sabe que uma família egípcia jamais deixaria essa moça fazer isso (e é natural que ele espere que outras famílias que cuidam de suas filhas fizessem isso também). E se ela fizesse, provavelmente seria a família dele que não aprovaria porque ela “não seria uma moça direita”. E nada de casamento nesse caso, porque como eu expliquei, a aprovação da família é uma coisa muito séria.

Mas no entanto, em todos os casos das mulheres que chegaram a mim, elas diziam que eles sempre insistiam para que elas fossem até lá. E prometiam casamento – não é esquisito?

A verdade é que, no costume egípcio, o marido tem que cuidar da esposa. Então, sim, ele traria a esposa para a sua casa, e o costume diz que é obrigação dele ter já uma casa toda pronta e equipada para recebê-la. E, como acontece em tantos países, ter isso é caro, certo? No caso do Egito, um problema atual é que muitos jovens estão noivos por anos porque estão com dificuldades de juntar dinheiro para casar – há até promessas políticas para ajudar os jovens a ter um emprego e conseguirem bancar uma casa. Se ele diz que vocês vão se casar, taí uma boa pergunta: ele tem uma casa pronta – ou você vai morar com a família dele (mãe, pai, avós, irmãos)? E mais importante ainda, você sabe se essa casa realmente existe? Pergunto isso porque, honestamente, acho que se essa casa existisse mesmo, isso significa que ele provavelmente tem dinheiro para montá-la e sustentá-la, e portanto poderia muito bem te visitar no Brasil ao invés de você ir para lá. Né não?

Se ele promete que vai levá-la para conhecer a família dele… bem, eu acho isso  arriscado. Primeiro, não há o conceito de “amiga” e “amigo”; você sempre vai ser entendida como a “namorada”. Mas isso não quer dizer que a família dele vai aprovar o casamento imediatamente (muito provavelmente não, pelos motivos explicados acima). Sabe essa história linda de um homem que desafia a família dele para casar com a mulher que ama e tal? Isso é muito lindo no livro de história, mas na vida real é mais difícil – especialmente se esse homem em questão não tem dinheiro sequer para comprar uma passagem para o exterior – que dirá manter uma casa com uma esposa “não aprovada” contra tudo e contra todos.

Alertas sobre golpes em mulheres brasileiras que começam um namoro pela internet com um homem do Egito

 

Eu super entendo esse lance da gente se corresponder com alguém via internet, da coisa evoluir e de marcar uma viagem para o exterior para se conhecerem de verdade.

Juro, entendo mesmo. E sou uma romântica incorrigível, acredito nelas. Inclusive, de certa forma foi assim também que aconteceu com meu marido.

Só que, no nosso caso, a gente tinha se conhecido numa viagem, eu voltei ao Brasil e ELE que veio para me conhecer melhor. Eu estava na minha área, na minha zona de segurança, com meus amigos em volta – e ele em um hostel. E eu só fui para o país dele depois que a gente estava quatro meses morando juntos no Brasil.

Por causa disso, eu não estranhei quando recebi uma ou outra mensagem de uma mulher perguntando dicas e conselhos de como ela poderia fazer para ir ao Egito conhecer um rapaz com quem ela tinha conhecido pela internet. Mas comecei a estranhar, sim, quando começaram a aparecer 4, 5 relatos muito parecidos, todos de mulheres de verdade. E o pior, em todos os casos o discurso do cara era o mesmo! 😡

Daí eu fui pesquisar sobre isso na internet. Minha suspeita era ver se por acaso estava rolando uma “onda” de flertes virtuais feitas homens egípcios e com alvo específico em brasileiras.

E o que eu encontrei foram dezenas de sites, relatos e alertas sobre uma série de golpes – e não só com brasileiras, mas com mulheres dos Estados Unidos, da Europa, do Ocidente como um todo. Eis um pitaco do que eu vi:

  • Encontrei dois alertas das embaixadas dos Estados Unidos e do Canadá sobre o número de golpes de “promessas de casamento” via internet vindas de homens egípcios;
  • Encontrei ainda um fórum de depoimentos russos e outro de depoimentos em inglês de mulheres que conheceram homens do Egito com essas mesmas promessas. Essas mulheres que caíram no conto de vigário decidiram montar uma base de dados com fotos desses homens e informações para advertir outras mulheres (eu não pus os links aqui porque a qualidade do site era muito esquisita, mas o que não faltava eram depoimentos e fotos de mulheres que foram vítimas desse golpe da proposta de casamento).

Mas o que ele pode estar querendo de mim? Ele nunca me pediu dinheiro.

Olha, na melhor das hipóteses (e eu respondo isso com base numa pesquisa que eu fiz por estes fórums de mulheres no Brasil e no mundo, para este post) o que ele pode estar atrás de você é:

  • Sexo: Mais uma vez, não estou julgando ninguém nem querendo dar lição de moral! Não tem nada de errado querer ir para cama com alguém, mas a questão aqui é o seguinte: na nossa cultura, não tem problema uma mulher ir para a cama com um homem (seja ele desconhecido ou não) antes do casamento, mas no Egito isso de sexo fácil é bem mais difícil (vide a forma que eu expliquei como os casamentos acontecem). Então ele jamais faria esse convite de chamar uma mulher egípcia para viajar sozinha e se conhecerem com a intenção de casar depois. Há uma visão no Egito de que as mulheres ocidentais são mais liberais e estão dispostas a ter sexo sem compromisso com homens – e ele vai tentar a sorte com você. Mais uma vez, sem problemas se você estiver disposta a isso, mas pelo menos não acredite da história do conto de fadas, do casamento feliz e tal que vai vir depois disso.
  • Visto: ou sim, ele quer casar com você sim – mas não por causa do amor profundo que ele sente, e sim para conseguir um visto. Acredite ou não, muita gente fica falando mal do Brasil e tal, mas o nosso passaporte lá fora é bastante cobiçado, e muita gente tem vontade de vir morar aqui. E é aí que também está o risco: encontrei diversos relatos de mulheres que chegaram a casar com um egípcio e, assim que ele chegou no Brasil com o visto todo direitinho, ele desapareceu – afinal, não precisava mais da esposa, certo? Ou, pior, o namorado tão atencioso de antes que era um amor de pessoa se transformou numa pessoa completamente diferente depois do que conseguiu o que queria – e daí vem os casos de violência doméstica e abuso. Você não quer isso para você.

Deixa eu contar outra história sobre isso: quando eu viajei para o Egito, eu viajei com minha prima, que é brasileira mas morava na época nos Estados Unidos (ela tinha o visto americano de trabalho, pois trabalhava como expatriada numa empresa brasileira lá). 

A gente andava tanto com o grupo como só nós duas, e era comum receber dezenas de “propostas de casamento” quando andávamos na rua. No início a gente a gente até ria com isso: “aquele cara me ofereceu três camelos”, “Ih, ofereceram cinco camelos para ela”, e etc. Minha prima, porém, liderava nas “propostas” – ela tinha um biotipo meio egípcio, e mesmo sem querer era só chegar em qualquer lugar que ela roubava as atenções. Mas uma vez, a gente ria disso. “Prima, não aceite menos de 500 camelos”, eu dizia, brincando.

Isso tudo era brincadeira até a hora em que fomos numa loja de souvenirs em Luxor, comprar uma besteirinha qualquer para levar de lembrança. Era uma rua lotada de turistas e o proprietário, um senhor de idade acostumado a lidar com gente do mundo todo, puxou papo por acaso. E conversa vai, conversa vem, dissemos onde morávamos – e ela, especialmente, que morava nos Estados Unidos.

O olho dele arregalou, sério. E na hora a expressão mudou.

Perguntou se ela era casada. Não era. Perguntou porque o pai dela “não tinha casado ela”. A gente riu e desconversou (concordo que não lembro o que dissemos na hora, mas que também não era importante). Mas o homem continuou impassível. “Então aguarde um pouco. Eu tenho um marido para você. Meu sobrinho é um ótimo rapaz. Vou mandar uma mensagem agora para ele. Por favor, me passe o telefone do seu pai – eu vou falar com ele por telefone agora. E me diga onde você está – amanhã mesmo vou até lá com o meu sobrinho e já acertamos tudo com o seu pai.”

Levamos alguns minutos, eu e a minha prima, para perder o riso desconcertado de quem estava levando tudo na brincadeira. O homem estava seríssimo; imediatamente começou a resolver as coisas por telefone e já buscava a caneta e o papel para anotar nosso endereço – tudo aquela cara de negociante experiente que sabe exatamente como conduzir uma transação comercial.

Meu tio trabalhou vendendo carros a vida toda. E eu vi como era exatamente assim que o senhor “negociava” o casamento da minha prima. Como a revenda de um carro. E que, assim como o meu tio, em nenhum momento ele perguntou ao “carro” qual era sua opinião.

A gente ficou tão perplexa que saímos correndo desesperadas da loja – a ponto de deixar o troco e as lembrancinhas lá. Mas dias depois a mesma proposta de casamento (uma transação) iria se repetir com a minha prima. Várias vezes, até o fim da viagem.

“Clarissa”, ela diria, “eu tenho certeza de que aqui ninguém me vê. Os elogios, as propostas de casamento, nada disso é para mim. Eu sou apenas um visto. E o que eles veem em mim é uma rota fácil para os Estados Unidos”.

  • Dinheiro: Ok, ele pode até não ter te pedido dinheiro agora – o que não quer dizer que não vá pedir depois. E você não precisa ser rica para alguém estar de olho no seu dinheiro – porque mais uma vez, com todos os problemas que a gente vive no Brasil, nosso poder de compra é muito maior do que a média da população do Egito. Lendo em alguns desses fóruns e alertas de embaixadas eu descobri que, no passado, era muito comum que eles pedissem dinheiro para a passagem, por exemplo, ou para adiantar o apartamento… Mas como as pessoas ficaram mais desconfiadas, o discurso atual é de que eles vão cuidar de tudo quando você chegar lá – só que nada impede que, na hora que você estiver lá, ele não suma com seu passaporte ou exija dinheiro (lembra que ele está no país dele e muito provavelmente ninguém vai entender um pingo do que você está dizendo!). Ou, ainda, faça você pagar por tudo (eu li vários relatos sobre isso também).
  • Sonho: Um dos relatos que eu li contava a história de uma mulher que se correspondia com um egípcio por meses. Ele prometeu casamento, apartamento, disse que já tinha uma casa pronta e estava decorando tudo para eles morarem juntos, etc. Até mandou foto da casa e tal, ainda em obras. Ela, diante das “provas” de que ele estava falando para valer, comprou a passagem e foi. A verdade é que bastou ela chegar no Egito para ele desaparecer completamente. Depois de muito pesquisar e de pedir ajuda ao consulado do país dela, ela descobriu que ele estava noivo de outra mulher e que o apartamento em questão existia mesmo, mas era o que ele estava construindo para sua própria futura esposa – e o fato dele manter o relacionamento virtual com ela era mais um fetiche pessoal dele de “ter uma namorada loira e ocidental”. Quase um status, sabe? Ele nunca teve mesmo a intenção de levar a coisa adiante, ele só queria o sonho. Parece exagero? Eu lembro que o meu guia egípcio da minha viagem (que era um rapaz novinho) adorava dizer que tinha tido uma namorada holandesa loira, e que o sonho dele era namorar uma brasileira…

E isso na melhor das hipóteses… ainda nem falamos de tráfico humano, exploração sexual, etc…

“Mas todos eles são assim? Como eu vou saber que ele está falando a verdade?”

 

Não, é claro que a intenção desse post não é generalizar todos os homens egípcios e condenar qualquer relacionamento – nem mesmo quero denegrir de forma alguma a religião muçulmana e por isso também não estou entrando muito no mérito de fazer julgamentos de uma ou outra religião – até porque golpes feitos por pessoas de má-fé infelizmente acontecem em todo lugar. Inclusive, o ótimo 360 Meridianos postou um relato de uma mulher que teve uma história parecida e várias reviravoltas no meio do caminho (incluindo o fato de ter que se adaptar a um estilo de vida totalmente diferente), mas que ela está feliz e conta tudo aqui. E vale avisar que os egípcios, em geral, são muito apegados a valores tradicionais como família, são extremamente cavalheiros e ótimos antifitrões. E sim, há casamentos felizes por lá.

E por esse motivo há muitos egípcios que também ficam indignados com esses golpes pois sabem que isso arranha a imagem do país. E como infelizmente gente ruim não é privilégio de um lugar só, separei uma lista de sinais para você ficar de olho e perceber se o cara está falando para valer ou se é golpe, puro golpe.

 

Alguns sinais de que o papo dele está errado:

  • Como você o conheceu? Foi ele que abordou você do nada, por alguma rede social ou chat? Por exemplo, ele que puxou papo pelo Facebook, ou pelo Skype? Vocês não tem nenhum conhecido em comum? Ele chegou mandando uma mensagem do tipo “Oi, tudo bem? Te achei muito bonita…”, ou algo nessas linhas? Se foi esse o caso, abra o olho: altas chances de ser golpe. Como eu disse, os homens egípcios sérios que eu conheci eram extremamentes respeitosos a todo momento e sempre se apresentavam através de uma referência – uma abordagem assim, direta, era quase sempre feita pelos aproveitadores.
  • Você chegou a viajar para algumas cidades da costa do Egito, como Sharm-el-Sheik ou Hurghada e conheceu ele lá? Ele te abordou de repente? Encontrei sites de guias de turismo egípcios que alertam para grupos de homens jovens nessas cidades que são especializados em abordar mulheres. Especialmente porque essas cidades são locais turísticos super populares entre europeus, americanos e canadenses, e muitas mulheres viajam para lá desacompanhadas (seja em tours, seja sozinhas, etc), e há grupos de homens de olho nessas mulheres, se fingindo de galanteadores apaixonados, mas para no fim fazerem elas pagarem tudo para eles. Achei foruns de discussão russos de mulheres que postavam fotos, nomes e endereços desses caras para alertar outras turistas de quem são as mesmas pessoas que dão os golpes mais comuns.
  • Ele insiste de todo o jeito para você ir para lá. Os motivos são os mais variados possíveis: ele diz que não tem dinheiro, ele diz que não tem uma conta bancária internacional, ele diz que esta trabalhando muito, ele diz que não tem passaporte. Mas ao mesmo tempo, ele diz que é muito mais fácil que você vá para lá e que ele vai cuidar de tudo para você – dar casa, comida, roupa lavada, te tratar como uma rainha. Como eu expliquei lá em cima, isso é no mínimo suspeito. 

E outra coisa: na prática, o esforço/dinheiro/tempo de viagem para você ir para lá é quase o mesmo dele vir para o Brasil. Porque você que tem que ir? Já que ele não se diz cavalheiro, porque ele que não vem?

  • Ele falou que te ama e prometeu casamento? E tipo, já falou isso com pouquíssima conversa entre vocês? Olha, pela pouca experiência que eu tive ao conhecer homens egípcios, os homens mais respeitosos JAMAIS vieram com esse papo – pelo contrário, eles conversam, são atenciosos e fazem questão de conhecer você e te deixar absolutamente confortável. Até porque casamento é coisa muito séria, e se o cara for sério também ele vai envolver a família – a sua e a dele – e vai fazer isso de forma cuidadosa. Mas se já fez juras de amor eterno em dois dias, suspeite. Aliás, isso valeria para homens de qualquer nacionalidade.
  • Ele é muito mais novo que você? Então, eu não quero ser indelicada em relação a isso, mas a diferença de idade nesses casos é um enorme alerta. É o seguinte: no Egito faz parte do costume casar-se cedo – tanto que em geral os homens procuram as jovens para casar, cuidar da casa e tal. Mulheres mais velhas tem poucas chances de casar mais tarde (ok, isso está mudando aos poucos, especialmente nas grandes cidades como o Cairo, mas infelizmente ainda é algo recorrente no resto do país). A gente vem descontruindo isso já há algum tempo na nossa sociedade, mas sabe essa imagem que infelizmente ainda persiste de mulheres mais velhas saindo com homens mais novos é algo que atrai fofoca? Bem, se isso ainda acontece no nosso “mundo ocidental”, dito mais moderno e tal, o que dizer de um país e de uma sociedade mais tradicional?

Por outro lado, é exatamente este o público alvo – mulheres mais velhas que os rapazes em questão – as que tem sido vítimas desses golpes em todos os fórums que eu encontrei. Sem exceção.

Veja bem, eu digo isso sem nenhuma intenção de ferir ninguém ou porque eu desacredito de amor independente da idade, mas é simplesmente porque esse tem sido um caso constante e a gente precisa ficar de olho.

 

“Então o que eu faço?”

 

Mais uma vez, eu não quero fazer julgamentos das suas escolhas, nem parecer que eu estou destruindo o que poderia ser uma história de amor de verdade. 🙁 E por isso, taí algumas coisas que você pode fazer ANTES de comprar uma passagem para lá só para ver se essa história de amor é amor mesmo ou é cilada…

Manda ele vir ao Brasil: Sim, simples assim. Sabe o sacrifício de ter que pedir visto, comprar passagem (em prestações a perder de vista), providenciar cartão internacional, dinheiro, ver mala, etc? Pois é, você teria que ver tudo isso para ir para lá, e vice versa – ele precisaria providenciar tudo para vir para cá também. E cá para nós, o trabalho, estresse e custo é proporcional para ambos – com a diferença de que aqui, você está no seu terreno, na sua zona de conforto e com a proteção dos seus amigos e família – ou, ao menos, do conforto de estar no seu ambiente conhecido. Se a história é para valer mesmo, mandar ele vir para cá é uma ótima forma de pôr isto à prova – e se der certo, você vai se divertir tanto quanto!

Você tem um amigo que esteja disposto a ir ao Egito com você, ou num outro país “no meio do caminho”? Tá, mas você está louca para viajar para outro país e de quebra conhecer lugares novos. Então, que tal em vez de ir ao Egito sozinha, você vai com um tour, e com uma pessoa que você conhece e confia – e se hospeda bonitinho num hotel, num lugar seguro,  e deixa para conhecer o tal moçoilo sem depender dele para sua estadia. Ou, ainda melhor: o Egito fica a 5 horas de vôo de algumas das principais capitais da Europa, como Roma. Que tal marcar lá – e se você tiver amigos que morem na Europa e que você possa ficar com eles, melhor ainda?


E lembre-se: histórias de amor via internet existem, e ciladas também. Proteja-se – afinal, de todos os amores, o próprio é sempre o mais importante.  ❤️

Enólogo por 1 dia: como é a experiência de fazer um vinho verde

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Se beber já é gostoso, imagine aprender a fazer um vinho verde.

É que tem certas mágicas que só acontecem quando a gente aprende a preparar algo que a gente gosta. Porque aí a brincadeira ganha mais graça. A gente começa a aprender a matemática da quantidade dos ingredientes e temperos, a relação de causa e efeito em deixar cozinhando um pouco mais  ou menos para adquirir a consistência molinha  ou crocante que a gente quer… É quando se começa, inclusive, a fazer experiências e a jogar uma pitadinha de sal no doce para tornar o sabor mais interessante, ou uma pimentinha discreta só para dar aquele calorzinho que enche de sabor a comida sem a gente entender o porquê. Quem gosta de cozinhar aprende a gostar também do processo, e curte inclusive distorcê-lo e reinventá-lo. Afinal, toda a experiência é válida dentro das quatro paredes de uma cozinha.

