A sabedoria popular diz que se beber, não dirija. Só que na prática não tem jeito – é preciso alugar carro em Porto, se você quiser visitar por conta própria as vinícolas da Rota do Vinho Verde em Portugal.

Eu aluguei um carro  em outubro de 2016 para fazer a viagem pela região do Minho, com direito a um desvio delicioso pela região do Rio Douro. Como a ideia era seguir exatamente o roteiro que um viajante vindo do Brasil faria, eu optei por marcar a retirada e devolução do carro no aeroporto do Porto, o Sá Carneiro (OPO). Daí eu fui anotando tudo o que deu certo (e o que poderia ter sido melhor) na viagem: isso inclui dicas em relação ao aluguel em si, dicas sobre as estradas, os pedágios, tudo.

Segue, então, o meu compilado de dicas! 😉

Dicas principais do post (para quem não quer perder tempo):

Dica 1: Escolha a locadora mais conveniente

Dá para alugar no momento do balcão, mas reservar pela internet é mais garantido, especialmente na alta remporada. Eu optei por reservar pela RentalCars, porque queria testar o serviço de reserva via internet – especialmente a pesquisa de preços e como seria a entrega do carro. Acabei contratando o aluguel de um Fiat Panda econômico, condutor extra e GPS, de uma locadora chamada Interrent.

O que eu teria feito diferente:

  • Procurado locadoras que tenham balcões dentro do aeroporto Sá Carneiro, o aeroporto da cidade do Porto. Eu digo isso porque a Interrent, locadora que eu escolhi por causa da oferta de preço de um carro, era meio complicadinha de encontrar e isso nos atrasou bonito no primeiro dia. Tínhamos combinado de pegar o carro às 10 horas da manhã (queríamos já pegar a estrada para Melgaço porque tínhamos compromissos no início da tarde) e a locadora informou que haveria alguém nos esperando na área de desembarque para nos levar ao local de retirada do carro. Pois não havia – o aeroporto estava vazio, inclusive. E depois de perder 40 minutos tentando encontrar alguém, ligar para o telefone de contato e nada, apareceu um gajo numa van para nos levar, com a cara mais limpa do mundo dizendo que estava lá o tempo todo. O mesmo aconteceu na hora da volta: nosso horário de devolução era às 20 horas, e a sinalização é terrível para chegar ao estacionamento deles de noite (o GPS tampouco ajudou). Ok, pode ter sido um contratempo contornável, mas não precisava disso, né?

Locadoras com balcão dentro do aeroporto: Europcar, Sixt, Hertz, Avis Budget

Locadoras fora do aeroporto: InterRent (a que eu peguei), Drive on Holidays

  • Teria alugado da RentCars: A RentalCar era parceira do blog na época, e por isso eu queria testar o serviço deles. Na prática, o atendimento deles foi bem certinho, mas depois de ter feito esta viagem que eu conheci a RentCars (o nome é parecido, mas sáo empresas diferentes) e vi que os valores deles eram mais interessantes. Além disso, eles cobram em reais (leia-se, sem iOF) e ainda parcelam. Nota: como eu achei que a proposta deles era bem mais vantajosa para os viajantes, eu preferi transferir a parceria com eles, de modo que se vocês alugarem com a RentCars por aqui, o blog ganha uma comissão sim. Você não paga nada a mais por isso e ainda me ajuda a produzir esse conteúdo legal para vocês.
Comparativo: Para este post, eu acabo de fazer uma pesquisa de aluguel de carro econômico por 7 dias com retirada e devolução no aeroporto do Porto. Pesquisei os mesmos critérios e datas na RentalCars (esquerda) e RentCars (direita). Veja a diferença de preço de dois resultados aleatórios entre os dois sites (repare que a locadora é exatamente a mesma).
  • Não teria me deixado levar por uma oferta: Eu caí numa dessas de optar por uma determinada locadora só porque o preço incluía um condutor adicional, mas no fim das contas isso não valeu tanto a pena – como eu falei acima, a locadora que ofereceu isso era meio distante, demorou para nos encontrar no momento da retirada do veículo (o que nos fez perder um compromisso) e deu um certo trabalhinho ao buscar e devolver o carro.

