Além de Gramado, há muita coisa bonita pelos arredores. E aqui contamos, bem detalhadinho, o que você pode e deve considerar na viagem com sua família para lá!

Veja nossas dicas de Gramado aqui!

Alpen Park (Canela): famoso pelo seu trenó, que percorre 900 metros em meio à mata com velocidade controlada pelo usuário, o Alpen Park tem também várias outras atrações. Na minha opinião, as mais interessantes são aquelas que exploram o que o parque tem de melhor: a aventura integrada à natureza exuberante do local (são 60 mil m2 de área verde).

Tirolesa no Alpen Park. Crédito da Foto: Catarina Donda

Nesta categoria se enquadram atividades como tirolesa, arvorismo e quadriciclo, além do próprio trenó. Já atrações como cinema 4D, touro mecânico e simulador me parecem meio fora de contexto.

Parque Caracol (Canela): em nossa opinião, um dos passeios mais legais da região. Além da bela cascata que dá nome ao parque, há trilhas para caminhada, locais para descanso, elevador panorâmico, estacionamento, um centro de informações ambientais, um restaurante a quilo que serve comida caseira a preço justo, um mini-parque infantil e algumas lojas de artesanato e artigos regionais – onde jaquetas de camurça e sobretudos de lã têm preços excelentes.

Cascata Caracol: a vazão estava pouca pois não chovia há dias, mas ela estava linda mesmo assim. Crédito da Foto: Catarina Donda

Uma atração à parte são os inúmeros quatis, circulando totalmente à vontade em meio aos turistas.

Um dos gulosos (e curiosos) quatis do Parque Caracol. Crédito da Foto: Catarina Donda

Fizemos a trilha ao longo do rio que deságua na cascata Caracol. Ela não tem nenhuma dificuldade e oferece belíssimas paisagens: pequenas quedas do rio, um paredão de pedra, uma mini “praia” e a represa.

Quedas d’água ao longo de trilha no Parque Caracol. Crédito da Foto: Catarina Donda

 

Na mesma trilha, vista do rio com paredão de pedras ao fundo. Crédito da Foto: Catarina Donda

O banho não é permitido, mas a vista compensa. Entre o último ponto desta trilha e o centro ambiental, existe um belo gramado, perfeito para um descanso. Quando passamos, havia um casal fazendo um piquenique, porém não sei se é permitido ali – vale fazer uma consulta antes. O centro ambiental é modesto, mas tem informações interessantes sobre as espécies animais e vegetais que habitam o parque, com amostras dos troncos das árvores e animais empalhados. Enfim, todo o passeio vale super a pena. A única coisa no Caracol que não recomendamos é o parquinho infantil que pretende retratar como foi a vida dos imigrantes, onde se chega por um trenzinho – é pequeno e não compensa o ingresso.

Teleférico de Canela: bem próximo ao parque do Caracol, fica o teleférico de Canela. O trajeto (ida e volta) dura cerca de 20 minutos e você pode desembarcar nas extremidades, onde há mirantes com vista para o cânion da cascata e o Vale da Lageana. Toda a vista é bonita, especialmente no verão, em que as hortênsias estão no auge e você parece planar sobre um tapete de flores.

Teleférico de Canela e o tapete de hortênsias. Lindo, não? Crédito da Foto: Catarina Donda

Uma notícia que me assustou quando escrevia este post e pesquisei mais na Internet sobre a atração, foi que já ocorreram acidentes ali, com alguns feridos (nov/2008 e mar/2011). Após o último, o parque andou interditado para vistorias até ser liberado. Conosco foi tudo bem, e espero que continue sendo.

Castelinho Caracol e seu apfelstrudel: uma das primeiras residências do município de Canela, o castelinho na verdade é uma grande casa em madeira, construída entre 1913 e 1915 pela família Franzen. Transformada em museu em 1985, a casa mantém sua mobília original, e um de seus aspectos mais interessantes é a técnica de construção, com um sistema de encaixes e parafusos, sem uso de pregos.

Mobília original no Castelinho Caracol. Crédito da Foto: Catarina Donda

O outro é o espetacular apfelstrudel (torta de maçã), servido com nata ou sorvete de creme na sala de chá.