Com vinho acontece a mesma coisa.🍷

Aos poucos, a gente meio que começou essa educação “o vinho antes do vinho”, entendendo os tipos de uva, a região de onde vem… e quem já participou de qualquer tour em uma vinícola (independente do país onde ela esteja) já foi introduzido aos conceitos básicos do cultivo das videiras, de como acontece a poda, de como é retirado o bagaço e esmagadas as uvas, a fermentação, o lance das barricas e tudo o mais.

Tudo isso é muito legal. Mas são pouquíssimas as vinícolas que oferecem a experiência de testar e descobrir a combinação e medidas perfeitas que vai resultar na bebida final a ir para a garrafa – especialmente quando é um vinho de corte, ou seja, feito com duas uvas (castas) diferentes. Qual a porcentagem do vinho de cada uva deve ir? Como fazer esse equilíbrio para produzir o “blend” perfeito de corpo, estrutura, aroma?

É como se a gente aprendesse como os ingredientes são cultivados e preparados para ir na panela, mas pulasse a aula de como montar o prato final. O que é curioso, por que é parte tão importante quanto o processo de preparo dos ingredientes. Ou mais: segundo um chef italiano que eu conheci uma vez, todos nós temos um sexto sentido (que não é aquele em que você pensou) que se chama “HUME” e basicamente quer dizer a experiência de alcançar todos os cinco sentidos de uma vez, trazendo uma experiência única. E segundo ele, todo chef que se preza monta um prato com o objetivo de atingir este ponto, e não privilegiar apenas o paladar ou o olfato, por exemplo.

Eu confesso que não tinha me dado conta que “faltava” essa abordagem no meu tour exploratório sobre vinhos – assim como muita gente visita uma vinícola e curte o padrão de tour + degustação sem se dar conta de estar pulando alguns capítulos. Por isso foi uma grata surpresa (e um dos pontos altíssimos da viagem) termos sidos convidadas a fazer o Programa “Enólogo Por um Dia” proposto pelo Monverde Wine Experience Hotel, um hotel-spa todo voltado desenvolvido com esse conceito de vinhos. A proposta do programa é preencher exatamente esta lacuna e ainda nos ajudou a contextualizar e a pôr em prática nossos entendimentos sobre o que é o vinho verde (que eu expliquei depois nesse infográfico).

Links para organizar sua viagem para a Rota do Vinho Verde:

Hotel: Reserve sua hospedagem sem taxas no Monverde Wine Experience pelo Booking.com

Atração: Faça a reserva para o programa “Seja Enólogo por um dia” mandando um email para reservas@monverde.pt

Aluguel de Carro: Parcele o aluguel do seu carro (em reais) pela RentCars direto do aeroporto de Porto

Seguro de Carro: Ganhe 15% de desconto no seu seguro de viagem pela Mondial

“Enólogo por Um Dia”: o que é e como funciona

 

O programa “Enólogo por um Dia” foi montado pelo Monverde Wine Experience Hotel como uma de suas atividades à parte sobre conhecimento de vinhos. Ou seja, pode ser agendada por hóspede e por não-hóspedes também.

Para quem não sabe, o Monverde Wine Experience Hotel é um hotelão-spa que fica na cidade de Amarante, no Norte de Portugal (e dentro da região demarcada do Vinho Verde). O hotel foi construído dentro da área de cultivo da Quinta da Lixa, grande produtora de vinhos verdes, e é todo trabalhado nesse conceito de vinhos. Vou deixar para falar dele num próximo post.

Dá para ir do Porto até lá (embora não recomendo fazer isso num bate e volta – Amarante é uma fofura de cidade e super vale a pena conhecê-la com calma).

O programa tem a duração de duas horas e meia, e precisa ser agendado com antecedência (para checar a disponibilidade). Ele costuma ser feito por casais ou por grupos pequenos, e como é uma experiência bem intimista fica melhor aproveitado assim. O agendamento pode ser feito por aqui.

Eu diria que vale cada centavo da experiência, especialmente porque a gente já começa a se apaixonar pelo lugar assim que chega. O programa é oferecido num complexo próprio para essa atividade, construído na mesma propriedade do Monverde Hotel mas em uma área separada dos quartos e do complexo principal (você chega lá de carro ou naqueles carrinhos de golfe!). Mas o plus é que a estrutura é toda cercada de lindíssimas videiras.

 

Como fazer um vinho verde: bora fazê-los para entendê-los?

Quem foi a facilitadora do nosso programa foi a Bebiana Monteiro, diretora de comunicação do hotel. Ela é quem costuma conduzir o programa para hóspedes que façam a reserva – e posso dizer que foi uma experiência bacana, pois em todo o momento ela conduz e explica muito bem todos os aspectos das uvas e da produção dos vinhos.

O programa é feito numa sala onde ficam as barricas de carvalho onde parte dos vinhos são envelhecidos, e onde há uma enorme mesa que serve de base para os nossos experimentos.

E a proposta é a melhor possível: vamos entender como se faz um vinho verde fazendo o nosso próprio vinho verde! 😃

E é nesse momento que os mais entendidos de vinho podem achar o programa meio “vendido para turistas”, mas eu realmente achei a proposta interessante porque é educativa. Mesmo que o vinho que a gente produza não seja uma lote milionário, o processo feito ajuda a contextualizar as informações sobre os diferentes tipos de uva e característica dos vinhos verdes – e acho que fechar a viagem da Rota do Vinho Verde com essa atividade (depois de ter visto os processos in loco em Melgaço, Monção, Ponte de Lima e na própria região de Amarante) é contextualizar e organizar tudo com chave de ouro.

1º Passo: conhecer (e provar) os vinhos de cada uma das uvas

5 galões de vinhos exibem as principais uvas portuguesas cultivadas na região demarcada do Minho: Alvarinho, Loureiro, Avesso, Trajadura e Arinto. Em cada uma, a Bebiana nos explicava as características principais da uva. e a grande vantagem daqui era que a gente podia experimentar um tiquinho de cada, o que tornava muito mais fácil a comparação.

Ou seja: sabe aquelas palavras como “olha como esse vinho tem estrutura”, “sente esse aroma frutado”? Pois é, para quem não tem facilidade para captar essas coisas (eu não tive durante muito tempo), essas provas explicadas são ótimas para perceber e educar os sentidos. 

2º Passo: Começamos a fazer nossas misturas.

Informações recebidas, é hora de começar a alquimia! 😃

Para isso, temos a ajuda de um tubo de ensaio com gradação de medidas e três taças. A idéia é que a gente possa combinar proporções de monovarietais (vinhos de uma uva só) para fazer um vinho de corte (vinho que possui porcentagens de mais de uma uva diferente) e com isso, chegar “à nossa criação única”.

Aqui é a parte gostosa, que funciona mesmo como se estivéssemos testando temperos para criar uma receita. Por exemplo, se eu aprendi que a uva Loureiro é a mais aromática e perfumada das uvas (porém mais leve), e a uva Avesso é a que tem mais corpo e estrutura (porém menos perfume), eu posso tentar descobrir qual é a proporção que eu quero de cada uma para fazer um vinho mais equilibrado.

E por isso que se começa com o tubo de ensaio: saber a porcentagem que usamos de cada um ajuda na hora de repetir a proporção para uma garrafa mais adiante.

Eu tentei brincar com essa proporção de Loureiro e Avesso, por exemplo. Cada um dos participantes tem três taças à mesa para fazer as experiências e ir ajustando as proporções – colocando só um pouquinho de vinho para fazer os testes, hein?

Experimenta daqui, sente o aroma dali, e já perdemos um tempo gostoso nessa brincadeira. Muito bom!

Mas, enfim, chegamos à proporção desejada. Daí começa uma segunda etapa – essa, hã, um pouquinho menos interessante. 😜

3º passo: a hora da matemática

Yeap, matemática. Com papel, lápis, regra de três e tudo.

Basicamente é o seguinte: agora que a gente chegou à medida ideal do corte do nosso vinho, precisamos reproduzir essa quantidade para uma garrafa – ou para um lote de garrafas, como é o caso das grandes produtoras de vinhos.

E no nosso programa, isso é feito no papel, com a boa e velha regrinha de três: de um lado a gente coloca as proporções que usamos para fazer o nosso vinho (para uma taça) e calculamos quais seriam as proporções para uma garrafa de 750ml.

Eu confesso que fazer contas depois de algumas taças de vinhos é uma atividade bastante, hã, interessante! 😛

Feitas as contas, a gente volta para os tubos de ensaio, e vamos enchê-los com as proporções escolhidas para pôr na garrafa.

(Por favor, não reparem no meu olhar de louca na foto: eu estava virada de uma noite sem dormir e uma manhã inteira dirigindo na chuva. Ou seja, estava exausta e tentando manter os olhos arregaladíssimos para combater o sono e chegar até o fim da atividade!).

Uma vez que enchemos a garrafa com o nosso vinho, é preciso preparar a rolha, o rótulo, o lacre – que é outra atividade bem gostosa! 😊

4º Passo: fazer o rótulo

E vamos fazer nosso rótulo! No caso das grandes produtoras, os rótulos são feitos na gráfica, com aqueles designs que conhecemos. Mas como a proposta do Enólogo por um dia é fazer o vinho todo 100% através das nossas mãos, o rótulo é feito em aquarela mesmo. Hora de pôr os dotes artísticos para jogo! 🙂

E eu, que tenho ZERO habilidades artísticas, fiz essa coisa esquisita aí embaixo para o rótulo do meu vinho “D – Dondeando”, 1º lote, safra 2016.

5º Passo: Colocar a rolha… e pronto!!! 🙂

E agora é hora de fechar a garrafa. Na mesma salinha onde fazemos o vinho há uma máquina antiga que usamos para colocar a rolha na garrafa, da forma mais low-tech possível – puxando uma alavanca!

E só! Foram duas horas e meia que passaram voando deliciosamente. Eu super recomendo – não só pela atividade em si, mas pelo fato de “fechar com chave de ouro” todo o contexto dos vinhos verdes que vínhamos tendo em nossas visitas às quintas. 😊

Dali, voltamos à sede principal do hotel, às dependências com piscina, spa e todos os mimos que o Monverde oferece.

No jantar oferecido pelo hotel, é possível informar com antecedência se queremos escolher os vinhos da casa ou se vamos usar os nossos – uma sugestão da própria Bebiana, que nos informa que podemos levar nosso vinho para ser aberto no jantar. Basta que informemos à cozinha com antecedência, para que os pratos sejam montados para harmonizar com as uvas da “nossa criação”.

Mas ela mesmo confessa: a maioria das pessoas prefere levar seu vinho para casa, dá “dó” de abrir assim! Fizemos o mesmo – preferimos trazer nossos vinhos para casa e experimentar os outros oferecidos na Quinta da Lixa! 🙂

Considerações finais

O Monverde Wine Experience é relativamente novo no cenário hoteleiro/vinícola de Portugal, e vale um pernoite pelo menos, pelo conceito de hotel-experiência. As instalações são imponentes e merecem um post-review só para elas (que está vindo em breve). Mas também dá para reservar o Enólogo por um Dia mesmo sem ser hóspede do Monverde – para isso, basta mandar um email para reservas@monverde.pt.

O programa é feito todos os dias de terça à sábado mediante reserva (que tem que ser feita com um mínimo de 24 horas de antecedência). Os valores são acordados conforme o número de pessoas que participam da experiência.

Importante: na época da vindima (nos meses de setembro e início de outubro) crianças podem participar também. Elas não bebem o vinho (obviamente) mas nas mesmas dependências onde acontece o Enólogo por um Dia está uma tina de pedra para a pisa das uvas, que os pequenos podem participar!

Esta viagem faz parte de um projeto chamado “Descobrimento às Avessas” que eu criei em conjunto com a blogger portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities. Nossa visita ao Monverde Wine Experience e a participação do Enólogo por um Dia foi fruto de uma parceria com o hotel, mas deixo claro que todas as opiniões e preferências aqui foram fruto de opiniões genuínas da autora.

Primavera em Londres: 4 motivos para marcar sua viagem nesta época

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Estou morando em Londres há quase dois anos e, somente agora, acho que estou pegando o jeito das estações nesta cidade.

De modo que, se você me perguntasse, eu concordo com o senso comum de que é definitivamente  o verão (mais especificamente, entre a segunda metade de junho e a primeira metade de setembro), com temperaturas mais quentes, dias mais longos e muita coisa bacana acontecendo pela cidade, a melhor época para chegar em terras da Rainha.

Mas em seguida, eu também diria que a segunda melhor época é a primavera, especialmente nos meses de abril e maio. E diria também que, até o ano passado, eu tinha a primavera e o outono empatados na minha cabeça, já que o outono daqui também é lindíssimo, com seu friozinho delicioso (e ainda suportável) e com todas as árvores em lindos tons quentes de amarelo e vermelho, deixando a cidade toda incandescente.

É, eu adoro o outono daqui. Não por acaso, foi a estação em que eu me casei.😍

Mas foi nesse ano, minha segunda primavera aqui – que consegui “desempatar a questão” na minha cabeça. E explico alguns dos motivos porque acho que marcar uma viagem para Londres entre abril e maio é uma ótima pedida. 🙂

1. Tudo é mais florido e alegre

 

Isso não é brincadeira. Como no Brasil a gente tem tempo bom e ensolarado com frequência (bem, pelo menos na maior parte do Brasil. Amigos meus de Curitiba iriam discordar dessa afirmação! 😛 ), isso acaba sendo algo natural para a gente – ou, como o inglês fala, “we take it for granted”. Mas aqui, os dias ensolarados e quentes acontecem (bem mais do que a gente imagina, nós que sempre tivemos aquela imagem de uma Londres cinza e chuvosa), mas com menos frequência. Então, para o inglês – e quem quer que more aqui – basta chegar março e ver os primeiros brotos de primavera chegar que o astral da cidade já muda, as pessoas ficam bem mais animadas. Isso aumenta mais mais em abril, quando as árvores já começam a florir para todos os cantos, os dias ficam mais compridos (e mais quentes, ainda que isso ainda signique “frio” para a maioria dos brasileiros) e começam a surgir brotos de narcisos em todo o canto – segundo os ingleses, essas são as primeiras flores a nascer, anunciando a primavera.

E eu já fico toda animada quando começo a ver os pubs pendurando cestinhas de flores do lado de fora – depois de meses de um inverno tão “pelado” de folhas e flores, é bom ver um pouco de cor em tudo quanto é lugar. 🙂

Dica de onde ir:

Se você vem a Londres na segunda metade de maio e curte ver lindos jardins floridos, programe uma visita até o Kew Gardens, praticamente o Jardim Botânico inglês. O passeio vai durar metade de um dia para ver algumas das partes principais (ou o dia inteiro, se você tiver disposição de ver tudo), mas é na primavera que você começa a ver os belíssimos jardins se colorirem de novo. É uma das atrações pagas de Londres (você pode comprar o ingresso aqui, sem fila), mas que vale a pena – eu fui no outono, com a paisagem toda amarelada, mas minha prima foi na primavera e adorou. Dica: dá até para combinar o passeio com uma visita ao Kew Palace, onde morava o Rei George III, o rei louco (ingressos para o Kew Palace não estão incluídos dentro do ingresso ao Kew Gardens e precisam ser comprados separadamente. Você pode comprá-los aqui).

 

Kew Gardens no final do inverno. Crédito da foto: Flickr de Herry Lawford (licença Creative Commons).

 

Mas vale lembrar que o Kew Gardens é mais afastado. Se você quiser ver um montão de flores bem de pertinho, corra para os jardins do Regent’s Park – cuja entrada, aliás, é de graça. Se o dia estiver bom, fica a dica de fazer um piquenique por lá. 🙂

2. Os pubs abrem os seus “beer gardens”

Outra coisa deliciosa: Pub inglês é o equivalente ao nosso boteco brasileiro, e é geralmente onde acontecem, começam e terminam qualquer evento em Londres (ou no Reino Unido… Eu diria que os pubs estão super inseridos na cultura britânica de forma geral). Por isso, eles são versáteis: tem um interior um pouco escuro e acolhedor para dar conta do inverno – mas basta que os dias comecem a esquentar que eles abrem os seus “secret gardens”, ou beer gardens. 🍻

Mesmo que você não seja da turma da cerveja – como eu – descobrir estes jardins secretos é uma delícia. 🙂

Nem sempre eles são assim secretos. Alguns são no alto, em que o jardim tem uma bela vista para a cidade.

Já outros são mais escondidos mesmo – a gente tem que seguir as placas. Mas há cantinhos bem bacanas!

Dicas de onde ir (ou “meus beer gardens preferidos são”):

Canonbury Tavern (Highbury & Islington): é meio carinho, mas tem um super jardim e era frequentado por George Orwell (o cara que escreveu “1984” e “A revolução dos Bichos”), que aliás, morava ali pertinho. Costuma lotar no verão, e tem até um espaço de churrasco (bem, entenda-se o churrasco inglês, que é linguiças e hambúrgueres. Ainda assim, delicioso).

The Junction Tavern (Kentish Town – o metrô mais perto é a estação de Tufnell Park, na linha preta): fica na zona 2, o que significa que não é nada turístico, e sim um pub de locais. Mas por isso mesmo é bacana, e o jardim dele é uma fofura, tanto no verão (flores) quanto no inverno (lareiras). Foi eleito pela TimeOut como um dos melhores pubs do Norte de Londres. Confesso que venho aqui com uma certa frequencia – o fato do meu marido trabalhar aqui perto e ser “o point” pós trabalho pode ter alguma coisa a ver com isso. 😉

The Garden Gate (pertinho da estação do Overground de Hampstead Heath): Fica bem na esquininha de Hamsptead Heath, um parque enorme, lindo e delícia daqui de Londres. O bairro é igualmente charmoso (leia-se “caro”, também) mas felizmente o pub tem preços até bem razoáveis, considerando a localização. O beer garden é uma gracinha, grandinho e gostoso, e eles fazem churrasco ao ar livre em dias quentes de verão (não espere o nosso churrasco, mas sim linguiças e hambúrgueres grelhados na chapa na hora – gostosinhos, também). Fica perto da estação de Overground de Hampstead Heath, e você pode combinar com uma caminhada pelo parque antes ou depois do beer garden: típico caso em que a ordem dos fatores não vai afetar a delícia que vai ser o seu dia.

PS: Desculpem-me por estar escolhendo apenas pubs na zona norte de Londres e não tão centrais, mas isso não é mera coincidência. São de fato os pubs que eu mais frequento por serem perto de onde moro, mas também por terem uma vibe bem mais gostosa, de bar e conversa mesmo (muitos pubs no centrão de Londres ficam muito cheios com a galera que sai do trabalho para beber, ou cheios de turistas, ou hypados de tão forma que meio que perdem aquele gostinho original. Esses que eu recomendei são, de certa forma, meus preferidos porque mantém esse ar “local”).