Além disso, nem sempre a oferta é essa economia toda. Pesquisando agora pela mesmoa oferta de “condutor adicional incluído”, eu achei isso aqui – ao comparar a diferença do mesmo carro pelo mesmo período de tempo, o condutor adicional é adicionado como “promoção”, mas nem sempre é um bom negócio. Valeria mais pagar por ele como extra mesmo, mas numa locadora que seja mais conveniente, e não ir pela empolgação como eu fui.

Esse é um exemplo da tela de aluguel de carros na RentalCars com saída e chegada do Porto, para um período de 8 dias. Na ocasião, eu fiquei seduzida pela oferta do Condutor Adicional Incluído e fui nela. Mesmo não tendo sido este o carro que eu aluguei, ele é um bom exemplo: veja como a diferença de preço é considerável e que a tão oferta do Condutor Adicional não é tão vantajosa assim.

 

Dica 2: Reservando os extras

GPS, condutor adicional, cobrança automática de pedágios: esses são os extras que vale a pena você acrescentar ao aluguel do seu carro, na minha opinião. (O condutor adicional é no caso, claro, de você dividir a direção com alguém – o que eu recomendo muito se você for fazer visitas às vinícolas do vinho verde).

E eu tenho duas dicas importantes sobre esses itens. 🙂

#1. Vale mais a pena reservar o GPS ou o roteador wifi? Ou os dois?

Como foi no meu caso: eu havia reservado inicialmente o GPS, porque nosso roteiro incluía explorar mesmo as ruazinhas e cantinhos de Portugal, e GPS é mais do que necessário. mas ao chegar no balcão eu preferi trocar a reserva e levar apenas roteador portátil, que seria um jeito de matar dois coelhos de uma vez só: eu poderia conectar meu celular via wifi e usar o GPS pelo celular, e também poderia usar no hotel para acessar internet e trabalhar à noite.

Ou mandar selfies via Instagram, como a menina do balcão da locadora me sugeriu. 😛

Foi a melhor coisa. A velocidade da internet do roteador de Wifi portátil era relativamente boa e usar o GPS com ela através do celular foi tranquilo (embora fica mais fácil quando se tem um co-piloto para ajudar na navegação). Não tivemos problema de sinal em nenhum lugar (e olhe que a gente se embrenhou por além de onde Judas perdeu as botas) e houve ocasiões em que o roteador de wifi era melhor que o wifi de alguns hotéis ou restaurantes que visitamos. Recomendo.

Nosso roteador portátil que nos acompanhou durante a viagem…

Só tem um lado chatinho: a bateria do roteador do wifi durava apenas quatro horas, de modo que ela tinha que estar constantemente carregando através do carregador do carro, bem como dos hotéis. Era mais um item para entrar no rodízio dos cabos e a adaptadores de tomada para carregar.

Observação: os sites da RentalCars e da Rentcars dão a opção de alugar o GPS com antecedência e não o roteador, mas dá para alugar o roteador no balcão no momento da retirada. Eu tinha pago pelo GPS pela internet e o que fiz foi trocar na hora – deu certo!

 

#2. Vale a pena alugar o pedágio automático em Portugal?

Tem dois tipos de pedágios nas estradas de Portugal (eles chamam de portagens).

O primeiro é do mesmo tipo que conhecemos no Brasil, com guichês e cancelas. Você pode pegar a fila de carros e pagar nas cabines, ou alugar um sistema de pedágio automático (tipo o nosso Sem Parar) e pegar a via expressa ao lado – a cobrança será feita depois, no seu cartão de crédito.

O nome do sistema de pedágio eletrônico deles se chama Via Verde, e você pode alugar direto na locadora de carros. Muita gente que vem do Brasil prefere economizar e não alugar a maquininha e pagar direto no guichê, em dinheiro – assim, além de não arcar com o custo do extra, também náo paga o iOF do cartão depois.

Só que o meu conselho seria: alugue mesmo assim. Porque o segundo tipo de pedágio é mais chatinho de pagar.