Apfelstrudel quentinho com sorvete de creme: de comer rezando. Crédito da Foto: Catarina Donda

O apfelstrudel é feito na hora (hummm!), no antigo fogão à lenha – de onde saem também outras delícias, como waffel quentinho e geléias de frutas. Dá até para ir conferir o aroma na panela.

O apfelstrudel do Castelinho Caracol é feito no antigo fogão à lenha. Crédito da Foto: Guilherme da Fonseca

Raízes coloniais:  o passeio, oferecido com nomes similares por diversas operadoras de turismo da região, foi criado com o nobre propósito de manter vivas as tradições dos imigrantes e evitar o êxodo rural, fornecendo uma fonte extra de renda para os colonos que recebem os turistas. Para nós, visitantes, é uma deliciosa viagem histórica e cultural e um excelente exemplo de turismo não predatório e distribuidor de renda.

Meu pequeno admirando a paisagem rural no passeio “Raízes coloniais”. Crédito da Foto: Catarina Donda

No passeio que fizemos e que durou uma manhã, visitamos uma casa centenária, um antigo moinho de milho ainda em funcionamento, uma fábrica artesanal de erva-mate (a matéria-prima do chimarrão), um museu particular com objetos do período da imigração e uma pequena propriedade. Em todos eles, tivemos a oportunidade de conversar com as famílias, ouvir as histórias de seus antepassados e dos objetos e lugares que víamos.

O antigo moinho ainda funciona! Crédito das Fotos: Catarina Donda
Parreiral em propriedade familiar – as uvas nem estavam maduras, mas já davam água na boca! Crédito da Foto: Catarina Donda

Na última parada, um delicioso lanche preparado pela família anfitriã fechou com chave de ouro o passeio: pão, queijo, salame, linguiça, “calça-virada” (um biscoitinho que tem o formato de uma calça com as pernas torcidas); tudo fresquinho e feito por eles mesmos, que ainda nos receberam entoando canções italianas ao som de um acordeon. Tudo bem que o roteiro é montado para turista, o que tira um pouco da espontaneidade do que seria uma autêntica imersão na vida dos colonos; porém a simpatia e o calor com que eles nos recebem são genuínos, e ter esta visão, ainda que parcial, da vida que eles levam é muito enriquecedor.

Uva e vinho

Uma viagem à Serra Gaúcha sem conhecer as vinícolas da região não está completa. O passeio é super interessante e, para aqueles sem muita intimidade com a bebida, pode significar um divisor de águas na relação com o vinho – foi assim comigo, quando fiz este passeio em 2005. Depois de entender o processo de fabricação, ouvir sobre as variedades de uva, notar os aromas, as sutis diferenças – se o vinho ficou descansando em barril de carvalho, se foi logo engarrafado etc – passei a apreciá-lo. Continuo longe de me tornar uma entendida do assunto, mas pelo menos nunca mais cometi a “heresia” de colocar um vinho suave na boca (que nada mais é do que um seco com açúcar e conservante).

Você pode optar entre um dia visitando vinícolas diversas – e aí várias operadoras de turismo oferecem os passeios, o que pode ser uma boa pedida para não ter de se preocupar com a combinação álcool + volante. A maior parte das vinícolas está concentrada na região de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, e um roteiro interessante pode incluir uma visita a uma grande vinícola, a outra pequena e a uma produtora de espumante. Entre as pequenas vinícolas familiares, indico a Zanrosso, que foi a que visitei na época. Os tours costumam incluir um passeio de maria-fumaça. E também uma visita à loja de fábrica da Tramontina – que não costuma compensar, pois os preços são os mesmos de qualquer outro lugar (já a lojinha de queijos bem em frente é um verdadeiro achado. São queijos artesanais de-li-ci-o-sos, de variados sabores e com ingredientes como nozes, pimenta e especiarias).

Mas, voltando aos vinhos, a segunda opção é ter uma experiência mais intensa, que inclui participar da colheita, pisar as uvas, acompanhar o processo de produção do vinho, degustá-lo em diversos estágios, participar de almoço e, se for o caso, até mesmo se hospedar na vinícola (é o que quero fazer na minha próxima viagem à região). O colunista Didu Russo, da revista 29 Horas, indica os passeios da Miolo; da casa Valduga ; da Pizzato e da Lovara (este último é feito à noite e promovido pelo hotel Dallonder). Para aproveitar estes passeios, é preciso ir entre o final de janeiro e meados de março, período da colheita.