3. É quando é possível ver vários bichinhos-bebês

(bem legal para quem vem com crianças)

Lembra do filme do Bambi? Em que toda vez que chegava a primavera era quando nascia um monte de filhotes (ou, quando estavam adultos, era quando “o amor está no ar”)?

Pois é. Esse efeito acontece mesmo na vida real. <3

E eu falo sério. Basta começar março que a gente escuta uma passarinhada revoando por todo o canto, gatos brigando (ou não) pela vizinhança, e esquilinhos correndo soltos atrás uns dos outros, numa coisa meio amor & violência, tudo ao mesmo tempo.

Como as estações do ano são bem marcadas, ao morar aqui você passa a notar essas pequenas mudanças. Por isso que quem vem nessa época pode começar a reparar em alguns detalhes: por exemplo, no início de março/ abril, nos parques, vocês vão notar vários patos, cisnes e outras aves montando seus ninhos (muitos à beira dos rios, que são lugares em geral protegidos de predadores, como raposas).

E quem vai no final de maio/junho já deve conseguir ver patinhos em todo canto! 🙂

Mas se o seu negócio for realmente uma vibe “Bambi”, aproveite: os meses de abril e maio são também os melhores para se visitar o Richmond Park, uma reserva nacional onde dois tipos de veados (inclusive o da espécie do Bambi, no filme) vivem. E nestes meses é quando nascem os filhotes!

Tá, essa foto mostra os “Bambi” adultos, e foi tirada no outono. Mas quando fui na primavera, era difcil (e perigoso) se aproximar dos bandos onde estavam os filhotes – imediatamente os maiores se aproximavam para proteger. Então, por motivos de “não quero parar no hospital”, fico devendo a foto dos bebês aqui!

Dica de onde ir:

Qualquer um dos parques centrais de Londres: basicamente, qualquer parque que você for visitar em Londres será possível avistar patinhos, ninhos e a fauna local – mas os melhores locais para ver são o Hyde Park (especialmente perto da Serpentine), Regent’s Park, St James Park (perto do Buckingham Palace)e, mais para o norte, o Hampstead Heath.

 

Richmond Park: criado há seculos atrás como uma reserva para caça de veados utilizada exclusivamente pela corte, o parque deixou o passado sangrento de caça para trás e hoje é o endereço de duas espécies de veados que vivem por lá. Vale a visita porque o parque é lindo, os veados são lindos, o bairro de Richmond é uma fofura e, bem, é de graça. Em caso de dúvidas, dá uma olhada no post que eu escrevi de lá.

London Zoo: Pelos mesmos motivos que o Bambi, a primavera é quando alguns dos animais do zoo procriam, e você pode acabar tendo a sorte de ver pequenos macaquinhos, pinguinzinhos e outros bichinhos bebês por lá – fofura total. Vantagem: o London Zoo organiza às sextas um horário de abertura mais tarde, quando é possível ver melhor os animais noturnos (mas, infelizmente, quem vai nesse horário mais tarde pode perder os filhotes, que geralmente vão dormir).

Quando eu fui no London Zoo, a mamãe gorila tinha tido um bebezinho, mas não consegui tirar foto dele porque eles “tinham ido dormir”. Então para compensar deixo a foto desse tigre brabo e bonitão que eu tirei, tá?

4. Começam os eventos ao ar livre

Ah, isso sim é uma delícia!

Explico: apesar de Londres ser considerada uma cidade cara em termos de custo de hospedagem, transporte e comida, ela é super em conta porque oferece muita coisa de graça!

A começar pelos museus, por exemplo. Enquanto que em Paris você tem que desembolsar alguns euros para ver um legítimo Van Gogh, em Londres você não paga nadinha (dica de leitura: melhores dias e horários para visitar os museus de Londres).

Mas na primavera, e com o tempo melhorando, começa a temporada de abertura de rooftops, lounges e shows ao ar livre – e a maioria tem entrada gratuita, você paga só o que consumir e/ou as atrações em si.

O mais famoso é o Udderbelly (conhecido, entre os íntimos, como a “vaca roxa”). É, literalmente, uma vaca roxa inflável enorme, que abriga um show de humor lá dentro. O show de humor é pago e você não precisa ir (o humor inglês é bastante peculiar, mas é difícil de entender porque muitas das piadas fazem referências locais e, bem, tem a questão do sotaque, também), mas a área externa é um lounge bem gostoso com cadeiras, mesas, aquecedores (para os dias de frio nada raros, mesmo às portas do verão) e barzinhos de comida e bebida.

Vale dizer: é o point da azaração! 🙂

É também quando os parques estão lotados de gente tomando sol, fazendo piquenique. É possível até ir a um show de forró num parque inglês, ao ar livre!

Mas nem tem só isso: Shoreditch e Hackney são cheias dos eventinhos gostosos de se visitar (confira a TimeOut London – lá eles sempre colocam detalhes de onde acontecem esses eventinhos).

E tem o Pop Brixton também, no sul de Londres – uma área aberta onde locais se reúnem para beber, ouvir música e assistir os jogos do torneio de Wimbledon ou o que quer que esteja passando de interessante. Fora, ainda, as feiras ao ar livre, como a Brick Lane, Portobello Road e Broadway Market (essa última, aliás, uma feira de fazendeiros locais – deliciosa!).

Delícia, né? E o verão ainda nem chegou… 😎

Se bem que deve ser isso o que faz a primavera londrina ser tão boa: é ter sempre a sensação de que ainda tem muita coisa boa pela frente! 🙂

Quinta do Ameal: hospedagem de sonho em Ponte de Lima (bônus: vinhos espetaculares!)

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Uma das vantagens do planejamento da nossa Rota do Vinho Verde foi o fato de que ela foi feita totalmente por nossa conta. Claro, pedimos algumas parcerias aqui e ali para nos ajudar a manter os custos no controle (e que foram devidamente pontuadas em cada post), mas o fato de toda a programação ter sido decidida pela gente nos deu uma liberdade enorme de escolher onde gostaríamos de visitar.

E o melhor, podíamos ajustar as visitas e incluir as quintas e vinícolas que fossem recomendadas aos poucos. Isso nos deu uma liberdade enorme de roteiro, de foco no que queríamos e de pesquisa – visitamos apenas as vinícolas espetaculares recomendadas por outros produtores de vinhos igualmente espetaculares.

Foi o caso da Quinta do Ameal, em Ponte Lima. O nome primeiro pipocou em nossa lista como uma recomendação enfática (leia-se “os vinhos são sensacionais, vocês têm que ir”). Por causa disso, programamos um dia interinho para visitar Ponte de Lima (que já sabíamos que era uma cidade-fofura) e a quinta.

Posso dizer, sem exageros, que foi um dos pontos altos do passeio. 😍

Esse é um dos reviews mais queridos desta série, porque a Quinta do Ameal foi verdadeiramente apaixonante para mim, tanto em vinho quanto como experiência de hotel. Para quem vai fazer a Rota do Vinho Verde, é um ponto alto (e obrigatório).

Chegando na Quinta do Ameal – um amor de lugar!

A Quinta do Ameal fica a alguns minutos de estrada do centrinho de Ponte de Lima – vale a pena, por exemplo, pensar em se montar base nela para idas rápidas a Ponte de Lima ou até a Monção, mais ao norte (ao invés de ficar em Melgaço, como fizemos) ou combinar a visita em um dia dedicado a Ponte de Lima. Nós fizemos essa segunda opção,  mas eu super recomendaria a hospedagem por lá – e explico o porquê mais abaixo.

Não pode chegar chegando: as visitas tem que ser agendadas, e o Pedro, proprietário Da Quinta e produtor de vinhos, é bem gentil – uma dica é contatá-lo antes de chegar, por telefone, para que ele possa dar as orientações direitinho de como chegar. A Quinta fica próxima, mas meio escondidinha da estrada principal (dica: coloque as coordenadas no GPS).

E bastou a gente chegar no portal da propriedade para sabermos que estávamos entrando numa quinta lindíssima.😍

Aliás, esse foi um aprendizado particular da nossa viagem: toda vez que a gente se embrenhava em cantinhos minúsculos rurais era um sinal de que a quinta/hotel em que a gente pararia era absolutamente maravilhosa. Tiro e queda.

A Quinta do Ameal fica numa propriedade enorme, mas a estradinha de chegada leva à casa principal – que, aliás, é o que interessa, porque ela é um charme só: coberta de heras e com uma vista de morrer de amores!

Nota: eu fui em outubro, no outono. Um lado muito negativo dessa época é a chuva – não tinha um dia em que eu não ficasse verdadeiramente ensopada. Mas por outro lado, as cores da estrada – e dessa quinta em especial – eram paixão pura. 😍🍂

Aqui, antes de seguir falando do hotel, vale a pena falar um pouco da história do Pedro Araújo, o homem por trás da idéia: ele é da família Ramos Pinto e bisneto do fundador da empresa, a mesma dos consagrados vinhos do Porto. Portanto, no que se refere a bons vinhos, ele sabe exatamente do que está falando.

Com a família toda no negócio do vinho do Porto, o Pedro decidiu ir por um caminho diferente – e, como ele mesmo diz, “eu quero ser um produtor de grandes vinhos brancos”. Levou a sério o projeto e, depois de muito estudo, comprou uma propriedade próximo a Ponte de Lima e às margens do Rio Lima – o melhor local para a produção das uvas Loureiro, a mais aromática das uvas brancas portuguesas (Veja um infográfico sobre as uvas portuguesas aqui).

Lugar lindo, produção séria. A Quinta do Ameal começou sua produção de vinhos brancos (e vinhos brancos verdes) e pouco depois depois colheria seus frutos: já tem rótulos muito bem pontuados por críticos como Robert Parker e já figura nos menus mais caros de restaurantes de Nova York e Londres. Pronto: com a meta de conquistar seu espaço com vinhos de qualidade bem encaminhada, foi só recentemente que o Pedro pôde começar a se dedicar a receber pessoas em sua propriedade.

 

Como é a experiência de hospedagem da Quinta do Ameal

Fomos recebidas pelo próprio Pedro, o que fez toda a diferença na recepção (por favor, não deixem de agendar com ele quando forem). A Quinta do Ameal, mais que um negócio, é quase que uma parte da casa dele, e essa é a sensação que se tem tempo todo: que estamos super à vontade, quase em casa – mas uma casa linda e impecavelmente aconchegante.

Sala de convivência da Quinta do Ameal. Uma delícia para se ficar – e curtir um vinhozinho no frio!

 

Também foi ali, na Quinta do Ameal, que eu tive uma das melhores lições sobre prestação de serviços. Nas palavras do Pedro:

“O meu avô tinha um trono de verdade na Ramos Pinto. E toda vez que ele recebia um cliente, ele o levava até o trono e o fazia literalmente sentar lá. ‘O cliente é nosso rei’, ele dizia, e atendia os clientes como tal.

eu cresci vendo isso, e é assim que eu aprendi a conduzir o meu negócio e a tratar os meus hóspedes”.

Achei isso uma imagem poderosa. E como uma pessoa que, antes de ser blogueira, trabalhava com marketing, serviços e todo esse blablablá, fiquei pensando em quanto um gesto – sentar um cliente no trono – pode dizer tanto sobre a postura de uma empresa, mais do que qualquer código de conduta e mil regras de treinamento sobre excelência de serviços. 

Acho que eu talvez nunca consiga traduzir tudo o que significou essa viagem a Portugal: eu fui ter com com os portugueses para aprender sobre vinhos verdes e acabei aprendendo sobre a vida. 

Na prática, foi isso o que eu percebi em cada detalhe da hospedagem na Quinta do Ameal: as dependências da hospedagem fazem a gente se sentir como rainhas mesmo. Fora, ainda, que todas as vistas são absolutamente apaixonantes.

 

OS QUARTOS

São cinco quartos disponíveis para hospedagem, sendo dois num chalé separado (e mais privativo) e três na Casa Principal. Todos os quartos tem capacidade para duas pessoas, mas o chalé é indicado para quem vai com família (quatro pessoas no máximo): filhos ou dois casais de amigos, por exemplo.

Nós visitamos as três suítes da casa principal: Suíte Glicínia, suíte Jardim e Suíte Camélia.

Sala de estar da Suíte Glicínia

A Suíte Glicínia e Camélia possuem dois andares, e todas as três possuem banheira. Todo o mobiliário é feito com madeirade demolição – e tem um ar super chamoso e intimista!

Suíte Jardim: Extremamente aconchegante e conta com um jardimzinho separado. Repare na banheira com uma “biblioteca” do lado!

Suíte Jardim

Suíte Jardim

Agora, o que eu particularmente achei um charme: na suíte Camélia há um chuveiro do lado de fora, em que você toma banho ao ar livre (mas com toda a privacidade, claro, ninguém te vê! Imagino que isso é uma delícia no verão!).

Chuveiro ao ar livre da Suíte Camélia

(Mas se isso for intimidade demais para você, tem uma banheira do lado de dentro do quarto também! E as dependências são igualmente charmosas!).

Não cheguei a ir nos quartos do chalé porque estavam ocupados, mas a proposta de decoração é a mesma: intimista e de muito bom gosto.

Todas as suítes contam com uma copa, estacionamento e wifi gratuito. O café da manhã é incluído e servido na sala de convivência (aberto a todos).

Sala de convivência

E outra delícia à disposição dos hóspedes é a piscina – além do rio ali perto e de diversas trilhas para fazer caminhadas e cavalgadas.

COMO É A COMIDA

A Quinta do Ameal não tem almoço e jantar incluído na diária, mas pode preparar a pedido dos hóspedes – ou indicar alguns dos restaurantes da redondeza, já que há alguns excelentes nos arredores de Ponte de Lima.

Outra coisa que é possível agendar com o Pedro é um piquenique em meio às vinhas (suuuuuuuuuuuuper romântico num dia de sol). Eles preparam a cesta com pães, azeites, queijos e presuntos artesanais (eles chamam que fumeiros), frutas. E, claro, vinhos! 🙂

Restaurantes nas redondezas (precisa do carro para ir e voltar):

  • Petiscas: Super bem recomendado por algumas pessoas locais e pelo Trip Advisor, fica no Largo da Alegria – Arcozelo. Telefone: +351 964 514 947.
  • A Carvalheira: Nós fomos nesse. Pedimos um sarrabulho, prato típico da região (particularmente eu não gostei porque acho o tempero um pouco pesado, eles usam muitos cominhos). Mas o sucesso da casa é o bacalhau e o cabrito assado, que não experimentamos, e os doces regionais – eu provei o Abade de Priscos deles e amei! Rua Do Eido Velho, Ponte de Lima. Telefone +351 258 742 316 (é bom fazer reserva porque lota).

 

E, claro, os vinhos!

Mas vamos que vamos, que nós fomos até lá primeiramente por causa dos vinhos, certo?

Pois bem: como disse o Pedro, “eu quero ser um grande produtor de vinhos brancos” – e sua aposta era usar a casta (uva) Loureiro para isso, que é a mais aromática das uvas portuguesas, e a região de Lima é exatamente a zona demarcada onde essa uva se desenvolve melhor.

Mas havia um desafio nisso aí: há alguns anos (afinal, produzir vinho é algo que leva tempo), a uva Loureiro era mais utilizada quando combinada com o Alvarinho para a produção de vinhos verdes (explico tudo sobre o que é vinho verde aqui) e vinhos tendo apenas a Loureiro como uva principal não eram muito explorados – e consequentemente, vistos como vinhos complexos e com alto valor de mercado.

Por isso, mais do que simplesmente produzir vinhos, a Quinta do Ameal tinha que mudar paradigmas – o que é sempre um trabalho mais difícil- E talvez por terem conseguido isso é que todos os grandes entendedores de vinhos com quem conversamos na hora de montar esse roteiro recomendaram que passássemos por aqui.

Quatro vinhos se destacam na produção da Quinta do Ameal: Solo, Escolha, Loureiro e Special Harvest.

Eis uma fotinho poética dos três vinhos que experimentamos – Solo, Escolha e Loureiro – tirada na sacada fofa do Ameal.

A Quinta do Ameal não oferece uma visita guiada às suas instalações de produção de vinho propriamente ditas – do tipo que você tem que pagar um preço certo, com certa duração e incluindo X degustações ao final. Tudo é agendado e acordado na hora com o Pedro, que vai fazer o possível para proporcionar a melhor experiência possível (lembra do lance do cliente ser o rei?). De qualquer forma, ao agendar uma visita à Quinta do Ameal, o Pedro acompanha o cliente às instalações de produção do vinho, feitas numa construção bem próximo à Casa Principal (e com um portão altamente fotogênico).

“Há uma expressão dos espanhos que é algo como ‘deixe de maricadas’ (deixar de frescuras)”, completou Pedro. “Eles usam isso para coisas com muitas frescuras. Pois bem, eu não sou um produtor cheio de frescurices. Não tenho galpões enormes nem diversos equipamentos mirabolantes. Nosso foco é usar uvas de primeira qualidade, e nos focamos no processo. Essas são as máquinas que usamos – todas de primeira – e esses são os barris de carvalho francês onde envelhecemos os nossos vinhos. Nós acompanhamos todo o processo pessoalmente – é um trabalho como de um chef.”

O envelhecimento em barris de carvalho, aliás, merece destaque: por muito tempo acreditava-se que vinhos brancos da uva Loureiro (e vinhos verdes, por consequência) não envelheciam em carvalho e eram de consumo rápido. A Quinta do Ameal, junto com a Soalheiro, foi uma das grandes responsáveis por quebrar esse paradigma e apresentar vinhos complexos e longevos com envelhecimento em barris de madeira – e foram essas duas empresas que começaram a puxar os preços dos vinhos verdes para cima.

A visita é curtinha na parte de produção de vinhos – e logo voltamos à casa principal para experimentar os vinhos (caso você queira experimentar os vinhos é preciso acertar com o Pedro a quais rótulos você deseja, e o valor é acordado na hora).

Nossos “tronos” de clientes onde degustávamos os vinhos!

Nossas impressões sobre os três vinhos que experimentamos:

  • Loureiro 2014: Nós experimentamos o Loureiro 2014, que recebeu 92 pontos pelo Robert Parker (a safra de 2015 recebeu 95 pontos, aliás).
  • Escolha 2014: Particularmente o meu preferido, é o que envelhece por 6 meses em barris de carvalho francês usados, o que dá a ele uma complexidade maior e mais interessante. Muito frutado, muito interessante!
  • Solo: Segundo o Pedro, “é uma homenagem que fizemos à terra”. Os vinhos são feitos com uvas que não receberam nenhum aditivo, adubo ou fertilizantes – as uvas são cultivadas organicamente, e a composição do vinho é a mais natural possível, sem pouquíssima interferência. Por isso, talvez, o Solo seja o vinho com maior mineralidade (por causa do solo naturalmente granítico da região) e o mais próximo à terra. É muito bom, e uma excelente criação da casa.

Há também o Special Harvest, que não experimentamos, mas que está muito bem cotado (e caro) entre os críticos.

Em tempo: quando fomos lá, o Pedro estava montando uma loja dentro da Quinta, onde os hóspedes poderiam comprar direto do produtor os vinhos que desejem, bem como geléias, queijos e presuntos produzidos artesanalmente na região.

E esta é a relação das pontuações dos vinhos da casa pelo Robert Parker, um dos mais reconhecidos críticos de vinhos atualmente.