O segundo tipo de pedágio é o SCUT, que funciona como uma cobrança virtual eletrônica de todos os carros que passam numa via. Tipo um radar, mas repare que ele não vai captar apenas quem está acima da velocidade (há radares com essa finalidade também). O SCUT cobra eletrônicamente todos os veículos que passam numa estrada a cada X trecho de quilômetros, e o condutor do veículo precisa ir numa agência de correio em até 5 dias para pagar esse valor.  Senão tem multa, e a multa é feia (e não adianta fugir que ela vai chegar no Brasil para você).

Só que pensa comigo: você está passeando de boa, conhecendo e parando em cada cidadezinha, tomando seu vinho e comendo aquelas delícias portuguesas maravilhosas… e tem que parar tudo para correr numa agência de correio para ver quanto e como precisa pagar? E que se náo pagar em X dias ganha multa? E imagina se você está viajando com um roteiro corrido, de carro, com pouco tempo entre cada ponto (o que era o nosso caso)?

Sei lá, eu sou dessas que não consigo desligar na viagem se tem uma coisa rodando no background do meu computador cerebral me lembrando que eu tenho que fazer. Prefiro fazer logo. Por isso, achei melhor pagar pelo aluguel do Via Verde. Sim, paguei por um IOF a mais, mas eu prefiro fazer isso e ter a paz mental de ter uma coisa a menos para fazer, para cuidar.

Observação: lembro que paguei 8 euros de pedágio, mais alguns centavinhos. Ou seja, é pouco, e não vale ter o estresse de ficar procurando agência de Correios em Portugal só para economizar iOF em valores assim, baixinhos… E tem um app do Via Verde que você pode baixar e controlar em tempo real o valor dos pedágios que você tem que pagar – tem para iPhone e Android.

Então, fica a dica: peça o aparelho do Via Verde na locadora. Isso tinha sido uma dica da atendente da locadora no momento em que eu retirei o carro. Na época eu achei que ela estava me empurrando um extra, mas hoje eu acho que foi um dos bons conselhos que eu recebi.

 

Dica 3: Contrate o seguro e leia as entrelinhas

Em geral as  locadoras oferecem os seguintes seguros:

  • Seguro contra danos, furtos e avarias ao veículo;

  • Seguro contra roubo do veículo (às vezes algumas seguradoras incluem essa proteção no seguro acima).

  • Seguro contra terceiros (cobre danos materiais e pessoais caso você se envolva num acidente com outra pessoa. Atenção: a maioria dos seguros de cartão de crédito não incluem essa cobertura!).

  • Seguro para despesas médicas, assistência e resgates.

O que eu aprendi:

Não confie só no seguro do cartão de crédito: ele não cobre seguros contra danos a terceiros, por exemplo. Também não se contente com os seguros parciais e baratinhos confiando na sorte.

Tanto a Rentalcars como a RentCars oferecem uma proteção total que incluía todos os itens acima – mas será necessário um depósito caução:  No meu caso, eu conferi que a miha reserva pela RentalCars já incluía o seguro total, mas esqueci de ler na confirmação da reserva de que seria necessário um depósito caução de €800 (oitocentos euros) no cartão de crédito no ato da retirada do veículo – esse valor ficaria bloqueado no meu limite até a devolução (em perfeito estado, óbvio) do veículo.

Ou seja, você tem duas opções: concordar com o seguro da RentalCars/Rentcars e se programar para o fato de que precisa ter esse limite disponível no seu cartão ao longo da viagem – ou pagar por um seguro extra na hora, também pelo cartão, no balcão da seguradora. Como eu tinha esquecido totalmente desse detalhe, eu vinha usando o cartão e estava morrendo de nervoso de dar o mico do cartão estourar e tal. 😓

Você pode contratar proteções adicionais direto com a locadora, no ato de retirada do veículo. Essas proteções podem ser proteção pessoal para os integrantes do veículo, taxas para ter anuidades mais baixas, proteção contra pane seca, etc.

O que eu fiz:

Em tempo: não quero dizer que o que eu fiz é o mais indicado, mas achei que podia ser útil explicar.