Mas se você pensa em alugar um carro, aqui você pode achar preços e cotações especiais para lá. Algumas ofertas tem até desconto se feitas pela internet.

Nova Petrópolis

Conhecida como a mais alemã das cidades da Serra Gaúcha, Nova Petrópolis também tem os melhores cafés coloniais (já citados anteriormente) e ótimas opções de compras de malhas de tricot. Andando pela Av. XV de Novembro, no centro da cidade, você encontra várias lojas e galerias. Gostei muito da Griffane, de moda feminina, e da Galeria do Imigrante, onde encontrei até moletons infantis de excelente qualidade e preço, vendidos avulsos – você monta o conjunto.  Outras conhecidas atrações da cidade são o Labirinto Verde e o Parque Aldeia do Imigrante – que possui lojas de malhas, artesanato, couro, restaurantes, bandas de música típica, lago de pedalinhos, e uma aldeia que reconstrói a história dos imigrantes alemães, cercada por muita área verde.

Igreja de São Pelegrino (1953), em Caxias do Sul

As belíssimas pinturas no altar, na nave central e na Via Sacra da igreja foram feitas pelo italiano Aldo Locatelli e são impressionantes: parecem estar em 3D, tal a maestria do artista ao trabalhar profundidade e expressão. Vale a visita.

Jantares típicos

A churrascaria Garfo & Bombacha, em Canela, oferece show de danças tradicionais gaúchas acompanhada de churrasco e pratos típicos da comida campeira. Assisti em 2005 e valeu muito a pena (o show é excelente, a comida é simples, mas o objetivo aqui é conhecer a cultura gaúcha). Já o restaurante Torquês, em Nova Petrópolis, que promove a Noite Alemã, decepciona. O que era pra ser uma apresentação de danças folclóricas alemãs acompanhado de um buffet de café colonial e pratos típicos é na verdade o buffet acompanhado de música ao vivo. Isto porque o salão é gigantesco, recebe dezenas de excursões e o palco tão pequeno que não se enxerga nada.

Outras sugestões

Para os amantes dos esportes radicais, Canela oferece vários parques e atividades. E para quem gosta de uma integração mais contemplativa com a natureza e quer viver de perto as tradições locais, as cavalgadas gaúchas com churrasco na vala me parecem uma ótima pedida – tem em Gramado, Canela e São Francisco de Paula. Outro passeio que não pude fazer devido ao mau tempo, mas que ainda está na minha lista, é a visita ao Cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional dos Aparados da Serra. Informe-se nos postos de turismo.

Comments

6 COMENTÁRIOS

  1. Nossa. que post completo. Gostei muito, parabéns.
    Essa é uma das regiôes do Brasil que quero muito conhecer. E com a leitura do seu texto só aumentou minha vontade. vou ler outras partes do site agora.

  2. Olá, e o passeio de Maria Fumaça em Bento Gonçalves, será que vale a pena, vou com meus dois filhos de 2 e 5 anos. Parabéns pelo completíssimo post, adorei! Será meu guia.

    • Olá Rizia, muito obrigada! Que bom que gostou do post. Eu não fiz o passeio de Maria Fumaça, mas ele é bastante elogiado. São 23km percorridos em cerca de 2h, com parada para degustações de vinho, espumante e suco de uva. Dentro do trem e nas estações, há apresentações típicas italianas e gaúchas. No seu caso, que vai com crianças pequenas, vale considerar se este passeio seria interessante para eles, além da questão das passagens: crianças até cinco anos não pagam (mediante apresentação de documento), mas também não têm direito a assento, então seria preciso ficar com eles no colo caso você não queria comprar mais bilhetes. A Secretaria de Turismo do RS fornece mais informações e relaciona receptivos que fazem o passeio no link abaixo: http://www.turismo.rs.gov.br/portal/index.php?q=destino&cod=4&opt=18&id=108&bd=&fg=3

  3. Estive em Gramado e arredores em 2012 e estou voltando em 2018 , na verdade passagem de ano. Adorei ,e embora seja uma data bastante tumultuada por lá , tentarei conhecer parte do que falta conhecer , e já trazer na bagagem um pouquinho de saudade que é para ter motivo de passear por lá novamente .

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