Mas tem a pergunta que não quer calar…

“Tá, a Quinta do Ameal produz vinhos brancos. E os vinhos verdes?”

Acontece que aqui na Quinta do Ameal o que pegou foi a terminologia. Segundo o próprio Pedro nos explicou, “por muitos anos a palavra vinho verde ficou associada a vinhos baratos, de produção simples. Por causa disso, dificilmente um vinho verde iria atingir a mesma faixa de preço que um bom vinho do Porto ou um tinto. E a minha proposta é produzir vinhos topo de gama – só que o preço cobrado por um vinho verde topo de gama não é o mesmo de um topo de gama branco ou tinto”.

O problema comercial foi resolvido focando-se nos vinhos brancos – ou “grandes brancos”, como o Pedro repetidamente afirmava. Mas esses vinhos brancos são verdes também?

“Se você me perguntar se eu tenho vinhos verdes, a resposta é sim”, disse ele, pegando uma garrafa de Loureiro 2014. “Eu produzo vinhos com uvas Loureiro, uma casta registrada para vinhos verdes, e produzo as uvas no terroir mais adequado para essa casta. O vinho é produzido na zona demarcada dos Vinhos Verdes, e portanto está autorizado a levar a denominação ‘vinho verde’ no rótulo”.

A sutileza, pelo que eu entendia, estava na filosofia das próprias quintas: enquanto a Quinta do Soalheiro busca fazer excelentes vinhos explorando as diversas características do vinho verde e da uva Alvarinho, a Quinta do Ameal se preocupa em fazer grandes vinhos brancos – que, por acaso, calham de ter as características dos vinhos verdes em alguns dos rótulos também. Mas o ponto em comum das duas é o mesmo: produzir bons vinhos, e ponto.

E cá para nós: quando se está com uma taça na mão de um excelente vinho, num lugar belíssimo e cercado por boas conversas, nem combina perder tempo preocupando-se com nomenclaturas, né? 🙂

 

Resumo: como recomendaríamos incluir a Quinta do Ameal na sua Rota do Vinho Verde

 

Para quem vai fazer a Rota do Vinho Verde toda, passando por Melgaço

A vantagem da Quinta do Ameal é que fica pertinho de Ponte de Lima, que é um bom meio do caminho entre Melgaço e Monção (onde ficam a Quinta do Soalheiro e o Palácio da Brejoeira, duas excelentes referências em vinho verde) e Guimarães e Braga, por exemplo.

O que nós fizemos: Como explicamos aqui, nós nos hospedamos em Melgaço por duas noites, na Casa das Pesqueiras (maravilhoso!!!!), e de lá montamos base para explorar os arredores de Melgaço, ir à Monção e a Ponte de Lima. Posso dizer que isso funcionou muito bem nso deslocamentos a Monção e Melgaço, mas esticar de Melgaço até Ponte de Lima e voltar no mesmo dia ficou meio cansativo: foi 1 hora dirigindo pela estrada. Veja bem, não foi o tempo de direção pela estrada que cansou, mas o conjunto da obra: estava chovendo bastante, a pista estava super escorregadia (era outubro, e chove MUITO nessa época do ano), já estava de noite quando voltamos, a gente tinha passado o dia inteiro de lá para cá visitando as quintas, anotando e escrevendo; e, claro, tínhamos provado os vinhos. Ou seja, hoje eu continuo reforçando que valeu a pena começar em Melgaço… mas eu faria um pouco diferente em relação à Ponte de Lima.

O que eu faria se fosse de novo: Manteria a parte de me hospedar em Melgaço por dois dias para explorar as quintas de lá e de Monção, e depois me hospedaria na Quinta do Ameal (por dois dias também – pense que essa Rota do Vinho Verde é altamente gastronômica e, portanto, é para ser degustada devagar – especialmente nos lugares em que valem a pena). Duas diárias na Quinta do Ameal dão conta do recado: dá para aproveitar a quinta com calma (e com muita comida) e ainda explorar os arredores como Ponte de Lima (que é uma cidade gracinha e facilmente explorável em uma tarde) ou ir até Viana do Castelo, no Litoral (30 minutinhos de carro). Ou até Braga (36 minutos de carro). Nota: eu recomendaria isso especialmente para casais – a Quinta do Ameal é estupidamente romântica, e entrou lindamente na minha lista de lugares para voltar lá com meu marido, sem ser a trabalho! 🙂

O que eu acho bom avisar: As estradas de Portugal são muito boas e bem sinalizadas, mas não tem muita iluminação à noite – e chove bastante em algumas épocas do ano. Fui em Outubro, por 1 semana, e só teve dois dias em que não peguei chuva. A pista ficava um verdadeiro sabão, e isso exigia bastante atenção durante os deslocamentos, o que nos deixava exaustas no final do dia (como foi uma viagem a trabalho, ficamos boa parte do tempo de lá para cá, de quinta em quinta).

Estrada entre Melgaço e Monção, em direção a Ponte de Lima. A pista é bem direitinha e a sinalização também, mas repare que é uma pista só (e tem muito caminhão na estrada) e não tem muita iluminação, o que torna as viagem à noite mais atentas.

Isso, somado com um vinho aqui e ali, não foi legal. Por isso, recomendo quebrar a viagem em mais paradas se a sua idéia é realmente curtir as quintas, sem pressa. Sua experiência final vai ser muito mais interessante!

Dá para ir à Quinta do Ameal do Porto? Dá, é uma hora e pouco pela estrada. Mas é maldade fazer um bate e volta: tanto a Quinta do Ameal quanto Ponte de Lima merecem mais tempo.

 

Observação importante: nós não nos hospedamos na Quinta do Ameal, apenas fomos lá para conhecer os vinhos – mas ao fazer isso atiramos no que vimos e acertamos também o que não vimos: uma hospedagem de primeira. De modo que fica aqui a recomendação – e  se se hospedar lá, me conte como foi por favor! 🙂 Se tem uma coisa que essa viagem me deu foi vontade de voltar de novo em alguns lugares, só que de férias e com marido e amigos a tiracolo, e certamente a Quinta do Ameal é um ponto alto nesse sentido!

Esta viagem faz parte de um projeto chamado “Descobrimento às Avessas” que eu criei, em conjunto com a blogger portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities. Nossa idéia era desvendar um roteiro prático sobre a rota portuguesa dos vinhos verdes, anotando todas as melhores vinícolas, restaurantes e experiências para podermos escrever, cada uma em nossos blogs, um roteiro completo da Rota do Vinho Verde.

Por isso, a visita à Quinta do Ameal e a todas as vinícolas deste projeto foi fruto de uma parceria feita diretamente com este empreendimento. Escolhemos cada um destes locais da rota porque eles se encaixavam nos requisitos que tínhamos para um roteiro de descobrimento português – queríamos o Portugal dos cantinhos escondidos, dos pequenos produtores, dos excelentes vinhos e das experiências intimistas, e todas as parcerias foram uma consequência desta busca, e não o contrário. Por isso, deixo claro que apesar de termos recebido apoio nesta visita, todas as opiniões e preferências descritas ao longo dos posts foram fruto de opiniões genuínas da autora – são estes os princípios que norteiam todo esse blog e serão também a  base de todos os próximos posts sobre a série “descobrimento às avessas”.

Mas, afinal, o que é Vinho Verde? A gente resolveu desenhar!

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O vinho verde é da cor verde mesmo? Tem que ser consumido logo senão vira vinagre? Tem bolhas, tipo espumante?

O que é vinho verde, afinal?

Quando bolamos nossa viagem pela Rota do Vinho Verde em Portugal – que eu apelidei de “Descobrimento às Avessas” – essa era a principal pergunta que eu tinha na cabeça (e as minhas respostas de então eram parecidas com as de todo mundo). Uma vez que eu entendesse o que é um bom vinho verde, eu seguiria para o meu segundo objetivo, que seria então destrinchar uma rota de carro fácil, factível e deliciosa que incluísse as vinícolas que tivessem as produções mais primorosas e que produzissem grandes vinhos verdes. E, claro, no meio do caminho descobrir a gastronomia local e histórias escondidas (como é o caso do Palácio da Brejoeira, por exemplo).

Trabalho “ruim”, esse, de ficar descobrindo lugares delicinha para se comer – e logo em Portugal! Vai vendo os sacrifícios que eu faço em nome do blog! 🙂

Mas responder à pergunta foi mais difícil do que eu pensava porque o discurso não vinha pronto e uniforme. O site da Comissão dos Vinhos Verdes dava algumas boas referências, mas encontramos muitos exemplares de vinhos verdes (espetaculares, aliás) que quebravam alguns mitos importantes sobre o que se pensava ser esse tipo de vinho. E eu ficava perdida, sem conseguir definir direito.

Daí, como uma boa jornalista, deixei que as fontes que explicassem – no caso, os próprios produtores e proprietários das melhores casas de vinho verde da Região do Minho. Repeti a pergunta para a Quinta do Soalheiro, Quinta do Ameal, Casa de Cello e Quinta da Lixa – entre outros especialistas que trabalham no negócio do vinho em Portugal – e eu compilei todas as respostas e explicações deles num único infográfico, aí abaixo. Completinho, com todas as regiões vinícolas, histórias, curiosidades e mitos explicados num lugar só. 🙂

Eu não sei vocês, mas eu sou bem visual, e tem vezes que a gente consegue explicar melhor desenhando. Sou dessas.





Achei esse post necessário para esclarecer esse contexto sobre os vinhos à medida em que eu vou avançando com os posts sobre o resto da viagem pela Região do Minho em Portugal, e que você pode acompanhar aqui no blog – basta clicar em Rota do Vinho Verde. Já escrevi sobre A Rota do Alvarinho, com dois posts completinhos sobre Melgaço e Monção. 🙂

Bom, é isso! Por favor, fique de olho nos próximos posts – e fique à vontade para tirar qualquer dúvida ou começar um bate papo aí nos comentários!

Importante: Este infográfico foi desenvolvido por mim (Clarissa Donda) exclusivamente para o meu blog, Dondeando Por Aí. Esse conteúdo, como todo o blog, está protegido pela Lei do Direito Autoral e eu não autorizo nenhuma cópia ou reprodução dessa arte em nenhum local.

(Sorry, leitor, por você estar lendo isso, mas infelizmente esse tipo de aviso tem que ser dado, senão a gente encontra nosso material copiadinho em outros lugares, o que não é nada legal!) ????

Esta viagem faz parte de um projeto chamado “Descobrimento às Avessas” que eu criei, em conjunto com a blogger portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities. Nossa idéia era desvendar um roteiro prático sobre a rota portuguesa dos vinhos verdes, anotando todas as melhores vinícolas, restaurantes e experiências para podermos escrever, cada uma em nossos blogs, um roteiro completo da Rota do Vinho Verde.

Por isso, a visita às vinícolas que nos deram muitas das informações que me ajudou a fazer esse infográfico foi fruto de uma parceria feita diretamente com este empreendimento. Escolhemos cada um destes locais da rota porque eles se encaixavam nos requisitos que tínhamos para um roteiro de descobrimento português – queríamos o Portugal dos cantinhos escondidos, dos pequenos produtores, dos excelentes vinhos e das experiências intimistas, e todas as parcerias foram uma consequência desta busca, e não o contrário. Por isso, deixo claro que apesar de termos recebido apoio nesta visita, todas as opiniões e preferências descritas ao longo dos posts foram fruto de opiniões genuínas da autora – são estes os princípios que norteiam todo esse blog e serão também a  base de todos os próximos posts sobre a série “descobrimento às avessas”.

Palácio da Brejoeira: um passeio sobre vinhos, presentes e amores em Portugal

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Era uma vez uma menina de 20 e poucos anos que encontrou um palácio por aí. Achou lindo.

O pai, que adorava a filha – e que também era um rico industrial, mas isso é um só um detalhe – foi lá e comprou o palácio todo para fazer uma surpresa para ela (quem nunca, certo?).

Mas o palácio tinha jardins enormes e ela, que era jovem mas não boba, resolveu plantar algo ligeiramente mais interessante que flores: uvas. E virou uma das primeiras produtoras de vinho verde do norte de Portugal.

Pronto: basicamente, esta é a história do Palácio da Brejoeira, no concelho de Monção ao norte de Portugal – e é uma visita interessante (senão obrigatória) para quem quiser fazer a Rota do Vinho Verde e a Rota do Vinho Alvarinho em Portugal – e que já começamos a falar sobre isso ao destrinchar a visita a Melgaço.

 

O que é Palácio da Brejoeira? E, mais importante, por quê visitá-lo?

“Bote sua roupa bonita hoje”, disse Sara, a portuguesa que viajava comigo, “porque hoje vamos entrar num palácio”.

“E esse palácio é lindo de morrer”.

Foi assim a minha primeira apresentação do Palácio da Brejoeira: não é sempre que você já tem toda a sensação prévia de que está indo a um lugar importante.

São dois motivos que fazem valer a visita até lá (especialmente para quem está em Melgaço ou Ponte de Lima): e o principal é o belíssimo palácio em si, em estilo neoclássico e com seus típicos azulejos portugueses lindíssimos, cercado de jardins exuberantes. Não só por ser um lugar cheio de história, mas principalmente porque é uma excelente opção de passeio cultural para se fazer ao norte, entre uma vinícola e outra.

E o outro motivo é o vinho verde produzido lá, de mesmo nome: Palácio da Brejoeira, um dos primeiros vinhos verdes alvarinhos a serem produzidos em Monção (e que é bastante exportado para o Brasil).

Para quem está fazendo a rota do vinho verde alvarinho, como era a nossa proposta, eu preciso fazer uma confissão bastante particular aqui: eu não gostei muito do vinho do Palácio da Brejoeira. ???? E quando eu digo que não gostei, me refiro ao vinho em si, mesmo – não agradou o paladar, e como estávamos fazendo uma viagem intensa de degustações da Rota do Vinho Verde, o Palácio da Brejoeira foi um dos meus menos cotados em comparação com outros belíssimos vinhos que experimentei, como no Soalheiro, por exemplo.

Mas, mais uma vez, isso é questão de paladar e muito pessoal. Mas reforço isso porque minha avaliação final da visita à Brejoeira é que o lugar deve ser incluído em quem faz a rota do vinho verde sim, mas mais pela história e o Palácio do que pela experiência enófila mesmo.

Avistando o Palácio do portão de entrada – momento do “ooohh”

E o palácio vale a pena mesmo: é uma construção enorme e imponente que já faz a gente soltar um “ohh”, quando chega aos portões de lá – especialmente para quem passou os últimos dias desbravando as vinícolas e propriedades escondidinhas e intimistas do Minho. O palácio começou a ser construído no século XIX, e passou por algumas várias mãos – e desgastes – antes de ser presenteado para a moça de que falei, no início do post.

E, como todo Palácio que se preze, é cercado de jardins e propriedades lindíssimas – mais exatamente,  hectares de terra. E há uma opção de visita que inclui parte dessa propriedade externa.

 

A visita é como entrar na casa de alguém

 Voltando à história da jovem. Quer saber mais alguns detalhes?

Como eu disse, ela estava passeando por Monção acompanhada do pai, e ambos falavam em comprar uma casa para ela, que em breve precisaria se casar. Daí, ambos passam em frente ao Palácio da Brejoeira e ela fica apaixonada com o que vê (mais uma vez, quem nunca?).

Só que demoraria ainda algum tempo para ela receber o presente. Presente-surpresa, aliás.

Foi numa outra visita ao Palácio com o pai, muito tempo depois, em que ela tinha voltado ao Palácio com o pai para passear e, ao andar pela capela, um empregado se aproximou segurando uma almofada como uma bandeja. E sobre a almofada, as chaves do Palácio da Brejoeira, que o pai tinha acabado de comprar para a filha.

Mais uma vez: quem nunca recebeu um palácio assim, de presente do pai, chegando numa bandeja? O meu só não fez igual porque ao invés do palácio era a casinha da Moranguinho. E não veio numa almofada, porque dãã, não tinha chave. Mas fora isso foi tudo igualzinho.

Esse relato me foi contado pela guia, mas o detalhe da chave na almofada eu descobri através de uma entrevista com a tal jovem, já idosa. Então, era a casa dela que a gente estava visitando. Essa, aliás, foi uma sensação constante em Portugal: a cada restaurante, hotel, vinícola ou loja, ser recebido muitas vezes pelo próprio proprietário, era uma sensação de proximidade e intimismo enorme. Nessas ocasiões, não há espaços para cenários: o que se visita é a casa, o local de trabalho, o dia-a-dia mesmo vivido por ele, sem making-off.

A diferença é que, no caso do Palácio da Brejoeira, a casa é maior e mais chique, e a proprietária mais recente – a tal da jovenzinha que comentei – faleceu recentemente, já com idade avançada. Especificamente aqui há, sim, uma formalidade maior, no lugar do intimismo, até porque tem um patrimônio histórico muito grande.  Mas ainda assim a sensação que se tem é a de estarmos entrando na casa dela, já que ela morou lá até a data da sua morte, que foi há muito pouco tempo, e todos os funcionários (a guia, inclusive) a conheciam de perto.

Daí, talvez, a recomendação que eu recebi de ir com uma roupa mais arrumada. Não há um traje exigido para a visita, mas  é quase um bom senso: é a formalidade portuguesa que se deve ter ao visitar a casa de alguém importante (e, particularmente, acho essa formalidade respeitosa bastante bonita da parte deles).

A chegada começa no portão, quando anunciamos a nossa visita (e onde rola aquele “ooooh” básico ao ver o palácio) e de lá seguimos ao estacionamento. A primeira recepção é feita na construção do lado esquerdo do palácio, onde compramos o ingresso (é possível comprar na hora, ou reservar com antecedência) e uma guia vai acompanhar a nossa visita e contar a história do Palácio. Ter uma guia é fundamental, porque eles dão um excelente contexto do palácio e tornam a visita mais interessante!

A recepção fica nessa lateral, em separado, e é daqui que começa o tour.

Conhecendo o Palácio

A nossa começou na parte interna do palácio, no anfiteatro – foi construído um anfiteatro dentro do Palácio onde os moradores podiam assistir apresentações, já que esse tipo de entretenimento era comum na época.

Uma nota bem chata: não é possível fotografar dentro do palácio, nadica de nada! 🙁 Isso foi um pouco frustrante, confesso – por isso, as fotos que coloco abaixo do interior foram retiradas do site!

É ali também que a gente conhece a história oficial do Palácio (e não a versão resumida que eu contei): o Palácio da Brejoeira pertenceu inicialmente à família portuguesa Moscoso, que não tinha parentesco real mas era proprietária de várias terras na região. Alternou períodos de construção e abandono, foi vendida à outra família que repetiu o mesmo processo e, finalmente, foi comprado de um rico industrial como presente a sua filha. A jovem, que se chamava Maria Hermínia Oliveira Paes, tomou as rédeas da administração do palácio, e é a foto dela que vemos em vários quadros da visita. Foi também ela que impulsionou a produção e o lançamento do primeiro vinho de marca própria.

Maria Hermíria de Oliveira Paes, já uma senhora, com suas vinhas ao fundo. Crédito da Foto: A Executiva

Um feito importante, já que até hoje esse é um meio quase que todo dominado por homens.