Como eu já tinha a proteção total da RentalCars (mas tinha esquecido de ler o lance do caução dos 800 euros), fui toda felizinha até o balcão da Interrent buscar o carro e tomei um susto – eu não sabia se teria essa quantia disponível no meu cartão para ser bloqueado, e fiquei com medo de isso inviabilizar o aluguel (fora o fato de que eu já estava atrasada). Foi então que a menina do balcão me ofereceu a proteção adicional que diminuía a franquia.

Era o seguinte: com o seguro da RentalCars, eu teria €800 euros bloqueados no meu cartão de crédito, e caso ficasse envolvida num acidente, a franquia seria de €950 reais – ou seja, os 800 euros seriam debitados e eu teria que pagar o excedente. Porém, no balcão da Interrent eu poderia contratar um seguro por €140 euros, que exigiria apenas que eu bloqueasse €100 no meu cartão, e não teria mais a franquia de €950 em caso de acidente.

Taí o pedaço de papel em que a moça da Interrent me explicava a matemática.

 

A diferença é que, se eu contratasse dessa forma, eu estaria segurada pela Interrent e não pela RentalCars – ou seja, em caso de acidente eu teria que me resolver direto com a locadora.

No fim das contas: meu cartão passou e eu preferi fazer o bloqueio dos €800 euros mesmo, com a RentalCars. Achei que já era um cobertura suficiente e deu tudo certo – o bloqueio foi liberado em seguida à devolução. 🙂

 

Dica 4: Dirigir em Portugal é bom – mas fique com um olho no céu e outro na estrada

Um alerta que eu diria em relação às estradas, especialmente na região do Minho: lá costuma chover muito, mas muito mesmo, nos meses de outubro, novembro, dezembro e fevereiro (minha viagem foi em outubro).

Tipo, chuvas torrenciais. A pista fica super escorregadia. 🌧🚗🌧

Eu aviso isso não para inviabilizar a sua viagem, mas para você ter em mente que é uma boa alocar mais tempo para os seus deslocamentos e dirigir sem pressa. Especialmente se o seu roteiro incluir longas distâncias dirigindo.

E além da chuva, as estradas portuguesas tinham um outro detalhe também…

“Aqui em Portugal, motorista de caminhão é bully”

Essas são palavras da Sara, minha amiga portuguesa que mora em Porto e que me acompanhou na viagem (ela cuida do ótimo blog Portoalities, que recomendo muito a visita!).

A verdade é que se ela náo tivesse avisado, eu não teria percebido de primeira. No geral, as estradas portuguesas são ótimas, os motoristas de outros carros eram educados, tudo sinalizado, paisagens lindíssimas. Tirando os momentos de chuva forte, a gente ia indo num amor só.

Mas aí aparecia um caminhão. E outro, e outro. E de repente, eu que estava só amores com a estrada, tinha um flashback de como era dirigir pela BR 101, no Rio de Janeiro: quem já dirigiu por lá sabe a sensação de ter caminhões colados na sua traseira, em alta velocidade, buzinando, farol na altura do seu espelho retrovisor, forçando passagem pela direita, pela esquerda, por onde der.

Ok, não eram todos os motoristas de caminhão lá que faziam isso – mas a gente só precisa ter a experiência de dirigir com um ou dois caminhoneiros bullies no Brasil para já saber como é, né?

Mas enfim, é só um alerta. Portugal é lindo.  Dirige na sua e não cai na pilha deles, tá?

 


Como nossa viagem para Portugal tinha como objetivo fazer a Rota do Vinho Verde, alugar um carro foi a única alternativa de deslocamento para chegar nas vinícolas premiadas (que eram também as mais escondidas) e encontrar os melhores restaurantes (que ficavam afastados das estradas principais).

Fora que Portugal é um país lindo para se ver da janelinha também! 😍

Se você tiver interesse, por favor dê uma olhada nos posts sobre a Rota do Vinho Verde – estão bem compiladinhos e tenho certeza de que é uma viagem que você vai adorar!

E se você tiver qualquer experiência ou dica sobre alugar o carro em Portugal, por favor deixe aqui nos comentários! 🙂

Comments

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor escreva o seu comentário! :)
Por favor escreva seu nome aqui