Curiosidade: o Palácio pertencia a uma família rica, mas não nobre – porém, um dos antigos proprietários era muito amigo do rei Manuel, e há um busto dele no Palácio, bem como um quarto destinado a receber o rei de Portugal quando ele estivesse em visita (que, aliás, nunca foi lá). Esse tal proprietário, coitado, até que tentou mas morreu na praia: ele chegou a receber o título de Marquês da Brejoeira, mas a monarquia portuguesa acabou em seguida e o título deixou de ter valor.

Não demora muito para a gente entender o porquê ela se apaixonou pelo palácio – o interior é mesmo embasbacante. A parte mais bonita, eu diria, é o hall das escadas, todo decorado com os típicos azulejos portugueses. Foi onde eu mais fiquei pesarosa de não poder tirar fotos.

Crédito da Foto: Palácio da Brejoeira

Outra curiosidade: repare nas luminárias elétricas. A eletricidade chegou no Palácio da Brejoeira 6 anos antes de chegar ao todo o resto da região (mais um dos benefícios de se ter muito dinheiro, não)?

Há um jardim de inverno e, no andar de cima, uma biblioteca e a sala de jantar.

Crédito da Foto: Palácio da Brejoeira

Um detalhe: apesar de ter sido restaurado relativamente há pouco tempo, ainda se vê muito dos sinais de desgastes, mas que ao invés de “enfeiar” o salão, eles contam histórias. Por exemplo, no chão de madeira desse salão de jantar é possível ver nitidamente as marcas dos saltos dos sapatos das senhoras que frequentavam o local!

Também há registros de que Franco e Salazar já se reuniram ali.

Há o quarto do rei – onde esperava-se que o rei fosse se hospedar quando viesse de visita, e é um dos mais suntuosos do Palácio, com afrescos no teto, e o Salão do Rei, reservado para as visitas importantes discutir assuntos. É bastante imponente!

Crédito da Foto: Palácio da Brejoeira

O passeio por dentro do Palácio não dura muito – em 30 minutos é possível ver tudo, já que boa parte dos cômodos são fechados à visitação para preservar a privacidade da proprietária, que ainda morava lá (e faleceu em dezembro de 2015). Dali, seguimos para a visita aos jardins (e que – uhu – já posso fotografar!).

A visita externa

Ao contrário do que eu imaginava (porque estava chovendo no momento da minha visita), o tour pela parte externa foi extremamente agradável. Sim, há uma caminhada pelos jardins, mas que não é exigente – é um passeio agradável por bosques, vinhedos e chafarizes.

É também pacífica e relaxante – não que o interior do Palácio da Brejoeira fosse algo pesado e desagradável, mas é bem nítido ali o peso da história, e nesse sentido o passeio pelos jardins é um leve e refrescante contraponto.

A visita pelos jardins começa nos jardins das Camélias – é o mais próximo do Palácio e onde a guia confirma que é de uma lindeza ímpar no inverno, época em que elas florescem, mudando por completo o astral do jardim.

Dali, a gente deixa o jardim a caminho do bosque da propriedade – e é exatamente o aspecto vazio deles que faz com que tudo pareça um lindo cenário de fotos.

Um corredor de árvores – adoro esses corredores! – nos leva até a antiga torre onde funcionava o pombal do Palácio. “Antigamente”, nos disse a guia, “toda quinta que se prezasse tinha que ter a sua casa de pombos. Não só isso assegurava que os pombos sempre ficassem num mesmo local como era aqui, também de onde vinham os pombos que eram servidos nos pratos refinados do palácio”.

“É como ter um galinheiro na propriedade?”, perguntei.

“Exatamente”, sorriu a guia.

Ok, você pode até não simpatizar com a idéia de comer pombos, já que muita gente associa esses animais àqueles pombos que ficam disputando migalhas das praças do centro do Rio e de São Paulo. Mas convenhamos que a torre da casa deles, vista assim, isolada e imponente, dá uma foto bem bonita.

Outra parte interessante e escondida do jardim é um lago artificial construído pelo segundo proprietário do Palácio, e que fica escondido no meio do mato, acessível por uma trilha. O lago artificial contorna uma ilha pequena, acessível por uma ponte de madeira e espetacularmente linda. O nome é o mais óbvio e mimoso possível: Ilha do Amor. Era aqui que o proprietário vinha trazer sua esposa para fazer longas caminhadas, e vários banquinhos espalhados em um mirante frente a Ilha – de onde tirei essa foto – bem como na própria ilha em si dão a dica que era ali que o casal se sentava para conversar, namorar e ficar junto.

Fiquei pensando, ali, sentada sobre o mirante depois de tirar N fotos e odiar todas por achar que eu não conseguia colocar toda aquela beleza numa telinha de câmera: dá para esquecer fácil de que o lago é artificial – esse lugar em especial é lindo, mimosa e romanticamente lindo, o que me levava a ficar pensando que naquele palácio havia, sim, muito dinheiro. Afinal, palácios são feitos para se mostrar que se tem dinheiro e poder, não?

Mas, eu pensava, “no Palácio da Brejoeira havia existido amor, também”. O amor romântico e visceralmente genuíno de um pai por uma filha, de um homem por sua mulher, em querer dar um presente especial para genuinamente agradar aquele a quem se ama.

Claro, e ser podre de rico ajuda um bocado nisso também.

Sim. Mas considerando que o que mais sobra hoje em dia são histórias de famílias ricas que são uma confusão só, eu confesso que  achei bonito ouvir sobre histórias de amor, amor mesmo. Ainda mais o amor português, que é cheio de tradicionalismos mas também de doçuras.

E como eu disse, essa minha viagem tinha sido para correr atrás dos vinhos e das doçuras, fossem elas de comer ou não.????

Seguimos andando, até chegarmos nas vinhas. São 18 hectares de vinhas de uva Alvarinho, e uma amostra da iniciativa da proprietária, que era jovem e filha de pai rico mas de boba não tinha nada.

Era outubro quando fomos, um pouco depois da colheita, de modo que as vinhas estavam peladas já.

Atualmente, as uvas são levadas para uma nova Adega onde o vinho é produzido, e nesta adega atual a visita não é permitida. Porém, o passeio inclui a visita na Adega Antiga, onde chegou a ser produzido o primeiro lote de vinho do Palácio, na década de 70.

E depois, seguimos por mais jardins. Tanto nos jardins quanto no interior do palácio se vê muitas imagens de cisnes em pinturas, esculturas e estátuas: era considerado o símbolo do poder e da elegância.

E que, mesmo solitários e esquecidos nesse passado, me pareciam ainda elegantemente belos. Há coisas que podem perder seu valor de poder, mas ainda conservam sua majestade…

A Prova de vinhos

O final da visita à Brejoeira termina no mesmo local em que começou – ao lado da recepção e, mais exatamente, numa área destinada às antigas cavalariças – que ainda existem, mas que hoje dividem espaço com mesas para degustar o vinho da casa.

A prova pode ser paga à parte ou incluída no pacote mais completo, e dá direito a uma taça do vinho verde Palácio da Brejoeira (feito apenas com a uva Alvarinho). É possível provar a aguardente também (pago à parte).

Foi aqui que eu preciso admitir que não curti muito o vinho – mas isso foi algo pessoal. Recomendo mesmo assim que você experimente, para tirar suas próprias conclusões. O vinho verde Alvarinho do Palácio da Brejoeira foi um dos primeiros a serem produzidos na região de Melgaço e Monção, e a guia nos informou que volta e meia eles recebem brasileiros apaixonados pela história do Palácio e que já provaram o vinho no Brasil.

Nesse momento, se houver interesse, é possível comprar também o vinho verde – ou a aguardente, que eles também produzem – direto com eles.

Organizando sua visita

Há diferentes tipos de visita:

  • Programa Palácio (5€ por pessoa): inclui apenas o Interior do Palácio, a Capela e os jardins (dura 30 minutos)
  • Programa Quinta (3€ por pessoa): inclui bosques, vinhas e adega antiga. É basicamente só o passeio externo. Dura 30 minutos.
  • Programa Palácio e Quinta (7,5€ por pessoa): inclui o palácio, capela, jardins, bosque, vinhas e a Adega Antiga (inclui uma caminhada de 1,5km e dura 1 hora)
  • Programa Alvarinho & Patrimônio (10€ por pessoa): é a visita completa dentro e fora do Palácio e inclui ainda uma prova de vinho (inclui a caminhada de 1,5km e dura 1 hora e meia).

Você também pode chegar lá e pedir uma prova a mais do vinho verde Palácio da Brejoeira. O valor da taça é 2,5€.

Eu fiz a visita completa e recomendo, porque dá um contexo melhor sobre o local e a história do lugar. E também porque o valor é bem razoável e o programa é interessante, acho que vale a pena mesmo.

Foi o principal passeio que fizemos em Monção e o segundo produtor de vinho verde alvarinho que visitamos no nosso projeto “Descobrimento às Avessas” pela Rota do Vinho Verde em Portugal.

Reservas: Você pode até aparecer do nada e pedir para ser encaixado nas visitas, mas a recomendação geral é que você faça a reserva com antecedência. A reserva pode ser feita (e paga) através do site do Palácio da Brejoeira ou por email: recepção@palaciodabrejoeira.pt.

Como chegar: Dá para vir pela A3 para quem vem de carro de outras cidades como Viana do Castelo, Ponte de Lima ou ainda Guimarães e Braga. Nós viemos de Melgaço, uma vez que começamos a rota do Vinho verde por lá (explicamos mais sobre isso aqui) e acho que foi uma boa pedida. Dá para explorar bem a região de Melgaço e Monção montando base em Melgaço ou Ponte de Lima.

Prometo um post mais detalhado sobre as rotas de carro e onde se hospedar mais adiante! 🙂

Bom, é isso! Vou publicando os próximos posts sobre a Rota do Vinho Verde por aqui – e se tiver alguma dúvida ou tiver visitado também o Palácio da Brejoeira, me conte o que achou! Adoro trocar figurinhas sobre vinhos e viagens!


Esta viagem faz parte de um projeto chamado “Descobrimento às Avessas” que eu criei, em conjunto com a blogger portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities. Nossa idéia era desvendar um roteiro prático sobre a rota portuguesa dos vinhos verdes, anotando todas as melhores vinícolas, restaurantes e experiências para podermos escrever, cada uma em nossos blogs, um roteiro completo da Rota do Vinho Verde.

Por isso, neste post, a visita ao Palácio da Brejoeira foi fruto de uma parceria feita diretamente com este empreendimento. Escolhemos cada um destes locais da rota porque eles se encaixavam nos requisitos que tínhamos para um roteiro de descobrimento português – queríamos o Portugal dos cantinhos escondidos, dos pequenos produtores, dos excelentes vinhos e das experiências intimistas, e todas as parcerias foram uma consequência desta busca, e não o contrário. Por isso, deixo claro que apesar de termos recebido apoio nesta visita, todas as opiniões e preferências aqui foram fruto de opiniões genuínas da autora – são estes os princípios que norteiam todo esse blog e serão também a  base de todos os próximos posts sobre a série “descobrimento às avessas”.

Conhecendo Melgaço, onde começa a Rota do Vinho Verde em Portugal

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Pode se dizer que o concelho de Melgaço (com “c” mesmo), que fica no “cucuruto” onde começa a rota do vinho verde em Portugal, é um reflexo perfeito do Minho português: pequenino, agrícola, intimista e de um coração enorme.

A região não tem o buzz de Lisboa ou o “cool” da cidade do Porto (ambas cada vez se destacando mais na rota cultural europeia). Não – se me permite a comparação, viajar por ela me lembra minhas andanças de carro pelas cidadezinhas do interior rural de Minas Gerais, com a mesma vibe come quieto, cozinha farta e honesta e hospitalidade tipo coração de mãe. Coisa que, cá para nós, já ganha nosso coração de primeira.

A região do Minho, no Norte do Portugal (foto tirada da janela do carro!). Casinhas rústicas e vinícolas a se perder de vista: cenário bucólico mas cheio de delícias escondidas!

No Minho português tem tudo isso, com o plus de, quietinho, vir somando ganhando cada vez mais pontos como uma grande região produtora de vinhos – em especial, os vinhos verdes. Isso porque é ali nos concelhos de Melgaço e Monção que fica a região produtora das uvas Alvarinho, o tipo de uva branca mais nobre de Portugal (e também a segunda mais cara do país) e a “rainha” das uvas quando falamos de vinhos verdes.

Vinhos verdes da Quinta do Soalheiro.

Como o objetivo maior da minha viagem/projeto para lá em meados de Outubro era destrinchar a rota dos vinhos verdes em Portugal, por questões logísticas decidimos que começar a viagem partindo da cidade d’O Porto e ir até Melgaço para de lá então vir descendo fazia todo o sentido em termos de rota, de descobertas, de tudo. Eu vou falar mais dessa viagem adiante numa série de posts, mas aqui eu destrincho toda a parte referente a Melgaço aqui para facilitar sua viagem – acompanhe! 🙂

 

Vale a pena ir até Melgaço?

Se você quer fazer uma viagem gastronômica e é um entusiasta de vinhos, sim. ????

O primeiro motivo é que Melgaço, em Portugal, é sinônimo de uva Alvarinho, por ser ali a região produtora. E o Alvarinho, por sua vez, é a uva “rainha” de vinhos verdes de excelente qualidade.

Isso porque a região reúne uma série de condições – fica às margens do rio Minho, relativamente protegida das condições climáticas influenciadas pelo Oceano Atlântico e com um tipo de solo bem peculiar  que faz com que a uva Alvarinho se desenvolva melhor – e por consequência, é ali que se instalaram excelentes produtores de vinhos verdes, como a Quinta do Soalheiro.

O segundo motivo é que, logisticamente, faz todo sentido começar a viagem gastronômica por aqui: a região do Melgaço fica quase numa “esquina” de Portugal e dentro de duas “rotas”, por assim dizer: a Rota do Vinho Verde (que compreende boa parte da Região do Minho) e a Rota do Alvarinho (dos vinhos feitos exclusivamente com essa uva). Daí, é possível seguir do Porto até Melgaço (a viagem dura um pouco mais de duas horas, considerando algumas paradas aqui e ali para esticar as pernas) e dali ir “descendo” pelo Minho, Amarante e Porto, e parando nas vinícolas no caminho. Foi assim que fizemos e eu acho que deu muito certo!

 

Mas eu recomendaria, mais que visitar Melgaço, é se hospedar por lá – especialmente se o seu objetivo for explorar mais as vinícolas e restaurantes. De Melgaço você pode explorar um pouco as vinícolas de Monção também.

Isso porque uma viagem de exploração por vinícolas incluiria inevitavelmente beber algo aqui e ali, o que não necessariamente combina com direção. Ah, e comer bem (e muito – as porções portuguesas são bastante generosas). Confie em mim: depois de um dia de excelentes vinhos e comidas, tudo o que a gente não quer é pegar estrada… ????????

Para este projeto, nós optamos por montar base em Melgaço e dormir por lá mesmo. Eu explico um pouco da logística mais adiante.

 

Como ir a Melgaço a partir do Porto: a estrada

A viagem até Melgaço partindo da cidade do Porto (mais exatamente, do aeroporto do Porto, de onde alugamos o carro) durou um pouco mais de duas horas – alguns minutos a mais do que o indicado pelo Google Maps, considerando o percurso da estrada e uma paradinha aqui e ali. Mas a estrada é ótima e bem sinalizada (aliás, como quase todas as estradas portuguesas que eu peguei).

Trecho da estrada de ida do Porto até Melgaço – primeira parte!

Para quem vem do Porto de carro, a rota mais rápida é pegando a A3 em direção à cidade de Braga, e depois seguindo direto até a cidade de Valença, já quase na fronteira (você vai começar a ver várias plaquinhas para a Espanha!). Em Valença, pegamos o sentido para a direita, pegando as variantes N101 e N202 até Melgaço.

Duas informações importantes, porém:

  • A estrada A3 é larga, com acostamento e laterais protegidas – já as variantes N101 e N202 possuem menos pistas, um acostamento estreito, sem proteção lateral (isso significa que pode haver animais na estrada) e há tráfego de caminhões por ali, o que atrasa um pouco o ritmo da viagem. À noite as estradas não são muito iluminadas, embora a sinalização seja eficiente. Embora isso não chegue a ser um problema, vale ficar atento porque talvez esse trajeto pode levar um pouco mais de tempo dependendo das condições do tempo e do tráfego.
  • As distâncias parecem super tranquilas pelo Google Maps – e são mesmo, em dias ensolarados e secos. Mas em dias de chuva a estrada fica no modo sabão, super escorregadia (pegamos MUITA chuva em outubro, e nosso carro “patinou” umas duas vezes). Dependendo das condições do tempo, pode rolar também uma neblina forte – pegamos isso também. Eu reforço isso porque, ainda que a estrada seja segura, ainda é uma estrada, com todos os seus riscos em tempo ruim. Isso é mais relevante ainda na hora de você planejar onde vai pernoitar pós-vinícolas: pegar uma estrada chuvosa como a que pegamos depois de algumas taças de vinho é loucura.

Eu vou destrinchar mais, num post à parte, como fazer o aluguel do carro em Portugal (eu diria que é obrigatório, se você quiser destrinchar as vinícolas mais escondidas) e quais serviços vale a pena contratar. Mas já adianto: GPS (ou internet) e o token para pedágios (como o nosso Via Verde) são uma mão na roda, não vale a pena economizar sem eles.

 

O que visitar em Melgaço: Vinícolas recomendadas

Agora sim, falemos de vinhos!! ????????

Melgaço é uma cidade pequenina, e as principais atrações estão obviamente relacionadas aos vinhos verdes. Há várias vinícolas para se visitar – aliás, basta uma voltinha de carro e só o que a gente vê são videiras plantadas em quase todos os jardins e quintais das casas.

Aqui tem um mapinha das principais vinícolas e atrações da região – todas super acessíveis de carro.

Legenda:

Amarelo: Centrinho de Melgaço

Verde: Vinícolas

Azul: Casa das Pesqueiras (hospedagem onde ficamos)

Vermelho: Restaurante Adega do Sossego

Não visitamos todas as vinícolas de Melgaço; nossa meta era nos focar nas vinícolas mais premiadas/recomendadas/consideradas por especialistas na área como as que estivessem fazendo as melhores criações em vinhos verdes. Quem se destaca em todos esses quesitos é a Quinta do Soalheiro, e é lá que eu recomendo muito a visita

 

Quinta do Soalheiro (vinhos verdes)

Como toda boa quinta portuguesa, essa é cuidada pela mesma família há gerações – o que faz a visita ser ainda mais gostosa, como se a gente tivesse visitando a casa de alguém que sabe o que está fazendo.

A Quinta do Soalheiro fica escondidinha (minha dica: siga as orientações do GPS para chegar na entrada, mas quando você estiver bem próximo, comece a confiar nas placas – chega uma hora em que a gente passa pela entrada da Quinta do Soalheiro, mas o GPS manda ir adiante!).

Já na chegada dá para ver as vinhas ao fundo – plantada à margem do Rio Minho, divisa com a Espanha. O Soalheiro tem, inclusive, uma varanda de degustação onde você pode bebericar seu vinho com vista para a Espanha, ali do outro lado!

Vista da Quinta do Soalheiro, com as vinhas descendo pelas encostas: repare que dá para ver o Rio Minho ao longo, e todas as montanhas além do Rio já são parte ds Espanha.

Para os entendidos de vinho, a visita à Quinta do Soalheiro é uma aula: foi a primeira marca de Alvarinho em Melgaço (região onde as uvas desta casta tem a melhor qualidade) e é uma das excelentes vinícolas que tem tido ótimos resultados com vinhos verdes envelhecidos em barris de carvalho – o que desmistifica a idéia de que vinhos verdes não envelhecem dessa forma.

Com isso, ela conseguiu excelentes exemplares de vinhos verdes complexos e que podem ainda envelhecer em garrafa por muito mais tempo (outro mito derrubado: o que de vinhos verdes devem ser consumidos dentro de dois anos!). Eles produzem vinhos biológicos também – um tipo de produção que não recorre ao uso de nenhum aditivo químico em nenhum processo.

Todos os diferentes rótulos dos vinhos da Quinta do Soalheiro ao longo dos anos – repare que as garafas estão cheias e sim, há vinhos verdes com mais de 20 anos ali.

E para quem não é entendido em vinho – mas que, como eu, adora praticar! ???? – a visita é também uma aula, uma vez que os responsáveis pela visita explicam as diferenças do solo da região, as propriedades da uva e cada tipo de vinho que a quinta produz. É super interessante para colocar as coisas em contexto, e para quem começa a rota de vinhos verdes por aqui já aprende os diferentes conceitos com quem sabe do que está falando; a produção deles é grande, são 300 mil garrafas ao ano.

Vale aqui uma informação ultra importante: você sabia que o vinho verde é o que melhor acompanha o sushi? 🙂 Não por acaso, na Quinta do Soalheiro a gente via lotes e lotes de caixas de vinho preparadas para serem exportadas para o Japão! ????

A visita inclui ainda uma passadinha na adega da casa, onde estão descansando os espumantes de vinho verde (eles existem também!), e o local onde todos os rótulos são processados.

Há ainda uma parte da adega onde estão os vinhos mais antigos da casa, que geralmente são oferecidos em provas de especialistas – e sempre se saem muito bem. Dá para ver, pelas datas dos anos, que esse papo de vinho verde/branco que não envelhece não é verdade. 

Um flagra da adega com os vinhos antigos da Soalheiro. Há caixas de vinhos de 1996.

 

Organizando a visita para a Quinta do Soalheiro:

Agendamento: é recomendado agendar com antecedência, para eles se prepararem (e você aproveitar mais a visita. O agendamento pode ser feito através do email quinta@soalheiro.com ou do telefone: +351 251 416 769.

Duração: 1 hora e meia de visita

Quem faz: O Rui provavelmente deve ser a pessoa que vai te atender. Ele é casado com a filha do dono da Soalheiro e, segundo ele, pegou a melhor parte do trabalho que é organizar as degustações! Brincadeiras à parte, ele faz o trabalho muito bem ao explicar todos os processos de produção da vinícola e o intimismo que é se trabalhar com a terra (isso é uma lição tão maravilhosa, e tão portuguesa!). Espero que gostem!

Valor: €12,50 por pessoa. Esse é o valor da prova clássica, que inclui um vinho do Soalheiro e uma linguiça defumada feita com porco bísaro, típico da região (que eles chamam lá de “fumeiro”). Essa prova é feita na Quinta de Folga, que fica logo atrás da Quinta do Soalheiro e é preciso ir de carro por alguns minutinhos até lá.

Importante: A visita à Quinta de Folga é um espetáculo à parte, e vou falar mais dela abaixo. ????

 

Quinta de Folga (defumados de porco – ou “fumeiros”)

A Quinta de Folga é uma iniciativa do Rui, da Casa do Soalheiro, como um serviço complementar à visita na vinícola. No Folga, eles criam porco bísaro, uma raça de porco enorme e típica do norte de Portugal cuja principal característica é ter uma proporção de músculo maior do que de gordura, o que faz com que a gordura fique entremeada na carne – e o resultado disso, na hora de produzir linguiças, é absolutamente delicioso.

Porco Bísaro, típico de Melgaço. Crédito da Foto: Quinta de Folga

A idéia de visitar a Quinta do Folga após a Quinta do Soalheiro faz parte de uma matemática turístico-gastronômica que faz todo o sentido: vinho verde fica sempre melhor quando servido com comida. E neste caso, tanto as uvas Alvarinhos quanto os porcos bísaros são típicos da região e fazem parte da cultura local, o que faz com que o visitante possa conhecer Melgaço do melhor jeito que existe, e ter uma experiência gastronômica que não vai se repetir no resto de Portugal – ou do mundo.

Em tempo: os animais são criados ao ar livre, e podem ser vistos da sede do Quinta do Folga – a produção é toda ecológica.

Bônus: a Quinta do Folga não só enche o estômago como os olhos também – a localização e a estrutura do lugar são apaixonantes. Eu achei uma ótima pedida para quem vai em casal ou com um grupo de amigos.

A Prova Clássica da Quinta do Soalheiro é feita aqui, e inclui um vinho e um “fumeiro”, como eles chamam os presuntos defumados – mas é possível, na hora do agendamento, pedir mais provas de “fumeiros” e de mais vinhos e acordar na hora da reserva o valor, bem como combinar que vai ficar por um tempo maior (o que eu super recomendo, porque é garantia de passar uma tarde bastante agradável).

Nós provamos três vinhos e mais de um fumeiro – nós provamos um presunto curado por 3 anos e um salpicão de fumo (não é o nosso salpicão! Aqui, o salpicão é uma linguiça – ou enchido, como eles dizem – de várias partes do porco que é deixado para defumar). E talvez essa seja a parte mais difícil do trabalho de um blogger – tentar encontrar palavras para explicar o quanto tudo estava espetacular… Foi uma tarde maravilhosa!

Alheiras servidas na Quinta do Folga.

 

Organizando a visita para a Quinta do Folga:

Agendamento: é preciso agendar com antecedência. O agendamento pode ser feito junto com a o agendamento para o Soalheiro ou, se você quiser dispensar a visita à vinícola e partir direto para a prova, pode fazer no email quintadefolga@quintadefolga.com

Duração: A ser acordado – depende do que você for consumir.

Quem faz: O Rui Lameiro, da Quinta do Soalheiro.  

Valor: €12,50 por pessoa é o valor da prova clássica, que inclui um vinho do Soalheiro e um “fumeiro”, linguiça defumada de porco bísaro. Mas se você quiser encomendar mais “fumeiros” e provar mais vinhos, e passar uma tarde por lá, é só fechar com o Rui. O valor é discutido dependendo do que for pedido.

 

Onde comer em Melgaço: Adega do Sossego

Veja bem: não é que não tenha outros restaurantes em Melgaço. Eles existem sim – mas a Adega do Sossego foi a melhor recomendada no Guia Michelin e por várias listas dos melhores da região, e incluímos no nosso roteiro para descobrir o porquê.

Alguns dos selos de recomendações na porta da Adega do Sossego.

Descobrimos. Foi o primeiríssimo restaurante verdadeiramente português onde paramos na nossa missão “Descobrimento às Avessas”, mas olhando agora para trás, eu digo seguramente que a Adega do Sossego foi um dos melhores restaurantes da viagem (e olhe que não foram poucos, em uma semana altamente gastronômica) e foi um dos pontos altos da visita à Melgaço. Valeu cada minuto de estrada até lá. ????

O restaurante é assim: rústico, tradicional e, por isso mesmo, extretamente honesto: “comida boa de verdade dispensa papagaiadas”… 🙂 Crédito da foto: Sara Riobom

Dica: vá preparado para comer muito (mesmo e muito) bem. As porções são generosas e vale muito a pena não dispensar as entradas também. Foi também o local onde eu, que não curto carne de porco, verdadeiramente morri de amores.

E perdoem-me se eu me estender demais em descrições de comida: em Portugal boa comida é coisa sagrada e levada a sério, e numa região tão gastronômica quanto o Melgaço não dá para ser diferente!

Então, eis algumas entradas maravilhosas que a gente provou:

  • Cabeça fumada (€4,25 a porção): basicamente, é orelha de porco defumada e servida numa espécie de molho vinagrete, com azeite, azeitonas e cebola e ervas locais. Confie: é uma delícia!
Pães, queijos e presuntos portugueses e a cabeça fumada ao centro. Oh, céus, que delícia… (Crédito da Foto: Sara Riobom)
  • Alheiras: Enchido com misturas que mudam de região para região, mas na maioria das vezes levam porco e frango, às vezes pão. Delícia.
  • Linguiças e Chorizos (€5,00 a porção)
Porção de chorizos a 5 euros: a escura é de morcela, linguiça de sangue.

Os pratos mais comuns pedidos da casa são o naco de vitela (foto abaixo, servida em porções generosíssimas – o prato para dois alimenta três fácil) e o bacalhau (prato popular por conta dos espanhóis que vivem na fronteira). Além disso, um dos pratos mais típicos da região é o galo à cabidela, que nós conhecemos como galinha ao molho pardo, mas é preciso encomendar com um dia de antecedência.

Foto do naco de vitela que pedimos. Essa porção para 2 custa 20 euros, mas no nosso caso (e com tantas entradinhas delícia) sobrou – alimentaria 3 pessoas fácil.

Ah, e experiência imperdível: é na Adega do Sossego é servido o vinhão, um vinho tinto verde (aliás, vinho verde pode ser tinto sim!) que é servido do jeito que os locais tomam: numa tigela!

Eu e o vinhão, o vinho verde tinto da casa. Dica: peça uma tigela para dividir, porque é bem forte!

É super forte e ligeiramente gaseificado. Particularmente, não gostei – prefiro os vinhos brancos verdes, mas a experiência é super válida!

 

Como ir para a Adega do Sossego:

Como chegar: é fácil chegar pelo GPS, ou Google Maps. Só fique atento que o restaurante é escondidinho, e é preciso ir de carro para lá. Confie no Google Maps para te dar a indicação, porque a placa de entrada é bem discreta.

Entrada da Adega do Sossego. A plaquinha existe, mas se você não prestar atenção da estrada ela passa despercebida…

Valores:

Entradas: Cabeça Fumada (€4,25 a porção), Chouriços (€5,00 a porção), Queijos (€9,00 a porção)

Pratos principais: Naco de Vitela (€20 o prato para dois, mas acho que pode servir três tranquilamente – sobrou bastante, no nosso caso), Galo à cabidela (€60 o prato, mas deve ser pedido com um dia de antecedência), Cabrito assado (€25 o prato para dois, super bem recomendado também)

Sobremesa: experimente o Abade de Priscos, uma sobremesa típica de Portugal e muito melhor que Pastel de Nata! 🙂

Abade de Priscos, um pudim típico português feito à base de ovos e açúcar – como boa parte da doçaria portuguesa. Uma delícia!

Mais informações: Site da Adega do Sossego

Dica Importante: se você for na Adega do Sossego, diga ao garçom/gerente que veio da parte da Clarissa, blogueira brasileira que visitou o restaurante em Outubro de 2016. Não, eu não vou ganhar comissão nenhuma – mas segundo os próprios portugueses, na região de Melgaço basta dizer que você veio da parte de alguém conhecido deles, que o restaurante vai trazer tudo do bom e do melhor! Porque indicação de amigo, em Portugal, é coisa séria! ????

Outros restaurantes em Melgaço recomendados pelos locais:

  • Adega O Chafarix: Largo Amadeu Abilio Lopes, Melgaço
  • Adega do Sabino: Largo Hermenegildo Solheiro, Melgaço
  • Restaurantes do Castro Laboureiro e Miradouro do Castelo.

 

Onde se Hospedar: Casa das Pesqueiras

Melgaço tem poucas e boas opções de hospedagem, e as melhores delas tem essa pegada de “aluguel de casa”, intimista e familiar – mas como a cidade é pequenininha, só 1 dessas opções fica bem no centrinho; mas as mais charmosas ficam mais afastadas (nada grave, porém – coisa de 10 a 15 minutos de carro).

Legenda: Azul (hospedagens), vermelho (Adega do Sossego) e verde (vinícolas).

Nós ficamos na Casa das Pesqueiras, de onde temos só elogios. Não é um hotel – você aluga a casa inteira, como um AirBNB, e a permanência mínima é de dois dias, mas é uma ótima opção se você quiser privacidade e, especialmente, se estiver viajando em casais ou com família. 

A casa tem três quartos, sendo uma suíte super espaçosa, e mais dois banheiros. Há camas extras – a capacidade máxima é de 6 adultos e 3 crianças.

As dependências são luxuosas: há uma sala de estar espaçosa (com lareira, para os dias frios), uma cozinha toda equipada para você fazer sua comida, uma sala de leitura e jogos (meu canto preferido para descansar à noite, uma delícia). E uma enorme piscina com churrasqueira.

Sala de estar da Casa das Pesqueiras: repare na lareira delícia! Crédito da Foto: Casa das Pesqueiras

Sala de leitura. Crédito da Foto: Sara Riobom

Área Externa da Casa das Pesqueiras, com churrasqueira, piscina (há brinquedos disponíveis para crianças) e uma área enorme de estacionamento).

Bônus: o proprietário é de uma simpatia desmedida. E sim, há internet (rapidíssima em todos os cômodos – na área da piscina inclusive).

Nota importante: essa viagem faz parte de um projeto “Descobrimento às Avessas” que eu bolei junto com a blogueira portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities, e que compreendia visitar as melhores vinícolas especializadas em vinhos verdes da Região do Minho, bem como os melhores restaurantes e hospedagens de cada região.

Em outras palavras, nossa meta era bem clara: queríamos o melhor de Portugal, e de preferência o Portugal dos portugueses, das negócios familiares, do contato direto com o proprietário, com o produtor, com tudo.

Casa das Pesqueiras fica a 3km de distância do centro de Melgaço por uma estradinha pequenininha, e não é a opção mais próxima entre os outros hotéis da região. Optamos por ela mesmo assim, especialmente porque havíamos lido excelentes reviews sobre lá no Booking e a descrição da hospedagem se encaixava com o que queríamos. Então pedimos uma parceria com eles – de modo que, por motivos de transparência, deixo claro que nossa estadia da casa foi fruto de uma parceria sim, mas os elogios são todos meus, uma vez que a experiência extrapolou todas as minhas expectativas. E vou colocar isso num review especial sobre as dependências da casa, em outro post.

Fechando a hospedagem na Casa das Pesqueiras:

As reservas podem ser feitas no site do Booking.com ou com o Sr. José Domingues (+351 934 800 124).

Capacidade máxima: 6 adultos e 3 crianças

Valores (estadia mínima de 2 dias): 

€195 (01 de outubro a 31 de maio)

€295 (meses de julho e agosto)

€215 (meses de junho e setembro)

Outras opções de hospedagem em Melgaço:

Solar do Castelo: É o hotel mais próximo do centrinho de Melgaço, para quem procura uma hospedagem com aquela dinâmica de sair da recepção do hotel e poder andar a pé (tem alguns cafés, restaurantes e drogarias ao redor). As instalações são bem charmosas e os quartos são espaçosos, com uma decoração mais moderna. O hotel tem ainda um terraço charmoso. Lado ruim: não tem estacionamento no local, embora o hotel disponibilize gratuitamente vagas em outra área.

Quinta da Calçada: Charmosíssima e próxima do Centro, a casa principal tem aquela estrutura antiga tradicional e espaçosa, cercada de jardins e piscina. Bom para quem quiser dedicar um tempinho para aproveitar mais as instalações. Está a 1km dos outros restaurantes do Melgaço.

Casa da Cevidade: Fica próximo à entrada de Melgaço é bem próximo da Adega do Sossego. Tem ares de casa de fazenda, com lareira, boa comida e ótimas instalações. Excelente para famílias e super bem avaliado pelo Booking.com, era uma das nossas opções mais bem cotadas para ficarmos por lá.

Monte Prado Hotel & Spa: Com ótimas avaliações pelo Booking.com, fica próximo ao centro de Melgaço e pertinho do Rio Minho, praticamente na divisa com a Espanha. Tem piscina aquecida, sauna e spa e estrutura para crianças. Vale a pena para quem quiser reservar um tempo para relaxar no hotel mesmo.

Hotel Rural Reguengo do Melgaço: Hotel fazenda que funciona dentro de uma vinícola que produz seu próprio vinho alvarinho; ou seja, o hóspede tem o contato super próximo com as uvas e pode fazer provas de degustação dentro do próprio hotel. Tem até uma capela para quem quer fazer casamentos lá. A arquitetura é bem tradicional e típica portuguesa, mas o lado negativo disso é que os quartos também são meio austeros, sisudos. A experiência do hotel-vinícola me pareceu interessante, mas particularmente eu achei as outras opções do Melgaço mais acolhedoras em termos de quartos.


Este é o primeiro post da série sobre a Rota do Vinho Verde! 🙂 Há vários posts na fila, e vou colocando-os no ar aos poucos, e divulgando os links aqui (cês viram como cada post é grande e eu gosto de dar as coisas mastigadinhas, né?).

Mas rolando qualquer dúvida, por favor deixe aí nos comentários que eu vou atualizando e respondendo o mais rápido que posso! 🙂


Esta viagem faz parte de um projeto chamado “Descobrimento às Avessas” que eu criei, em conjunto com a blogger portuguesa Sara Riobom, do blog Portoalities. Nossa idéia era desvendar um roteiro prático sobre a rota portuguesa dos vinhos verdes, anotando todas as melhores vinícolas, restaurantes e experiências para podermos escrever, cada uma em nossos blogs, um roteiro completo da Rota do Vinho Verde.

Por isso, neste post, as visitas à Quinta do Soalheiro e à Quinta do Folga, à Adega do Sossego e nossa hospedagem na Casa das Pesqueiras foi fruto de uma parceria feita diretamente com cada um desses empreendimentos – porém, para chegarmos à eles foi feita uma extensiva pesquisa em diversas revistas sobre gastronomia, bem como um bom papo com especialistas portugueses em vinhos, que nos deram essas recomendações. Escolhemos cada um destes locais porque eles se encaixavam nos requisitos que tínhamos para um roteiro de descobrimento português – queríamos o Portugal dos cantinhos escondidos, dos pequenos produtores, dos excelentes vinhos e das experiências intimistas, e todas as parcerias foram uma consequência desta busca, e não o contrário. Por isso, deixo claro que apesar de termos recebido apoio nestas visitas, todas as opiniões e preferências aqui foram fruto de opiniões genuínas da autora – são estes os princípios que norteiam todo esse blog e serão também a  base de todos os próximos posts sobre a série “descobrimento às Avessas”.

O que fazer em Reykjavik: atrações, restaurantes e bater perna por aí

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Em geral, a maioria das pessoas que viajam para a Islândia reservam apenas um dia – não raro, algumas horas – na capital Reykjavik. Stopovers curtos, road trips datas apertadas e diárias de hotel que custam o equivalente a um ano de escola em alguns países contribuem para isso.

Eu fiquei na cidade um pouco mais do que algumas horas: 6 dias para ser mais exata, e parte desse motivo foi que viagem com minha equipe do trabalho para lá, e Reykjavik foi a nossa base de pequenos bate-voltas pelo sul do país, bem como endereço de várias reuniões e brainstormings (e, bem, festas).

Aviso: você não precisa ficar esse tempo todo na cidade, especialmente quando há uma Islândia inteira lindona esperando para ser conhecida. Mas vale a pena reservar pelo menos um dia e meio só para Reykjavik – ter ficado lá por 6 dias me permitiu descobrí-la aos poucos e sem pressa, não só para saber informações técnicas do tipo o que fazer em Reykjavik, mas também decifrar tudo que a capital, na prática, explica sobre o país.

E a melhor forma de eu explicar isso é propondo uma tese do tipo “choca, sociedade”… 🙂

E se eu dissesse que Reykjavik é a Paris do século XXI?

Bem, antes que você revire os olhos e grite “miga, sua loca”, me dá uma chance e tenta seguir o raciocínio comigo. Até porque quem propôs essa comparação não fui eu: eu li no livro “A Geografia da Felicidade”, de um americano chamado Eric Weiner, (e que recomendo para todo apaixonado por boas viagens, leituras cabeça e sacadas profundas).

A idéia é louca, mas faz sentido, e vou tentar transcrever aqui. Segundo o livro, o mundo ocidental presenciou uma série de “Anos Dourados” ao longo da História: décadas e cidades específicas que floresceram nas artes e que, de certa forma, impactaram todo o mundo nos séculos seguintes: a Atenas da Antiguidade; a Londres Elizabetana, do teatro e de Shakespeare; a Florença renascentista; a Paris dos pintores; a Seattle do final do século XX. Segundo ele, esses períodos de explosões culturais em cidades nunca duraram por muito tempo, mas guardam consigo uma série de peculiaridades e características que tornaram essa explosão criativa possível.

Reykjavik seria então uma nova Paris? Segundo o autor, não precisamos chegar a tanto, mas podemos notar algumas semelhanças entre a capital islandesa de hoje e a Florença renascentista ou a Paris dourada daqueles tempos: poucos habitantes, não há uma elite criativa e, na época, a arte era criada e apreciada por todos. Mas o principal seria uma espécie de “ausência de inveja”, sentimento que era comum na Paris artística de 1900 e na Reykjavik de hoje: na prática, isso quer dizer que como não há uma elite criativa ou financeira, todo mundo cria arte do seu próprio jeito, do seu próprio bolso e com os recursos que tem à mão – e se algum artista lança uma tendência ou inovação, ela é imediatamente divulgada para todos e pode ser livremente incorporada no trabalho de outras pessoas. Como o próprio autor coloca, “é como se os artistas da Paris do início do século XX acreditassem em software de código aberto”.

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Mas não há competição? Há, sim, mas no sentido original da palavra: “competir” vem do Latim competere, que quer dizer “buscar alcançar um objetivo juntos”.

Isso, somado a uma filosofia de felicidade baseada no fracasso (e que funciona!!), gerou o seguinte resultado na Islândia: o país tem hoje a maior média de escritores por habitante do mundo (há um ditado que diz que todo islandês já escreveu, está escrevendo ou vai escrever um livro) e Reykjavik ganhou da Unesco o título de Cidade Criativa do Mundo, em literatura. Mas a criatividade transcende os livros: Reykjavik transpira arte nas pinturas, na rua, na música (há também uma máxima que diz que quase todo mundo em Reykjavik toca pelo menos dois instrumentos e já fez parte de pelo menos uma banda), na arquitetura, no aproveitamento sustentável de energia…

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Mas resumindo: esse blablablá todo é para tentar explicar Reykjavik sob uma ótica diferente, e convencer você a curtir alguns dias nela sem encará-la apenas como um ponto de chegada e saída na Islândia – pelo contrário, ficar na cidade por mais de 12 horas significa tentar pescar ali a mentalidade que explica muito o país. Fica o aviso, porém: não espere ter a mesma experiência criativa grandiosa e óbvia de Paris. Reykjavik, nesse ponto, é bem islandesa: é uma das menores capitais da Europa, não tem pretensões de cidade grande e está totalmente confortável com esse seu papel no mundo. A explosão de criatividade e inovação acontece dentro desse espectro – e é brilhante, minimalista e apaixonantemente prafrentex.

Sei lá, até nisso: sabe aquela visão romântica e artística de “Meia Noite em Paris”, etc? Pois é: se fosse filmado na Islândia, a meia noite teria um sol lindão (ou uma aurora boreal alucinante), mó vibe legal, música boa, e Reykjavik seria aquele cara que chega de boa, todo estilão e todo na dele, e quando você vê a paixão já chegou toda toda. Arrebatou. Já era.

É ou não muito século XXI isso? 🙂

Quantos dias ficar e o que visitar primeiro?

Vamos lá: eu sugeriria deixar pelo menos um dia e meio para verdadeiramente curtir Reykjavik. Ou dois dias – que seria o ideal para fazer tudo sem pressa.

Assim, você poderia dedicar um dia para curtir as atrações e bater perna pela cidade (o que significa fazer exatamente o roteiro deste post) no primeiro dia, e ainda esticar para conhecer a noite de Reykjavik. Assim, se você tiver dois dias na manga, você pode deixar a manhã do segundo para acordar com calma, descansar e curtir o Blue Lagoon de tarde, por exemplo! 🙂

Ou, ainda, você pode montar sua base em Reykjavik e ir explorando o sul do país de carro em alguns bate-e-voltas, como eu fiz e expliquei aqui.

Eis três atrações propriamente ditas que eu super sugeriria para você visitar no primeiro dia por lá:

 

HARPA CONCERT HALL

Fica ao lado do porto de Reykjavik e a uma caminhada curtíssima do centrinho borbulhante. Vale a visita, por dentro e por fora: é um centro de concertos de música e a arquitetura por si só já é super futurista, criada por artistas dinamarqueses e islandeses. É um “must visit” por quem é apaixonado por design e arquitetura: é composto por vários painéis geométricos de vidro, e o interior parece saído de algum lugar super futurista. É bem legal para tirar fotos! 🙂

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A entrada é gratuita, embora os eventos que aconteçam lá dentro tenham obviamente um preço à parte. Quando eu fui, estava rolando um comedy show em inglês (pago) e uma exibição de fotos de natureza (gratuita) espetaculares.

IMPORTANTE: é lá que acontece o Sonár Reykjavik, que já tem datas marcadas para os dias 16 a 18 de fevereiro de 2017.

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Além disso, há um café, uma pequena lojinha de souvenirs e vários bancos para apreciar a vista, conversar, ler um livro. Quando eu fui estava chovendo cântaros, de modo que ficar uns minutinhos ali e curtir o visual, o café ou a vista foi uma boa pedida.

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MUSEUS

Dois museus, em especial, valem a visita. São o Museu de Fotografia e o Reykjavik Art Museum que, notícia boa, ficam um ao lado do outro e bem próximos ao Harpa. São cheios de exposições temporárias e permanentes, e sempre contam com amplos espaços dedicados aos artistas islandeses. São despretensiosos e super cabeça aberta.

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Mas, claro, se ver quadro e fotografia é muito insosso e você quiser algo mais… hã, diferente, há também o The Icelandic Phallological Museum, o único museu no mundo totalmente dedicado ao… pênis, com mais mais de 200 exemplares do dito cujo de diferentes espécimes, inclusive do homem. Eu confesso que não fui, e quem foi disse que não é assim “oh meu deus, mudou minha vida”… Mas é o tipo do lugar que é legal ir só para contar para os amigos depois onde você esteve…

IGREJA HALLGRÍMSKIRKJA

Fica esquisito falar de igreja logo depois de um museu dedicado ao dito cujo, né? Mas na Islândia é assim mesmo: tudo é com muita naturalidade… ????

A Hallgrímskirkja merece a visita por vários motivos. Primeiro, porque ela tem esse design super diferentão, que por si só já garante uma foto fantástica. O layout é inspirado num vulcão, e essas abas laterais representariam a lava escorrendo.

Religiosidade combinada com representações da mãe-natureza: basta conhecer um pouquinho da filosofia deles para ver que não tem nada mais islandês que isso…

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Segundo, porque ela fica no ponto mais alto da cidade, e do topo dela (cuja visita pode ser feita mediante uma simbólica taxa de ISK 900, ou o equivalente a um pouco mais de 7 euros) é possível ver toda a cidade. A vista é linda.

E, principalmente, porque o interior dela é bastante interessante –  a começar pela pia batismal, que é feita de uma pedra de cristal de quartzo puro. E se você estiver por lá próximo a uma apresentação de música (seja coral ou órgão), considere perder uns minutinhos lá – a acústica da igreja é fantástica.

Depois, vá batendo perna…

Há uma frase em Reykjavik que diz que “se algo leva mais do que 10 minutos de caminhada, é porque não vale a pena ser visto”. Embora isso só valha para a capital (viajar pela Islândia requer um bom tempo dirigindo pela estrada, e todos os destinos valem cada segundo de viagem!) e, bem, tenha uma certa dose de exagero nisso, o lado positivo disso é que o centrinho de Reykjavik é intimista – e, porque não, bastante winter friendly, já que no inverno o frio faz com que a gente não queira ficar andando pela rua o tempo todo.

E se o que torna Reykjavik a capital da cultura é o fato de todo mundo ali fazer e consumir arte, bater perna pela cidade é a melhor forma de entrar em contato com essa efervescência toda.

Então, faça isso – e de preferência com uma câmera na mão, para sair fotografando tudo. Um bom ponto para começar a caminhada é a Hallgrímskirkja, que fica no ponto alto da cidade e que tem uma das melhores vistas. Dali, é só ir descendo e se perdendo pelas ruas!

E tome três dicas do que ficar de olho pela cidade:

 

Door Porn

Você é desses que tem obsessão por fotos de portas fofuchas para povoar no seu Instagram? Então Reykjavik é o seu paraíso, cheia de combinações casas coloridas + street art = portas fofas.

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Street Art

Se você gosta de street-art, esbalde-se. Desde que o governo islandês relaxou quase que completamente sua política contra grafittis de rua, os muros e paredes de Reykjavik se encheram de cores e desenhos. A maioria das artes são até comissionadas, hoje, pelos próprios habitantes, e boa parcela das artistas são mulheres – ao contrário da maioria das outras cidades da Europa em que os street-artist são majoritariamente homens.

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Lojas

Com as lojas acontece algo parecido: não raro, o estilo da loja transborda os produtos vendidos e a vitrine, invadindo também as calçadas, o muro, as escadas. E tome mais street-art: grafittis são encomendados nesses casos e compõem o estilo da loja. Para olhar e curtir por dentro e por fora. 🙂

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Fora que, muito mais do que as vitrines, as próprias lojas eram mesmo interessantes: roupas esbanjando estilo, objetos de decoração com um design mega interessante. Recomendo, mesmo, bater perna pelas lojas. Os valores podem até não ser muito amigáveis, mas pelo menos você volta para casa com uma peça (seja de roupa, seja de decoração) super diferente. 🙂

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Bateu a fome? Onde comer bem em Reykjavik

Eu já tinha contado aqui que reza a lenda que os islandeses não gostam de comer animais feios – mas que algumas opções das comidas típicas deles também não soam muito apetitosas: cabeça e testículos de carneiro, tubarão fermentado (a receita original incluía xixi), etc.

Mas apesar dessas comidas tradicionais existirem de verdade, a vibe cosmopolita e prafrentex chegou a Reykjavik sim, inclusive na gastronomia, que é de altíssimo nível (e preços proporcionais). Posso dizer de todo o coração que o cenário e as experiências gastronômicas que eu tive a chance de participar em Reykjavik não devem em nada às delícias provadas em minhas viagens passadas (e documentadas neste blog) em Lima, Vancouver ou Itália, por exemplo. E mesmo considerando que a Islândia não é um país barato e que cozinhar no seu hotel é ainda a opção mais barata por lá, eu realmente recomendo que você vá explorar um dos restaurantes bacanudos de Reykjavik, pelo menos uma vez! Você não vai se arrepender!

Um bom ponto de partida é a simpática e impronunciável ruazinha Skólavörðustígur, bem no centrinho da cidade, com restaurantes deliciosos nos seus arredores (e barzinhos animadíssimos para esticar a noite depois!).

Dicas de restaurantes chiquezinhos que particularmente me impressionaram mais em Reykjavik:

Grillmarkadurinn: Especializado em grelhados e frutos do mar. Super recomendo! Provamos o menu degustação, com 8 criações deliciosas – destaque para a carne de baleia (caso alguém queira provar!) e as costeletas de cordeiro.

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Mas o Oscar mesmo foi para a sobremesa, que envolvia uma “bola” de chocolate que, quando coberta de calda de chocolate quente, derretia revelando um sorvete muso no interior.

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Coisa de deuses nórdicos. O preço do menu é proporcional à extravagância, claro (o menu degustação custa ISK 10.400 por pessoa), mas valeu cada garfada. Para aqueles momentos “pamper yourselves” que a gente tem de vez em quando.

Sjárvargrilid: Em termos de volume de comida, os pratos desse eram menores que os da opção acima, mas fica o aviso: o restaurante é especializado em lagostas, e pode-se esperar porções generosas, se não em quantidade mas em sabor. Os vinhos brancos eram ótimas pedidas, também. Amei, amei, amei.

Apotek: O primeiro restaurante que fui assim que pus os pés na Islândia e onde tivemos a entrada que mais nos impressionou em toda a viagem: chama-se Sea Trout on a “Hymalayan salt block” e é, literalmente, uma porção mínima de salmão servida sobre um – juro! – tijolo de sal rosa himalaio. Não é exagero!

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Bloco de sal himalaio servindo nosso aperitivo! Eu confesso que comi o meu antes de tirar foto (sorry!) de modo que essa foi tirada do site deles. Crédito da foto: Divulgação restaurante Apotek.

Essa era a entrada – que, apesar de pequena, tinha já o seu feito WOW. Depois disso veio uma paleta de cordeiro (deliciosa). As sobremesas são lindinhas também. Vá, nem que seja pela experiência.

Para comer barato:

Como eu já tinha explicado nas minhas dicas economizadoras de viagem, a melhor pedida para comer barato na Islândia é fazer compras no supermercado e cozinhar no seu próprio apartamento ou no seu campervan. O mehor lugar para comprar é o Bônus, o principal supermercado baratinho da Islândia, mas há também o Nettó e o Kronán, todos com a proposta “barata”.

Para comer fora, porém, você pode apostar na tal da rua impronúnciável Skólavörðustígur (que você pode chamar lindamente de “a rua da Igreja”, para facilitar) conta com lanchonetes, hamburguerias e um restaurante tailandês a preços bem mais amigos.

Outra dica é procurar uma barraquinha de cachorro quente chamada Bæjarins Beztu hot dogs: ela ficava do lado do hotel que eu estava, o Radisson Blue, e vivia cheia, com mil filas. Depois fui descobrir que ali é servido “o melhor cachorro quente do mundo”, como eles afirmam, e que até o Bill Clinton já comeu por lá. (Não sei se merece essa pompa toda, mas era bem gostoso sim – e ficava aberto mesmo durante a madrugada, no verão!).

E por fim, descobrindo a noite islandesa

Se você não é da noite, supere-se e abrace este fato: a noite de Reyykjavik é para se conhecer.

Arrisque-se pelo menos num bar – até porque não vai ser difícil encontrar um. Eles estão espalhados fofamente por toda Reykjavik.

Mas por quê curtir a noite? Primeiro, porque se você estiver lá no inverno, a noite vai ocupar boa parte do seu… dia. Mas, independente da época do ano em que você vá, a noite em Reykjavik é um dos pontos altos da socialização na cidade – o que faz todo o sentido, considerando que uma cidade tão cultural esteja cheio de músicos, cantores, DJs, etc. E quanto eu digo noite, não me refiro apenas aos bares: não raro, os islandeses bebem na rua com os amigos, o que faz com que você imediatamente se sinta numa festa, só que maior e mais espaçosa, só com a diversão. Se você gostar da baguncinha, você fica – arrisco dizer que os islandeses me pareçam o povo mais sociável da Europa, ao contrário do aspecto frio que a gente esperaria deles. Se não gostar, parte para outro bar/praça/esquina e tá tudo certo.

As ruazinhas do centrinho de Reykjavik são cheias de bares e noitadas, e basta pouquíssimos passos para encontrar um que você goste (lembra que eu falei que nada que exija mais de 10 minutos de caminhada merece ser visitado?). E para mim, o ponto mais alto de descobrir a noite islandesa foi encontrar pregado num banheiro de bar qualquer o seguinte aviso:

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E isso eles levam muito à serio: nada de assédio, nada de cara enchendo o saco das meninas. Não por acaso, a Islândia é considerado um dos países mais seguros para mulheres.

Onde se hospedar em Reykjavik

Eu havia explicado neste post algumas dicas de onde ficar em Reykjavik: basicamente, o ideal é centralizar sua estadia no “miolinho da cidade”, mais ou menos no eixo entre a Igreja e o Harpa.

Eu fiz esse mapa aqui com algumas sugestões. Repare que os hotéis estão marcados de azul, os apartamentos de amarelo (a maioria com cozinhas incluídas) e as atrações de vermelho. Nessa distância, você consegue curtir todas as atrações e restaurantas só caminhando por alguns minutos!

Eis os links para os hotéis pontuados no mapa:

Kvosin Downtown Hotel:

Reykjavik Residence Apartment Hotel

Apotek Hotel

OK Hotel

Hotel Frón

Center Hotel Thingout

Guesthouse Sunna: É a guest-house com a vista mais perto da Igreja!

Room with a view

E os apartamentos (a maioria com cozinha incluída):

Next Apartments

Skolo Apartments

Island Apartments

Rey Apartments

Eu fiquei no Blu Radisson 1919, que fica bem pertinho do Harpa e na mesma rua do Museu de Arte e do Museu de Fotografia de Reykjavik. 

Lembrando que em Reykjavik a capacidade hoteleira não é tão farta quanto a quantidade de gente que quer ir para lá, especialmente no período de alta temporada (junho a agosto). Então, se você estiver planejando sua viagem para lá, procure reservar sua hospedagem com vários meses de antecedência para não correr riscos!

Por fim: planejando a viagem de carro

Como eu havia explicado aqui, se você planejar viajar de carro pelo país mas também quer deixar alguns dias para Reykjavik (recomendo!), minha dica seria deixar a capital islandesa para o início ou fim da viagem, de modo que:

Opção 1) você aluga o carro no aeroporto de Keflavík, sai viajando pelo país e devolve em Reyjavik (você não precisa de carro se ficar só na capital, e ainda economiza estacionamento). Aproveita a cidade e depois pela um transfer para o aeroporto;

Opção 2) faz o caminho inverso, pegando o transfer para Reykjavik, curtindo a cidade e deixando para alugar o carro de lá mesmo para viajar pelo resto do país.

Lembrando que quem não quiser ficar viajando de carro, pode também montar base em Reykjavik e contratar tours pelo sul da ilha – eu fiz isso. Eu expliquei aqui alguns dos preços de tours e como fazer para reservar – como o Blue Lagoon, por exemplo.


Veja também:

Viagem para Islândia: um guia definitivo para você organizar sua viagem em 15 perguntas

Blue Lagoon: como ir, o que esperar e qual o pacote/esquema que vale mais a pena

9 curiosidades sobre a Islândia para você amar ainda mais o país

Blue Lagoon, Islândia: quando ir, o que esperar e quais pacotes valem a pena

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Provavelmente quando você for à Islândia um dia, se vai ter um lugar que todo mundo vai te dizer que “tem-que-ir” é o Blue Lagoon.

Não raro, eu tenho uma certa desconfiança de recomendações do tipo “não pode voltar de lá sem ver”; acho que muitas vezes essas atrações são “overrated”, muito cheias ou armadilha de turistas.

Mas no Blue Lagoon, honestamente, eu ponho fé – é dessas atrações que valeu a pena mesmo, e é a chance de você fazer uma das coisas mais tradicionais do país; afinal, os islandeses adoram banhos termais, é super comum lá.

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Mas deixa eu te explicar como foi minha visita lá e o que você pode esperar da sua! 

O que é exatamente o Blue Lagoon

O Blue Lagoon é um spa geotermal – ou seja, é uma enorme lagoa de águas aquecidas naturalmente (o local fica em uma área de intensa atividade termal). A lagoa é totalmente criada pelo homem e nasceu de uma idéia sustentável e boa: originalmente a usina elétrica Svartsengi, que fica ali do lado, usava a atividade geotermal que acontece naquele campo para gerar energia elétrica, e a água super aquecida que resultava do processo ficava alocada ao lado, em uma “piscina” produzida artificialmente. Com o tempo, algumas pessoas começaram a se banhar ali, uma vez que a água era rica em minerais e acreditava-se que o banho operava milagres na pele era muito bom especialmente em pessoas que sofriam de psoríase).

Daí para a construção do spa foi um pulo – e empresas de cosméticos começaram a desenvolver linhas de produtos usando a argila natural do lugar.

Hoje há um complexo enorme de chegada, onde os visitantes são recebidos na recepção, fazem o check-in e pegam as coisas a que tem direito dependendo do pacote que reservaram (falo disso mais adiante) e são direcionadas aos vestiários. A lagoa é grande e a água é toda trocada a cada 48 horas. Há bares, cafés e um restaurante no local fazendo o suporte ao atendimento.

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Eu vou falar de cada um por detalhes logo abaixo!

 

Mas antes de mais nada: quanto custa, o que inclui e o que vale a pena reservar

Primeira coisa: é preciso reservar com antecedência a ida no Blue Lagoon. E já que na prática você teria que pagar primeiro antes de curtir o que vai ter por lá, eu resolvi seguir a mesma ordem por aqui porque achei que ficaria melhor para contextualizar as coisas. 🙂

O Blue Lagoon possui 4 opções de “pacotes”, cada um incluindo mais ou menos itens que ajudam a curtir a visita. Eu fiz um comparativo aqui em baixo do que três dos principais planos incluem (o quarto pacote eu não incluí porque é um pacote “luxury” que basicamente inclui tudo o que está no terceiro pacote, mais lounge exclusivo, um kit de produtos e frescurinhas. Eu achei os três primeiros mais relevantes):

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Belê? Mas juro que posso ouvir sua cabeça disparando algumas perguntas… ????

Mas Clarissa, qual é a diferença entre a máscara de sílica e a máscara de algas?

Momento cosmético: A máscara de sílica é produzida com a própria água do Blue Lagoon e faz uma limpeza profunda na pele, reduz os poros, etc. A de algas, sempre aplicada após a de sílica, faz aquela hidratação maravilhosa na pele, ajuda a disfarçar linhas, enfim… é para aquele “boost” de boniteza radiante no rosto.

Mas se vale pagar o outro pacote só por causa dela? Da máscara sozinha não, mas do pacote todo. Continua lendo que eu explico…

Posso levar minha toalha e meus chinelos ao invés de alugar?

Pode.

Quanto custa cada pacote?

Os preços no momento (outubro/novembro de 2016) são:

  • Standard: 40€ (inverno) / 50€ (verão)
  • Comfort: 55€ (inverno) / 65€ (verão)
  • Premium: 70€ (inverno) / 80€ (verão)

Importante: quem não quiser o pacote completo que inclua roupão, toalha ou chinelos, pode alugá-los à parte: os valores são de 5 a 10 euros.

E o mais importante: qual desses pacotes vale mais a pena?

Vou ser bem sincera aqui (embora, bem, eu sou sincera o tempo todo! ????): eu fui à Islândia a trabalho e a minha ida à Blue Lagoon foi paga pela minha empresa, mas o pacote escolhido foi o Premium, e fazendo bem as contas eu acho que ele mesmo é o que compensa mais.

Primeiro, pela questão prática: considere que você estará visitando o Blue Lagoon junto com outros passeios, ou ainda no caminho de ida ou de volta ao aeroporto (que é o que muita gente faz). Se você fosse só com o pacote standard, você teria que levar toalha, roupão, chinelo, a coisa toda – um volume meio trambolhento para levar de cima a baixo, e mais trambolhento ainda na volta, com tudo isso molhado. O pacote Comfort já melhora isso com a oferta da toalha, mas vai por mim: sair de uma piscina delicinha e quentinha nos seus 30 e poucos graus para a friaca que costuma estar do lado de fora é difícil (acredite, eu fui no verão e mesmo assim foi meio complicado na hora de sair!). Por uma questão de conforto e conveniência mesmo, alugar roupão, chinelo e toalha lá é bem melhor: você usa na chegada e na saída da piscina, sem se preocupar com levar nada.

Parece que tava quente, né? Mas olha, mesmo com esse sol era um frio danado para entrar. Acredite, o roupão ajuda!!!
Parece que tava quente, né? Mas olha, mesmo com esse sol era um frio danado para entrar. Acredite, o roupão ajuda!!!

Ah, então eu posso reservar só o pacote comfort e alugar roupão e chinelos lá? Pode, mas aí o aluguel de roupão e chinelos à parte somam 15 € à sua conta, e por esse valor é melhor reservar logo o pacote premium e ter tudo isso incluído, e ganhar ainda um espumante no restaurante (e o LAVA, que é o restaurante de lá, foi bem interessante – falo dele mais abaixo!).

 

Importante: Reserve com antecedência o dia e hora da visita

No Blue Lagoon não dá para chegar na hora e entrar – eles trabalham com reservas de horários que tem que ser feitos através da internet, neste site. Se você vai no verão, faça a reserva da sua visita com BASTANTE ANTECEDÊNCIA porque os horários costumam lotar rápido – Motivo: a Islândia está cada vez mais popular no mundo, mas a oferta de serviços e capacidade dos mesmos não crescem junto com a demanda, de modo que tudo fica mesmo concorrido (eu já tinha explicado que acontece a mesma coisa com hotéis e aluguéis de carro em Reykjavik).

 

Veja também: Um guia para resolver sua viagem para a Islândia em 15 perguntas!

 

Chegando no Blue Lagoon

O Blue Lagoon fica a 20 minutos do aeroporto de Keflavík e uuns 50 minutos de Reykjavik. Por esse motivo, muita gente deixa para ir no Blue Lagoon um pouco antes de pegar o voo de volta, que é para viajar relaxadinho! ????

Observação: se alguém for no verão, eu daria a dica para ir na parte da tarde, como um bate volta de Reykjavik ou atrelado com algum passeio, e explico mais adiante o porquê. Mas caso você tenha gostado da idéia de combinar a Blue Lagoon com a volta ao aeroporto, tem ônibus fazendo esse trajeto (O Blue Lagoon tem serviço de armazenamento de bagagens por 4€). Ou, ainda, você pode alugar um carro para curtir o país (decididamente a melhor forma de explorar a Islândia) e deixar a mala no carro enquanto está na piscina relaxando, antes de ir devolver o carro no aeroporto. Faça uma cotação do valor do aluguel do carro partindo do principal aeroporto da Islândia).

Mas voltemos ao Blue Lagoon. A chegada – que tem que ser sempre próxima ao horário reservado – é a única parte que pode ser chatinha: como costuma ser uma atração bem popular, é comum que a Blue Lagoon esteja com bastante gente na entrada, e a gente demore um pouquinho na fila para fazer a recepção de todo mundo.

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É nesta recepção que você é atendido conforme a sua reserva e faz a retirada dos itens que estavam incluídos no pacote: toalha, roupão, etc.

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Detalhe: neste momento você recebe um bracelete eletrônico, que precisa usar a todo momento – é com ele que você vai trancar a porta do seu armário no vestiário com as suas coisas e “pendurar” as bebidas que consumir nos bares aquáticos, para pagar na saída.

Dali, seguimos para o vestiário, onde estão os armários para colocar as coisas (eles não são muuuuito grandes, então lembra quando eu falei de ficar andando para lá e cá com uma mochila trambolhenta? Pois é) e se trocar antes de ir para a água. A coisa é bem organizada – você coloca seus pertences num armário, e o mesmo é “travado” ao encostar com a sua pulseira nele no sensor. Para abrir, basta fazer o mesmo processo. Facílimo.

Importante: tire todas as jóias, relógios ou qualquer coisa metálica, que podem ser afetados pelos minerais da água.

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Dali, seguimos para as duchas. É importante observar que em todas as piscinas termais da Islândia é preciso tomar uma ducha antes – e essa ducha é nua mesmo, sem o biquíni. Isso preserva as características minerais da água, e todas as cabines de chuveiro do vestiário estão equipadas com shampoo/shower gel e condicionador (guarde essa informação, ela será fundamental mais tarde!).

Banho tomado, biquíni vestido, enrolada no roupão… agora sim, Blue Lagoon! ????

A água… ????

Boas notícias: mesmo que esteja o frio que for ao ar livre, entrar na Blue Lagoon já é uma experiência fantástica e extremamente relaxante!

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A cor da água, na verdade, é meio leitosa, por causa da composição dela (que basicamente envolve sílica, algas e minerais), mas fica com essa cor azulada por causa da incidência da luz. Como no dia que eu fui estava bem sol – estava lindo, lindo, lindo!!!!

Logo ao chegar na Blue Lagoon, há uma estrutura de ganchos onde podemos deixar pendurado nosso roupão, chinelo e toalha, e correr para a água quentinha. A temperatura da água é entre 35º a 39º graus, e a sensação de relaxamento é absurda! Há até momentos em que você está mesmo se sentindo com calor – quando isso acontecer, basta ficar de pé na piscina, que não é funda, para pegar um “fresquinho” do clima! Ou, ainda, sair dela – há passarelas de um lado para o outro.

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Eu já ouvi gente reclamando que a lagoa é muito cheia. Honestamente? Eu fui lá num dia de verão, altíssima temporada e sim, a piscina estava bem cheia e o nosso horário de chegada estava esgotado (é preciso reservar horários com antecedência, pois há um limite de pessoas por dias e hora), mas “hey” – a Blue Lagoon é realmente ENORME, de modo que não foi absolutamente nada difícil encontrar um canto para ficar confortável, à vontade.

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Ah, e tem os bares molhados. Lembra que os pacotes Comfort e Premium incluíam um drink? Pois é, você pode escolhê-los à vontade dos bares da piscina: tem espumante, cerveja, sucos, várias coisas. Todas as bebidas são servidas em copos de plástico por motivos de segurança, e você registra os pedidos em sua pulseira: a primeira bebida está no seu “crédito” e as outras serão cobradas ao final do passeio.

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Eu admito que ter o bar faz uma diferença enorme: como a água é super relaxante, você vai ficando, vai ficando… e qualquer coisa, tá ali um bar para pegar uma água se a sede bater, ou simplesmente pegar um espumante, tirar uma selfie e brindar a vida, porque né? Merecemos! ????

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Os tratamentos para a pele

Mas como eu já tinha falado ao explicar os pacotes, há dois tipos de máscaras no Blue Lagoon: a de sílica (liberada para todos) e a de algas (para Premium e Comfort).

Todas as máscaras podem ser retiradas num dos quiosques aquáticos do outro lado da lagoa, oposto ao bar. A de sílica, que é liberada para todos, parece mesmo uma argila, e que deve ser aplicada primeiro no rosto, porque faz uma limpeza profunda e tal.

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Eles recomendam ficar com ela no rosto por 10 minutos. Ela é meio pastosa e, à medida em que vai secando no rosto, vai ficando meio dura.  ????

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Duas coisas, porém, que eu fiz errado e aviso logo para vocês:

Primeiro, não deixem a máscara de sílica encostar no cabelo, senão fica uma verdadeira palha nos próximos dias. O mesmo vale para o cabelo e a água: prenda com um elástico, porque ele resseca horrores – como vocês podem ver, eu não segui essa regra e aprendi da pior forma depois!

Segundo: na hora de retirar a máscara, não mergulhem o rosto na água – aliás, não mergulhem o rosto na água de forma alguma, porque é meio incômodo para os olhos. Tentem tirar a máscara com as mãos e com a água mas sem deixar que ela escorra nos olhos. Digo isso porque não é nada perigoso, mas é bastante incômodo: parece que temos areia nos olhos!

Ah, como a máscara de sílica é liberada, todo mundo coloca ela à vontade pelo corpo, rosto, tudo – o resultado é que há momentos em que o quiosque é meio “disputado” – mas de forma nenhuma isso chega a ser uma confusão, é até divertido! 🙂

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Já a de algas fica em um recipiente à parte, e é mais semelhante a um gel. A vantagem é que, se o seu pacote for o Standard, que não dá direito a ela, mas ao chegar na hora você mudou de idéia e quer experimentar, pode pagar à parte – são €3 euros, somados à sua conta final através da sua pulseira.

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Ela é muito mais agradável para se passar, e é extremamente hidratante. Senti uma diferença enorme na minha pele (infelizmente, porém o estrago no cabelo já tinha sido feito: foi piaçava “mode on” nos outros dias). ????

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E há também os tratamentos: é possível reservar massagens e aplicações cosméticas, feitas por esteticistas em algumas áreas da lagoa – a pessoa fica deitada num colchão flutuante enquanto eles fazem a massagem. Se só a água é super relaxante, imagine a massagem!

 

A saída

Na saída é o mesmo processo: todo mundo se enrola correndo no seu roupão e vai para o vestiário tomar banho – todas as duchas contam com shampoo e condicionar, e este último é indispensável para ajudar a amaciar o cabelo (no meu não adiantou muito – levou uns três dias e muito creme de cabelo para ele voltar ao normal. Leve elástico de cabelo!!!!) Não repare neste momento, mas é bem comum na Islândia que os vestiários não sejam individuais, de modo que é “todo mundo nu” no vestiário feminino sim. Há algumas cabines mais reservadas, mas poucas – em geral os islandeses não são nada desinibidos para tomar banho coletivamente.

Observação: acho que vale a pena registrar um detalhe de que eu tinha levado uma câmera de fotográfica a prova d’água (a dita cuja com a qual tirei essas fotos do post) e esqueci no chuveiro. A equipe interna guardou para mim e me entregou perfeitamente quando eu voltei desesperada atrás dela!!!

O Restaurante Lava

Após o vestiário, você devolve todas as toalhas e roupões, faz o pagamento dos extras que consumiu no bar e, uma vez sequinho e quentinho, vai para  o restaurante Lava (especialmente se você contratou o pacote Premium).

Mas se não contratou e quiser comer lá do mesmo jeito, fique à vontade. O restaurante é ótimo e tem uma vista bem legal para a Blue Lagoon.

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Como a maioria da gastronomia islandesa, o cardápio é bem forte em peixes, frutos do mar e cordeiro. Como regra geral, eu comi muito (e muito bem) na Islândia, e o Lava foi um dos pontos altos. O restaurante tem aquela pegada contemporânea. As entradas são em torno de ISK 2900 e pratos em torno de ISK 6000 (dica: deixe espaço para a sobremesa, o Skyr!).

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Dica: no verão, vá ao Blue Lagoon no fim do dia

Acho que essa dica tem mais a ver com a minha necessidade de compartilhar o final do meu dia por lá – mas a verdade é que nosa visita no Blue Lagoon foi ao final do dia e acho que calhou de ser uma ótima opção.

É o seguinte: se você tiver indo para o Blue Lagoon antes de chegar pegar seu voo de volta, tudo bem – você viaja de boa, super relaxado. Porém, se você deixar para ir num bate e volta de Reykjavik, sem pressa, você pode curtir mais as instalações como o restaurante ou a lagoa. Eu particularmente achei bem legal ter ido um pouco antes da tarde, onde pudemos pegar um pouco do melhor dos dois mundos: sol e anoitecer. O visual do Blue Lagoon à noite com as luzes ligadas é bem interessante! ????

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E, talvez, o “plus” maior: eu tive a sorte enorme de ter ido num dia claro, quase sem nuvens, ensolaradíssimo. As nuvens só apareceriam no fim do dia, dando de presente um pôr do sol absolutamente incandescente e lindo.

As fotos não fazem justiça ao lugar, infelizmente. O contraste de água azul e céu rosa, laranja e amarelho é daquelas imagens que você leva para a vida…

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E aí pense: você volta para o seu hotel em Reykjavik com calma, depois de ter feito uma ótima janta, de banho tomado, mais relaxado impossível no corpo e nos olhos. Diga aí se não é um passeio que vale a pena?

Informações técnicas: 

Alguns detalhes sobre a entrada de crianças e adolescentes:

Crianças com menos de 2 anos: não são permitidas

Crianças entre 2 e 13 anos: Não pagam nada no plano mais barato se estiverem acompanhadas dos seus responsáveis. Tem várias áreas mais rasinhas para elas ficarem (embora a piscina como um todo não tenha partes fundas).

Adolescentes (entre 14 e 15 anos): Precisam estar acompanhados de um adulto responsável. Há um limite de duas crianças ou dois adolescentes sob tutela de um adulto.

Uma dica para quem vai com crianças: tenha cuidado para a criança não mergulhar ou colocar a água da piscina nos olhos. Não arde, não causa problema, mas por causa dos minerais a sensação é bem incômoda. 🙁

Horário de funcionamento: de 9 às 20 no inverno e de 8 às 22 no verão. Veja todos os horários aqui.

Reservas: é preciso sempre reservar com antecedência – você pode fazer isso direto do site deles aqui. Há também uma série de empresas e agências e comercializam o pacote e já vendem a entrada, mas confira o que elas incluem: na maioria das vezes, o pacote vendido só dá direito ao transporte, à entrada e à máscara de sílica (você teria que levar sua própria toalha, roupão, etc).

Transporte: O próprio Blue Lagoon oferece transporte de ônibus, que saem de hora em hora de Reykjavik e do aeroporto de Keflavik. A contratação pode ser feita direta nos site do Blue Lagoon – você escolhe o local de embarque e desembarque no ato da reserva.

O que levar: Se você contratar o plano Premium, basta levar um biquíni e se trocar lá – talvez uma necessaire com cremes de cabelo, embora o deles ajudem ajudem bastante. Ah, se você tiver cabelo comprido, não esqueça de levar prendedor!!

 

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